Desclassificação na Organização do Conhecimento: ensaio pós-epistemológico

Várias civilizações e culturas – por exemplo, subculturas que não são necessariamente territoriais, tais como a científica – tem se especializado em “heteroclassificação”, em resenharem listas de clichês com os quais os assuntos e objetos classificados devem se adequar, sabendo muito bem que a inclusão de todos os assuntos e objetos na mesma categoria é geralmente forçada, ou que a categoria acaba por explodir devido à pressão interna ou por conta das próprias dinâmicas deste mundo incansável ao qual pretende subordinar-se. Categorias científicas e epistemológicas não são preparadas para assumirem mudanças constantes de uma supra-ordenação totalista. (p. 9 )

A informação científica, que em um primeiro momento teve de lidar com a gestão e organização das ciências, mesmo que por meio de classificações universais imprudentes, também terminou por organizar conhecimento social, cultural, midiático, artístico e estético. Através da gestão e organização de documentos arqueológicos, históricos e antropológicos, a informação científica terminou por invadir e modificar nossa visão de várias culturas contemporâneas e identidades em dissolução e a imagem que têm de si mesmas. (p. 10)

A desclassificação não nega a classificação, pois nunca paramos de classificar, mas envolve a suposição metacognitiva de uma lógica diferente, plural e não-essencialista. A desclassificação introduz ao pluralismo lógico, mundos possíveis, dúvida e contradição em proposições, justamente provendo um pensamento anti-dogmático, um pensamento fraco, alguém poderia dizer, invocando Vattimo (pensiero debole). (p. 11)

Algo fora de contexto é sempre e simultaneamente múltiplas coisas. Concepções infinitas aguardam por instâncias, formando e reformando proposições. E confirmar várias proposições simultâneamente não é contraditório; é simplesmente uma declaração de incerteza. Entretanto, uma instância não é apenas, é também. (…) Afirmar que qualquer instância é também, implica na demissão da tradição ou imposição de quem a perspectiva do conceito tem sido vista e considerada, bem como seu supra-ordenamento e elementos subordinados, e transferir o pluralismo desclassificante ao próprio núcleo da refundação conceitual a qual o pensamento democrático requere. (p. 11-12)

 

GARCÍA GUTIÉRREZ, A. Desclassification in Knowledge Organization: a post-epistemological essay. Transinformação, Campinas, 23(1): 5-14, jan./abr., 2011. Disponível em: <http://revistas.puc-campinas.edu.br/transinfo/include/getdoc.php?id=905&article=457&mode=pdf> Acesso em: 20 out 2011.

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