Biblioteconomia ou Ciência da Informação?

Essa semana eu estou publicando aqui alguns conteúdos que estavam no meu antigo blog de biblio, o Dora Ex Libris. A maior parte das publicações é de 2011, quando eu estava terminando a graduação em biblioteconomia. Hoje encontrei um texto em que eu falava do meu tcc que entreguei em dezembro de 2011. Meu TCC foi um estudo sobre o tema de Organização da Informação (OI) na produção de teses e dissertações em Ciência da Informação no Brasil. Ele levantou algumas outras questões como as Bibliotecas Digitais de Teses e Dissertações (BDTDs), como estão organizadas em cada pós-graduação, quais softwares estão sendo mais utilizados, como é feita a armazenagem, representação e disponibilização desse tipo de material em acesso livre na Internet e etc.

Tive a ideia de republicar este post porque na época fui questionada por um colega do mestrado sobre o meu tema: “por que você está fazendo seu TCC de Biblioteconomia sobre Ciência da Informação? Por que não faz sobre bibliotecas?”. Essa é uma questão que é pertinente já há algum tempo. Muitos cursos de graduação no Brasil tomam uma coisa por outra e entendem a Ciência da Informação como uma evolução natural da biblioteconomia. Mas eu vou bater na tecla do hibridismo enquanto as bibliotecas físicas ainda existirem. Tem a discussão de que o curso de graduação precisa se modernizar etc., e talvez um dos impedimentos pra essa modernização seja justamente o mestrado: que também não tem nada de tecnologia e que é apenas uma continuação, mais teórica, do que se aprende na graduação. Não vejo uma coisa como sendo melhor ou superior à outra.

E defendo o hibridismo pois foi disso que o meu tcc tratou. Descobri no segundo semestre de 2009 que a parte que eu mais gosto na Biblioteconomia é a de Organização da Informação (leia-se, processamento técnico, técnicas de organização e representação da informação e do conhecimento, indexação, classificação, catalogação, criação de resumos, metadados, recuperação da informação). Em 2010 iniciei a execução de um projeto de pesquisa PIBIC sobre o conceito de OI a partir de material encontrado na base de dados LISA (Library and Information Science Abstracts). Uma base de dados dessa importância não deixa de ser uma referência para a área, bem como não deixa de ser um tipo de biblioteca virtual, se assim quisermos chamar. Pois bem.

Depois de ter analisado a literatura internacional, fiquei curiosa pra saber o que tem sido produzido referente à OI no Brasil. Eu poderia ter feito a análise a partir da produção nos periódicos científicos da área pois querendo ou não, divulgação científica lida diretamente com fontes de informação, e fontes de informação, ora veja, é assunto da Biblioteconomia também; mas achei mais interessante buscar pela produção da pós-graduação, uma vez que teses e dissertações são publicações mais importantes do que artigos de periódicos (é a partir das teses e dissertações que artigos são publicados na verdade, enfim).

Aí entra a questão das Bibliotecas (opa!) Digitais de Teses e Dissertações e de sua importância pra divulgação do que está sendo produzido em todo o Brasil, e de que modos as pós-graduações em CI se articulam (ou não) para preservar sua produção em ambiente online. Meu TCC não é especificamente sobre isso mas esse tema por si só, já dá um outro TCC inteiro. Bibliotecas Digitais (não vou nem entrar na questão terminológica aqui: repositórios, portais, BDTDs, etc.) são importantes pois acredito que seus usuários (nós, estudantes, pesquisadores e profissionais da biblioteconomia e de outras áreas) deveriam ter o acesso mais facilitado – a partir de qualquer computador – à produções de outros estados do Brasil. Por que continuar utilizando o COMUT se é possível com as tecnologias de hoje viabilizar um serviço deste tipo? Essa é só uma das questões, mas com certeza devem existir várias outras se persistirmos no assunto.

Pra mim, pesquisar conteúdo digital nunca fugiu do escopo da biblioteconomia. Pelo contrário: nunca foi tão alinhado ao que a biblioteconomia devaria ser. Pra mim parecia estranho evitar tratar do assunto Ciência da Informação na graduação e nunca houve escopo ideal: fiz o melhor que pude com o que tinha disponível na época. Não me parecia estranho também porque fiz disciplinas isoladas de mestrado e fui aprovada no mestrado da UFSC, mas nunca entendi nada disso como evolução e sim como mais um exercício – bem como toda pesquisa e projeto que nos envolvendo, por maior e mais importantes que sejam, sempre são recomeços. O que fiz foi tão importante quanto todos os outros trabalhos desenvolvidos pela minha classe – não houve melhor ou pior, mas são conteúdos e abordagens diferentes. A qualidade só foi julgada quando da entrega e também por diferentes motivos.

Ainda acredito que a pluralidade é mais importante do que ‘o que eu acho ser o melhor para a Biblioteconomia’ em detrimento de todos os outros tipos de estudo. Trabalhos de conclusão de curso geralmente refletem uma série de variáveis da vida da pessoa que o produz: seus interesses, suas paixões, seu foco (ou falta dele), sua rotina e seu ambiente de trabalho e também um pouco do que aprendeu em sala de aula. Tudo junto e misturado.

Seguem os títulos dos TCCs desenvolvidos pela Biblioteconomia da UFSC em 2011-2. Alguns já mudaram, outros permaneceram, mas basicamente a minha turma tratou destes temas:

  • Atuação dos Bibliotecários em Arquivos: um estudo de caso do arquivo central da Universidade Federal de Santa Catarina
  • O uso de informações estratégicas para geração de inteligência competitiva: um estudo nas agências de Publicidade de Florianópolis
  • Biblioteca Digital de Educação a Distância: favorecendo a Competência Informacional
  • Padrões de metadados para indexação fotográfica
  • A atuação do bibliotecário como disseminador de informação em bibliotecas públicas da grande Florianópolis
  • Relação entre o bibliotecário e o professor na Biblioteca Escolar
  • A potencialidade do uso das ferramentas da Web 2.0 em bibliotecas escolares no processo educativo como ferramentas para ampliar o acesso e disseminação da informação
  • A gestão de documentos no âmbito das instituições públicas do Estado de Santa Catarina
  • Ergonomia na Biblioteca Cruz e Souza (CESUSC)
  • O papel do Bibliotecário nas práticas e modelos para o desenvolvimento da competência informacional
  • Análise das publicações acerca de arquivologia nos últimos 10 anos
  • Análise do uso da coleção do ensino médio do SENAI de Tijucas/SC
  • Ergonomia e usabilidade no documento texto a digital
  • Organização da informação: abordagens nas teses e dissertações em Ciência da Informação no Brasil
  • Avaliação do Software de Automação de Biblioteca Pergamum
  • A importância dos livros de registros do Cartório do 2º Ofício de Imóveis de Florianópolis/SC: monumentos históricos
  • Atividades biblioterapêuticas para crianças
  • O Ensino de Biblioteconomia: uma análise do curso de Biblioteconomia da UFSC
  • Avaliação do Software Automotivo Doutor-ie na perspectiva do usuário
  • FRBR: uma revisão de literatura
  • Critérios para a preservação digital adotados pelos repositórios informacionais arrolados no ROAR
  • Formação e desenvolvimento de coleçõesem biblioteca especializada: análise da coleção da biblioteca do SEBRAE de Santa Catarina
  • Análise das Publicações Eletrônicas Brasileiras em Acesso Aberto na área de Educação Física
  • Arquivo em instituição pública
  • Indexação de imagens fotográficas na empresa Tempo Editorial
  • O uso da informação estratégica

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