Eventos de bibliotecários para bibliotecários

Ainda não tive tempo pra digerir direito tudo o que aconteceu em 2015-1 ainda, mas aconteceu bastante coisa. Desde que vim pro famigerado mercado de trabalho, nunca fui tão chamada pra participar tanto de conversas e eventos. Não acho que isso seja um reconhecimento do meu trabalho ainda – mesmo porque ainda acredito que não cheguei nessa fase – mas é muito bacana poder falar sobre o que tem sido feito e conversar com pessoas da área pra que as pessoas vejam que se manter e persistir em uma carreira não é tão simples quanto parece.

O complicado é que durante essas conversas é possivel também que eu me auto-avalie, vendo em que contexto me sinto mais confortável falando e em quais outros ainda tenho muito a melhorar.

Em abril esse ano fui chamada pela colega Claudiane Weber (doutoranda na USP) e pela professora Dra. Sueli Mara para conversar com os alunos de biblio da USP Ribeirão Preto sobre Organização da Informação na internet, um pouquinho de folksonomia e também sobre carreira. A conversa foi feita pelo Google Hangouts, pois não tive tempo hábil de sair do meu trabalho para ir até Ribeirão Preto. Foi bem bacana e tiveram duas perguntas sobre como funciona o mercado de trabalho e o mundo corporativo e falei sobre a minha experiência pessoal.

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Em maio, teve o BiblioCamp no Rio de Janeiro (foto acima), onde falei brevemente sobre o meu percurso na biblioteconomia e sobre o meu “nomadismo” na área. O Moreno me convidou e eu fui. A minha fala não serviu pra me assegurar de nada, mas sim para eu entender que a vida não é estática e que minha carreira também não precisa ser. Acho que o mais bacana do BiblioCamp foi o fato dele ser quase um EREBD fora de época… Só que todos os meus colegas hoje estão formados e também tinha um pessoal que eu conheço há décadas. Foi bem bacana sair do evento e ir pra Lapa sentar numa mesa de bar e me sentir como se eu estivesse em família, sentir que aquelas pessoas não são só minhas colegas de profissão, mas minhas amigas também.

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Duas mesas num boteco da lapa, só com bibliotecários de todo o Brasil. :)

Acredito que podiam acontecer mais BiblioCamps… Alguém poderia criar uma plataforma ou até mesmo uma enquete de boas práticas, e os trabalhos mais interessantes seriam selecionados pra apresentação. Esse ano terá um BiblioCamp em Curitiba, mas ainda não tenho certeza de que vou participar.

Ainda em maio, fui conversar sobre carreira novamente com o pessoal do Curso Técnico em Biblioteconomia do SENAC, a convite do meu amigo Lucas Oliveira. Mas diferente do BiblioCamp, eu foquei mais nos contextos corporativos em que estive até agora e em qual foi o meu papel em cada uma das empresas pelas quais passei. Depois da minha apresentação, tive uma conversa informal com os alunos e disse que, para quem tem um objetivo em mente, o mercado pode estar aquecido. Pra quem quer emprego, também, só que o mercado não costuma manter quem só quer um emprego. E esse é o diferencial. É importante que levem seus objetivos a sério e se especializem, caso sintam que podem fazer a diferença na área.

Em junho, a convite da ABRAINFO, eu e a Ana (minha colega de trabalho) fomos chamadas para falar sobre carreira na UNIFAI, para os alunos da graduação em biblioteconomia. A apresentação da Ana foi mais conceitual e bem diferente da minha, que foi objetiva até demais. Desta vez eu não falei das minhas experiências profissionais passadas, mas do que venho fazendo e criando atualmente no Walmart com a equipe de taxonomia. Falei sobre a importância de manter o currículo online com o LinkedIn e de estarem em projetos que você efetivamente trabalhe, mas que também “veja acontecer”, enxergue os resultados. Foi bacana e acho que no final, com as dúvidas dos alunos, consegui me aproximar um pouco mais do pessoal por descrever minhas experiências pessoais com bibliotecários e de como entendo a profissão hoje em dia. Nesse evento também conheci duas colegas de profissão que fazem trabalhos muito interessantes, seja empreendendo ou se especializando em um processo específico.

No início de julho, voltei ao Rio de Janeiro dessa vez para ministrar um minicurso sobre Curadoria Digital. Pra mim isso foi o mais desafiador de tudo, pois nunca forneci um minicurso antes – acredito que não tenho didática e para ficar falando de um mesmo assunto por 4 horas. Gostaria de ter explorado mais coisas, de ter interagido mais com quem participou, mas enfim… Essas são habilidades que vou ter que buscar com o tempo. E embora o meu conceito de entendimento de curadoria seja bastante específico, não consegui deixar de mencionar – inclusive com exemplos práticos – o “trabalho de curadoria” da informação que tenho feito com uma equipe de taxonomia há quase um ano na empresa em que estou. Sempre vou achar que poderia ter feito melhor, mas no final foi uma experiência bastante válida.

Final de julho agora teve o CBBD, mas não participei. Achei peculiar terem chamado o Pondé para falar sobre ética. Acredito também que o mínimo que deveria ter sido feito – talvez como contraponto – seria chamar o Safatle para falar sobre o mesmo tema. Alguns colegas de Florianópolis e do Rio vieram para o evento e pela movimentação que acompanhei no Facebook, gostaram bastante – inclusive falando sobre apresentações de melhores práticas. Talvez no próximo ano ou em outro momento em que o que eu faço hoje estiver mais amadurecido, eu envie um trabalho que acredito que pode ser interessante para os colegas.

Ainda falando sobre eventos, percebo que os eventos da área são, por vezes, muito ensimesmados. Claro que quando é para se falar em cursos de graduação, isso é necessário: o público, os alunos, precisam ter contato com experiências de profissionais para terem uma ideia do que seria a prática. Mas tudo é questão de contexto e eu acredito que a biblioteconomia pode se aplicar em vários contextos. Às vezes eu tenho a impressão de que todas as outras áreas nos enxergam apenas como burocratas, ou que fazemos apenas a parte operacional e de gestão de determinada demanda, sem contribuir efetivamente para se pensar a informação. Não seria interessante participarmos de eventos de outras áreas, pra verificarmos possibilidades e oportunidades para o nosso trabalho? Tenho pensado nisso e esta é uma pergunta boa de nos fazermos vez  outra:

O que faz com que um evento tenha relevância pra nós?

Um pensamento sobre “Eventos de bibliotecários para bibliotecários

  1. Pingback: 33º Painel de Biblioteconomia de Santa Catarina | Index-a-Dora

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