Imagens de Bibliotecários na Ficção Científica e Fantasia, por Marcia J. Meyers

(Originalmente  publicado em 29 de maio de 2011)

Encontrei esse estudo em 8 de março de 2011, através de um tumblr da Pop Library. A pesquisa estava em acesso livre, disponível para download na base de dados ERIC (Education Resources Information Center). Resolvi me engajar nessa tradução porque acredito que outros estudantes também possam estar interessados no tema. Descritores (oferecidos pela autora): Autores; Caracterização; Fantasia; Ficção; Futuros (da Sociedade); Cientistas da Informação; Bibliotecários; Desenvolvimento de Biblioteca; Serviços Bibliotecários; Revisões de Literatura; Romances; Ficção Científica; Diferenças de Gênero; Estereótipos.

Em seguida publicarei aqui a lista comentada feita pela autora, que contém 27 itens, sendo 26 livros e 1 filme. O .pdf com a pesquisa na íntegra pode ser encontrado no meu Slideshare.

Amazon: de nada! :)

Quaisquer erros de tradução encontrados tanto por aqui quanto no .pdf, favor entrar em contato (e corrigir de preferência) via comentários. Obrigada.

Legenda:

* Obras que mencionam bibliotecários apenas em passagens
** Obras que contém uma cena memorável
*** Obras onde bibliotecários tem papéis principais

Asimov, Isaac. The Second Foundation (New York: Street and Smith, 1948). ***

Este é o volume três na trilogia da Fundação que mais tarde tornou-se uma série de futuros-distantes. O bibliotecário Homir Munn um dos cinco conspiradores da sinopse central, é um gago descrito como “frouxo”, “tímido” e “introvertido”. Quando chamado para uma missão fora do planeta Munn diz “não sou um homem de ação; e nem um herói de televisão. Sou um bibliotecário”. Quando ele retorna para revelar os resultados de sua pesquisa, Munn não mais gagueja e comporta-se com tanta auto-confiança que torna-se suspeito por seus co-conspiradores. Eles sujeitam Munn a uma análise cerebral que revela que alguém adulterou a sua mente. Ele é preso, amordaçado e não tem mais um papel principal na história. O comportamento estereótipo dá a imagem deste bibliotecário uma avaliação geral negativa. Asimov transmite que bibliotecas e bibliotecários são elementos importantes na sociedade do futuro. A série Foundations ganhou um o Special Hugo Award pela melhor série de 1966.

Bear, Greg. Eon (New York: Bluejay Books Inc. 1984). *

A história começa em 2000 quando um grande asteróide oco repentinamente começa a orbitar a Terra. O asteróide, que já tinha sido habitado, agora é deserto. A cidade do asteróide tem uma excelente e moderna biblioteca bem como terminais nos aposentos particulares dos habitantes de antes. Mais para o final da história a heroína é raptada e transportada em um milhão de quilômetros para a sociedade avançada que construiu o asteróide. Ela não tem permissão ao amplo acesso de seus dados mas oferecem-na uma pedagoga (bibliotecária) para ajudá-la com buscas e instruí-la. As bibliotecas asteróides, que contém informações chocantes para os pesquisadores, são elementos-chave neste romance estimulante.  As maravilhosas máquinas de bibliotecas certamente provêm uma visão positiva; entretanto, a breve referência àqueles que criaram essas bibliotecas resulta numa imagem neutra dos bibliotecários. A história é continuada na seqüência Eternity, que não menciona bibliotecários.

Brin, David. Sundiver (New York: Bantam, 1980). ***

Este é o primeiro livro que se tornou eventualmente uma dupla trilogia. Em 2246, a Terra é única na galáxia por ter erguido a si mesma e dois clientes – golfinhos e chimpanzés – sem orientação de uma civilização patrona. O diretor da biblioteca alienígena Branch estabelecida na Terra, Bubbaeub da espécie Phil, é um dos alienígenas mais importantes na Terra. Seu bibliotecário assistente é Culla da espécie Pring. A biblioteca opera em uma taxa exigente para a base de serviços. Ambos bibliotecários extraterrestres participam em uma investigação de formas de vida desconhecidas próximas do Sol. Os personagens e os relacionamentos entre as várias espécies são muito bem desenvolvidos. Os bibliotecários projetaram uma imagem negativa mista no romance porque ambos tornaram-se vilões!

Dick, Phillip K. Counter-Clock World (Boston: Gregg Press, c1967, 1979). ***

Um romance irônico e contemporâneo desenvolvido num mundo que começou a viver de trás pra frente em 1986. A biblioteca desta história tem o objetivo de expurgar a informação ao invés de estudá-la ou preservá-la. Os vívidos personagens incluem Mavis McGuire, bibliotecário chefe na People’s Topical Library, que tem uma equipe de 100 pessoas. Mrs. McGuire é vista como “megera”, “hostil” e “má” pelos usuários e por subordinados como administradora superiora – respeitada mas temida. Ela torna-se a vilã com agentes, incluindo crianças que cresceram no serviço da biblioteca e cometiam crimes em nome dela. As manipulações de Mrs. McGuire e sua filha eventualmente resultam na evacuação da biblioteca um pouco antes de sua destruição, com um canhão atômico de uma população com ódio. Esse complexo romance de ressurreição tem uma biblioteca de anti-informação e uma bibliotecária-chefe com uma imagem muito negativa.

Edghill, Rosemary. The Empty Crown (New York: Guild America Books, 1998). ***

Esta trilogia, escrita por uma bibliotecária, inclui três histórias de tesouros da terra de Chandrakar – The Sword of Maiden’s Tears, The Cup of Morning Shadows e o The Cloak of Night and Daggers.  Ruth, a heroína de trinta anos, é uma estudante de biblioteconomia sensível que encontra um senhor elfo machucado nas ruas de Nova Iorque. Ele é Rohannahn Melior da Casa dos Silêncios Prateados em Chandrakar, e ele deve encontrar a espada que os ladrões levaram dele ou a raça humana no Mundo de Ferro da Terra estará condenada. Ruth, que se torna biblioteária, e Melior solucionam este e outros problemas com a ajuda inteligente de amigos bibliotecários. Suas aventuras coloridamente escritas acontecem na Terra e continuam através de um portal na biblioteca em Chandrakar. A autora transmite uma imagem positiva dos bibliotecários. Os personagens apenas brevemente gastam seu tempo na biblioteca mas são frequentemente tidos como muito heróicos.

Forward, Robert. L. Dragon’s Egg (New York: Ballantine, 1980). *

Este conto trata das eras de 500,000 A. C. até 2050 D. C. de acordo com o desenvolvimento, descoberta, comunicação com e educação de e do chella fascinante que mora numa estrela de nêutron chamada “Ovo de Dragão”.  As espécies de um mundo baseado em nêutron têm dificuldade de se comunicar com humanos de um mundo baseado em elétrons porque o chella vive 100 anos a cada hora humana. A biblioteca chella contém pratos de tato que as espécies do tipo ameba lêem pressionando seus poros nas “páginas”. Quando confrontados com problema de barulho, a bibliotecária-chefe, que é membro do Conselho, faz com que os usuários fiquem quietos. O bibliotecário torna-se mais brando quando percebe que o barulho do usuário era causado quando ele percebeu que a formação do Ovo do Dragão causou a gênese dos homo sapiens. Essa história de ficção de hard science desenvolve belissimamente uma civilização inteira. A breve aparição bibliotecária resulta em uma imagem plana e neutra. Uma seqüência foi publicada em 1985 chamada Starquake.

Gerrold, David. Chess With a Dragon (New York: Walker, 1987). *

Gerrold é o pseudônimo de Jerrold David Friedman, o autor do clássico Star Trek “The Trouble with Tribbles“. Neste livro humanos da Terra caíram inadvertidamente em um grande débito intergaláctico por fazer o download de informação de alto valor do InterChange. Alguns críticos culpam os bibliotecários, referidos como hackers, por esse desastre da informação. O InterChange é descrito como o pesadelo bibliotecário uma vez que ele armazena registros completos de mais de 6 mil espécies, algumas com mais de meio milhão de anos de dados. A biblioteca é tão vasta que ninguém pode catalogá-la ou fazer o download do índice completo do computador. Os humanos eventualmente encontram uma solução inteligente ao seu dilema com a ajuda de Rh/attes, uma espécie nada atraente de “espiões” ou “delatores” que fornecem excelentes serviços de recuperação da informação por um preço. Os bibliotecários humanos, que não são completamente descritos, apresentam uma imagem de algum modo incompetente e negativa.

Gibson, William. Neuromancer (New York: Ace, 1984). *

O Cyberpunk é introduzido à ficção científica com um protagonista que protege sua consciência dentro e fora de uma rede de informação de computador. Há uma quebra na biblioteca de pesquisa Sensel/Net onde um construto tinha que ser fisicamente recuperado. Uma bibliotecária de rosto branco é encontrada encolhida entre dois armários. Suas bochechas estão molhadas e seus olhos brancos aterrorizados em reação à ameaça hoaxed utilizada para o arrombamento. A bibliotecária aparece muito brevemente e deixa apenas uma imagem neutra. Esse romance ganhou o Hugo Award e o Nebula Award em 1984.

Heinlein, Robert A. Friday (New York: Holt, Rinehart and Winston, 1982). **

Friday, uma super-mulher artificial, trabalha como uma mensageira secreta. Como parte de seu treinamento avançado, Friday deve reportar-se à bibliotecária-chefe. As chaves no terminal da biblioteca dão a ela acesso à biblioteca local e às principais bibliotecas tais como Harvard e o Museu Britânico sem necessidade de uma ligação humana ou de rede. Os livros em papel podiam ser lidos diretamente na tela do terminal se assim desejado. Sua pesquisa leva à Informação sobre a Morte Negra que é importante na trama. Ela aprende a lidar com o sistema praticamente sozinha uma vez que o bibliotecário está muito ocupado para mostrar o terminal a ela ou para responder perguntas. Entretanto, eventualmente ele disse a ela que ela poderia ter a mesma informação da biblioteca no terminal em seu quarto! Essa história de ação nos fornece uma visão breve porém memorável do futuro onde o bibliotecário tem um comportamento negativo de serviço.

Herbert, Frank. Direct Descent (New York: Ace Books, 1980).***

A biblioteca Galactica ocupa quase toda a superfície do planeta Terra no século 81. A biblioteca, o repositório de todas as coisas registradas de todo governo na história da galáxia, tem uma equipe de 8 mil pessoas auxiliadas por robôs. Pesquisadores do local recuperam imagens de páginas de materiais na coleção em telas de televisão. Os bibliotecários diretores e sua equipe encaram de forma inteligente o dilema de como preservar a biblioteca enquanto ainda aderem ao Código da Biblioteca que é o de obedecer todas as ordens diretas do governo que está no poder. Nos dois casos apresentados neste livro, o governo no poder está tentando destruir a biblioteca! O autor de Duna criou uma imagem muito positiva de uma biblioteca do futuro baseada em papel e de bibliotecários espirituosos.

Keller, David H. The Eternal Conflict (Philadelphia: Prime Press, 1949).***

Um psiquiatra e médico escreve sobre o conflito entre os sexos. O personagem principal é uma mulher, que é imortal, inteligente e poderosa. Em busca de satisfação, ela cria um castelo e traz a ele através das eras um bibliotecário e um matemático ancião. Com a ajuda da mulher, o bibliotecário cria sua biblioteca dos sonhos de um milhão de volumes, completa com arquivos de cartão. Quando ele não está jogando damas com o matemático, o bibliotecário tenta ajudar a mulher encontrar satisfação. O bibliotecário, caracterizado ao longo do romance, serve como figura paterna que projeta uma imagem positiva de serviço bibliotecário.

Laidlaw, Marc. The Third Force: A Novel of Gadget (New York: Simon & Schuster, 1996).***

A heroína é um membro da resistência e a bibliotecária-chefe da biblioteca Imperial; entretanto, essa posição não a concede liberdade de possuir cada documento na coleção nesta sociedade totalitarista. Uma identificação de impressão digital é requerida para a recuperação da informação. Todas as buscas são automaticamente gravadas e reportadas ao Departamento de Análise de Registros. Os códigos de identificação em cada livro estão sujeitos à mudança, e os livros são constantemente reorganizados pelo sistema de recuperação automática para que localizações de livros não possam ser memorizadas. Antes do final do livro a heroína deixa seu posto na biblioteca porque ela vê que a biblioteca é “uma cripta para o conhecimento agora. Ninguém pode pegar um livro emprestado sem temer por sua vida”. Essa novela baseada em um jogo de computador (Gadget) apresenta uma imagem positiva de uma bibliotecária preocupada e uma visão dramática da inutilidade de repositórios de conhecimento neste futuro potencial.

MacDonald, George. Lilith (London: Chatto and Winders, 1875).**

Uma grande biblioteca ocupa a maior parte do quarto do térreo na casa do herói. Mr. Raven, o bibliotecário antigo, aparece em intervalos regulares na biblioteca. Um dia o herói segue Mr. Raven em um mundo-espelho onde ele se torna um pássaro mas continua a dar recomendações e conselhos. Durante a jornada do herói no mundo-espelho, a perversa Lilith aparece, bem como Adam (também conhecido como Mr. Raven), a esposa de Mr. Raven Eva e uma figura materna chamada Mara. Este romance de sonho vitoriano é complexo e por muitas vezes confuso. Retrata bem uma biblioteca particular grande de antigamente e tem uma imagem positiva do bibliotecário inteligente (Mr. Raven, Adam) que remonta ao início dos homens.

McCaffrey, Anne. Dragonsdawn (New York: Ballantine Books, 1988).*

No futuro distante, seis mil colonos viajam em três espaçonaves por quinze anos para sua nova casa em Pern. A bibliotecária e historiadora oficial da colônia (General Cherry Duff) insiste que registros de todas as culturas étnicas devam ser levadas a Pern porque é impossível saber quando a informação será valiosa. Ela nota que a informação “não ocupa muito espaço nos chips que temos”. Vulcões ativos forçam os colonos a evacuarem o local de sua terra que está enterrado em poeira vulcânica. O prédio com a interface para a espaçonave recebe um selo de prova de calor. Quando o prédio enterrado é escavado, o computador (SEVIA – Sistema de Enderaçamento de Voz de Inteligência Artificial) é redescoberto no romance Os Renegados de Pern e muito utilizado no romance All the Weyrs of Pern. O autor menciona a biblioteca e o bibliotecário em uma passagem mas projeta uma imagem positiva com um bibliotecário de alto status que estabelece uma base de conhecimento excelente para os colonos de Pern.

McDevitt, Jack. Eternity Road (New York: HarperPrism, 1997).*

Esta história acontece na América do Norte depois que uma praga misteriosa destruiu o mundo. Livros são raros e apenas seis livros conhecidos sobreviveram ao desastre da praga. A heroína herda um livro de Mark Twain do líder da primeira expedição à legendária Haven na qual seu irmão morreu. Ela oferece o livro à biblioteca pública e decide buscar Haven. Uma cena próxima do fim da história ilustra vividamente a importância da biblioteca de Haven onde os livros são cuidadosamente colocados em gavetas em gabinetes. Esses livros redescobertos ajudam a estimular o crescimento da civilização. Essa aventura em ritmo acelerado dramatiza a importância de livros, bibliotecas e conhecimento. A profissão fica com uma imagem negativa quando o autor menciona em uma passagem que o papel do bibliotecário é copiar livros.

McMullen, Sean. Voices in the Light: Book One of Greatwinter (North Adelaide, South Australia: Aphelion Publications, 1994). ***

Este é o primeiro livro de uma trilogia. No século 39 na Austrália, a bibliotecária chefe chamada de Highliber, controla uma rede de bibliotecas e bibliotecários espalhados em várias nações. Ela é uma líder muito forte que mata pessoas em duelos sobre as modernizações em suas bibliotecas. Uma reorganização da biblioteca, a primeira em 505 anos, acontece pelo propósito de estabelecer um novo serviço Calculador que atua em funções do tipo computador usando ábacos e centenas de componentes humanos uma vez que não há eletricidade. Em relação a operar o Calculador, bibliotecários têm torres de comunicação Beamflash para administrar, aulas para ministrar, livros pra distribuir e colecionar e cerimônias para realizar. O autor, que é obviamente familiar tanto com o público e com aspectos de serviços técnicos de biblioteconomia, criou uma visão positiva e excitante onde as bibliotecas ainda são importantes e os bibliotecários lideram o avanço na civilização.

Miller, Walter M. Jr. A Canticle for Leibowitz (New York: J. B. Lippincott Company, 1959). **

A história acontece ao longo de vários séculos começando no século XXXII da Terra depois de uma guerra nuclear. Apenas alguns barris de livros originais e poucos textos copiados à mão, re-escritos pela memória, sobreviveram. Os monges replicaram práticas medievais em seu trabalho para preservar o conhecimento científico, que incluíam cópias, iluminuras e proteção de suas coleções. Os raros volumes em sua coleção são acorrentados para prevenir a remoção. Quando os monges reinventam as luzes elétricas, eles acabam com a biblioteca e o bibliotecário monge pergunta onde eles deveriam colocar uma biblioteca mecânica. Com outra guerra nuclear a espreita, padres selecionados e suas coleções escapam em uma nave espacial para Alpha Centauri. Esse é um romance brilhante sobre o futuro distante que sublinha a importância da preservação do conhecimento. Se monges são considerados bibliotecários, então é transmitida uma boa imagem; o bibliotecário/monge que é especificamente identificado transmite uma imagem mais inquieta, negativa. Esse romance ganhou o Hugo Award em 1961. Uma seqüência foi feita recentemente entitulada Saint Lebowitz and the Wild Horse Woman (New York: Bantam, November 1997).

Parsons, Rich and Keaveny, Tony. Colin the Librarian (Great Britain: Michael O’Mara Books Limited, 1993). ***

Colin foi promovido de auxiliar para assistente de bibliotecário na biblioteca Central de Clacton três anos depois de ter deixado a escola. Ele tem apenas 21 anos, não é muito alto, tem cabelo preto salpicado com caspa e ainda não se barbeia. O ponto focal de sua vida é a noite de sábado com jogos de RPG dos Amigos da Conqueror Society. Colin é visitado na biblioteca por Karp, o conquistador, que o envolve em aventuras no planeta Threa. Colin tem muito conhecimento sobre as Crônicas de Threa, o que é útil em suas aventuras. Eventualmente, ele é co-autor do quarto volume das Crônicas, que quando concluída com sucesso torna-se sua passagem de volta para a mesa de circulação da biblioteca. Colin é retratado negativamente como o herói fracote nesta paródia britânica de Conan, o Bárbaro.

Pratchett, T. The Light Fantastic (Buchinghamshire: Colin Smythe, 1986). **

O romance Discworld vividamente descreve o acidente mágico que transforma o bibliotecário chefe na universidade Unseen em um orangotango. Em sua mutação, o bibliotecário continua a exercer suas funções, o que não é fácil em uma biblioteca mágica onde as estantes brilham com magia e emitem cheiros azuis. Estranhas criaturas são atraídas pelo vazamento mágico entre os livros. Em uma cena incrível, o bibliotecário que é incapaz de falar, segura a mão de um usuário enquanto caminham até uma estante para localizar um livro. Ser um orangotango faz com que fique fácil para o bibliotecário escalar o topo das estantes para recuperar um livro, e o usuário o recompensa com uma banana. Essa fantasia nos dá uma perspectiva humorística em um futuro alternativo. O bibliotecário não-humano tem uma imagem positiva.

Sargent, Pamela. Earthseed (New York: Harper & Row, 1983). *

No futuro distante, uma espaçonave automatizada da Terra educa crianças para serem colocadas em um planeta não-habitado parecido com a Terra. A espaçonave opera uma biblioteca física bem equipada que contém microcircuitos com milhões de livros. A biblioteca também tem um cubo que dispõe hologramas da Terra. Uma vez que as crianças são deixadas no planeta, a espaçonave vai embora mas diz aos colonos que os deixou uma biblioteca para ajudá-los a construir uma civilização. A biblioteca da colônia tem ficas em microfichas, leitores e um bibliotecário — uma pequena caixa de metal que recomenda livros com uma voz macia. Entre os personagens principais, um deles parece viver na biblioteca, luta com suas dúvidas interiores e com outros colonizadores neste livro para jovens adultos. A biblioteca e a nave “bibliotecária” transmitem uma imagem positiva; entretanto, o bibliotecário caixa de metal deixado para os colonos cria apenas uma imagem neutra.

Soylent Green. MGM/UA Home Video, 1973, rated PG, aproximadamente de 1 hora e 37 minutos. **

Neste provocante filme ecológico que ocorre no ano de 2022 em Nova Iorque, com população de 40 milhões, Charles Heston começa como um detetive investigando o assassinado de um membro do conselho Soylent. Existe uma cena memorável na biblioteca (Exchange) que parece ser a maior fonte de informação de Nova Iorque. A respeitada bibliotecária do Exchange é chamada de “vossa excelência”. A bibliotecária é muito voltada para serviços, e a informação que ela oferece provoca uma grande reviravolta na trama. Stanley R. Greenberg escreveu o roteiro ou o filme que é vagamente baseado no livro Make Room! Make Room! de Harry Harrison (Boston: Gregg Press, c1966). Esse livro transmite uma visão muito positiva e impressionante de serviços de informação modernos onde os bibliotecários parecem ter uma grande quantidade de poder.

Stephenson, Neal. Snow Crash (New York: Bantam, 1992). **

Este romance cyberpunk acontece num futuro próximo principalmente em Los Angeles e o Metaverso, um universo gerado por computador. As cenas e personagens são descritos de modo inovador e vívido. O herói, Hiro Protagonist, um correspondente freelance da Central Intelligence Corporation (CIC) faz o upload de informações para a Biblioteca do Congresso que se fundiu com o CIC. Quando clientes encontram uso para algo na biblioteca, o fornecedor freelance consegue uma compensação. Cerca de 99% da informação na biblioteca não é utilizada; então nosso herói também trabalha como entregador de pizza da Máfia. O bibliotecário, um programa de software da CIC, aparece como um homem grisalho de cerca de cinqüenta anos, com barba e óculos. Em um momento, o herói diz ao bibliotecário para que pare de andar tão suavemente em seus sapatos de sola rastejantes. Embora suas contribuições muito enciclopédicas pareçam alongar a trama por auxiliar o herói a solucionar o mistério do metavirus chamado snow crash, o estereótipo comum cria uma imagem negativa para o bibliotecário. Este livro em ritmo acelerado estava na lista de leituras recomendadas no curso de Biblioteconomia da universidade de Kentucky no verão de 1997.

Tiptree, James Jr. The Starry Rift (New York: A Tom Doherty Associates Book, 1986). **

Tiptree é o pseudônimo de Alice Sheldon. Esse livro contém três romances do futuro distante sobre a área de espaço conhecida no Rift; cada parte do livro é introduzida pelo assistente do bibliotecário chefe, que é um anfíbio. O bibliotecário localiza a informação de modo entusiasmado para ajudar os dois jovens Comenors em sua pesquisa na grande biblioteca central da Universidade de Deneb. Os aliens apreciam o conselho e os materiais uma vez que cada novo texto é cuidadosamente colocado em invólucros à prova de água. No final, os aliens querem dedicar seu artigo ao bibliotecário por sua iluminação especial em ajudá-los ao invés de dizer para buscarem as coisas sozinhos. Tiptree cria uma imagem favorável e positiva de bibliotecários.

Van Vogt, A. E. The World of Null-A (New York: Simon and Schuster, 1984; Columbus, Ohio, Ariel Press, 1970). **

A primeira do que se tornou uma série de romances, essa história de não-Aristetolismo acontece na Terra e em Vênus em 2560. Para encontrar sua verdadeira identidade, o herói, Gossayn, deve aprender a entender e usar todo o poder de sua mente. Perto do final do livro, o herói requere uma conexão visual à fonobiblioteca mais próxima. O bibliotecário robô do atendimento dispõe e discute informações pertinentes em como Gossayn pode treinar a parte extra de seu cérebro. O herói encontra a informação que ele precisa em detalhes fornecidos pelo bibliotecário e consegue dominar seus poderes mentais super-humanos. Nesta pequena participação o bibliotecário-máquina, um especialista em armazenagem e recuperação da informação, encontra três dos quatro critérios para criar uma imagem positiva.

Vinge, Vernor. A Fire Upon the Deep (New York: Tom Doherty Associates, 1992). ***

Um grupo de pesquisa humano usa uma velha biblioteca para criar uma rede e liberta um poder do mal que pode destruir a galáxia. Depois de estudar para se tornar uma bibliotecária na Universidade de Sjandra, Ravna ganha uma bolsa de trabalho e estudo 20 mil anos luz no arquivo Relay, um ponto central de uma rede/arquivo de um milhão de mundos. Como a única humana no Relay, Ravna tem a responsabilidade de orientar Phan Nuwen, um homem reconstruído. Eles recebem a missão de destruir o poder mal da galáxia o que os leva a encontrar várias espécies incluindo o vividamente descrito Tines — aliens parecidos com cães que funcionam melhor em conjuntos. A competente bibliotecária tem um papel principal nesta vasta aventura galáctica que enfatiza a interação de aliens e humanos em vários níveis. É criada uma imagem muito positiva das habilidades técnicas e humanas da bibliotecária.

Wolfe, Gene. The Shadow of the Torturer (New York: Simon and Schuster, 1980). **

Neste futuro, a civilização está declinando e a sociedade opera no sistema de castas. O personagem principal é um membro da casta de torturadores. Em nome de uma de suas vítimas o torturador visita a biblioteca, onde ele encontra brevemente o bibliotecário. A primeira parte da história tem algumas cenas bem feitas da biblioteca que conhecemos nos livros e seus procedimentos, incluindo uma maravilhosa contabilidade do recrutamento de crianças em idade muito nova para tornarem-se bibliotecários. Essa história, volume um de um livro de quatro volumes Book of the New Sun, ganhou o prêmio da Associação Britânica de Ficção Científica em 1981. A biblioteca e o bibliotecário aparecem apenas rapidamente, revelando uma imagem neutra e tradicional.

Zahn, Timothy. A Coming of Age (New York: Bluejay, 1984). **

A heroína adolescente quer aprender a ler mesmo que ler seja restrito a adultos. Em sua jornada de leitura, ela visita a biblioteca onde o primeiro piso é destinado a crianças com vídeo games e exposições sobre a natureza. No piso superior existe a sala adulta com estantes altas, cores quietas e passos ainda mais quietos. A bibliotecária alta explica firmemente a ela porque crianças não podem tocar nos livros. Embora a bibliotecária esteja sorrindo, seu comportamento e a atmosfera da biblioteca convencem a heroína que ela terá de aprender a ler em outro lugar. Quando ela aprende de fato a ler, acontecem problemas entre a heroína e a professora, mas isso também permite que ela tenha um papel principal na história. Este conto de poder e dinheiro no planeta Tigris têm um tema interessante onde as crianças possuem habilidades de telecinese. O leitor fica com uma impressão negativa da bibliotecária que oferece um tipo de serviço de modo a proteger a sua coleção.

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