A devolução

Toda vez que há um atraso na devolução, dispara-se um e-mail automático para pessoa do outro lado. Aqui nesse sistema fechado talvez este e-mail não seja considerado spam, mas para o imaginário de qualquer pessoa são como se fossem. Falo por mim também.

Ninguém gosta de lixo eletrônico, isso é quase certo. Pouca gente que conheço gosta, de verdade, de uma resposta automática. Quando gostam é porque ela é tão bem feita (e escrita) que não parece automática o suficiente: é apenas eficiente na medida certa. Por isso respondem à ela. Mas não é difícil associar uma resposta automática com um conteúdo formalmente asséptico (“Prezada”, “Att.”) a algo que você deve relegar ao lixo da sua memória (seja do computador, ou da sua mente mesmo).

van Gogh, A Novel Reader, 1888

Os que não gostam de ler, nem sequer vão se dar ao trabalho de codificar mentalmente a mensagem: vira lixo na hora e pronto, esquecem-se. Mas os que gostam muito, às vezes até ignoram o aviso por mais que ele seja disparado duas vezes ao dias para lembrá-lo, todos os dias. Parece preguiça, mas talvez seja só um tipo sutil de tecnofobia mesmo.

O livro estava emprestado desde dezembro do ano passado. Quase seis meses, sem renovação, nem devolução e nem notícias. Então escrevo um e-mail não automático, bastante singelo. “Boa tarde”, “gostaríamos”, “por favor”, “outra pessoa deseja realizar a leitura” e “obrigada” no final.

Depois de 6 meses de mensagens automáticas ignoradas, finalmente um humano respondendo. Talvez a pessoa tenha até se assustado, ou admirado. Mas a resposta foi seca, talvez por constrangimento mesmo: “Sim, claro”. Quando olhei a caixa de devolução no meio da tarde, lá estava o material que já mandei para outra pessoa em seguida.

2 pensamentos sobre “A devolução

  1. Eu não gosto muito destes emails automáticos, são impessoais e acabam mal-acostumando os usuários. Aqui na nossa unidade, sempre aparece algum usuário que não viu o email (ou o email foi pra caixa de spam) de aviso de vencimento da data de devolução dos livros e se recusa a pagar a multa pois não foi avisado pela biblioteca. Sinceramente, os usuários precisam aprender a cuidar daquilo que estão sob sua responsabilidade… E aí eu não sei se esse tipo de email automático ajuda ou atrapalha. Emails pessoais acabam chegando mais perto do usuário, mas também dão mais trabalho. Enfim…

    • Acho que varia de biblioteca para biblioteca, Lina.

      Em uma biblioteca universitária deve ser mega caótico responder e-mails ao longo do dia, mas como trabalho em uma pequena biblioteca especializada esta não é uma tarefa de todo impossível. Noto que quando tento conversar com as pessoas, as respostas que obtenho são melhores – mas, novamente, isso deve variar de ambiente para ambiente. E como o sistema da empresa aqui é fechado (todas as comunicações internas são obrigatoriamente realizadas via MS Outlook), não tem como o e-mail ir pra caixa de spam. Enfim…

      É claro que o ideal é que as pessoas cuidem mesmo do que está sob sua responsabilidade, mas pessoas são pessoas e cometem erros, esquecimentos e às vezes até procrastinam mesmo. É complicado…

      Sobre a questão da multa – entre outras punições que ocorrem em ambiente de biblioteca – estou para ler um livro que talvez me dê algumas respostas (e mais um punhado de perguntas): “Influência sem autoridade” (ed. Evora, 2012), que é um livro sobre liderança e motivação. :)

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