Projeto de Etiquetagem Social em um Museu de Arte: steve.museum

(Originalmente publicado em 20 de maio de 2011)

Dia 18/05 tropecei no link do texto do “The Evolution of the Knowledge Web Worker”. O post em si não tinha nada de muito novo (pelo menos pra mim) e achei a apresentação sobre Knowledge Worker 2.0 – Power to the people, do Stephen Collins muito interessante. O tema 2.0 pode até ser considerado datado – afinal, passaram só a primeira década do séc. XXI falando disso e agora ‘ninguém aguenta mais’ – mas tendo em vista que ninguém ainda definitivamente ‘acordou’ pra esse assunto acredito que talvez valha a pena insistir nele por mais um pouquinho de tempo.

A apresentação do Collins fala basicamente sobre gestão (e gestores) do conhecimento, que atualmente está focada mais nos processos e nas ferramentas do que nas pessoas e em suas capacidades. Por conta de uma série de restrições (burocráticas e principalmente culturais), gestores do conhecimento são forçados a ser vistos como retrógrados (slide 23) e são limitados (foi essa a palavra usada no slide 15) a trabalharem em bibliotecas e arquivos (slides 16 e 17) quando poderiam estar distribuídos em diferentes setores dentro de uma empresa que trabalham igualmente com informação. Trata-se muito do assunto de “mudança cultural”, que seria algo como uma mudança de mentalidade, mas de forma pouco aprofundada: fala-se que é necessário, mas não explicita os passos de como atingir ou provocar esse tipo de mudança nas pessoas. Talvez por que seja melhor que ela fosse espontânea, no entanto ao que me parece essa mudança deve ser bem difícil de se conseguir espontaneamente em curto prazo, a não ser que seja feita a partir de modelos muito alternativos, isolados e que sejam sustentáveis – o que também dependendo da situação é bem difícil.

Além disso o autor mostrou rapidamente quatro iniciativas que se encaixam no perfil do gestor de conhecimento. Entre os exemplos, o slide de número 38 me chamou muito a atenção, pois mencionou um projeto de etiquetagem social chamado Steve.museum, promovido pela Jennifer Trant. A frase curta “70% dos termos na Folksonomia não estão na Taxonomia” me deixou curiosa o suficiente pra jogar no google as palavras-chave Jennifer Trant e steve.museum pra ver se descobria mais alguma coisa e descobri várias. Primeiro, o verbete na Wikipédia:

O projeto steve.museum é um esforço colaborativo para melhorar o acesso e engajamento do público com coleções de museus de arte. Para isso, ele explora as possibilidades de descrições de trabalhos de arte gerada por usuários, também conhecida como folksonomia.

Entre os museus norte americanos que participam do projeto estão o  Guggenheim Museum, o Cleveland Museum of Art, o Metropolitan Museum of Art e o San Francisco Museum of Modern Art, bem como o  Archives & Museum Informatics.  A folksonomia é uma ferramenta que serve como suporte ao catálogo formal enriquecendo-o e provendo novos termos de busca, que tanto os artistas quanto os profissionais de museus podem não ter incluído na descrição das obras. Bruce Wyman, diretor de novas tecnologias no Museu de Arte de Denver – no artigo sobre o assunto publicado no NYT – diz que o processo de etiquetagem por parte das pessoas “nos empresta um conjunto de olhos que não temos”. Esse tipo de organização da informação – e de metadados – pode funcionar como uma possibilidade da arte encontrar seu papel na era digital e se tornar mais acessível a todos no mundo todo, o que ainda não é muito discutido aqui no Brasil.

Além da descrição, existem links para o site de uma conferência que aconteceu em 2006 Museums and the Web: the international conference for culture and heritage online e todos os artigos da conferência ainda estão disponíveis online, entre os destacados estão: Exploring the potential for social tagging and folksonomy in art museums e Social Classification and Folksonomy in Art Museums: early data from the steve.museum tagger prototype. Depois também encontrei uma Edição Especial da Texas Digital Library de 2009, v. 10, n. 1, sobre Bibliotecas Digitais e Conteúdo gerado por usuários, também com outros artigos sobre o assunto.

Ainda sobre o steve.museum, existem dois sites sobre o projeto: o site que o descreve e o site do steve.museum propriamente dito. Existe também o Wiki do projeto onde você pode entender como se inscrever e participar.

Compartilhei o link do steve.museum no twitter e no Facebook e recebi uma resposta da @anita22, que me passou mais um link sobre uma outra iniciativa parecida, o Tag Game que acontece no Brooklyn Museum:

Encontrei tudo isso meio que “por acaso”, mas acredito que se eu for efetivamente buscar por essas informações, mais aprofundadamente e de modo sistematizado, acho que irei encontrar muitas coisas acontecendo ao redor do mundo. Pessoalmente, para mim esse é um assunto que pode ser aprofundado e analisado incrivelmente e a sensação que eu tenho às vezes é a de que ele não cabe no blog. No entanto, vou continuar escrevendo vez e outra, fazendo ligações aqui e ali sempre que possível, tentando conciliar todas as coisas que encontro por aí.

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