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por Thomas Frey

Pergunta: Uma vez que os livros físicos estão desaparecendo e os computadores e dispositivos inteligentes tomam seu lugar, em que ponto uma biblioteca para de ser uma biblioteca e começa a se tornar outra coisa?

Em algum lugar no meio desta questão reside um medo persistente e uma ansiedade que vemos transbordar para o topo entre pessoa que se relacionam com a biblioteca.

Pessoas que acham que bibliotecas irão sumir simplesmente porque livros estão se tornando digitais estão perdendo as verdadeiras mudanças tectônicas que ocorrem no mundo da informação.

Bibliotecas não têm a ver com livros. Na verdade, nunca foram sobre livros.

As bibliotecas existem para nos dar acesso à informação. Até recentemente, os livros eram o modo mais eficiente de transferir informação de uma pessoa para outra. Hoje existem 17 formas básicas de informação que estão tomando o lugar dos livros e no futuro existirão muitas mais…

Mapas de posto de gasolina

Quando criança, eu era apaixonado pelos mapas de graça que eu podia pegar nos postos de gasolina. Ao longo do tempo eu colecionei mapas de quase todos os estados e de algumas províncias canadenses.

Junto com os primeiros dias do automóvel e um sistema rodoviário geralmente confuso surgiu a necessidade por mapas. Companhias de gasolina rapidamente perceberam que as pessoas que sabiam onde estavam indo geralmente viajavam mais, e consequentemente compravam mais gasolina.

Ao longo do tempo, qualquer um que dirigisse um carro logo esperava por mapas grátis onde quer que parassem pra abastecer, e companhias como Rand McNally, H.M. Gousha e General Drafting fizeram milhares destes mapas para ir ao encontro da demanda.

No início dos anos 70, quando eu estava recém aprendendo sobre a liberdade de ter um carro, eu não poderia imaginar uma época em que esses mapas não fossem uma parte integral da minha vida.

Hoje, como os GPS e smartphones nos dão instruções passo a passo para onde devemos ir, mapas rodoviários impressos existem como pouco mais que itens de coleção para pessoas que gostam de preservar suas memórias de uma era que já se foi.

Será que os livros impressos também passarão por um decrescimento de popularidade similar?

Nosso relacionamento com a informação está mudando

Como a forma e o sistema de entrega para o acesso à informação muda, nosso relacionamento com a informação também começa a se transformar.

Se tratarmos isso como outro tipo de relacionamento, podemos começar a ver de onde viemos e para onde vamos.

Foi-se a época em que simplesmente “flertávamos” com nossos dados, ocasionalmente olhávamos pra eles, esperando que eles prestassem mais atenção em nós.

Na escola tínhamos um relacionamento mais do tipo “namoro”, arrastávamos livros por aí, esperando que eles nos transmitissem seu conhecimento mesmo que as partes que lêssemos fossem poucas e distantes uma das outras. Bem como namorar alguém popular, nos tornávamos conhecidos pelos livros que carregávamos debaixo de nossos braços.

Quando começávamos a trabalhar, nos tornávamos “casados” com um universo relativamente pequeno de informação que envolvia nosso trabalho, companhia e indústria. As pessoas que se tornavam imersas em seu universo particular se tornaram reconhecidas como especialistas e foram rapidamente para o topo.

Hoje estamos começando a ter “casos” com outras formas exóticas de informação tais como redes sociais e conversa por vídeo. Todos estes novos modos de informação parecem muito mais vivos e vibrantes do que o mundo do livro com o qual fomos casados até o século passado.

Sozinhos, em alguma estante empoeirada, estão os livros com quem algum dia fomos casados. Em algum nível, muitos de nós nos sentimos como traidores por abandonarmos nosso passado, nunca chegando perto de um divórcio que nos deixou com lealdades misturadas  nos assombrando tanto em nível consciente como inconsciente.

Se você acha que esta é uma analogia maluca, muitos irão argumentar que não. Se qualquer coisa, a informação é o coração e a alma de nosso eu emocional. Mesmo que não possamos senti-la nos tocando como um dedo pressionando nosso braço, uma grande obra de literatura tem algum modo de acariciar nossa mente, jogar fogo em nossa raiva interior, enviar arrepios pela nossa coluna e nos dar uma sensação eufórica enquanto acompanhamos nosso herói alcançar uma conclusão climática.

Livros do passado continuam a manifestação física deste tipo de experiência e sem sua presença uma parte de nós sente-se perdida.

Substituindo Livros

A transição para outros modos de informação tem acontecido há décadas. Uma vez que formos capazes de superarmos a conexão emotiva que temos com os livros físicos, começaremos a ver como o mundo de informação está de subdividindo em dúzias de diferentes categorias.

Abaixo segue uma lista de 17 categorias primárias de informação que as pessoas utilizam no dia a dia. Enquanto elas não são substitutos diretos para livros físicos, eles todos tem uma forma de conseguir nossa confiança. Podem existir mais categorias que eu tenha esquecido, mas enquanto você pensa sobre os seguintes canais de mídia, você começa a entender como as bibliotecas do futuro precisarão funcionar:

  1. Jogos – 135 milhões de americanos jogam vídeo games por uma hora a cada mês. Nos Estados Unidos 190 milhões de casas usarão um console de vídeo game da próxima geração em 2012, dos quais 148 milhões estarão conectados à Internet. O jogador mediano tem 35 anos e eles têm jogado games por uma média de 13 anos.
  2. Livros Digitais – Em janeiro, o USA Today reportou uma “onda” de e-books pós-férias, com 32 dos 50 títulos principais em sua mais recente lista vendendo mais cópias em formatos digitais do que impresso. E-books autopublicados agora representam 20-27% da venda dos livros digitais.
  3. Livros de Áudio – Livros de Áudio é o setor que cresce mais rápido na indústria de publicações. Atualmente há uma escassez de livros de áudio no mundo todo enquanto os publicadores correm para atender a demanda. Apenas 0.75% (nem mesmo 1%) do catálogo de livros da Amazon têm até então sido convertido para áudio. Ano passado mais do que U$1 milhão de dólares em livros de áudio foram vendidos apenas nos Estados Unidos. Mais de 5 mil bibliotecas públicas agora oferecem livros de áudio para download.
  4. Jornais – A leitura online de jornais continua crescente, atraindo mais de 113 milhões de leitores em janeiro de 2012. As receitas da indústria de publicidade, no entanto, continuam a cair e estão agora no mesmo nível que estavam nos anos 50, quando ajustadas para inflação.
  5. Revistas – A indústria de revistas norte americana é composta de 5,146 negócios publicando um total de 38 mil títulos. O total de tempo gasto lendo jornais ou revistas é de mais ou menos 3.9 horas por semana. Quase metade de todo o consumo de uma revista se dá com a televisão ligada. A indústria de revistas teve um declínio de 3.5% no ano passado.
  6. Música – De acordo com o “Relatório da Indústria da Música de 2011” da Billboard, consumidores compraram 1.27 bilhões de faixas digitais ano passado, o que contabilizou por 50.3% de todas as vendas de música. As vendas de faixas digitais aumentaram 8.5% em 2011. Enquanto isso, vendas físicas declinaram 5%. De acordo com a Apple, existe uma estimativa de 38 milhões de canções no universo de música conhecido.
  7. Fotografias – Mais de 250 milhões de fotos são postadas no Facebook todos os dias.
  8. Vídeos – A Cisco estima que mais de 90% de todo o conteúdo da Internet será vídeo por 2015. Mais de cem mil anos de vídeos no Youtube são vistos no Facebook a cada ano. Mais de 350 milhões de vídeos no YouTube são compartilhados no Twitter todos os dias. O Netflix transmite 2 bilhões de vídeo por trimestre.
  9. Televisão – De acordo com o A. C. Nielsen Co.,  o americano médio assiste mais de 4 horas de T V cada dia, e tem 2.2 televisões. Uma estimativa de 41% de nossa informação atual vem da televisão.
  10. Filmes – Existem atualmente 39.500 telas de cinema nos Estados Unidos com mais de 4.500 delas convertidas para 3D. O americano médio assiste 6 filmes por ano. Entretanto, quase um terço dos lares norte-americanos usa a Internet de banda larga para assistir filmes em seus aparelhos de TV, de acordo com a Park Associates. Este número está crescendo, com 4% dos lares americanos comprando uma mídia receptora de vídeo tais como a Apple TV e Roku, na temporada de férias de 2011.
  11. Rádio – Assinantes de rádios de satélite, atualmente em 20 milhões, são projetados para alcançar 35 milhões em 2020. Ao mesmo tempo, o rádio na Internet é projetado para alcançar 196 milhões de ouvintes até 2020. Estes combinados ficarão igual ao número de ouvintes terrestres de rádio.
  12. Blogs – Existem atualmente mais de 70 milhões de blogs no WordPress e 39 milhões de blogs do Tumblr no mundo todo.
  13. Podcasts – De acordo com a Edison Research, uma estimativa de 70 milhões de americanos já ouviram a um podcast. A audiência de ouvintes de podcasts migrou de serem predominantemente “early-adopters” para se tornarem mais parecidas com consumidores de mídia mainstream.
  14. Aplicativos – Existem hoje 1.2 milhões de aplicativos para Smartphone com mais de 35 bilhões de downloads. Em algum momento este ano o número de aplicativos irá superar o número de livros impressos – 3.2 milhões.
  15. Apresentações – Liderando nesta área, o SlideShare é a maior comunidade do mundo para compartilhamento de apresentações. Com 60 milhões de visitantes mensais e 130 milhões de visualizações de páginas, está entre dos 200 websites mais visitados no mundo.
  16. Courseware – O movimento OpenCourseware tem pegado fogo com a Apple na liderança. O iTunesU atualmente tem mais de mil universidades participando de 26 países. A seleção de aulas, agora superando a marca de 500 mil, tem tido mais de 700 milhões de downloads. Eles recentemente anunciaram que estão expandindo para o mercado K-12.
  17. Redes Sociais – Seja o LinkedIn, Facebook, Twitter, Google+ ou Pinterest, as pessoas estão se tornando cada vez mais confiantes  em suas redes pessoais para informação. Existem agora mais de 2.8 bilhões de perfis de redes sociais, representando cerca de metade de todos os usuários de Internet no mundo todo. LinkedIn tem agora mais de 147 milhões de membros. Facebook tem mais de 1.1 bilhão de membros e contabiliza 20% das visualizações de páginas na Internet.  O Google+ atualmente tem mais de 90 milhões de usuários.

Cada uma destes modos de informação tem seu lugar nas bibliotecas do futuro. O fato de os livros físicos desaparecerem ou não tem pouca relevância no esquema geral das operações da biblioteca do futuro.

Steve Jobs apresentando o iCloud

A era próxima da biblioteca na nuvem

Em junho de 2011, Steve Jobs fez sua última aparição pública em uma conferência de desenvolvedores de software para divulgar o iCloud; um serviço que muitos acreditam que se tornará o seu maior legado.

Como Jobs imaginou, todo o universo de músicas, livros, filmes e uma variedade de outros produtos de informação residiriam no iCloud e poderiam ser “puxados” quando alguém precisasse de acesso a eles.

As pessoas inicialmente comprariam o produto através do iTunes e a Apple manteria uma cópia dele no iCloud. Então cada compra subsequente por outros usuários da Apple seria um rápido download diretamente do iCloud.

 Indiferente ao fato de o universo da informação se desenvolver na nuvem como Jobs imaginou, cada biblioteca precisará desenvolver a sua própria estratégia na nuvem para o futuro.

Como um exemplo, em um recente evento de biblioteca no qual eu estava palestrando, uma bibliotecária mencionou que tinha acabado de encomendar 50 Kindles e 50 Nooks para sua biblioteca. Na época, ela lidava com as restrições dos publicadores que apenas permitiam que eles carregassem cada livro digital em 10 dispositivos. Então quais dispositivos ficam com o conteúdo no final?

Ao longo do tempo, é fácil imaginar uma biblio teca com 350 Kindles, 400 iPads, 250 Nooks, 150 Xooms e uma variedade de outros dispositivos. Controlar qual conteúdo será carregado em cada dispositivo se tornará um pesadelo logístico. Entretanto, ter cada pedaço de conteúdo digital carregado na nuvem e restringi-lo a 10 downloads simultâneos será mais fácil de administrar.

Esta foto poderia ter sido preservada pela sua biblioteca na nuvem.

O valor do arquivo comunitário

Como era sua comunidade em 1950, ou em se tratando disso, em 1850 ou até mesmo em 1650? Que papel a sua comunidade desempenhou durante a Guerra Civil? O quão ativa ela foi durante as eleições presidenciais de 1960? Como os locais reagiram ao bombardeio de Pearl Harbor?

Nós temos acesso à vários livros de história que nos oferecem a “história oficial” de todos os principais eventos ao longo da história. Mas compreender a intersecção de nossa cidade, nossa vila, ou nossa comunidade com esses eventos marcantes nunca, na maior parte das vezes, foi capturado ou preservado. No futuro, isso se tornará uma das funções mais valorosas fornecidas pela biblioteca comunitária.

As bibliotecas sempre tiveram um mandato para arquivar os registros de sua área de serviço, mas raramente isso foi buscado com mais do que um entusiasmo passageiro. Arquivos dos encontros do conselho da cidade e livros de histórias locais fizeram o corte, mas poucos consideraram a biblioteca como um bom arquivo de vídeos ou fotografia.

Ao longo do tempo, vários dos jornais, rádio e estações de televisão começarão a desaparecer.  Uma vez que estes negócios perdem sua viabilidade, seus depósitos de vídeos de transmissões históricas e documentos precisarão ser preservados. Mais especificamente, cada transmissão de rádio, jornal e televisão precisarão ser digitalizados e arquivados.

Com o advento do iCloud e outros serviços similares as bibliotecas vão querer expandir sua hospedagem de coleções originais e instalar o equipamento para digitalizar a informação. A venda desta informação para o mundo externo através de um serviço do tipo iTunes se tornaria uma fonte de renda valorosa para bibliotecas no futuro.

Pensamentos finais

As bibliotecas, assim como qualquer organismo vivo, terão que se adaptar à natureza complexa e em constante mudança do mundo da informação. Como a informação se torna cada vez mais sofisticada e complexa, as bibliotecas também se tornarão.

Bibliotecas estão aqui pra ficar porque elas tem instinto de sobrevivência. Elas criaram uma relação mutuamente dependente com as comunidades as quais servem, e mais importantemente, elas sabem como se adaptar  ao mundo em mudança em volta delas.

Estou sempre impressionado com as coisas criativas sendo feitas em bibliotecas. Como Eleanor Roosevelt disse uma vez, “O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos”. Existem muitos sonhos bonitos acontecendo que ajudarão a criar as bibliotecas de amanhã.

GRACIOSO, Luciana de Souza; SALDANHA, Gustavo Silva. Ciência da Informação e Filosofia da Linguagem: da pragmática informacional à web pragmática. Araraquara: Junqueira&Marin, 2011. 160 p.

A obra Ciência da Informação e Filosofia da Linguagem: da pragmática informacional à web pragmática, é uma tentativa de mesclar pensamentos da área de CI com a disciplina de Filosofia, propondo diálogos entre estes estudos. Voltado especificamente para quem tem interesse na área de Filosofia dentro da Ciência da Informação, pode ser considerada uma obra acadêmica e com um certo nível de dificuldade na leitura, uma vez que o tema tratado é muito especializado.

São utilizadas – e brevemente elucidadas – expressões e conceitos wittgensteinianos como semelhanças de família, regras, gramática, forma de vida, jogos de linguagem, enfeitiçamento da linguagem ou jogo terminológico, etc. É recomendável que se tenha algum um conhecimento da obra de Wittgenstein, principalmente de sua obra mais frequentemente referenciada, as Investigações Filosóficas, para que a proposta do livro seja entendida com mais êxito. A leitura é recomendada para estudiosos, pós-graduandos e docentes da área, mas no entanto, pode frustrar quem busca entender especificamente as técnicas de biblioteconomia sob o prisma da Filosofia da Linguagem. O conteúdo trata mais sobre epistemologia e alguns conceitos do que aspectos práticos, mais sobre linguagens e regras do que algum tipo de linguagem, processo ou produto específico da Biblioteconomia. Não é um livro sobre práticas mas sim para se pensar sobre as práticas e suas possibilidades.

A obra faz uma contextualização da tradição pragmática na CI, revisando também a visão representacionista, advinda dos estudos da Organização do Conhecimento. O pragmatismo é uma escola de filosofia caracterizada por considerar o sentido de uma ideia como correspondendo ao conjunto dos seus desdobramentos práticos. Em um primeiro momento, pode-se compreender que a visão representacionista não é necessariamente contraposta à visão pragmatista, mas que são compreendidas como diferentes modos de se perceber a Organização do Conhecimento.

Algumas discussões foram ao encontro de tópicos desenvolvidos por Buckland (2006), quando é elucidado que “a palavra – ou a representação – enfeitiça o organizador do conhecimento pelo seu potencial representacionista. Ao cativá-lo com este potencial, ela o leva a crer que a representação pode responder, por si só, pela organização do livro no mundo” (GRACIOSO, SALDANHA, 2011, p. 33). Ao tratar das Linguagens de Especialidade, Buckland aborda produtos de organização do conhecimento como catálogos, bibliografias e índices, que cobrem materiais de interesse para mais de uma comunidade, com práticas linguísticas diversas. A exemplo, para o autor

Diferentes discursos discutem diferentes questões ou, quando discutem a mesma questão, de diferentes perspectivas. Um coelho pode ser discutido como um bicho de estimação, ou como uma peste ou como comida. Em medicina, especialistas em anestesiologia, geriatria e cirurgia podem todos buscar por literatura recente em, vamos dizer, Parada Cardíaca, mas uma vez em que estão interessados em diferentes aspectos eles não irão, na prática, querer os mesmos documentos. (BUCKLAND, 2006,  p. 9-10)

Clay Shirky (2005) também exemplifica as desvantagens de uma visão representacionista, criticando as classificações decimais (de Dewey e do Congresso) bem como a classificação ontológica, com exemplo da Tabela Periódica de elementos. De acordo com o autor, na visão tradicional representacionista, “a essência de livro não são as idéias que ele contém. A essência de livro é “livro”. Pensar que catálogos de biblioteca existem para organizar conceitos confunde o recipiente por aquilo que ele contém”. Para cada livro (conteúdo) novo, mesmo antes de ser publicado, já existe ‘um lugar lógico na estante’, uma classificação exata, já prescrita. Shirky vai ao encontro de Gracioso e Saldanha e compreende que a web pragmática descaracteriza essa realidade prescritiva uma vez que destitui os processos de classificação e categorização tradicionalmente reconhecidos, considerados antiquados para viabilidade no mundo digital.

A princípio, entre os objetivos principais de um sistema de informação estão a eficiência na recuperação e poupar tempo de busca. Há de se pensar também na diferenciação entre sistemas de informação para documentos físicos, híbridos e digitais uma vez que a busca é realizada cada vez menos nas estantes e cada vez mais por hiperlinks. No entanto, coloca-se que a questão de recuperação é mais do que uma questão de tecnologia e explicita-se que esta, também e principalmente, é uma questão cultural uma vez que “dadas as infinitas possibilidades de nos relacionarmos e interagirmos em uma situação de vida, haveria a impossibilidade de tentarmos prever as ocorrências de determinados jogos de linguagem” (p. 77).

Karamuftuoglu (1998) compreende que o processo de indeterminação na recuperação da informação pode ocorrer não apenas por desconhecimento por parte das pessoas que o utilizam, mas porque o próprio processo de busca, recuperação e filtragem da informação é decisivo para a criação de filtros e prescrição de critérios pela comunidade que utiliza este sistema. Segundo o autor,  “isso resulta no estabelecimento de conexões entre documentos até então considerados independentes um do outro e modifica o conteúdo intelectual do domínio” (p. 1072). Podemos compreender que isso ocorre não apenas em um sistema de informação, que pode se apropriar de tecnologias para atingir seus fins, bem como também na própria prática do serviço de referência. De acordo com Grogan (1995) e a tipologia de questões, em alguns casos o consulente durante a busca para a pesquisa, depara-se com outras questões, modificando sua dúvida de origem ou até mesmo o próprio assunto da pesquisa.

Esta frase apenas faz sentido quando editada no MS Paint nesta fotografia e vista neste artigo neste exato momento.

Ao evitar as tentativas de representar o real, o pragmatismo segundo Gracioso e Saldanha (2011), investiga ao invés disso as possibilidades de uso da realidade, compreendendo-a culturalmente. Tudo isso vai ao encontro do que a web pragmática tem realizado e potencializado: criação de comunidades, comunidades em rede, colaboratividade, fluência na comunicação e multiplicidade de diálogos. A obra ainda nos mostra a fina linha que separa a informação e a linguagem, uma vez que ambas constituem-se e desenvolvem-se a partir de seu uso. Os autores ainda abordam o conceito de informação como fetiche, quando compreendem que

Sob um olhar pragmatista, o homem deve ser crítico à idéia de que a informação é bela, deve ser provocado sobre como a informação é construída, deve ser lembrado de que a informação é apenas a esfera de narrativas múltiplas – demarcadamente um fetiche do século XX – e nunca será a única pedra de toque que soluciona as crises da racionalidade. (p. 125-126)

Na seção da obra que trata sobre Olhares pragmáticos na CI, especificamente na área de terminologia é mencionada a Teoria Geral de Terminologia de Wüster, que atualmente é considerada uma teoria prescritiva, em que existe uma regra geral para a compreensão de uma linguagem especializada e a definição de um conceito realiza-se a partir do uso de determinada regra. Talvez também fosse pertinente, em estudos posteriores, uma articulação entre os princípios do segundo Wittgenstein, referentes à Teoria Comunicativa da Terminologia (TCT) proposta por Cabré (1999), e à Socioterminologia, proposta por Faulstich (2006). Segundo Lara (2006) a função dos termos para a TCT é de representar e transferir o conhecimento em situações diversas e na Socioterminologia, enfatiza-se a relação semântica e as definições formais são preteridas em benefício das descrições mais versáteis do significado das palavras.

Acredito que outras discussões mais específicas na Ciência da Informação podem surgir a partir do que foi proposto pela obra, devido à natureza interdisciplinar da área. Uma vez que a disciplina de Filosofia da Informação já está instituída, a Filosofia da Linguagem pode ter seu espaço para relacionar-se cada vez mais com o nosso pensar-fazer.


Referências

BUCKLAND, M. Naming in the library: Marks, meaning and machines. C. Todenhagen & W. Thiele (Eds.) In: Nominalization, nomination and naming in texts. Tübingen, Germany: Stauffenburg, 2006. p. 249-260.

CABRÉ, M.T. Una nueva teoría de la terminologia: de la denominación a la  comunicación. In: La terminología, representacíon y comunicación. Barcelona: Universitat Pompeu Fabra, IULA, 1999. p.109-127.

FAULSTICH, E. A socioterminologia na comunicação científica e técnica. Cienc. Cult. [online]. abr./jun. 2006, vol.58, no.2 [citado 25 Abril 2006], p.27-31.

GROGAN, D. A Prática do Serviço de Referência. Brasília: Briquet de Lemos, 1995. 195 p.

KARAMUFTUOGLU, M. Collaborative Information Retrieval: Toward a Social Informatics View of IR Interaction. Journal of the American Society for Information Science. V. 49, n. 12, p. 1070-1080, 1998.

LARA, M.L.G. Novas relações entre Terminologia e Ciência da Informação na perspectiva de um conceito contemporâneo da informação. Datagramazero, v.7, n.4, ago.2006

SHIRKY, Clay. Ontology is Overrated: categories, links and tags. 2005

Depois de ter visto este filme, fiquei curiosa para ler os livros da trilogia do Stieg Larsson (pra ver se perdi alguma coisa, pois em filmes muitas informações se perdem) e ver a versão sueca do filme. Achei bem estranho o filme ser feito em inglês com sotaque sueco. Até então não tinha percebido que já vi vários filmes do David Fincher. Os anteriores foram Zodíaco (que também sobre investigação), A Rede Social (que todo mundo viu), O Curioso Caso de Benjamin Button (que achei mais ou menos), O Quarto do Pânico, Clube da Luta (que é ultra overrated) e Seven – Os Sete Crimes Capitais (que é sim muito melhor que o infame Jogos Mortais). O casamento Fincher + Reznor está indo muito bem, pelo que parece e eu realmente torço para que dure.

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O filme tem várias histórias em paralelo que se entrecruzam. Não vou escrever muito pra não fazer spoiler, mas basicamente é a história de um jornalista ferrado e uma garota maluca que investigam um suposto crime. Se ainda quiser ver o filme, não leia os próximos parágrafos porque provavelmente algo que escreverei vai arruinar algumas surpresas.

Curioso notar que o crime principal, o desaparecimento de Harriet Vanger, é investigado de modo quase que completamente lícito, exceto na resolução final do caso. E mesmo o método ilícito não ajuda na resolução do caso: o que o soluciona, de fato, é uma intuição que o personagem tem durante uma cena de sexo (!). O filme também tem uma outra cena que fala ainda mais explicitamente sobre como as pessoas decidem ignorar sua intuição e deixar de “seguir seus instintos” por outros motivos, como por exemplo, ser cortês ou não saber recusar um convite. As pesquisas da investigação foram feitas com imagens fotográficas, correlações entre conversas com parentes, palavras-chave das anotações da desaparecida, determinados acontecimentos, números de telefone que se transformam em versículos bíblicos e assim vai se formando a imagem do quebra-cabeças. Todas as outras investigações realizadas na trama requerem invasões de privacidade e quebra de senhas, como se esse fosse o único modo mais eficaz de descobrir qualquer coisa. Bem, talvez até seja, mas talvez a mensagem do filme (se é que existe alguma) não seja bem essa.

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Por algum motivo pensei que a personagem da Salander fosse ser mais calculista do que aparentava e secretamente torci para que ela não se humanizasse ao longo da trama, o que é coisa minha mesmo. Alguma parte de mim desconfiou da humanização dela ou talvez eu tenha simplesmente desaprovado mesmo, por se tratar de uma sociopata extremamente introvertida e bastante ferrada em vários níveis. Quero dizer que ela tem bons motivos pra não saber amar e nem se deixar ser amada por ninguém. Bom, já escrevi coisa demais sobre o filme. Ainda existem mais dois filmes (espero que continue com o mesmo diretor e trilheiro) e então muita coisa pode acontecer e mudar, mas até sair a sequencia, acho que já vou ter lido os livros pois estou bastante curiosa. Também fiquei impressionada com a organização dos arquivos suécos da cidade de Hedestad e da empresa dos Vanger. Ironizei “aham que um arquivo é organizadinho, bonito, fácil, simples e rápido assim” e me questionei “será que lá é assim mesmo ou é coisa de filme?

Recomendo que o filme seja assistido no cinema mesmo principalmente por conta da trilha sonora. Assistir no computador pode até ser ok, pra assistir repetidas vezes, fazer outras análises, rever cenas, etc. Mas acredito que assistir apenas deste modo faz com que boa parte da experiência do filme se perca.

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Recebi o link pra uma entrevista com o David Weinberger no TechCrunch onde ele fala um pouco sobre o seu novo livro, Too Big To Know (ainda sem título em português, acredito). O autor já tem publicado no Brasil o livro A Nova Desordem Digital, o qual dedica aos bibliotecários, e que acredito que qualquer bibliotecário que se interesse minimamente por organização de conteúdo online, deve ter como livro de cabeceira. O TBTK  provavelmente vai ser o próximo.

A seguir um trecho da entrevista, que também dá uma prévia do novo livro:

(…) Então, as pessoas continuarão a publicar livros. Livros são uma forma de pensamento altamente valorizada. Isso não vai desaparecer, eu acho que não, mas o livro como a peça central de conhecimento, como o próprio símbolo do conhecimento, acredito que isto já esteja desaparecendo. (…)

Inventamos o conhecimento para que se encaixasse ao meio, e o meio eram papéis e livros, e livros tem certas propriedades incríveis e várias fraquezas. A fraqueza principal é que eles estão disconectados. Embora isso não se torne óbvio até que tenhamos um meio que seja conectado. Mas assim que nos conectamos, os rodapés nos parecem links quebrados. Você não pode clicar neles. Um rodapé em um trabalho impresso não funciona mais e isso se torna bem óbvio pra nós.

E então, muito conhecimento foi tradicionalmente baseado na limitação do papel como meio, que esse é um meio desconectado no qual você tenta colocar questões, porque uma vez que você publica em papel você não pode mudar o que foi escrito, então tem-se a idéia de que o conhecimento nunca mudou… sempre foi conhecido – sempre foi eterno.

Tudo isso desorganiza-se com um meio conectado no qual qualquer um pode participar. Muito do valor do que é dito não é o conteúdo do livro em si, mas os links que participam dele. (…)

O autor já esteve no Brasil em 2010, no XVI Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias:

David Weinberger – Brasil – 2B2K from moreno on Vimeo.

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“Antes de dizer há ciência para informação ou não há, o pragmatismo informacional nos convida a explorar quais contribuições científicas podem conduzir o estudo da informação para o solo das relações sociais. [...] A tradição pragmática sobrevive para atentar que uma ciência para a informação, estuda, antes, narrativas, e não necessariamente delimita fenômenos, ou busca naturezas – mesmo sua meta-natureza. [...] Antes, [a CI] pode refletir com suas comunidades de deliberação contextuais sobre os processos sociais que sedimentam representações. Sob um olhar pragmatista, o homem deve ser crítico à idéia de que a informação é bela, deve ser provocado sobre como a informação é construída, deve ser lembrado de que a informação é apenas a esfera de narrativas múltiplas – demarcadamente um fetiche do século XX – e nunca será a única pedra de toque que soluciona as crises da racionalidade.” (p. 125-126)

GRACIOSO, Luciana de Souza; SALDANHA, Gustavo Silva. Ciência da Informação e Filosofia da Linguagem: da pragmática informacional à web pragmática. Araraquara: Junqueira&Marin, 2011. 160 p.

Esses dias li um livro que era uma produção caseira. Gostei do livro, de verdade. Pode ser considerado uma biografia, mas é profundamente histórico. No entanto, ficou bem evidente que o livro foi feito meio às pressas, pois talvez fosse o desejo do autor publicá-lo antes que 2011 terminasse. Ainda assim, acredito mesmo que a pressa é inimiga da perfeição e todo o registro ou publicação, por mais simples ou caseiro que seja, tem de ser minimamente bem feito. Às vezes o modo que um livro está organizado pode influenciar na forma que as pessoas vão ter acesso à informação que está contida nos textos.

“Sim Dora, mas às vezes não é pressa, é improviso”. É claro que entendo que, para alguns autores, o propósito é que seja tosco e mal-feito mesmo se formos pensar por exemplo, nas produções/gravações feitas por bandas tradicionais de black metal (Burzum, Darkthrone, etc.), em que os fãs do gênero consideram “as melhores” gravações as mais toscamente mal-feitas. Ok, talvez esse tenha sido um exemplo meio ruim, pois não me aventuro a pisar nesse terreno de comparar obras de arte (que são livres, abertas à interpretações, etc.) com um suporte como o livro. Talvez seja um pouco mais adequado fazer a comparação com zines, por exemplo.

Zines são publicações periódicas que eram bastante populares pelos idos dos anos 90 e antes disso também. Os editores custeavam as publicações do próprio bolso pelo simples prazer de compartilhar e divulgar: bandas, artistas, quadrinhistas, desenhistas, HQs, etc. Às vezes faziam resenhas de discos, livros, etc. Sempre tem um apocalíptico pra dizer que “a Internet matou os zines e matou os correios”, mas eu acredito que as coisas simplesmente se transformaram e mudaram de suporte: do papel (que custava 1,50 ou 3 pra envio, com selos, etc.) para o digital (que não custa nada, pra ninguém). E até hoje não conheci um zineiro que quis lucrar com zines – este nunca me pareceu ser o propósito de sua criação, em primeiro lugar. Eu ainda adoro zines, mas faz tempo que não leio nenhum, infelizmente. E sou saudosa do tempo que os recebia pelo correio. Talvez eu deva começar a buscar mais por eles este ano.

Embora os zines sejam reconhecidamente publicações informativas (e também artísticas) e feitos sempre com amor (ou seja, pouquíssimos recursos), pessoalmente nunca encontrei um que fosse mal-feito ou difícil de ler, complicado de entender. É.. Me parece ser bem mais fácil comparar um periódico caseiro com um livro caseiro. Os zines podem ser feitos no improviso e ainda assim, serem compreendidos e até mesmo celebrados por toda uma comunidade. Acredito que nem sempre o improviso – e arrisco dizer, até mesmo a pressa – possa ter ligação com má qualidade. Às vezes, sim, mas isso não é uma regra. E alguns zines que já tive a oportunidade de ler considerei como verdadeiras obras de arte mesmo.. Era algo que me fazia ter vontade de colecionar.

Mas peguei esse exemplo apenas pra ilustrar: não acho que a pressa nem o improviso justifiquem que um livro, mesmo caseiro, seja mal organizado. O que mais dói o coração é que o conteúdo do livro que li é mesmo incrível… Mas não havia nem mesmo um sumário, nada, então pra mim, lê-lo foi uma experiência completamente desestimulante. Me senti perdida várias vezes. Em um livro que abordava muito aspectos históricos, não havia ordem cronológica alguma. Entendo que talvez pro autor isso não importe, mas confesso que é complicado ler um texto que vai e volta do passado pro presente e pro passado de novo, etc. Acho que uma boa revisão e melhor estruturação mesmo do conteúdo bastaria.

Estou bem certa que a raison d’être deste livro não era artística, mas histórica, de registro e informativa mesmo. A crítica que compreendo quando da leitura, não é por questão de eu fazer uma exigência de uma normalização rígida, de ter ficha catalógrafica, catalogação na fonte, nem nada disso… Mas a de simplesmente querer uma leitura que seja minimamente prazerosa e fluente, de preferência. Eu quero querer ler o livro e eu realmente queria poder ter gostado mais dele. Não quero me contentar com o conteúdo, apenas. Conteúdo por conteúdo eu poderia trocar muito facilmente aquele livro por outro mais interessante que estivesse lendo na mesma época.

No final do livro o autor declara então que sua intenção “nunca foi a de escrever um livro” e acho que essa frase por si só explica muita coisa. Foi aí que comecei a pensar na relação entre o pretensioso e o mal-feito. “Nunca tive a pretensão de escrever um livro”, mas veja só: você escreveu. E ele é real e existe (mesmo que seja num Kindle, meu amigo). E outras pessoas irão lê-lo e farão comentários sobre ele. Isso me lembra dos comentários pejorativos sobre alguns filmes cult que gosto: “esse filme é um lixo pretensioso”. Sim, concordo que é uma escolha difícil. O que você costuma escolher: o lixo pretensioso, bonitinho mas ordinário ou o conteúdo interessante, mas mal organizado e mal-feito? Ou pior ainda: o meio termo? O lugar comum?

A diferença é que com o lixo pretensioso, a primeira impressão é a que fica (“que filme incrível!”), apesar de, talvez meses depois, chegarmos à essa conclusão: “é, era de fato um lixo pretensioso”. Mas até chegarmos aí, o produto já foi consumido e demoramos, mas captamos a mensagem (ou a total ausência dela, enfim). Ou seja, nos foi permitido, em algum nível, ter acesso ao que foi feito. Com o conteúdo interessante mas mal-feito, o desinteresse ocorre antes que a gente tenha empatia pelo produto e às vezes a mensagem nem mesmo se completa – ou se completa pela metade. Ou seja, o acesso à informação (à cultura, ao entretenimento, etc.) fica severamente comprometido e não nos é permitido nem mesmo uma crítica ou qualquer tipo de pensamento ou discussão à posteriori… Porque simplesmente nos desinteressamos antes de qualquer coisa.

O que será há mesmo de tão pejorativo em ser pretensioso? Porque admite-se cada vez menos “eu fiz isso e achei bom ter feito, gostei do que fiz”? Qual é o problema, aparentemente inaceitável, em receber críticas? Livrar-se da responsabilidade por ter criado/escrito/pintado/tocado algo dizendo que “não foi sua intenção” não impede que as pessoas te critiquem e achem o que você fez ruim assim mesmo. Ou seja: não há como vencer. “Fulano é tão pretensioso!”. Antes um pretensioso que seja ruim, do que um tipo fino de covardia disfarçado de ‘humildade’ (ou até mesmo de ‘revolta’), que na verdade, não passa mesmo é da boa e velha bundamolice. Dica: se você irá fazer uma produção, registro, o que for, mesmo que seja caseiro, aposte em ser pretensioso.

Algo me diz que ser pretensioso vale mais a pena do que não ser coisa alguma.

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