You say goodbye and I say hello!

Este texto é a minha resposta pessoal para a nota que li do Luís Antônio Girón, Dê adeus às bibliotecas, publicado em 15/05/2012 na revista Época Online.

O título é um pedido difícil de ser cumprido, até mesmo para o autor: “Dê adeus às bibliotecas”. É imperativo: dê adeus, despeça-se e logo! (Importante notar que, ao final do texto, ele diz que tem a intenção de dizer adeus, mas que, efetivamente, não consegue. E não diz. Sim, é difícil)

Recebi o link na terça mesmo, mas não achei o que o buzz em torno do texto seria tanto. Nessas circunstâncias, o diálogo com bibliotecários é quase sempre tão inviável devido à toda a balbúrdia, que muitos que têm uma opinião levemente distinta da maioria acabam desistindo dele. Mas eu ainda não desisti, mesmo lendo mais uma matéria que coloca do dedo na ferida da biblioteconomia brasileira. Enfim…

Esse texto terá duas partes. Na primeira, responderei o que mais me inquietou no texto do Luís. Na segunda, tentarei argumentar com as reclamações que li dos bibliotecários, referentes ao texto.

Leiam o que eu tenho a dizer por sua própria conta e risco.

É fácil recair no estereótipo, na ‘descortesia típica’, nutrida por anos a fio, advinda de um ensino formal tipicamente tecnicista (e ninguém pode negar isso), voltado mais para a organização e preservação de acervos do que para as pessoas. É isso o que somos, ainda, em nosso “núcleo duro”, de fato. Mas isso está mudando, a passos de formiga, mas está (sejamos otimistas, né?). Bibliotecários estão se vendo obrigados a ser cada vez menos técnicos e mais sociais e sociáveis. Quanto a qualquer adjetivo referente aos bibliotecários do passado, eu me abstenho: vivo o hoje e sou outro tipo de profissional. Ao menos isso não mexe mais com meus brios.

Confesso que fiquei bastante chocada quando a suposta bibliotecária te disse “Por que não consultou o catálogo pela internet?”. Você definitivamente teve um dia de azar ao se deparar com alguém tão pouco profissional em um ambiente que ainda lhe é tão caro.

Quanto aos volumes raros Luís, eles não são ocultados, mas preservados. E de fato é simplesmente uma norma: não realizarmos o empréstimo deste tipo de material tão especial. Sim, somos chatos e respeitamos as normas, na maioria das vezes, sempre que possível – isso ainda faz parte da nossa profissão. Quanto a políticas específicas de digitalização para este acervo mais que especial, qualquer movimento nesse sentido exige um budget um tanto quanto alto eu diria, ou seja, isso não é viabilizado com tanta facilidade (embora seja muito interessante). Sim, as coisas são um pouquinho mais lentas e mais difíceis de se conseguir do que imaginamos – ainda mais quando se trata de bibliotecas públicas brasileiras.

Luís: estantes secretas ou vetadas para visitações, embora te espante muito, ainda são bastante comuns sim. Inclusive a Biblioteca Nacional (BN), pelo que me parece, já é vetada à consulta “em carne e osso” (LOL!) sem acompanhamento de alguém do staff. Também acho que a BN deveria não só ser digital mas mais atrativa fisicamente, mas isso é apenas um sonho meio distante…

E você não é tão velho, nem tão antiquado, nem tão saudoso e nostálgico quanto imagina. Pelo contrário: é completamente normal que alguém com tanto acesso irrestrito à tudo através da internet e do uso constante de gadgets e etc. – ache esse tipo de preservação no mínimo estranha, pra não dizer completamente datada e desnecessária. É bastante compreensível mesmo. Só acho que há um certo exagero no seu tom quando você diz que “graças às bibliotecárias, você jamais chegará” às obras especiais, raras, mas suspeito que você faça isso só pra me provocar.. Tudo bem.

Eu entendo que é um tanto quanto difícil ouvir um sonoro não de um reles e mortal humano, quando tudo o que a tecnologia só sabe te dizer é sim o tempo todo hoje em dia, não é mesmo? Faço a compreensiva: Luís, eu te entendo. De verdade. Mas por favor, também compreenda: visitas frustradas acontecem, mesmo. Não encontrar o que se deseja, acontece também. Apenas lide com isso (no bom sentido).

No geral, achei seu texto triste Luís, porque a realidade é mesmo triste assim, como você descreveu. Toda nostalgia é um pouco perda e toda perda dói mesmo. Dóem mais ainda as perdas de coisas que jamais possuímos direito. Mas achei mais melancólico ainda quando li “As bibliotecas não servem mais para nada nem a ninguém. Nem mesmo a mim, que sempre as amei”. Essas frases me soaram quase que como um divórcio de alguém que se ama muito. E como todo divórcio, há também os mesmos sentimentos: a vontade, a intenção e a decisão de se dizer adeus definitivo e sem volta (não te quero mais, te dou um adeus) e a incapacidade e impossibilidade do adeus perene e sustentável (mas ainda preciso muito de ti). Achei super sensível. E fofo também.

Há um certo padrão na forma como enxergam o Luís: jornalista, editor, formador de opinião de veículo de comunicação de massa, mestre, dotô… Perceberam que quanto mais “pomposo” o cargo dele ou quanto mais títulos ele tiver, pior e/ou mais humildes nos sentimos? Pois é.

É claro que ele é tudo isso e tem seus interesses: escrever um texto obviamente provocativo pra gerar um puta buzz, pra gerar visitações e, só de quebra, gerar uma moção de retratação de bibliotecários muito do indignados, o que pode não deixar de ser um motivo de orgulho para um jornalista, assim como um guerreiro tem orgulho das suas cicatrizes e aquela história toda de “falem mal, mas falem de mim”, etc.

Os bibliotecários, por outro lado, parecem na verdade gostar de se sentir mal o tempo todo. Ficam loucos quando falam mal deles, mas, em contra-partida ignoram os trabalhos e avanços dos próprios colegas de profissão e qualquer comentário positivo acerca de coisas boas que tem sido feitas. E justamente por conta dessa baixa auto-estima, no geral preferem enxergar o que chamam de detratores da biblioteconomia (o que eu acho um exagero) por cima da carne seca. Por que será?

No caso desse texto, prefiro enxergar a pessoa que o escreveu nem mesmo como um usuário, mas como uma pessoa mesmo. Alguém que quer me dizer algo e conversar comigo. Nada além disso.

Bibliotecários são os ególatras com mais baixa auto-estima que eu conheço, o que é bizarramente contraditório, mas analisando o grupo no geral, é bem isso mesmo. No entanto, reluto em compartilhar desse recalque todo: faço parte da categoria mas não faço parte disso porque não acredito que este seja o caminho. Será possível conseguirmos, algum dia, termos algum tipo de diálogo minimamente civilizado e razoável? É sempre esse vociferar antes de pensar, o que me irrita profundamente.

Tentei ler os comentários do texto do Luís mas como eles eram muitos e se tornaram repetitivos, desisti. Peguei apenas as afirmações mais inquietantes e tentei elucidar um pouco mais por aqui. Só não continuei a ler os comentários pois, no final, todos só se limitavam a xingar o autor ou repetir mais do mesmo – não existiam opiniões muito divergentes.

Parece que não há espaço pra pluralidade de opiniões pois isso pode ferir de algum tipo de homogenia da classe, o que discordo. Sou bibliotecária, não me ofendi com o texto do Luís e não acho que ele está denegrindo nada nem a ninguém.

Vou tentar pontuar rapidamente alguns comentários que li e comentar na medida em que achar pertinente:

O autor acha que as bibliotecas vão acabar. O autor acha que devem acabar com as bibliotecas.

(Não farei questão nenhuma de ser delicada nesta resposta ok?) Não. Ele não acha nada disso. Volte para a pré-escola e tenha mais aulas de leitura e interpretação de texto novamente.

Ele não conhece nada sobre a nossa profissão, então nem deveria estar falando sobre isso.

Essa (anti)lógica é tão errada que é quase como dizer: “ele foi mal atendido, mas a culpa é dele se ele acha isso”. Juro que não entendo. A questão não é esta: o jornalista conhecer ou desconhecer o que a nossa profissão faz ou deixa de fazer. Ele não está escrevendo uma reportagem sobre biblioteconomia, ele está relatando o que SENTIU ao visitar uma biblioteca pública. O que importa é que ele foi mal atendido e tem o direito de expressar sua opinião quanto a isto.

Talvez não tenha sido uma bibliotecária que o atendeu, mas sim uma auxiliar.

E daí? E quem será que contrata estagiários? Não é a bibliotecária-chefe? Que se responsabilize mais por quem contrata então. Se eu visitar uma biblioteca e quiser ser atendida, pouco me interessa se for bibliotecária ou auxiliar. Eu quero é ser bem atendida, independente de quem for. Isso nem é passível de discussão. Desculpem.

O autor ofendeu, desrespeitou e denegriu a classe bibliotecária.

Isso não ocorreu durante o texto. O tom pode ter sido irônico, mas isso não é ofensa e o autor fez isso proposital e estilísticamente talvez (valeu Guilherme Lourenço) com o propósito de gerar discussão. O autor não desrespeitou ninguém e nem denegriu classe nenhuma: apenas passou por um mau atendimento em uma biblioteca pública. Sejam mais maduros e aceitem este fato. Quer continuar mantendo seu prestígio como bibliotecário/a? Faça por merecê-lo. E principalmente não contrate estagiários que odeiem a profissão. Fica a dica.

O autor generalizou demais. Ele não pode tomar um caso isolado como perfil de toda uma profissão.

Em momento algum o autor falou sobre A CLASSE bibliotecária em si, mas sim da senhora que o atendeu. Quando ele fala “típico desta categoria”, o autor na verdade, sem saber, refere-se ao estereótipo e não à classe. E estereótipos mudam, categorias permanecem: por isso não me ofendi com o que ele disse, mesmo sendo também bibliotecária (valeu Marchelly). Ou seja, não houve generalização em momento algum. Foi a PRÓPRIA classe bibliotecária que, deliberadamente, resolveu, por conta própria, tomar as dores de uma MÁ profissional para si. E então eu lhes pergunto: por que?

– Generalização é errado.

Qualquer generalização é perfeitamente válida quando diz respeito a grupos. Aliás, é a única maneira de se levar em conta a avaliação de um grupo. O que não é válido é aplicar a generalização a um indivíduo. Porque cada indivíduo é avaliado como uma exceção ao grupo. Se estamos tratando de um grupo, temos que levar em conta o comportamento da maioria, da regra, do geral. Exceções são devem ser tratadas como um caso à parte. Generalização não é errado. Vocês é que são politicamente corretos demais pro meu gosto. (Obrigada Milena Mattos por me esclarecer de novo este ponto).

O autor transgrediu o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros nos artigos 2º, 7º e 14º.

Acho que vocês não tem muita noção do quão grave é acusar alguém de falta de ética por motivo fútil. Mas em se tratando de primeiro-anistas do curso de biblioteconomia, podemos até relevar – mas não muito, tendo em vista que são influenciados diretamente pelos professores doutores que tanto admiram. E desta vez não foi diferente: bem como todas as outras, isso foi bastante precipitado. Achei de um exagero vergonhoso e desproporcional. O autor não agiu com falta de ética, ele apenas expôs sua opinião. É sério mesmo que vocês vão censurar um usuário, bibliotecários? Vão fazê-lo se retratar por ter sido mal atendido? Me desculpem, não enxergo a lógica aqui.

Ninguém gosta de ser mal atendido em nenhum lugar e matérias opinativas sobre bibliotecas com um atendimento pobre sempre serão notícia, acostumem-se. Algum bibliotecário, em algum momento, SEQUER pensou em perguntar ao jornalista que biblioteca é esta que ele foi? Alguém pensou em ir lá e repreender a pessoa que o atendeu mal, em algum momento? A questão é: o que NÓS faremos em relação a notícias assim? Pensaremos sobre as questões que uma materia dessas possa vir sucitar ou simplesmente censuraremos o usuário e ficaremos histéricos a respeito disso? 1969 mandou um beijo à todos.

 – Exigimos retratação.

Retratação de quem? Quem deveria se retratar é a pessoa que o atendeu mal.

É um absurdo ele comparar uma biblioteca a uma lan-house.

Bom, provavelmente na época em que o autor fez mestrado e doutorado, a Internet não deveria ser tão popularizada quanto hoje em dia. Isso justifica em parte o saudosismo dele e o fato dele perceber o esvaziamento das bibliotecas (sem computadores) e a proliferação de Lan Houses, que não são exatamente lugares de pesquisa e estudo, mas na falta de uma biblioteca decente, certamente são melhores. Não acho que ele tenha comparado nada, só acho que nos mostrou uma possibilidade que deveria ser melhor explorada.

Enquanto a biblioteca se comportar apenas como uma biblioteca, ela não potencializará nem seu acervo e muito menos seus serviços tão em breve. E também perderá oportunidades de criar uma comunidade mais consistente, que a faça crescer. Se queremos ser profissionais melhores, temos que ter em mente que precisamos oferecer também o melhor para as pessoas e acho bastante tacanha essa mentalidade tecnófoba na biblioteconomia tendo em vista que inclusão digital é um dos assuntos que também constam na nossa agenda.

Enfim… Enquanto existem bibliotecários que preferem gastar seu tempo e energia se preocupando (talvez exagerada e desnecessariamente) com a imagem de outra pessoa com a qual nem mesmo se identificam, o prof. Francisco das Chagas de Souza (UFSC) tem promovido uma campanha política no Facebook de um abaixo-assinado em favor da abertura de um sistema de bibliotecas públicas em Florianópolis. Confesso que é mesmo bastante difícil ver bibliotecários, que se acham tão auto-importantes, tão vitais e tão necessários à comunidade se movimentando minimamente que seja em favor iniciativas como esta.

132 pensamentos sobre “You say goodbye and I say hello!

  1. Grande, Dora. Ótimo texto. Que bom que existem bibliotecários que escrevem bem, que não se ofendem com críticas, que não reagem com violência a algo que, em última análise, é uma reclamação de usuário mal atendido.

  2. Perfeito, Dora. Seria tão bom se muitos bibliotecários começassem a refletir sobre as críticas recebidas para ajudar a melhorar a própria atuação profissional – e não sair às ruas com tochas querendo queimar aqueles que o criticaram. :-)

  3. Sra. Dora, Parabéns pelo seu texto tão sensato. Gostaria mto de ler o artigo do jornalista em epígrafe. Se puder mandar o mesmo por email fico-lhe muito grata. Quanto a opinião dele, eu diria que há bons e maus profissionais em todas as areas do conhecimento. Ele não teve sorte de ser atendido por uma boa bibliotecária, que as há, sabemos disso. Quanto as bibliotecárias tecnicistas eu diria que isso depende de cada um. Sou bibliotecária formada em 1958, pela Fac. Filos. Sedes Sapientiae da PUC/SP, que infelizmente fechou o curso na decada de 60. Lá tinhamos as materias técnicas e muita cultura. Se não soubessemos ingles e frances intermediario não eramos aprovadas. Naquele tempo os livros didáticos como o da Margaret Mann eram todos em ingles ou frances. Portanto uma falha está no curriculo dos cursos de biblioteconomia, muita técnica e pouca cultura. Sabemos que na Europa, principalmente, o bibliotecário tem antes uma outra graduação e posteriormente ele tem a graduação em biblioteconomia. Não é possível se admitir um bibliotecário que não fale ingles, mas quantas bibliotecárias hoje falam e entendem ingles? Nem ingles e nenhum outro idioma
    O que me penaliza é saber que infelizmente há poucas bibliotecárias que amem a sua profissão. Fazem o curso e exercem a profissão por exercer………Mas tudo está mudando no mundo atual, e as bibliotecárias vão ter que mudar também. Estão sendo chacoalhadas pelas novas tecnologias. e se não quizerem perder o lugar vão ter que mudar.
    Lembro ao autor do artigo, que antes da invenção da imprensa os livros eram escritos em papiros e guardados em bibliotecas a sete chaves para que o conhecimento ali contido não fôsse divulgado. Após a invenção da máquina de imprimir, o conhecimento se disseminou. O mesmo, agora acontece com os livros em papel e a Internet. O conhecimento humano evolui, nos tras outras formas de divulga-lo e tudo vai se transformando……Como será a biblioteca do futuro, niguém sabe dizer. Podemos imaginar, mas afirmar como ela será com convicção ainda é difícil. Mas ela jamais morrerá. A quem caberá a missão de codificar, difundir, e armazenar os novos conhecimentos? Aos bibliotecários do futuro!

    • Francis,

      Mandei o artigo por e-mail. Concordo com você que antigamente todo o sistema de ensino como um todo era “mais puxado” e que hoje, apesar de toda a globalização, o ensino de línguas é tão pouco valorizado. Parece que no mundo imediatista de hoje, não há mais tempo para a leitura e menos ainda para adquirir cultura. Sobre a ‘biblioteca do futuro’ é sempre bom pensar nela sim para a prospecção de mudanças… Mas é mais sensato não idealizá-la demais e nem tomá-la por já existente. :)

  4. Dora,
    Que bom ter se detido na questão e analisado profundamente o ocorrido, seja tentando analisar o Girón como a reação de parte da categoria.
    Em algumas postagens nas redes sociais beiramos a histeria… até tentei dizer que devíamos apurar qual biblioteca aqui de SP ele visitou e descobrir mais detalhes, além de contactá-lo de forma civilizada, mas acabei desistindo por falta de tempo.
    Espero que mais colegas leiam-te aqui e reflitam! Valeu!

  5. Bibliotecários ególatras…? Discordo. Diante o texto do Giron: corporativistas, sim! E por que não? Assim os são: contabilistas, advogados, administradores, economistas, assistentes sociais, só para citar alguns, reunidos que são em Conselhos. É “reserva de mercado” . E não dá para supor autoimolação, pelo que Vsa infere/enxerga como baixa autoestima (pesquisas a respeito…?). Pois aí “eu acho” que , p.ex., enfermeiros (e não auxiliares de enfermagem, como costumeiramente são “confundidos”) possuem MAIS autoestima baixa, se maldizem por não possuir a estirpe dos médicos, maledicências asseguram até mesmo que ‘são enfermeiros pois não foram exitosos quando prestaram vestibular para médico’; professores de ensino médio e fundamental tem autoestima baixa, e vivem se indignando à toa quando os esculhambam, nas mazelas de seus trabalhos e salários… enfim. Nessas épocas de comunicação fulminante em redes sociais — e quão alvissareiro é ver bibliotecários (PI) deslindando tais ambientes do hipertexto –, se houve verborragia (cuja sua seletividade de leitura suprimiu), diatribe ou “trollagem” como retribuição, o fato é que elas se restringem à malandragem “do talvez” , do dizer SIM (sarcasticamente) para ressaltar o NÃO (pensado, íntimo), embutida nas entrelinhas da postagem/texto do Girón, Nem todos supõem platitudes resignadas, as mesmas que nutrem, em migalhas, a desconsideração de suas atividades profissionais, aquelas que podem me levar a crer que eu mesmo, sem nenhuma formação, posso fazer um balancete, uma petição ao juiz…. ou a ficha catalográfica da Tese do Girón ou do próximo livro.

    • Henrique,

      Ninguém tinha tocado na questão de ‘corporativismo’ e ‘reserva de mercado’ até então. Embora isso tudo exista, talvez não se encaixe tanto nesta exata discussão.

      A autoimolação à qual falei não é uma suposição: é uma realidade. A vontade de sentir-se valorizado é tanta que, para isso, qualquer comentário negativo deve ser suprimido para que todos se sintam bem o tempo todo – apesar de tudo.

      Devemos nos questionar até que ponto vale a pena ignorar uma realidade apenas para manter incólume uma classe que é, obviamente, idealizada.

      • Realidades versus dissadores cotidianos ocasionais — ainda mais se tratando de um camarada com titulação, Dr Girón, inclusive cita ele — deveriam ser melhor apuradas, qualificadas e quantificadas. Ele quis dar um vezo lírico ao post, e misturou com suposições analíticas, no que desandou. Gerou respostas iracundas? Sim, e daí!? Como vc mesma ressaltou, ele tão somente se manifestou. Outros [tantos] replicantes, idem. O corporativismo está aí, no espírito de corpo [tautologia, grifo]. Relações e comunicação a respeito doutros: internacionais, diplomáticas, intersisciplinares… vai tecer críticas, cuida para não resvalar nas acerbas! Para mim é fato: ele esteriotipou o bibliotecário! Ademais, se algo ” não é uma suposição: é uma realidade”, um problema, pesquiso, aplico método, tabulo dados e chego à conclusões. É uma práxis elementar nas ciências.sociais. A não ser que seja as nossas aleivosias de mesa de bar, impublicáveis.

      • (traição do teclado) correções: ‘dissabores’; ‘a não ser que sejam as nossas’

      • Altruísmo à quem?

        Simplesmente respondi às afirmações incorretas de uma pessoa que parece desconhecer algumas coisas relacionadas à biblioteca.

        Falo e repito novamente: o jornalista fez (e continua a fazer) papel de bobo. E nem lamento por isso pois também não gosto de jornalistas.

  6. Dora,
    A irritação talvez seja a maior inimiga da razão. Como profissionais que convivem tão de perto com as obras que expressam nossa racionalidade temos a obrigação, como você o fez, de fazer valer nossas ideias e nossa capacidade de compreensão do comportamento humano. Congratulo-a pela forma inteligente e lúcida com que expressou sua posição, da qual compartilho. E lembrando que da missão do bibliotecário deve fazer parte a mais intransigente defesa da liberdade de expressão e comunicação.

    • É verdade, o mais fascinante que a internet e esse pequeno mundo tem o poder de nos proporcionar é ver o comentário do Sr. Briquet de Lemos falando sobre compreensão? Será que ele se lembra do dia em que visitou o setor de periódicos da Biblioteca Nacional e a forma como tratou os funcionários do setor quando os mesmos (orientados por regras de seus superiores) a destinar as cópias dos jornais somente um dia após a solicitação. O Senhor deu um exemplo de compreensão ou melhor quem lhe atendeu é que deu um exemplo de paciência ao não responder aos seus gritos.

  7. Parabéns pelo texto, Dora. Fico feliz de ver que ainda existem pessoas com bom senso em nossa categoria. Afinal, se não reconhecermos nossos problemas, como teremos alguma chance de consertá-los?

    E concordo com você, acho que grande parte das reclamações nos comentários da matéria da Época vieram de pessoas que estão precisando de uma reciclagem de interpretação de texto. Claramente (principalmente o último parágrafo) o texto é um grito de socorro do usuário, que cai no equívoco de tecer algumas generalizações infelizes, mas não muda o fato de ser um pedido de socorro, com críticas válidas.

    Mais uma vez, parabéns pela sua sobriedade e sensatez.

  8. Dora, fiquei muito feliz ao ler teu texto… confesso que sofro da síndrome do “não vou perder meu tempo discutindo” e deixei de lado uma postagem nos comentários do próprio artigo. Já faz tempo que acho que precisamos parar de reclamar da forma como somos tratados e efetivamente trabalharmos para oferecer serviços melhores. Não é nada fácil, eu me sinto matando um leão por dia, mas espero que no longo prazo algum resultado apareça.

    • Oi Carlinha,

      Acho que essa síndrome aflige à muitos bibliotecários que tem opiniões divergentes da reação histérica de parte da categoria. Como somos poucos e nossa categoria tem tendências punitivas, tememos ser penalizados apenas por expôr uma opinião dissidente. Não é difícil se sentir desestimulado pela massa. Mas eu sempre fico com aquela sensação terrível e angustiante de “alguém precisa dizer alguma coisa” pois temos de desconfiar de opiniões unânimes demais não é mesmo? Não sei se ‘é esse o meu papel’ mas apenas não consigo evitar de deixar passar batido… Mesmo.

  9. Nossa, que felicidade em ler seu texto!!! Muito obrigada! Você conseguiu no texto (em verde principalmente) expressar tudo o que achei sobre esse caso, a lastimável reação agressiva e sem fundamentos de muitos bibliotecários. Muito obrigada, Dora! Aliás, tocou num ponto importantíssimo, as pessoas não sabem interpretar textos, não conhecem a estilística de cada gênero… isso é lamentável…

  10. Dora!
    Parabéns por tudo que escreveu aqui… Deixei meu comentário na matéria do Sr. Luiz e confesso que não senti ofendida por tudo que li… Adorei todas suas observações e adoraria mais ainda se todas bibliotecárias fizessem o mesmo, lendo seu texto para refletirem! Sua visão é a real, adorei e me identifiquei com você! Você sim hem? poderia escrever no “Mente aberta” …Parabéns! Parabéns!

  11. É difícil aceitar, ler, entender, acatar, discutir [etc] opinião divergente da nossa, puxa vida. é mais fácil querer jogar a pessoa ao fogo dos infernos! Gostei de ambos os textos. É sempre bom abrirmos o debate.

    • Não podemos cometer o equívoco gravíssimo de acreditar que aceitar e repensar críticas à nossa profissão seja considerado falta de zelo ou um comportamento anti-ético. É precisamente por zelo e ética que estas questões devem ser sempre pensadas e repensadas, em favor de uma melhoria contínua. ;)

  12. Nossa quanta falácia…Socorro, seria essa dona do blog esposa sr. Luís? O artigo mais hipócrita que já li há muuuuuuito tempo.

  13. Você possivelmente não trabalha em uma biblioteca pública e por isso não consegue compreender a urgência em se levantar o debate sobre a sua real situação. A maioria das bibliotecas pública não tem bibliotecário, não tem dinheiro e pelo visto agora não tem nem mais o direito de se defender quando recebe ataques injustos dizendo que seus serviços não são mais necessários à população. Você pode criticar a forma como as pessoas se manifestaram, mas nunca afirmar que foi uma manifestação indevida. Você é quem deve uma retratação à classe bibliotecária!

    • O ataque não é injusto, mas realista. Em meu texto, disse que a realidade é triste mesmo. Imagino que trabalhar em biblioteca pública não seja mesmo nada fácil – não trabalho, mas conheço quem trabalha. E o autor não disse que os serviços são desnecessários em nenhum momento.

  14. Autora do blog, quando vc diz que o autor não ofendeu os bibliotecários justificando sobre “Em momento algum o autor falou sobre A CLASSE bibliotecária em si” vc está equivocada pois ele disse “A bibliotecária me atendeu com aquela suave descortesia típica dessa categoria profissional”, neste momento ele está dizendo que a CLASSE “Bibliotecários” não tem cortesia ao atender um usuário em uma biblioteca, pois classe e categoria se equivalem. Qd vc diz da contratação de estagiários por bibliotecários chefes, nem sempre é o bibliotecário chefe manda ou aceita, eu trabalha em Instituição Pública e temos estagiários no lugar de bibliotecários, mas quem decide isso não é o bibliotecário e sim a chefia maior (que não é bibliotecário/a), e nós bibliotecários aceitamos pq somos obrigados e não decidimos. Vale lembrar que isso não acontecem pq somos bibliotecários em vários setores acontece isso aceitam-se estagiários por falta de opção (estagiários jornalista, em imobiliárias, em escritórios de advocacia, entre outros). Descordo de vc qd diz que generalizar é correto, mas todos nós temos opiniões e ainda bem que nem todos gostam de vermelho, senão coitado do azul ou do rosa. A indignação dos bibliotecários nos comentários, acredito eu, não é pelo fato da suposta bibliotecária ter atendido o Sr. Luis sem cortesia, ou pelo fim das bibliotecas e sim pela generalização, pois nesta categoria profissional a maioria (dos que conheço e diga-se de passagem não são poucos), tratam muito bem seus usuário e fazem um bom atendimento. A maioria dos bibliotecários não pertence a classe de profissional que o Sr. Luis se refere. Eu tbm não acredito que nós bibliotecários temos baixa estima. Se fosse qualquer outro profissional nesta matéria, tbm iria querer que a classe fosse generalizada como sem cortesia ao atender ou que escondemos informações. Está é minha opinião. Bibliotecária que ama a profissão e tem uma auto-estima ótima.

    • Você não entendeu o meu texto. Para mim quando o autor diz “suave descortesia típica da categoria” ele refere-se a um estereótipo do qual me recuso a fazer parte.

      Desrespeito a um grupo e uma categoria existiria se o jornalista dissesse que todos os bibliotecários, sem exceção, são incompetentes, incapazes, que é uma profissão datada e que não serve pra nada (como já disse há muito tempo atrás um bibliotecário com quem discuti, inclusive). Ofensa grave à categoria seria se ele quisesse, de fato, fechar todas as bibliotecas e ser frontalmente contra a abertura e permanência de qualquer biblioteca pública. Se ele acreditasse que comunidade nenhuma no Brasil nem no mundo tem direito a um espaço de biblioteca. Onde estão estes argumentos no texto dele? Sinceramente, mexer com o nosso estereótipo (este SIM, datado) é o de MENOS frente a tudo isso.

      Sobre como ocorre contratação de estagiários em órgão público: eu desconhecia isso, realmente. E lamento por ser assim. Mais uma luta pela qual os bibliotecários devem se importar: o direito de escolherem BONS estagiários para suas bibliotecas. Serão obrigados a se contentar com coisas que não são boas até quando?

      Ainda acredito que a generalização é importante pois ela nos mostra algo que nos esforçamos para não enxergar. Só conhecemos bons bibliotecários talvez porque sejam pessoas mais próximas, etc – mas a realidade é muito maior e muito pior e vai muito além dos muros das universidades e das coisas que conhecemos.

      Só acredito que os bibliotecários que tanto reclamam de falta de reconhecimento e tanto se indignam quando alguém toca em seu sagrado estereótipo, deveriam escolher melhor suas batalhas.

    • Vanessa,é exatamente isto : ele generalizou,por baixo, a classe bibliotecária.E como bibliotecários devemos sim ,repudiar o texto.

      • Como bibliotecária, não me senti ofendida. E não repudio o texto dele. Acho o texto importante pois evoca discussões que bibliotecários evitam a todo custo.

  15. Olá, Dora!
    Trabalho em uma biblioteca, não sou bibliotecária, mas desde que iniciei nesta função penso em fazer Bibliotecomia… sei dos desafios da profissão e acredito sim que opiniões divergentes precisam existir para usufruirmos delas em prol de crescimento.
    Li o artigo do jornalista e justamente o que me chamou a atenção foi o desapontamento dele como o de uma criança que vai deseperada a uma bomboniere e não encontra doces, assim como podemos notar pelo trecho “…Nem mesmo a mim, que sempre as amei”..
    Acredito que em como todas as profissões, devemos buscar aperfeiçoamento constante, justamente para que possamos atender aos nossos usuários / clientes com um diferencial que os fidelize, apaixone e cative.
    Vejo os desafios da Biblioteconomia todos os dias, e sei que nunca agradaremos a todos, mas mesmo assim é uma belíssima profissão que depende de nós para continuar sendo respeitada.

  16. Tanto no texto do Sr. Giron quanto nesse blog são expressas pontos de vistas vivenciados por ambos, no texto o autor pressupõe ser uma verdade universal generalizada no ambiente das bibliotecas e que todo profissional hage da mesma forma “A bibliotecária me atendeu com aquela suave descortesia típica dessa categoria profissional”, neste momento ele categoriza um adjetivo a categoria prossinal, ou seja, que a categoria é caracterizada pela descortesia. Em seu blog você aponta o seu argumento, muito bem feito por sinal, porém também não pode ser considerada uma verdade universal e sim uma fundamentação aplicada a sua interpretação, que em alguns momentos apresenta opiniões referentes a outras pessoas o que da direito destas contestarem. Simples assim, duas visões subjetivas e de cunho particular, que no momento em que se torna público é sujeito a aprovação ou não, que do mesmo jeito deve haver respeito mútuo. Espero que tenha entendido meu ponto de vista, não sou melhor nem pior que ninguém, minha interpretação é boa ou ruim, isso depende do referencial, porém é minha visão subjetiva e particular do momento. Um abraço a todos bibliotecários!!!

    • Concordo contigo, Clever. Também creio que houve inconsistências de ambos post’s — o do Girón, particularmente perniciosa. A do anagrama Index-a-Dora tão só “embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta” (HOUAISS).

      • “Apresente, então e finalmente, as inconsistências e incorreções, Henrique.
        Dora said: maio 17, 201219:25”

        Dora, a sua lauda em azul/preto possui nexo. Já a lauda em verde-e-rosa-estação-primeira-de-mangueira encerra tibieza, e resvala na subalternidade, por seu intuito em dar cabimento ao anacronismo do Girón. Ambas partes são bem escritas, estruturadas [já obs pela missiva do Clever], cuja menção há que se fazer, escusadas aqui as adulações comuns da camaradagem benfazeja de alguns pares.
        Apresenta-las-ei; poucas:
        => “Bibliotecários são os ególatras com mais baixa auto-estima que eu conheço”. Puro achismo seu, do mesmo naipe do Girón “A bibliotecária me atendeu com aquela suave descortesia típica dessa categoria profissional” — e aqui reitero meu dito noutra postagem-réplica a vc, caso tenha olvidado. Ele, sarcástico, de efeitos anódinos; seu turno, vc externou mera trivialidade.
        => “E daí? E quem será que contrata estagiários? Não é a bibliotecária-chefe? Que se responsabilize mais por quem contrata então”. Decerto, bibliotecário não contrata auxiliares em qualquer unidade de informação, quando muito tem ao seu crivo a atuação dos estagiários PI, e tenta conter ser o estaleiro de funcionários-problema-encostados, readaptados e apátridas seccionais, no âmbito da Adm Pública [nas bibliotecas escolares, então…]. No setor privado, e um pouco no público tbm, ele é tão funcionário/servidor qto a massa proletária.
        => “Quer continuar mantendo seu prestígio como bibliotecário/a? Faça por merecê-lo. E principalmente não contrate estagiários que odeiem a profissão”. Repetição do feitio insólito do item anterior, qdo faz crer essa concessão de poderes. Por mais que eu tenha a absoluta convicção na proatividade, os movimentos são lentos, e perpassam por mudança numa cultura organizacional arraigada, pelo abraço às políticas públicas honestas e pela ação cultural incessante.
        Fica a dica.
        Sem mais, Att

        “Experimentar o experimental.
        E agora? Quer dizer e que eu sou?
        A memória é uma ilha de edição.
        Eu tenho o pé no chão,
        mas a cabeça gosto que avoe”
        (WALLY SALOMãO)

    • Muito bem explicado, Clever! Sou dessa opinião também. Mesmo não concordando, achei muito bem escrito e argumentativo o texto da colega Dora. Acredito que o artigo do Sr. Giron tenha sido ótimo no sentido de suscitar a discussão entre a nossa classe, costumeiramente tão apática. Acho importante escutarmos e analisarmos todas as opiniões, mas pararmos com isso de quem tem razão e partirmos para o que podemos fazer daqui pra frente para melhorar esse panorama em que nos encontramos.

  17. Dora, cada leitura uma interpretação, mas para mim ficou claro que o Luís foi mal atendido em uma biblioteca pública do bairro onde mora e que teve melhor atendimento e acesso a informação que procurava em uma “lan house”. Não sejamos simplórios, nem simplistas, quando ele generaliza, ele não especifica e eu não gosto de rótulos – infeliz a pessoa que o atendeu, está totalmente errada, pois parto do princípio básico de que o cliente tem sempre razão, porém não gostei do “… A bibliotecária me atendeu com aquela suave descortesia típica dessa categoria profissional…”, pois se formos ver as estatísticas, a maioria das bibliotecas públicas do pais não possuem infraestrutura, nem profissionais para atender com eficiência e eficácia a sociedade. Será ele mal atendido em todas as bibliotecas que frequenta ou frequentou? Mudanças de comportamento, reciclagem e atualização são necessárias em todas as categorias prifissionais.

    • ” (…) pois se formos ver as estatísticas, a maioria das bibliotecas públicas do pais não possuem infraestrutura, nem profissionais para atender com eficiência e eficácia a sociedade. (…)”

      Esta é a discussão. Por que então não pegamos toda esta energia e raiva que temos com essa reação patética acerca de um estereótipo e não a utilizamos para LUTARMOS por MAIS bibliotecas públicas DECENTES gratuitas e de qualidade?

      Alguém me responde, por favor?

      • Cara Dora, nunca espera das pessoas o que faria por elas, mas faça, certo! Você fez suas colocações com total liberdade e colhe os frutos, bons ou ruins, a discussão é boa, sendo contrária ou não aos seus ideais, senão seria fácil demais se todos concordassem. Será que já não existe luta? Quando você afirma ser uma reação patética não está expondo sua opinião referente a quem fez tal, podendo ser hábil de resposta. Pode haver reciprocidade de sentimentos, desde que cada um respeite as colocações. Desejo sorte e parabens pelo post e que tudo isso sirva de reflexão para todos envolvidos, mas não espere apenas concordância, é nas discordâncias que buscamos melhorar. Até mais!

      • Dora, tudo depende de atitute, vontade política e de políticas públicas. Uma ação conjunta do MEC, MCT, CFB/CRb’s, BN/SNBP, Prefeituras municipais, pode alavancar essa situação. A BN/SNBP pode elaborar uma proposta/projeto para melhorar e reverter o quadro atual dessas bibliotecas e até propor a criação de bibliotecas públicas nos municípios onde elas não existam. Estimular as pessoas que integram o quadro dessas instituições se faz necessário, para que ocorra uma mudança de comportamento. Temos tantos programas e leis em vigor que podem ser aglutinados nessa luta. Só a título de exemplo, temos (lei de acessibilidade a informação, programa de inclusão social, programa de inclusão digital, lei da universalização da biblioteca escolar). Fica aí a sugestão!

  18. Henrique,

    Você dá importância demais às titulações e aos propósitos. Internet não é a academia. Aqui não urge essa necessidade de apuração, qualificação e quantificação, tabulação de dados e etc. Não estou aqui para publicar nenhum artigo que precise da bênção de pares superiores… Estou aqui conversando com os meus pares, iguais, diferentes, únicos, colaborativamente. E mesmo antes de sermos pesquisadores, profissionais, somos pessoas.

    O jornalista, ao escrever um artigo opinativo – com toda a parcialidade que ele se permitiu – quis apenas expressar sobre o que aconteceu quando decidiu ir à uma biblioteca pública.

    Esse “cuidado” que você diz que precisamos ter ao tecer críticas nada mais é do que um tipo muito sutil de moralismo. “Cuidado! Alguém pode não gostar do que você diz!”. Se assim fosse, se nada de mal jamais acontecesse e só houvessem palavras boas, o mundo não seria mundo e provavelmente jamais existiria algum progresso. Esperar apenas críticas construtivas é o maior refúgio dos medíocres.

    E a realidade nem sempre precisa ser interpretada deste modo fechado, acadêmico: “pesquisado, aplico método, tabulo dados e chego à conclusões”. A vida não é só isso. A vida também é bastante impublicável. Mais do que você não gostaria.

    • Menos sofisma (seu) e mais pragmatismo. Primeiro, quem se arvorou em “títulos” foi o Girón, diz respeito a ele, apenas ressaltei essa observação, não julgo de bom tom subverter para mim uma conjectura insidiosa sua. Não concordo com a conjectura dele quanto ao peculiar mau-trato ao público/usuário/cliente de bibliotecários. Segundo, a vida é, sim, eivada de propósitos, dos mais tenros aos mais púnicos, dos explícitos ao subliminares, desde as tragédias de Shakespeare às transliterações calcadas no mundinho Web, os mesmos representados e discorridos todo instante em blog’s, daquilo que vc diz ser “Internet não é a academia”. E mais ou menos do que vc gostaria as pessoas tem o direito de se expressar, em contrário ao gracejo do Girón. Ou a expressão é só dele?

      • Girón não se arvorou em nada, só mencionou ter feito mestrado e doutorado. Pessoalmente, o fato de uma pessoa ter estes títulos não me impede de engajar em uma conversa com ela, nem me sinto menor por isso e muito menos a culpo por simplesmente dizer que detém tais títulos.

        E as pessoas tem todo direito de revoltar-se contra o estereótipo e quererem combatê-lo. Só acho inquietante arrumar um bode-expiatório para problemas da classe, como se linchar o Girón pudesse resolver qualquer coisa. Não resolve.

        Por isso, acredito que os debates advindos do texto do Girón poderiam ser outros, mais profundos e sinto que é meu dever ter um posicionamento quanto a isto, mesmo que seja dissidente da maioria dos bibliotecários.

      • Reitero.
        Semântica => arvorar : mostrar ou exibir;
        Figura de Pensamento => Preterição ; Consiste na figura pela qual se finge não querer falar de coisas, mas cuja intenção a afirma como intento íntimo. Daí, “Não lemos fichas catalográficas, nós a elaboramos, é um dos vários instrumentos existentes na biblioteconomia para facilitar ao leitor ou usuário o acesso à informação (AMATO, 2012), e emendo, qualificar, de acordo com a NBR as teses, p.ex.
        E que bom, dissidentes…!

  19. Clever,

    Pena que não tem “like” nos comentários do wordpress (acho). Mas acho que a reação por parte dos bibliotecários foi pobre de espírito sim. Provavelmente devem existir mais lutas, como a que mencionei do professor da UFSC… Mas porque elas nunca vingam direito? Por que não tem tanto quórum quanto um debate acerca de um estereótipo? De fato, é de se pensar. Abraço.

    • Oi Dora, agradeço a atenção. Acho que a semente foi plantada e quem sabe possamos ter novas discussões acerca do futuro das bibliotecas, mesmo que por diversos motivos que lhe causem. Em meus comentários não prego a razão de nenhuma das partes, todos são livres para opinar, cada um tem sua razão dentro do contexto em que vive, as interpretações são particulares e todas embasadas em propósitos próprios ou representativos (aos que concordam). Pensemos!! Abraços e indiferente a discussão parabens pelo blog.

  20. Adoro minha profissão. Conto histórias, promovo teatros, faço propaganda dos livros novos, oriento nas pesquisas e sou feliz com tudo isso. Precisamos de reciclagem?sim. Dói falar mal da classe mesmo sabendo que nem todos agem da mesma forma? Sim. O ideal mesmo é a classe se unir, buscar mudanças de comportamento e mostrar através de atitudes o quanto as bibliotecas e bibliotecários são necessários.

    Abraços a todos

  21. Resposta bastante ponderada, típica de alguém que consegue refletir sobre diversos assuntos e é capaz de enxergar as várias nuances que um texto pode apresentar. Porém, o que mais me preocupa não é tanto o que a classe bibliotecária sentirá (apesar de eu ter me sentido ofendida, sim) muito menos o que pessoas esclarecidas e pensantes sentirão. O que me preocupa é o fato desse artigo ter sido publicado numa revista de ampla circulação. A grande maioria das pessoas não refletirá a respeito, como você fez, Dora. O que restará desse texto na cabeça da grande maioria é “bibliotecas não servem para mais nada” e “bibliotecários são profissionais que não atendem bem às pessoas”, fatos esses que, apesar de merecerem grande reflexão por parte de alguns profissionais, não são verdadeiros.

    • Confesso que tenho mesmo esta dificuldade Camila.

      Conversei exatamente sobre essa dificuldade ontem com uma colega de trabalho. Ela me alertou justamente para isso: o poder que ainda existe dos meios de comunicação de massa – poder o qual eu muitas vezes ainda desconsidero. E desconsidero por que o acho datado, pois não penso mais desta forma (de um para muitos). Desconsidero pois a mídia, de uma forma geral NÃO FALA COMIGO, mas fala PARA mim. Me desacostumei com isso… Mas muitos ainda estão acostumados.

      Infelizmente o que acontecerá é isso mesmo o que você está elucidando: a grande maioria, vai apenas aceitar e acreditar, passivamente, no que o jornalista diz como verdade. O que acho bastante ruim.

      Mas apesar da reação despropositada dos bibliotecários, ainda acho que isso está mudando. Que cada vez mais pessoas reconhecem e valorizam a nossa profissão, quando entram em contato com ela. E mais: cada vez pessoas de mais qualidade estão optando por este curso. Os indícios são bons. O que devemos evitar é de ter um pensamento retrógrado e de ficar repetindo sempre os mesmos discursos…

      Abraço.

    • Concordo com sua contextualização e reitera o meu pensamento de que uma avaliação particular se torne uma verdade universal, que um futuro seja vislumbrado a partir de uma experiência ruim, que se crie um esteriótipo a determinada classe tendo base em fato isolado, mesmo que recorrente em diversos momentos mas que não pode agregar valor a visão geral.

  22. Acho ridícula essa manifestação toda dos bibliotecários por causa do texto que saiu na Época. E daí que o jornalista falou mal? Cadê a liberdade de expressão? Sem contar que ele diz que deve sua formação às bibliotecas. Quais de vocês foram formados por bibliotecas? Estas estão faz tempo descuidadas. Quanto aos bibliotecários? Ele falou alguma mentira? Cansei de ser tratada com falta de atenção em bibliotecas, mesmo sendo bibliotecária. Retratação pública? Me façam um favor né? São os próprios bibliotecários que acabam com a sua imagem. Se querem mudar o modo como o caro Sr. Jornalista nos vê, mudem sua atitude profissional.

    Não me senti ofendida, porque sei, que muito do que ele fala é verdade. E acho, realmente, que essa necessidade toda de uma retratação pública, é que nós também sabemos que muito do que ele fala é verdade, mas é ruim de ler isso.No mais, uma retratação pública não vai mudar a maneira como ele se sente. E sendo assim, que utilidade isso tem? Eu gostaria muito, que todos esses bibliotecários, que trabalham nessas bibliotecas tão diferentes da que ele descreveu, o convidassem para aparecer por lá, sem dia marcado e sem regalias. Para que ele pudesse comprovar que não é a totalidade que age daquela maneira, e que nem todas as bibliotecas são ruins como aquela. Aí sim, ele se retrataria, e haveria verdade numa retratação. Fora isso, é só uma ação tapa buraco. Mais importante que uma retratação pública, é cada um de nós, no dia a dia, repensar sua posição enquanto bibliotecário.

  23. O seu texto me fez refletir sobre algumas interpretações que fez sobre o que o jornalista escreveu, concordei em alguns pontos e em outros não! Mas, de tudo, o que mais gostei foi de vc ter citado a campanha do prof. Francisco das Chagas de Souza (UFSC) em favor da abertura de um sistema de bibliotecas públicas em Florianópolis. Essa, então, é uma luta que deve ser apoiada pela classe.

  24. Obrigada Dora, por dizer tão objetivamente e claramente o que muito de nós bibliotecários, que amam a profissão, também pensam, e agem. É no dia a dia de trabalho que temos que mostrar nosso trabalho, nos tranformando em profissionais melhores para transformar o mundo. Me senti representada! Grande abraço

  25. Eu poderia aderir a revolta clássica e imediatista em um primeiro momento de incompreensão voluntária e, porque não dizer, até humana. Não o fiz. Simplesmente por que nem sabia o que sentir. É a verdade. E antes que alguma palavra menos digna fosse dita por mim, encontrei este texto que traduz o usuário e o profissional com tamanha simplicidade e veracidade. Como não poderia venerá-lo, pude apenas levá-lo a todos aqueles por quem tenho imenso respeito: os Bibliotecários! Suas palavras me trouxeram serenidade e muito mais responsabilidade. Obrigada, Dora!

  26. Oi, Dora! Eu fui uma das três ou quatro pessoas que comentaram a favor do texto lá e, ao contrário da acusação que surgiu, não sou parente do homem nem fui paga pra isso :))) Eu que fui convidada a me retirar da biblioteca de Bangu (bairro de, hmmm, “nova crasse média” do subúrbio do Rio onde as temperaturas chegam a 43ºC à sombra no verão) porque meu short era muito curto. Já na época da escola, as duas bibliotecárias eram meus amores. Elas chegaram a me autorizar a realizar um empréstimo entre bibliotecas: achei um livro na biblioteca do CCBB que só seria emprestado para funcionários ou para outra biblioteca, e elas me deram o documento me nomeando representante da biblioteca da escola e eu retirei o livro. Eu as adorava e não consigo imaginar saindo do teclado delas nenhuma daquelas grosserias que li lá no post da Época.

    P.S – coloque o botãozinho de compartilhamento no G+, por favor :)

  27. Como falei com a Dora em outro momento, se clamamos por liberdade de expressão também não podemos julgar a reação dos bibliotecários, cada pessoa reage ao momento de uma forma, não podemos querer padronizar, no meu modo todas as manifestações são válidas. O jornalista pecou em alguns momentos em seu texto, houve uma certa generalização e até previsão de um futuro que ninguém tem certeza de que será. A Dora expos seus argumentos, concordo parcialmente com alguns. Os bibliotecários reagiram, cada um dentro da sua razão e individualidade. Então não cabe julgamento e sim a discussão, esta sem apelos como: jornalista infame, bibliotecários ridículos e etc. Eu sempre tive ótimas experiências´em bibliotecas, até em escola pública onde nem bibliotecária era. Acontece que a sociedade brasileira criou um esteriotipo de que bibliotecário é qualquer um que faça atendimento na biblioteca, que nem sequer precise formação profissional para tal e que muito acontece na rede publica, o que tem mudado com o tempo, mesmo que falte ainda reconhecimento de nivel superior como em outras profissões (digo até pelo lado financeiro). Não concordar é um direito, porém julgar não e nem menos acoplar adjetivos ao mesmo. Eu mesmo fiz um comentário sem pensar, porque o ser humano é emoção ao invés de razão em alguns momentos, é inerente a alma humana, mas depois de ponderar só penso que por ser um meio de comunicação em massa o jornalista teria que ter tido um pouco mais de cuidado, por ser um formador de opinião, todo cuidado é pouco, de repente uma segunda avaliação em outro local e ele poderia estabelecer um paralelo de como é e deveria ser uma biblioteca pública. Sem mais no momento, desejo-lhes um ótimo final de semana e que cada um encontre a verdade que mais lhe convenha a respeita outras que não lhe traga concordância. Abraços!!!

    • Tudo é passível de julgamento. Acho que a reação dos bibliotecários precisa ser julgada sim.

      Todos tem o direito de se expressar.

      Mas eu achei a reação dos bibliotecários se não mais, tão ignorante quanto a do jornalista. Vou insistir: não acho que seja este o caminho. Alguém precisava atentar pra isso.

      • Certo amiga, mas como uma pessoa pode se intitular no direito de julgar outra, claro que todos tem o direito de se expressar, mas sua liberdade termina quando a do outro se inicia. Porém não é conveniente entrarmos nessa mérito pois como eu disse são visões particulares, em termos concordo que a reação dos bibliotecários não foi adequada em alguns momentos, pois se igualou (ou se reabaixou) ao ato do reclamado, de repente mostrar um pouco de superioridade com foco em argumentação seria um melhor caminho. Veja no momento estou argumento em um bom nível com você, não estou julgando apenas poderando, expressando minha opinião mas dentro do limite de respeitar a sua verdade. Por fim parabenizo sua postura argumentativa e agradeço a oportunidade de termos essa discussão. Abraços!!

    • ” Passei pro segundo grupo e com razão (Não entendi)
      […]
      Não foi mais que um adereço
      Teve um dez em fantasia
      Mas perdeu em harmonia
      […]
      Findo o carnaval “

  28. Dora, gostei do seu texto, porém não gostei da reportagem e não achei exagerada as atidudes dos bibliotecários em se manifestarem com suas opiniões.
    Achei, exagerada sim, as ofensas e comentários ofensivos.
    Tudo que é ofensivo, acredito não ser saudável.

    Diante disso, acho sim que o jornalista generalizou além do normal não por sua exposição, mas pela forma que esteriotipou os profissionais.

    Sou Bibliotecária, tenho orgulho de ser. Atualmente estou no mestrado para futuramente me tornar docente e contribuir para formar mais profissionais.

    Não me vejo como uma bibliotecária que se sente inferior, vejo-me como uma bibliotecária apaixonada pela profissão.
    Por isso, embora não concorde com ofensas e comentários ignorantes, compreendo que quando se é apaixonado pelo que faz se comete vários exageros.

    Contudo, embora não concordando contigo em todos os pontos, concordo no que concerne a apoiar e incentivar movimentos que tragam benefícios para a área e para a sociedade em geral.

    Att,

    Priscila Machado Borges Sena
    Bibliotecária – UFMT/Rondonópolis
    Mestranda em Ciência da Informação – UFSC

  29. Olá, Dora!
    Excelente texto!
    As vezes acho que os bibliotecários não vão mudar este estereótipo tão facilmente, será mesmo aos passos de formiga. Só lendo os comentários das pessoas ao texto do Luis, ao invés de responderem com novos argumentos, atacam o autor, pura falácia! Entristece, viu!

    ;)

  30. Dora,

    você nos brindou com colocações muito sensatas.
    Concordo com sua impressão sobre o artigo.
    Pena que nem todos entenderam o texto do Luís dessa forma.

    Aécio Souza
    Bibliotecário

  31. Dora, concordo em grande parte com suas análises, principalmente em relação ao foco do texto que foi o de simplesmente chamar a atenção para uma biblioteca pública praticamente abandonada gerenciada por uma profissional desmotivada (como há em qualquer profissão), mas você dizer que o trecho “suave descortesia típica da categoria” não foi um julgamento pré-conceituoso que SIM, inclui você, uma vez que é uma BIBLIOTECÁRIA, é um pouquinho demais! Também não me enquadro nesse perfil de profissional desinteressado que vai contra todo os nossos esforços em disseminar a informação. Também acho que não deveríamos dar tanta atenção a esse artigo do Giron (e o seu só está sendo mais um a dar ênfase ao dele). Mas não podemos negar que ele foi pré-conceituoso e que ele poderia apenas se restringir ao fato ocorrido com ele, e não generalizar toda uma categoria. Ele foi infeliz, pré-conceituoso e ignorante com toda a certeza.

    • Oi Camila

      Já parou para pensar na diferença que existe entre “categoria” e “estereótipo”?

      Se Girón atacou um estereótipo que, a princípio, não te pertence (e nem à categoria) não há pelo que se ofender.

      A não ser que você faça muita questão de se igualar á má profissional que o atendeu.

      Para mim, o jornalista simplesmente fez papel de bobo, apenas, ao confundir um estereótipo com uma categoria.

      E também acho que ignorar a coluna dele não é um bom caminho.

      Abraço.

  32. Concordo em partes… mas é nitido um excesso de informação (reclamações) aglutinadas sem nenhuma sistematização e uma generalização das criticas.. Criticas fundamentadas e críticas eufóricas sendo tratadas no mesmo patamar.
    Por essa ótica, o texto está bacana, mas eu prefiro filtrar as reclamações e colher apenas o que me parece com fundamento. Continuo achando que ele deixou de cumprir os artigos do código de ética de sua profissão, afinal de conta um artigo não é o mesmo que uma conversa em mesa de botequim, não é mesmo?
    No codigo de ética dos jornalistas diz:
    Art. 2° – A divulgação da informação, precisa e correta (ele afirma ter sido atendido por uma bibliotecária, mas não cita se fez a constatação da profissão de quem a atendeu, podendo não ser uma bibliotecária)
    Art. 7° – O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos, e seu trabalho se pauta pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação. (apuração????? ele apurou com o orgão responsável pela biblioteca, o porque da situação da biblioteca? )
    Art. 14 – O jornalista deve: […] – Tratar com respeito todas as pessoas mencionadas nas informações que divulgar. (acusar uma ‘classe profissional’ de descortesia é tratar com bastante respeito não é mesmo?)
    Dr. Giron é alguma autoridade (em biblioteconomia) para criticar sem fundamentar, de forma pública? Se sim, tudo bem. Se não, acredito que tenha que arcar com as consequencias por falar sem se fundamentar.

    • Gustavo,

      Copio e colo, na íntegra, o comentário do colega Alexandre Berbe (weblibrarian) no Facebook:

      “O Girón apresentou um texto como colunista e não como jornalista. Na função de colunista, ele escreve sobre experiências, reflexões e DEVE expressar suas opiniões pessoais – no caso, um cliente antigo de bibliotecas que teve uma experiência infeliz. O texto dele não é uma afronta aos bibliotecários ou às bibliotecas. Pelo contrário, ele apenas busca incitar o debate sobre o que deve ser mudado para atender às necessidades do cliente de biblioteca e, principalmente, o que deve ser mudado no profissional de biblioteconomia. Fico desapontado porque as pessoas ficaram ofendidas com a inexistente “generalização” do mau profissional contida no artigo. Com tamanha revolta por boa parte dos profissionais, o que generalizou mesmo foi a impressão de que o bibliotecário é arrogante e não aceita críticas. É para se pensar…”

      No caso de uma coluna, de caráter pessoal, o jornalista não infringiu código de ética algum. E ele tem certa razão quando manda os bibliotecários caçarem as verdadeiras bruxas.

  33. Parabéns por suas colocações!
    Também não me senti ofendida em momento algum. Muito pelo contrário… Mas, independente das razões de cada lado e, sem entrar no mérito, acredito que os bibliotecários deveriam procurar nas diversas fontes de informações a que têm acesso, palavras menos indelicadas para se expressarem. Quando partimos para xingamentos e ataques pessoais, deixamos de lado a oportunidade de defendermos os ideais tão propalados.
    Infelizmente ele não foi o único a ser mal atendido por um bibliotecário (não são somente auxiliares mal treinados que fazem atendimento de baixa qualidade).
    Poderíamos, sim, tentar fazê-lo ser o último.

    • Gostei de sua colocação, de repente poderíamos apresentar exemplos de bibliotecas que praticam devidamente seu papel e o porque da mesma conseguir (verba, incentivo, recursos humanos). Acho que conseguiu expressar sua opinião sem entrar na meritocracia do certo ou errado, apenas ponderou e apresentou uma melhor forma de expressão. Da mesma forma que ele não foi o primeiro e nem será o último a ser mal entendido, não será o primeiro e ultimo jornalista que expressa sua visão individual de uma experiência vivida e vislumbre o futuro a partir da mesma. o unico ato falho foi dizer sobre um aspecto característico de uma categoria profissional.

      • Pela indignação/agressividade de alguns comentários… Sinceramente, fico pensando…

        Vale a pensa ler a reprodução do texto do Alexandre Berbe, que você copiou e colou (acima).

        E, “se o que vale para o mar, vale para a terra”…. Seria bom todos pensarem nos ataques direcionados à outra categoria profissional e também aos ataques pessoais…. Será que não estamos fazendo a mesma coisa?… Todos têm o direito de se manifestar livremente, desde que mantenham um mínimo de urbanidade e respeito…

  34. Pingback: A cultura da crítica | Bibliotecários Sem Fronteiras - Biblioteconomia Pop

  35. Dora,

    na redação de seu texto, vc foi tão infeliz quanto o jornalista: generalizou tanto quanto ele, demonstrou notório DESCONHECIMENTO de causas que abordou com “tanta propriedade”, estruturou um texto eivado de preconceitos e de soberba, como se estivesse acima “dessa classe” de bibliotecários que, palavras suas, só usam energia no que toca a causas de nenhuma importância e não sabem interpretar textos (OBA! vamos generalizar!!!!)…

    “Volte para a pré-escola” – essa foi a parte que mais gostei. NOOOOOOOT
    Ih! Será que vão me entender????????????????????????

    Bem, haja vista a minha impaciência em ler todo o texto, vou elencar apenas 3 itens que me chamaram mais atenção, quais sejam:

    – Dizer que “Qualquer generalização é perfeitamente válida quando diz respeito a grupos” é, NO MÍNIMO, imprudente; usar o método indutivo pra provar qualquer coisa aleatoriamente é sofrível. Partindo da sua afirmação, todas as mulheres são cachorras… ou todas são freiras… E aí, com qual generalização vc fica????????

    – Talvez não tenha sido uma bibliotecária que o atendeu, mas sim uma auxiliar. “E daí? E quem será que contrata estagiários? Não é a bibliotecária-chefe? Que se responsabilize mais por quem contrata então. Se eu visitar uma biblioteca e quiser ser atendida, pouco me interessa se for bibliotecária ou auxiliar. Eu quero é ser bem atendida, independente de quem for. Isso nem é passível de discussão. Desculpem.”
    Desculpo NÃO. E isso é passível de discussão, SIM.
    Não sei que tipo de “intimidade” vc tem com a Administração Pública (pelas suas imprudentes considerações, deduzo que seja nenhuma), por isso acho que vale um esclarecimento não só a você como a qualquer pessoa que possa ler seu desditoso texto: no serviço público NÃO HÁ a autonomia que existe na iniciativa privada. Ao contrário do que é permitido a Donald Trump, Roberto Justus, e a você (presumo), o chefe de uma biblioteca pública NÃO PODE meter o dedo na cara do servidor (auxiliar, conforme citado) e dizer “Você está demitido… por não ter atendido adequadamente o ilustre jornalista Fulano.” Em muitos órgãos públicos, sequer os estagiários podem ser “escolhidos” – a seleção dá-se através de CONCURSO de provas. Assim, respondendo à segunda pergunta: Não, nem sempre é a bibliotecária-chefe que contrata estagiários. A proposito, não seja preconceituosa: há bibliotecário chefe também, ok?

    Mais um dado que acredito que vc desconheça: geralmente, em órgãos públicos, são destinado à biblioteca o servidor encostado (leia-se, aquele que não é aceito por nenhum outro setor, por motivos que, aí sim, acredito que vc consiga imaginar… ou não?). Concordo que o fato de existir um (só um?) servidor mau humorado ou mau educado no setor não exime o chefe da biblioteca de buscar prestar um ótimo atendimento ao público; certamente o chefe tem incumbências que deverá cumprir, como por exemplo, não ser condescendente com as atitutes do tal servidor. Ocorre que é humanamente impossível monitorar constantemente o funcionário (entendeu que ele não pode ser demitido, né?).

    – “Quer continuar mantendo seu prestígio como bibliotecário/a? Faça por merecê-lo. E principalmente não contrate estagiários que odeiem a profissão. Fica a dica.”
    Oh, dispenso a dica – essa e qualquer outra que venha de você.
    Dado tudo o exposto até aqui, espero que alguém concorde comigo: é completamente descabido associar “perda de prestígio como bibliotecário” à contratação de estagiário que odeia a profissão. De maneira alguma, eu (e qualquer pessoa sensata) vinculo o prestígio de um profissional (qualquer que seja a área) à contratação de [bons ou maus] estagiários para o setor em que atua!!!

    O serviço público é sui generis; não é simples, é burocrático, seu funcionamento é desconhecido da população. Portanto, para veicular qualquer opinião (em internet ou impressos) a respeito de qualquer assunto, é imprescindível se informar previamente.

    • Corrigindo: “Mais um dado que acredito que vc desconheça: geralmente, em órgãos públicos, é destinado à biblioteca o servidor encostado…”

      • Infelizmente isso eu presenciei em uma instituição pública onde foi alocado na biblioteca um servidor sem os requisitos necessários para a rotina, pois vinha de uma reintegraçã de funcionários públicos. Vejo que nosso ramo é um mar de complexidades distintas no que diz respeito as rotinas. Até!

    • Adriana,

      Pelos comentários que li no artigo do Girón, a maioria dos bibliotecários tem mesmo sérias dificuldades em interpretação de texto e em escrita (você inclusive). E de fato, usam energia para causas pouco úteis à classe. Se você discorda disso, só posso lamentar por você.

      Vou desconsiderar suas ironias infantis constrangedoras e vou tentar responder cada um dos seus pontos ok?

      1. Impaciência ao ler o meu texto? Nem deve ter lido inteiro. Assumir isso denota, no mínimo, ignorância e desleixo. Você parece não querer conversar ao dizer isso, apenas impôr sua opinião. Que pena.

      2. Em nenhum momento disse que “todas as mulheres são cachorras… ou todas são freiras”. Essa frase pertence à VOCÊ, SÓ E SOMENTE. Lembre-se disso, ok? E se você se identifica tanto com o estereótipo bibliotecário a ponto de defender uma má profissional (ou não), só posso lamentar pelo seu posicionamento.

      3. Ser mal atendida é passível de discussão? Quer dizer que ser mal atendida, para você, é ok? Bom… Então acho que não temos mesmo o que conversar sobre isso. Desculpe. Que bom que você gosta de ser mal atendida por onde vai, então.

      4. Se não há autonomia que existe na iniciativa privada por que isso não poderia se tornar uma causa de luta bibliotecária? Se somos tão bons e queremos atender tão bem ao público, o mínimo que podemos exigir é que possamos contratar pessoas de qualidade e que estão em acordo com os nossos valores. Mas talvez seja melhor (mais fácil e cômodo) ficar esperneando e chorando por conta de estereótipo, não? Lutem. Que mudem os concursos. Que mudem as provas, os processos de seleção. Que exijam esse tipo de respeito de quem quer que estiver na hierarquia acima. Que seja feita uma pressão em quem seja preciso.

      Mas isso não vai acontecer. Sabe por que?

      Por que preferimos nos preocupar em preservar uma imagem ruim ao invés de melhorá-la. Aceitar servidores encostados é justo? É certo? É bom?
      Você acredita nisso sinceramente?

      5. Nada do que eu disse é descabido. Só disse o que acho que poderia ser justo. Acho ruim e bastante precário contratar ou ter como auxiliar alguém que vá desqualificar o ambiente de trabalho bibliotecário. O atendimento é o nosso cartão de visitas. Pense nisso com mais atenção.

      6. Bom saber que você tem um bom domínio sobre o serviço público. Há algo a ser feito ou é impossível? Há algo pelo qual lutar ou… A classe bibliotecária tem mais o que fazer do que lutar por um ambiente de trabalho (e atendimento) decente?

      7. Para veicular qualquer opinião pessoal, em uma coluna, posso me expressar e contar uma história do modo que bem entender. O texto do Girón não é nem sequer uma matéria jornalística, mas sim um artigo opinativo em que ele conta uma experiência vivida. Ele não precisa ter conhecimento nenhum pra isso. E, para mim, ele só fez papel de bobo mesmo. Mas ao menos fomentou uma discussão necessária.

      • Quantos adjetivos vc me atribuiu! Que fineza!!
        Chamou-me de burra, incapaz, “objeto” de lamentação (dispenso o lamento, da mesma forma que dispensei a dica – como mencionei no outro post), ignorante, irônica, infantil, desleixada, autoritária… e, como sou burra, deve haver mais alguns perdidos aí no meio do seu confuso texto que eu posso não ter conseguido identificar.

        A frase das mulheres cachorras não atribuí a você, não mencionei q vc disse isso… A frase é FALSA, assim como é falsa a generalização usada pelo jornalista. O que eu disse é que, partindo-se de uma individualização, não se pode classificar todo um grupo (seja de mulheres ou de bibliotecários). Acho que se alguém mais ler meu comentário vai entender que eu fiz uma alusão à sua defesa de GENERALIZAÇÃO em relação a grupos. De repente, se vc ler novamente, até entende!

        E mais uma vez vc foi preconceituosa: “a maioria dos bibliotecários tem mesmo sérias dificuldades em interpretação de texto e em escrita (você inclusive).” PESSOAS (qualquer que seja a profissão) têm dificuldade em interpretar textos.

        Caso não saiba, a Administração Pública rege-se por regras próprias, e por isso não há autonomia que existe na iniciativa privada. É PÚBLICA e não PRIVADA, é Lei 8112 e não CLT. Mudar os concursos é mudar Lei Federal.

        “o mínimo que podemos exigir é que possamos contratar pessoas de qualidade e que estão em acordo com os nossos valores…”
        => Quem contrata é o governo… Sobre “nossos valores”: imagine cada bibliotecário servidor público contratanto de acordo com seus próprios valores…

        “Lutem. Que mudem os concursos. Que mudem as provas, os processos de seleção. Que exijam esse tipo de respeito de quem quer que estiver na hierarquia acima. Que seja feita uma pressão em quem seja preciso.”
        => OI????

        ” Nada do que eu disse é descabido”. => A frase acima é mais uma das suas totalmente descabidas. Assim como relacionar prestígio na carreira à equipe vinculada ao setor.

        “Há algo a ser feito ou é impossível?” => Dora, o serviço público é sucateado em todos os setores: saúde, educação, segurança… Certamente não é impossível mudar, a arma é o VOTO.

        Ingenuidade sua achar que o jornalista fez papel de bobo. Ele é formador de opinião (como colunista ou o que quer que seja). Que tipo de imagem vc acha q o público que ler o artigo dele terá de nossa classe? Pense naquelas pessoas que sequer têm conhecimento de que nossa profissão existe! A colocação preconceituosa e generalizadora do jornalista certamente influencia. Além disso, qdo me referi a informar-se previamente qdo veicular alguma informação, referi-me a você e não a ele – cujo nome, se reparou, nem citei.

        Ah! E não li todo o seu texto pq ele é ignorante… Assumir que não li denota DESLEIXO? Em que sentido? Que constatação vazia!

    • Sou funcionária pública e conheço a burocracia a qual você se refere. Se tenho um auxiliar, estagiário, funcionário (pode usar o nome que quiser) na biblioteca, procuro orientá-lo da melhor forma possível. Mas, acho triste buscarmos naqueles que são nossos orientados a culpa pelo atendimento inadequado de “um funcionário da biblioteca”.

      Antes que você comece a imaginar que sou toda poderosa, saiba que meu cargo é o primeiro na base da pirâmide.

      Acho uma pena você não ter paciência para ler todo o texto da Dora. Li o dela e o seu.

      Chefe ou subordinado, todos temos a obrigação de prestar um ótimo atendimento ao público. Eu nunca precisei de qualquer monitoramento para fazer o meu melhor(sou concursada e estável).

      • Márcia,
        eu não joguei a culpa do atendimento inadequado no servidor auxiliar, pelo contrário, afirmei que o chefe não pode ser complacente com qualquer atitude indevida. Entretanto, há eventos que fogem à ciência de qualquer ser humano.

        Há muitos servidores que não precisam de monitoramento para realiz seu trabalho de maneira satisfatória, mas, certamente vc conhece alguns que não correspondem às expectativas do cargo que ocupam e que são submetidos inclusive à sindicância e procedimento administrativo – foi a esses que me referi.

    • Adriana,

      Hum… bem, eu levantei também a potencializada vacância de coerência no conteúdo textual da Dora, no que se refere à lide verde-e-rosa. No entanto, não vislumbro paridade ao texto do Girón. Torno a repetir: ele foi diletante ao suscitar, desprovido de estofo, um assunto biblioteconômico; ela, ressaltou idiossincrasias seguidas, flertando com o proselitismo.

      Acho que deverias, Adriana, ler todo o texto da Dora, não repetindo assim o que ela mesma afirmou que fizera [“Tentei ler os comentários do texto do Luís mas como eles eram muitos e se tornaram repetitivos, desisti”]. Quem não lê (tudo) — no caso em tela — que repercute ou possa repercutir, então não sabe o tamanho das magnitudes, terreno fértil de achismos ególatras.

      Afinal, é isso que um PI minimamente consonante aos rudimentos de Adm, e atualmente às ferramentas TI, pode fazer: medir fluxos informacionais. Isso é produto, de valor. A Dora diz que ” tecer críticas nada mais é do que um tipo muito sutil de moralismo” e que “esperar apenas críticas construtivas é o maior refúgio dos medíocres”, donde digo que nisso ela assume o proselitismo que flertara na sucessão do Girón, pois, afinal, o seu vezo é empírico não obstante que “Internet não é a academia, aqui não urge essa necessidade de apuração, qualificação e quantificação, tabulação de dados e etc”. Para depois ser recalcitrante seguidamente, ao passo que conclama os pares para realocar suas energias dispendidas ao léu em questões extremamente candentes do serviço de referência, da biblioteconomia, da ciência da informação e na liberdade de expressão do Girón — já a dos bibliotecários e simpatizantes que replicaram… Pano rápido, como diria o Ancelmo!

      Qualquer primeiro-anista de biblio passa a saber em ler Le Coadic que a coleta e divulgação de informações orais, escritas, audiovisuais, e na razão de ser do jornalismo e dos blogues (Girón-Dora), os índices de audiência são ” barômetros da satisfação”. É o que buscam, afinal, fizeram publicidade, ou, do contrário, que guardem para si suas reminiscências ao invés de lançá-las no hiperespaço. Fica desconcertante, depois, se fazer de desenxabido.
      “É inquietante ver surgir uma produção de informações cada vez mais[…], e perguntar sobre as qualidades” (HALIMI, 1997). Esses aspectos qualitativos eu critico, em Girón, em Dora lide verde-e-rosa.

      Agora, um neófito recém-formado tem a obrigação de saber que o ibope que fora buscado nem sempre lhe faz gracejo em suas veleidades. Interdisciplinariedade, a reciprocidade na troca, é bem-vinda e edificante. Porém, os grupos são unívocos

      Nem tudo é imobilismo, e outros também já disseram isso nas postagens, as coisas acontecem lentamente. Mas acontecem, pois, a repetir o mantra de que bibliotecário é sutilmente expressão do rabujo, isso seria o mesmo que enxovalhar as peregrinações dos abnegados em se formar, em abraçar eficaz, e solitariamente, para si o processamento técnico, o desenvolvimento de coleções, especializar; e desconsertar os mais graduados, que suscitam conhecimento e orientam nos projetos, especializações, no alto nível das proeminentes em Biblio – UFSC, UFMG, Unesp, FespSP, UniRio, UFF, UnB, USP, UEL, et al, na meca de um IBICT…

      A teoria do discurso/comunicação de todas as manifestações (a originária e as decorrentes) são outros 500, de fato, outra esfera, e nisso, ótimas reflexões! A mesma reflexão em saber que devo tomar bom trato [atenção, hipérbole, viu!?] ao falar dos dogmas do Cristianismo, Islamismo, ao falar que o filho do vizinho é um melequento barrigudo que não teve modos, que o Tio Sam é uma nação imperialista de hipócritas puritanos sublimados.

      Há jeitos de se dizer coisas, ainda mais se não a dominamos na essência.

      Minima de Malis !

      Att, Henrique

      • Henrique,

        Muito provavelmente, a Adriana não irá entender um terço do que você escreveu…

        E vai concordar assim mesmo. rs

        E ah, convido a você a ler TODOS os comentários dos bibliotecários no texto do Girón. Depois volte aqui pra me contar o que achou. :D

      • Dora,

        Não sou afeto à indolências por conta de leituras. Leio de tudo. Do sagrado ao profano. do puro ao lascivo, depende do momento. Aliás, falando de “momento” e “jeito” corretos, prezo muito pela situação ambiental, pois sou cordato. Às vezes tenho que controlar a compulsão por informação. Só.

        Li TODOS os comments! Saiba.
        Tenho tornado ao malfadado para ver se surgirão outros.

      • Caramba! Estou impressionada (sem ironia aqui). Haja paciência. Bom… Também leio muita coisa e leio quando escrevem pra mim. Mas não leio tudo de tudo – os comentários mal escritos e sem coerencia, não gosto simplesmente. Não sei se tenho esse tipo refinado de paciência. Ou de compulsão, como você preferiu colocar.

    • Ahã,
      Puxa vida, excertos no OFÍCIO CIRCULAR 15ª CFB N. 039/2012 me contentam, pois cotejam coisas que inferi também antes!

      Item2. O autor generaliza, perniciosamente “com aquela suave descortesia típica desta categoria profissional (GIRÓN, 2012), uma experiência de ANTIPATIA vivenciada no âmbito da biblioteca, e desova um desagravo. E — toma-lhe troco com rebordosa nas redes sociais (!) — se faz de paladino incompreendido.

      Item 4a). Diante de um sabido défict de PI, citei, de chofre, no blogue do Girón, cx. de comments, que tinha minhas dúvidas se fora “atendido” por um bibliotecário, pois 4anos de HBC para sair bacharel não deixa de ser um certo antídoto para falta de tino.

      Item5. A despeito da irrelevância, e considerando que Index-a-Dora partilha e entende como verdadeiro o consentimento ‘Gironiano’ em 4a), emendando que bibliotecários são uma estirpe que padecem de uma ególatra pulsão pela autoimolação, fazendo pouco caso (apesar de saber, UFSC) de qualquer estudo de natureza científica, ou simplória pesquisa de opinião, preferindo e sustentando — o que não é o caso — observação empírica do eu acho…

      Gostei, CFB: […] ” a menos que se efetive a compreensão de todo o universo, não permite generalizações”.

      Carpe Diem
      Sine qua nom

      • Pois é Henrique.

        Curioso só existir uma movimentação do CFB em relação à mídia para punir e calar alguém que faz uma crítica à profissão…

        Só fui entender o que é PI (profissional da informação?) agora. Tente usar menos siglas, ok?

      • Certo, Dora. Nessas suas observações concordo, na crítica burocrática ao CFB (mas, refletindo nas incontinências da entidade, em contrário ficasse muda, seria mais um monte de bibliotecários em conversas de alcova a excomungá-la por tal).
        E no PI… sabia que saberia, dada a sua capacidade (sem ironia, grifo!). Menos siglas.

      • Ih, um colega ´em off´ acaba de me perguntar: ” HBC (?)…
        Nota do redator: ” Horas de Bumbum na Cadeira “…
        Perdão da “faglianostra” ; foi um chiste. Sem mais.

  36. Comentário excelente de Lídia Salek na comunidade “Biblioteconomia” Brasil no Facebook:

    “Claro que existem usuários mal educados, irritados, que têm prazer em falar mal das bibliotecas, das instituições, do mundo, de qualquer coisa que funcione não da forma que eles esperam. Mas inegável também é que existem bibliotecários descritos como no texto. Não adianta dizer que não! Existem! Ponto. Se vou a um médico que me atende sem olhar para mim, não vou ficar pensando que o cretino estudou 7 anos, fez especialização disso ou daquilo. Vou achar que é um cretino e pronto!”

    • “Vou achar que é um cretino e pronto!”

      “Qualquer generalização é perfeitamente válida quando diz respeito a grupos.”

      Partindo da ideia de generalização que vc defendeu, então seria correto taxar toda a classe médica de cretina?

      • Ela não chamou a classe médica de cretinos. Chamou o médico que a atendeu.

        Mas tudo bem, você não entende o conceito, de qualquer forma… :)

      • Já ouviu falar em serviço de referência? Já ouviu falar também que o serviço de referência é o cartão de visitas de uma biblioteca?

        Que tal pensar um pouco mais nisso, senhora bibliotecária?

  37. Adriana,

    É difícil manter uma conversa de algum nível desta forma. Talvez quando você decidir conversar ao invés de indignar-se apenas, seja possível chegar em algum lugar. Por hora, não é.

    Aquele abraço.

    • Dora, qualquer pessoa a qual sejam atribuídos os adjetivos que vc me atribuiu, é passível de indignação. Entretanto, no meu texto não expus somente indignação, como vc afirma.
      Vc é contra meu ponto de vista, é a favor do jornalista. Ótimo!
      Ainda bem que existem opiniões divergentes, e melhor ainda que estou do lado oposto ao seu.

      • Não sou a favor de ninguém. Estou discutindo um assunto o qual você se recusa a discutir.

        E pessoalmente eu não considero que você esteja no lado oposto à mim.

        Aconselho você a criar um blog e escrever com mais frequência. Mas você vai dizer que não precisa de um blog só pra se opôr à mim, já sei. Enfim…

  38. Dora,
    vc é que não entendeu. Ou entendeu e achou mais conveniente desprezar o que escrevi.
    Espero que seja a segunda alternativa ou vou começar a pensar que vc tem sérios problemas com interpretação de texto.

    Eu NÃO disse que a Lidia chamou a classe médica de cretina.
    Eu me referi à sua defesa da generalização. Vc disse que “Qualquer generalização é perfeitamente válida quando diz respeito a grupos.” Então, partindo dessa premissa, toda a classe médica é cretina?

  39. Parabéns novamente Dora. Seu eloquente texto apresenta o bom senso e a clareza que tanto faltam aos exaltados e histéricos que gritam por fogueira, estes são notoriamente pouco afeitos à reflexão, tão cara aos verdadeiros profissionais da informação. Com certeza, foi a melhor contribuição até agora.

  40. Pingback: Respostas à “Dê adeus às bibliotecas | Mundo Bibliotecário

  41. O jornalista não estava em um bom momento ao visitar a biblioteca do bairro, “Em um desses meus acessos incuráveis de nostalgia, cometi o crime de visitar a biblioteca pública do meu bairro”. Se visitar a biblioteca é cometer um crime, julgar a biblioteca, as pessoas e os profissionais que dela participam é elogio?
    Uma classe inteira de profissionais é desrespeitada, assim como órgãos competentes como a Biblioteca Nacional é inferiorizada por um jornalista que desconhece o real valor destas instituições.
    Em seu acesso nostálgico e particular afirma: “Eu sei que as bibliotecárias, entre suas muitas funções hoje em dia, sentem-se na obrigação de ocultar os volumes mais raros de suas respectivas bibliotecas”.
    Senhor Jornalista, o senhor realmente conhece tais funções dos profissionais bibliotecários? Discurso vago e generalizado utiliza-se de informações que desconhece.
    “Bibliotecas mais escondem do que mostram”. “Há depósitos ou estantes secretas vedadas aos visitantes.”
    Depósitos ou estantes, senhor jornalista? O senhor afirma, mas não sabe? Cite quais bibliotecas e o que elas escondem, certamente não é a do seu bairro, já que “é um local oco, cheia de prateleiras de metal com volumes empoeirados à espera de um leitor que nunca apareceu”. Esse leitor, provavelmente, em seu acesso de nostalgia ao passar pela biblioteca do bairro descobriu que o melhor mesmo é ficar em uma lan house absorto por pesquisar, mandar email e jogar. Jogar, caro jornalista. Que tipo de pesquisador o senhor se refere? Meninos que gostam de jogar?
    Nem mesmo a lan house, que te parece mais agradável que a biblioteca, o senhor respeita: “perto de uma lan house imunda como aquela…”.
    O jornalista afirma informações as quais não atesta a sua veracidade: “Não espanta que as prefeituras de quase todas as cidades do Brasil queiram fechá-las”.

    Trata-se de um jornalista em crise de transição para os meios de comunicação eletrônicos, uma vez que os livros da biblioteca já não os servem mais, mas que já o foram muito úteis, assim como os órgãos competentes que o serviu e acolheu.

    • Ana,

      Acho que o Girón foi ironico ao dizer que “cometeu o crime” de visitar a biblioteca. Disse isso pois, nos dias de hoje, talvez para quem tenha um círculo de amigos que tenha um maior uso de tecnologias (como se isso fosse sinônimo de cultura e/ou aprendizagem), seja constrangedor em algum nível assumir que se visite uma biblioteca. Por isso o “crime”. Nada contra a biblioteca em si, mas sim contra algo que nem mesmo deveria ser um constrangimento em princípio.

      De resto, não acho que o que ele escreveu faltou de veracidade, mas talvez não tenha sido a intenção dele dizer a verdade, mas sim dizer o que sentiu. Tente visitar a biblioteca pública do seu bairro e uma lanhouse nesse final de semana pra ver se descobre algo diferente do que ele disse. É um bom exercício que estou pensando em pôr em prática.

      • Perfeitamente irônico, o jornalista deveria ter ligado seu pc e acessado às várias possibilidades que a web lhe oferece. Evitaria o transtorno de ser mal atendido por uma bibliotecária.

      • Também não acho que este seja o caminho. Eu ao menos gostaria de ir em uma biblioteca e conversar com uma bibliotecária que me atendesse bem. Quando estudei na UFSC, um dia fui devolver um livro na BU e quando disse que apreciei a leitura quem me atendeu só faltou ROSNAR pra mim, como resposta. Entendo que ninguém é obrigado a estar sempre no seu melhor dia enquanto trabalha, mas sempre gosto de poder acreditar que sim, as coisas poderiam ser diferentes.

  42. Somente a título de registro, este texto foi publicado/linkado:

    – No Blog da Rede Sirius – http://redesirius.blogspot.com.br/2012/05/you-say-goodbye-and-i-say-hello.html
    – No Blog da Biblioteca Central da UFRGS – http://bcufrgs.blogspot.com.br/2012/05/you-say-goodbye-and-i-say-hello.html
    – Linkado no Blog Bibliotecários Sem Fronteiras – http://bsf.org.br/2012/05/18/a-cultura-da-critica/
    – Linkado no Blog Dia de Greve, da Marina Macambyra – http://diadegreve.blogspot.com.br/2012/05/furia.html

    • Que bom que outros blogs estão reproduzindo seu texto.

      Só espero que os bibliotecários, contrários ou a favor, coloquem idéias para melhorarmos o atendimento ao público e, não o que infelizmente temos lido aqui e no blog do Girón.

      Se grande parte das bibliotecas não possuem bibliotecários ou atendente qualificado creio ser um problema bem mais sério.

      Que tal começarmos a gastar nossa energia pensando em como transformar TODAS as bibliotecas em lugares agradáveis e com pessoas atenciosas e cortezes.

      Algumas bibliotecas são maravilhosas e outras nem tanto.

      Alguns acervos atendem aos interesses dos usuários, outros não.

      Algumas possuem profissionais altamente empenhados em agradar e atender da melhor forma possível àquele que saiu de casa em busca de uma informação. Outras, o bibliotecário (com CRB) disponibiliza o computador para pesquisa, para não precisar sair do lugar e pegar o livro (isso eu vi! não é de ouvir dizer, lamentavelmente).

      Em contrapartida, temos os usuários que, como seres humanos que são, possuem expectativas e interesses diversos. Quando eles se dirigem à biblioteca costumam ter também expectativas saudosistas (caso dele), de insegurança, de medo, e uma série de outras sensações e sentimentos.

      Acho que cabe a nós, bibliotecários, particarmos a EXCELÊNCIA NO ATENDIMENTO, independente do usuário.

  43. Moreno Barros, no Facebook: “uma atividade de final de semanas pra vocês: visitem a biblioteca de bairro, do seu bairro. escrevam um relato de experiência, do ponto de vista do usuário (vocês como usuários). se a experiência for completamente diferente do relato dele, me mandem que eu publico no BSF”

  44. “No momento em que escrevo, já são 18 páginas de comentários no post, quase todos de bibliotecários irritados. E não vi nenhum, até o momento, de usuários de biblioteca defendendo os bibliotecários, dizendo que sempre foram bem atendidos por nós, que somos legais e competentes, mas posso ter perdido alguma página.” – Texto da Marina – http://diadegreve.blogspot.com.br/2012/05/furia.html

  45. Depois de ler todos os posts chego a pensar qual a diferença dos mais exaltados que comentam o texto do Giron e aqui, de certo modo tem o mesmo comportamento, equivalente não igual, pois aqui o fazem com mais eloquência a razão. No momento em que observamos aqui que alguns dizem que faltam aos outros reflexão, coerência, que beira a histeria e ridicularidade, não estamos aqui querendo ser os donos da verdade e praticando o julgamento, pois julga quem se acha melhor que o próximo. Não está faltando aqui também nos restringirmos apenas a interpretação dos textos e um análogo com a prática profissional. De repente nossos posts poderiam ponderar o texto da Dora ou apenas idolatrar sem estabelecer esteriótipos aos contrários e suas ações. Achei legal alguns que apresentaram sua vivencia e outros que querem a qualquer preço que sua verdade seja universalizada e generalizada. No momento em que um jornalista escreve em um meio de comunicação em massa uma vivencia particular (que nem ao menos sabemos se foi verdadeira) com colocações pessoais e certa generalização por mal uso da palavra é normal inserir em seus leitores diversos sentimentos e interpretações, eis que o contexto muda o eixo e torna-se a avaliação de quem comenta a notícia e se o faz de maneira correta ou não, se beira ou ridículo ou o fanático, se sua racionalidade é moderada ou exagerada. Penso que todos tem sua razão, cada um expressa o que quer, o unico erro é o julgamento do certo ou do errado, no lugar desse comportamento poderia-se aplicar uma discussão sem vaidade, porém sem adjetivos de qualificação por ambas as partes. Tirando-se as adjetivações estou achando válido toda essa discussão, penso que terei um aprendizado com todo esse momento.

    • Concordo parcialmente com a Dora, de qualquer forma parabenizo-a pela iniciativa! Estou aprendendo bastante com vocês. Também estou muito admirado com a postura de Clever. Você tem blog? Um excelente fim de semana a todos!

      • Caro Breno, agradeço sua satisfação, ainda não tenho blog mas depois de tudo esse envolvimento pretendo criar, é um aprendizado muito grande. Mas o que mais percebi é que algumas pessoas reprovam certas atitudes e sem querer remetem as mesmas em suas ações, o que é perfeitamente aceitável, está implícito no ser humano visualizar melhor o erro alheio. Se o mundo fosse uníssono o aprendizado seria muito monótono. Grande abraço!!!

  46. Sabe o que é bom nisso tudo, a diversidade de opinião… todos tem o direito de dizer o que pensa e o que sente ou sentiu em determinado momento, e a experiência de uns serve para repensar a existência de outros!!! Muito boa sua reflexão….

  47. Olá Dora
    Trabalhei por muitos anos em biblioteca de uma Universidade Pública. Fui auxiliar e NUNCA tratei mal um usuário, vi muitas vezes auxiliares que diziam não querer atender alunos, mas vi Bibliotecários que quando viam um professor corriam para atende-lo e quando era um aluno de graduação corriam dele. Se o aluno era estrangeiro queriam atende-lo e até levá-lo para almoçar mas aluno simplesmente hum…e também vi bibliotecários atenciosos com alunos de qualquer tipo. Então, existem auxiliares e auxiliares e bibliotecários e bibliotecários. Respeito a profissão como respeito qualquer outra, mesmo porque tenho um filho bibliotecário por opção mesmo. O texto foi na verdade infeliz e causou polemica. Tenho frequentado a biblioteca de uma Universidade particular para pesquisas e tenho sido muitíssimo bem atendida. Não se pode generalizar e também não se pode dizer que a pessoa que atendeu o jornalista não estava bem naquele dia porque ninguém, em qualquer profissão de atendimento à pessoas, pode estar mal no seu trabalho. Dora parabéns pelo seus textos. Sigamos em frente e bom trabalho a todos os bibliotecários.

  48. Dora, até agora estou apenas lendo e dizendo para mim mesma “não vou perder meu tempo discutindo” só vou perder meu tempo para te parabenizar pelo ótimo texto, e sim já assinei e compartilhei o abaixo ass do profe Chiquinho, estou conversando com um vereador que talvez ajude…Bjo!

  49. Às vezes, é assim:

    “Procuro uma coletânea de contos fantásticos de Aluísio Azevedo”, disse à senhora. “O senhor trouxe a referência?” Não. “Por que não consultou o catálogo pela internet?” Sei lá por quê, eu só queria parar por aqui e ler uns livros difíceis de encontrar e talvez levar emprestados… “Os empréstimos são limitados a quatro volumes e a devolução acontece em 15 dias”, ela metralhou, com os olhos pregados no monitor velho e encardido do computador. Por fim, depois de dar um pequeno passeio pelo interior da biblioteca, voltou para informar que não tinha o livro que eu buscava. Virei as costas, imaginando o alívio da funcionária em me ver ir embora. Agora ela podia regressar a sua preguiçosa solidão.

    Mas todos nós gostaríamos que fosse assim:

    “Procuro uma coletânea de contos fantásticos de Aluísio Azevedo”, disse à senhora. “O senhor trouxe a referência?” Não. “Ah, não tem problema. Eu busco para você agora.” muito obrigado… é que eu só queria parar por aqui e ler uns livros difíceis de encontrar e talvez levar emprestados… “fique à vontade… gostaria de saber quais são os nossos novos títulos na seção de literatura brasileira?”, ela disse simpaticamente, com os olhos pregados no monitor do seu iMac novinho dado pela Prefeitura. Por fim, depois de dar um pequeno passeio pelo interior da biblioteca, voltou para informar que tinha o livro que eu buscava. Virei as costas, imaginando a tristeza da funcionária em me ver ir embora – afinal, o cliente é a razão do seu trabalho. Agora ela podia regressar a sua empolgante rotina.

    Entretanto, um dia pode ser assim:

    Ao chegar no antigo endereço da biblioteca municipal para procurar a coletânea de contos fantásticos de Aluísio Azevedo, vejo o local completamente fechado e abandonado. Me aproximo da porta de entrada, completamente pichada, e vejo um aviso que sobreviveu ao esquecimento: “Esse estabelecimento encerrou as suas atividades no último mês. Por favor, utilize a lan house localizada no final dessa rua.”

    – Texto de Alexandre Berbe, no Facebook.

    • “E algum veneno antimonotonia…
      E algum remédio que me dê alegria…
      E algum trocado pra dar garantia…” (Cazuza)

      Pois bem, Dora!
      Esse sim — texto do Berbe — adequado ao debate advindo da crônica desventurada do Girón, reflexões acerca de situações ambientais referentes a uma relação interpessoal, a uma interferência na interlocução, ocorrida no então objeto de estudo/trabalho/lazer nosso de cada dia (biblioteca).

      Ao reproduzi-la, agora, você contempla inclinações criteriosas melhor adequadas, que [no meu franco julgamento] foram incompletas no “Dê adeus às biliotecas”, gênese do burburinho, e perdidas na condução factual compreendida na segunda parte de seu texto.

      E apesar de posições cristalizadas que todos nós temos, creio que devamos monopolizar boas possibilidades, cuidando das armadilhas em enumerações absortas.

      Att,

  50. Depois de tanto ler comentários e colocações, todas contribuindo muito para meu desenvolvimento, pois posso a partir destas criar um senso crítico que me oriente nas dificuldades que se apresentam na rotina de um bibliotecário. Portanto, resolvi sair de cima do muro e apenas publicar o que pensei sobre o texto do Sr. Giron (ou apenas fragmentos em que me causaram dúvida de interpretação e sentimento), no entanto afirmo que o intuito não é concordar ou discordar de alguém, apenas é uma visão individual de todo esse contexto criado.

    “A bibliotecária me atendeu com aquela suave descortesia típica dessa categoria profissional, como se o visitante fosse um intruso a ser tolerado, mas não absolvido. Eu sei que as bibliotecárias, entre suas muitas funções hoje em dia, sentem-se na obrigação de ocultar os volumes mais raros de suas respectivas bibliotecas. Bibliotecas mais escondem do que mostram. Há depósitos ou estantes secretas vedadas aos visitantes. São as melhores – e, graças às bibliotecárias, você jamais chegará a elas.”

    Minha visão simplista aponta que poderia ser evitada uma afirmação ligada a categoria profissional, continuando sua afirmativa ele insere ao sentimento bibliotecário obrigações advindas de sua visão particular no que diz respeito à ocultação sem ao menos pesquisar sobre políticas de acondicionamento e manuseio de obras raras, e por fim, sem saber o modus operandi de uma biblioteca afirma sermos os responsáveis pela reclusão do conhecimento, mesmo sabendo-se que em qualquer instituição existe uma estrutura hierárquica e uma politica institucional.

    “E pensei: perto de uma lan house imunda como aquela, as poeirentas bibliotecas públicas lembram santuários abandonados. Não espanta que as prefeituras de quase todas as cidades do Brasil queiram fechá-las. Daqui a pouco a venerável Biblioteca Nacional vai migrar inteira para o mundo on line, e proibir a entrada de leitores de livros em papel, os antigos livros reais. Será vetado o ingresso no recinto de leitores em carne e osso, gente atrasada que vive em busca de livros de papel. Tudo estará apenas “disponibilizado” (que verbo ridículo) pelas bases de dados via internet.”

    Nesta parte mais um pouco de sua visão particular sobre as prefeituras fecharem as bibliotecas, porém vejo em algumas uma total reestruturação no que diz respeito as mesmas, não podemos generalizar, principalmente do ponto de vista político inserido nessas cidades. Perguntei-me depois, terá o autor o conhecimento necessário para afirmar sobre a migração do acervo da Biblioteca Nacional e que a mesma proibirá a entrada de leitores em busca de acervo físico? De forma ditatorial diz sobre o veto ao ingresso de leitores de carne e osso? Será que os acervos eletrônicos (virtuais) extinguiram o físico? (nesta última nem ao menos quis ser leviano em remeter algum comentário, sendo a escrita um objeto que transcende a história).

    Por outro lado diz um comentário que em uma coluna é normal que se publique uma visão particular do autor, não vejo um crime do Sr. Giron, apenas um texto com generalizações baseadas em uma experiência não satisfatória aos anseios do mesmo. A palavra tem mesmo o poder, visto que sua contextualização pode gerar diversos sentimentos (esses devem ser respeitados, não importa a forma, pois é uma manifestação individual de uma visão particular), poderia aqui inserir um texto de reaplicação do ideal do Sr. Giron, mas não é cabível, não tem como corrigir uma visão individual, o que posso dizer apenas é que se as palavras fossem melhores trabalhadas poderia ter o impacto que o autor quis inserir (de acordo com suas manifestações em redes sociais) no que diz respeito a um “grito de socorro das bibliotecas públicas”.

    A visão da Dora, também não está errada, visto que é um conceito individual concebido através do seu conhecimento e vivência, o que pode ser discordado por uma pessoa com diferentes sentimentos e atestado por semelhantes aos seus ideais.

    Até aqui completamente perfeito, esta é lógica humana, porém a perfeição se desfaz ao querermos submeter uns aos outros nossas verdades, da discussão a imposição resta um limite ínfimo e no desespero de disseminação de nossas afirmações e verdades até dispensamos adjetivos que classifiquem ambos, concordantes e discordantes.

  51. Destaques:
    ” […] poderia ser evitada uma afirmação ligada a categoria profissional […] advindas de sua visão particular […] e por fim, sem saber o modus operandi de uma biblioteca afirma sermos os responsáveis pela reclusão do conhecimento, mesmo sabendo-se que em qualquer instituição existe uma estrutura hierárquica e uma política institucional “.

    ” […] visão particular do autor, não vejo um crime do Sr. Giron, apenas um texto com generalizações baseadas em uma experiência não satisfatória aos anseios do mesmo. A palavra tem mesmo o poder, visto que sua contextualização pode gerar diversos sentimentos (esses devem ser respeitados, não importa a forma, pois é uma manifestação individual de uma visão particular), […] as palavras […] melhores trabalhadas poderia ter o impacto que o autor quis inserir […] no que diz respeito a um “grito de socorro das bibliotecas públicas”. ”

    ” […] a perfeição se desfaz ao querermos submeter uns aos outros nossas verdades […] desespero de disseminação de nossas afirmações e verdades até dispensamos adjetivos que classifiquem ambos, concordantes e discordantes “.

    Clever,
    ÓTIMO ensaio!
    Vc é O Cara ! Filosófico.

    Att,

    • Caro Henrique,

      Agradeço seus elogios, visto que praticou um excelente enredo textual em suas palavras neste espaço, fico muito grato. Acho que fui influenciado por todos debates e em certo momento me senti na obrigação de fazer uma colocação mais concreta de minha opinião acerca de todo o contexto.

      Um abraço!!

  52. Sinceramente o artigo do Luís Antônio Girón não me ofendeu.
    Eu não me identifico com a profissional que ele retratou; mas em muitos lugares, assim como em outras profissões, existem pessoas como aquela descrita.
    E, afinal, ele tem todo o direito de reclamar, pois eu reclamo quando não sou bem atendido.
    Assim em vez de me queixar do artigo prefiro convidá-lo para ir a uma biblioteca ‘viva’ para que ele possa se sentir bem recebido.

  53. Prezados bibliotecários(as), segue mais um texto: http://www.publishnews.com.br/telas/colunas/detalhes.aspx?id=68510

    “Bibliotecas no meio de duas polêmicas” de Felipe Lindoso.

    O texto fala sobre a polêmica gerada acerca do texto de Luis Antonio Giron e do fechamento do site http://www.livrosdehumanas.org

    Alguns trechos que podem gerar novos debates:

    “Quem primeiro reconhece a situação precária do sistema de bibliotecas públicas brasileira é o próprio Ministério da Cultura, que encomendou uma ampla pesquisa, feita pela FGV, sobre a situação. O link para os dados da pesquisa é http://migre.me/9ajHC. Os dados são, literalmente, estarrecedores. No que diz respeito à crítica do Giron, vale ressaltar os seguintes dados sobre o perfil dos “dirigentes” (responsáveis) pelas bibliotecas públicas: 1% deles completaram apenas o ensino fundamental 1 (antigo primário); 2%, o ensino fundamental II (antigo ginásio); 40%, o ensino médio; e 57% completaram o ensino superior. Entretanto, apenas 11% desses dirigentes são bibliotecários (ou bibliotecônomos, ou “cientistas da informação”, como recentemente andam sendo chamados); 18% são pedagogos; 7% formados em letras; 4% em história e o resto em outras graduações.”

    “A possibilidade de que quem o atendeu com a tal “suave descortesia” seja uma bibliotecária é bem remota. Mas isso não importa. O fato é que o nível de capacitação do pessoal de bibliotecas deixa a desejar. Não por serem bibliotecários (as). Muito pelo contrário. Trata-se simplesmente de parte do problema de qualificação geral do pessoal para o sistema.”

    “O importante é salientar que, desde antes do Censo, os responsáveis pelas políticas públicas de bibliotecas do Brasil vêm desenvolvendo esforços enormes para melhorar essa situação.”

    “São vários pontos envolvidos nisso. Em primeiro lugar, e como questão mais importante, é que as bibliotecas universitárias são, no meu entender, esquizofrênicas. Há um enorme esforço para atualização de acervos e atenção aos usuários dos programas de pós-graduação, particularmente na área das ciências naturais. As aquisições de acervos eletrônicos, de revistas técnico científicas, é muito significativa. Mas, na área da graduação, a situação é lamentável. Não existem exemplares em quantidade suficiente para o atendimento minimamente decente para os alunos.”

    Um Abraço à todos!!

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