Fahrenheit 451

Há algum tempo atrás (acho que foi em 2013) eu li o livro e depois vi o filme Fahrenheit 451. Acho que todo mundo que quer ser bibliotecário ou já é deveria ver esse filme e, se tiver paciência, ler o livro (pessoalmente acho o livro mais fascinante que o filme). Tinha escrito esse post sobre o leitor do futuro também e dia desses me deparei com umas citações que guardei do livro e que me marcaram bastante:

“Não se pode garantir coisas como essas! Afinal de contas, quando tivéssemos todos os livros de que precisaríamos, ainda teríamos que encontrar o precipício mais alto de onde nos atirar. Mas o fato é que precisamos de uma pausa para tomar fôlego. Precisamos de conhecimento. E talvez em mil anos possamos escolher precipícios menores de onde saltar. Os livros servem para nos lembrar o quanto somos estúpidos e tolos. São o guarda pretoriano de César, cochichando enquanto o desfile ruge pela avenida: ‘Lembre-se, César, tu és mortal.’ A maioria de nós não pode sair correndo por aí, falar com todo mundo, conhecer todas as cidades do mundo. Não temos tempo, dinheiro ou tantos amigos assim. As coisas que você está procurando, Montag, estão no mundo, mas a única possibilidade que o sujeito comum terá de ver noventa e nove por cento delas está num livro. Não peça garantias. E não espere ser salvo por uma coisa, uma pessoa, máquina ou biblioteca. Trate de agarrar sua própria tábua e, se você se afogar, pelo menos morra sabendo que estava no rumo da costa.”

(…)

“Continuaremos seguindo o rio. Olhou para os velhos trilhos da ferrovia. Ou iremos por aquele caminho. Ou caminharemos agora pelas estradas e teremos tempo para pôr as coisas dentro de nós. E algum dia, depois que elas se decantarem dentro de nós por muito tempo, sairão por nossas mãos e bocas. E muitas delas estarão erradas, mas o suficiente estará certo. Começaremos a caminhar hoje e veremos o mundo e como ele caminha e fala, o modo como ele realmente é. Agora quero ver tudo. E embora nada do que entrar fará parte de mim quando entrar, após algum tempo tudo se juntará lá dentro e se fundirá em mim. Olhe o mundo lá fora, Deus, meu Deus, olhe lá, fora de mim, para lá do meu rosto e a única maneira de realmente tocá-lo e colocá-lo onde ele finalmente seja eu, onde ele fique no sangue, onde seja bombeado mil, dez mil vezes por dia. Eu o guardarei para que nunca se esgote. Eu me agarrarei firme ao mundo algum dia. Já pus um dedo nele; é um começo.”

A parte mais significativa do filme para mim: a mulher com a casa em chamas. Parte mais significativa do livro pra mim: estas aí.

Me emocionei um pouquinho nessas partes. E elas pouco ou nada tem a ver com livros e bibliotecas e muito menos organização. Elas tem a ver com outras coisas. E querem dizer muito mais do que realmente dizem. No contexto da história do livro, ela se encaixa bem com o que está sendo encenado. Mas essa passagem não fala só sobre leitura e memória numa distopia meio apocaliptica… Fala da própria vida, mesmo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: