Parte 2 – Projetos de incentivo à leitura e o caso BiblioSesc

Depois dos primeiros 2 dias de curso, tivemos mais 2 dias de conversas sobre os projetos de incentivo à leitura no SESC e nos aprofundamos um pouco mais sobre o BiblioSesc, projeto de bibliotecas itinerantes.

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Biblioteca da Unidade SESC Sorocaba

Em relação às unidades onde o SESC têm bibliotecas, existe sempre uma grande preocupação não só com o espaço, mas também com a ergonomia e até mesmo com a estética, a beleza do local. Para isso ocorrem parcerias e conversas com outras linguagens do Centro Cultural: obras de arte podem compor o espaço de leitura e também é possível que exista uma curadoria de arte específica com o espaço de cada biblioteca. Como um dos exemplos, foi citada a inauguração da biblioteca do SESC Sorocaba, que é temática em quadrinhos. O cuidado com o mobiliário e com a acessibilidade faz com que o interesse pelo ambiente extrapole a intenção de utilizar os livros e a biblioteca se torna assim uma plataforma pra uma série de atividades relacionadas não só com a leitura, mas também com outros mundos, como o de criação, curiosidade e imaginação.

Nas suas ações como um todo, percebemos que o SESC tem preocupações que deveriam fazer parte de toda a ‘cultura de bibliotecas’: uma implantação adequada, mobiliário atraente ao público, acessibilidade, atendimento a diferentes tipos de público, gestão e aquisição de acervo de acordo com políticas internas e principalmente alinhar esta composição de acervo em diálogo com o Centro Cultural como um todo, de forma integrada, sempre que possível. O diálogo também ocorre com a comunidade no entorno, como no caso da unidade SESC Bom Retiro, onde o público imigrante do bairro tem influência sobre algumas atividades. Para o ano que vem haverão três inaugurações de novas unidades do SESC e todas terão novas bibliotecas.

Foto Sesc Santo Amaro 1

Chuva de histórias, no SESC Santo Amaro

Em algumas unidades existem barreiras arquitetônicas para as bibliotecas como no SESC Santana e também no Consolação, onde a biblioteca fica atualmente no 3º andar do prédio. Neste caso é uma questão de adaptação e principalmente de criatividade para levar o leitor até a biblioteca, seja por meio de sinalizações ou exposições artistico-literárias no ambiente. Referente ao acervo, embora exista um acervo-base, no total eles não são padronizados. Algumas editoras são escolhidas e alguns livros são selecionados enquanto objetos de arte, mas também existe a preocupação com o universo do livro como um todo: com a palavra, a linguagem. Os bibliotecários envolvidos geralmente trabalham em conjunto com animadores culturais, na criação e desenvolvimento de projetos voltados à literatura. As ações das bibliotecas do SESC se baseiam fortemente na mediação e apostam principalmente em eventos formativos (aprendizagem informal).

Caminhão Bibliosesc

Caminhão do BiblioSesc

Iniciado em 2009, o projeto BiblioSesc é um projeto nacional do SESC. Procurando no YouTube, tem vários vídeos sobre os caminhões do BiblioSesc espalhados pelo Brasil. Especificamente em São Paulo, o projeto possui 6 caminhões e atende 30 bairros de periferia, tanto na grande São Paulo quanto no ABC Paulista. O projeto atende quinzenalmente bairros onde existe carência de bibliotecas e faz parte do Programa de Comprometimento e Gratuidade. Existem paradas técnicas periódicas (semestrais/anuais) para realização de inventário e outras reformas necessárias, como verificação das estantes. Em São Paulo, para o desenvolvimento do projeto, é preciso se pensar muito na parte logística (por conta do rodízio) e a quantidade de livros em circulação é entre 2000 e 2500 livros, entre literatura de ficção e clássicos.

Os bibliotecários que participam do projeto tem autonomia para compras periódicas de acordo com os critérios de desenvolvimento das coleções de acervo e segundo relatam, o extravio de materiais é mínimo. Nas periferias, justamente pela carência, a apropriação e o senso de pertencimento ao projeto é maior por parte das pessoas, então existe toda uma preocupação com o ‘cuidar para não perder’. No início do projeto a divulgação ocorre por meio de cartazes em bares, supermercados, metrô/trem e também em rádio. Sempre ocorrem parcerias com instituições locais de cada bairro como escolas públicas e municipais e outros espaços onde funciona o atendimento. A programação envolve algumas intervenções cênicas e literárias de mediação de literatura selecionadas, tendo como exemplo: leituras no tatame, Poesia ao pé do Ouvido, Realejo Poético e Mala do Autor. Para o futuro, está sendo pensado um projeto para exibição de filmes.

Durante a conversa alguns tópicos mais conceituais sobre bibliotecas e leituras foram abordados de forma mais generalizada. Comentei que é difícil encontrar na área bibliotecários com uma formação voltada para a ação cultural (isso é mais fácil de se encontrar e desenvolver na prática) e que o olhar que o SESC tem sobre bibliotecas é bastante único. Neste último encontro também foi anunciado o seminário “E aí, biblioteca pra quê?” que também participei no final de semana seguinte. Estes tipos de eventos, tanto o mini-curso, quanto o seminário, são importantes principalmente para quem desconhece essa possibilidade de atuação, bem como também para servir de inspiração para outros bibliotecários e profissionais da área de mediação.

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