Qual a diferença entre uma unidade de informação e um serviço de informação?

Exercício entregue na aula da disciplina de Serviços de Informação em 29/11/2010.

Num primeiro momento, entendemos esta pergunta como muito clara e simples de responder. Ao longo dos 3 anos de curso de Biblioteconomia, compreendemos que “Unidade de Informação” foi um termo criado pela escola francesa para atribuir uma designação das áreas de atuação dos profissionais da informação, abarcando então arquivos, bibliotecas, centros de documentação e museus, entre as unidades de informação mais reconhecidas. O termo “Unidade de Informação” então no caso remete-nos, necessariamente, à infra-estrutura física do ambiente de trabalho, de atuação profissional.

Referente ao termo “Serviço de Informação”, de acordo com o que foi aprendido na disciplina CIN 5022, entendemos que são os conjuntos de serviços oferecidos pela Unidade de Informação-Biblioteca tais como: empréstimo entre bibliotecas, pesquisa retrospectiva, pesquisa de levantamento bibliográfico, disseminação seletiva da informação, para citar alguns. Outras unidades de informação também criam e oferecem serviços, desenvolvidos de acordo com os objetivos específicos de sua área de atuação.

Compreendemos então, primeiramente, que, para que uma unidade de informação exista, faz-se necessária a existência de um prédio ou local onde o conteúdo possa ser devidamente abrigado, organizado e armazenado. Já a criação de um Serviço de Informação independe da existência de uma Unidade de Informação, e pode ser desenvolvido de acordo com a necessidade da organização ou instituição que decidir adotá-lo.

Num segundo momento, aprofundando-nos um pouco mais na questão da informação em si, podemos compreender que a questão do termo “Informação” é um tanto quanto polêmica em alguns sentidos. Podemos nos remeter, por exemplo, à questão das nomenclaturas do curso de graduação (Biblioteconomia e Documentação ou Gestão da Informação?) e dos programas de pós-graduação (seria Ciência ou Ciências da Informação?, de acordo com Ribeiro, 2005). Em meio a estas discussões, podemos nos questionar até que ponto o apego a uma terminologia é uma questão de posicionamento profissional, uma vez que, no juramento da graduação de biblioteconomia devemos prometer “tudo fazer para preservar o cunho liberal e humanista da profissão de bibliotecário fundamentado na liberdade de investigação científica e na dignidade da pessoa humana”.

A existência, o desenvolvimento e proliferação da criação de Bibliotecas Digitais e Virtuais (muitas vezes em Acesso Livre) no mundo todo, nos faz questionar se existe de fato uma diferenciação entre Unidades de Informação e Serviços de Informação num sentido mais amplo, pois, neste caso, esta diferenciação parece não se aplicar. Não seria o mundo dos bits uma unidade de informação por si só? Uma biblioteca, por ser digital ou virtual, torna-se apenas um mero serviço ou pode também ser considerado uma unidade, um centro onde se busca e troca-se informação?

Alguns pensadores da web não definem mais unidades de informação apenas enquanto espaços físicos, chegando a considerar o mundo real como “o mundo dos átomos” (WEINBERGER, 2007). Também é questionado se a organização da informação nesses ambientes é a mesma de uma unidade de informação tradicional, uma vez que na web “não existem estantes” e as classificações podem ser feitas de modos alternativos aos modos tradicionais (SHIRKY, 2010). Uma vez que paramos para pensar nas possibilidades da web, podemos também compreender que o modo que os profissionais podem lidar com a informação podem ir muito além das bibliotecas e serviços de informação.

Na revista Filosofia nº 53 deste mês, a matéria de capa contém a seguinte pergunta “O que é Informação?”, propondo-se a definir a informação de acordo com a grande área da Ciência Cognitiva, mas conclui comentando a dificuldade de se chegar a uma definição única.

“Julgamos que uma dificuldade ainda mais fundamental reside na obtenção de um consenso sobre a natureza ontológica da informação. Tentativas de solucionar essa dificuldade são encontradas na Filosofia Ecológica, na Ciência da Informação, na Linguística, na Teoria Matemática da Comunicação (MTC) e na Filosofia da Mente”. (GONZALEZ e ZÍLIO, p. 20, 2010)

Sempre nos é lembrado que “vivemos na era da informação” e além dos meios de comunicação tradicionais – jornais, rádio, televisão, telefone – também temos que lidar com os meios mais recentes como computadores e laptops com acesso à Internet, câmeras, celulares e toda nova parafernália tecnológica que é lançada com o tempo, seja um hardware ou um software. As áreas de estudo não chegam a um consenso sobre a definição exata de informação, mas compreendem que “dentre as informações que recebe, o ser humano nem sempre consegue inferir o que é verdadeiro ou falso, o que pode provocar sérios problemas.” (GONZALEZ e ZILIO, p. 16, 2010) o que interfere principalmente na questão da seleção e da filtragem da informação, um dos problemas mais recorrentes do ambiente web.

Para o desenvolvimento de sistemas web, estudos acerca de Inteligência Artificial, Redes Neurais Artificiais e Robótica Cognitiva têm sido feitos ao longo dos anos, aprimorando a tecnologia para a interação humana. No entanto, é importante lembrar que boa parte das investigações na Ciência Cognitiva são voltadas para a diferenciação da inteligência das máquinas e dos humanos. Gonzalez e Zílio então defendem que “informação não é matéria nem energia, mas um tipo de forma ou padrão que adquire significado na própria dinâmica auto-organizadora de sistemas que atuam no seu meio ambiente” (p. 20).

É possível então compreendermos que muitos entendimentos dentro da área da Ciência da Informação (e outras áreas de estudo) são questões de terminologia, mas que suas definições sempre são movediças e incertas, variando de acordo com a aplicação e competência de determinada área.

REFERÊNCIAS

GONZALEZ, M. ZILIO, D. A Gênese do Significado: o que é informação? Revista Filosofia, São Paulo, Ano V, nº53, p. 14-22, Novembro, 2010.

RIBEIRO, F. Desfazer equívocos: Ciência ou Ciências da Informação? Newsletter “A Informação”, n. 1, p. 19-22, 2005. Disponível em: <http://www.a-informacao.blogspot.com&gt;. Acesso em:  22 nov. 2010

SHIRKY, C. Ontologias são superestimadas: categorias, links e etiquetas. Extralibris. Disponível em: <http://extralibris.org/artigos-e-estudos/ontologias-sao-superestimadas-categorias-links-e-etiquetas/&gt; Acesso em: 12 jun 2010.

WEINBERGER, D. A nova desordem digital. Rio de Janeiro: Elservier, 2007.

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