Oficina de Introdução à História da Arte – 3/02/11 [2 de 4]

(Publicado originalmente em 13 de fevereiro de 2011)

O segundo dia da Oficina não foi no Museu Victor Meirelles, mas na Fundação Badesc, que fica próximo ao Teatro Álvares de Carvalho. Fiquei que nem uma barata tonta tentando achar onde era o lugar e não conseguia me situar, pois também não tinha pegado o endereço do local antes de sair de casa (genial..). Depois que cansei de andar em torno do Alvares de Carvalho sem achar nada, entrei ali no teatro e perguntei pra um guardinha onde ficava o lugar e ele me explicou direitinho. Cheguei uns 10 min. antes de começar e já tinha bastante gente por lá.

A professora Luciane falou um pouco mais sobre a ordem dos cavaleiros Templários e dos esforços que eles fizeram pra liberar Jerusalém dos muçulmanos. Sem contar de toda a influência dos reinos do oriente na arte ocidental. Mais ou menos nesta mesma época também ocorre a ascenção de Veneza, que quase que não era considerada como parte da Itália. As Cruzadas foram importantes não apenas pelas trocas de culturas, mas também pelas trocas comerciais, de bens, enfim, trocas com a arte Bizantina. Nesta época, a capital do mundo era França, que na Europa era muito forte e representativa.

Catedral Sainte Chapelle, Paris

Neste momento, chegamos à Arte Gótica (1100 a 1500 d. C.) que é particularmente forte na arquitetura, contendo características como verticalismo, o arco quebrado ou ogival, a abóbada de arcos cruzados e muitos vitrais. As principais catedrais que nos foram mostradas estão na França (Sainte Chapelle, em Paris), Alemanha, Inglaterra (Catedral de Lincolnshire, Lincoln) e também Espanha, existindo poucas catedrais deste tipo na Itália (Catedral de São Marcos, Veneza – Gótico Bizantino). Essa época marcou uma outra característica na história da arte: antes, tudo o que era relacionado à arte era estritamente coisa da nobreza/clero e agora a arte chegava aos populares através da religião. O gótico tardio, do pré-renascimento também marca o nascimento do capitalismo. Se formos notar essas obras de perto, podemos perceber que as filigranas e principalmente a rosácea que existe na maioria das basílicas, são traços artísticos que foram tomados “emprestados” dos orientais, muçulmanos e “convertidos” ao cristianismo. E então chega o período do pré-renascentismo e os nomes dos artistas começam a ficar mais evidentes.

No século XIII – que seria mais ou menos a época do pré-renascimento – a Europa vivia um período ruim, com muitas pestes e baixas na população. Um dos principais pré-renascentistas foi o escultor Nicola Pisano, que pode ser considerado o fundador da escultura moderna. As esculturas ainda eram de cunho religioso, bastante emocionais e expressivas. Cimabue, pintor e criador de mosaicos florentino,  é considerado o último pintor da escola bizantina. Podemos enxergar estas referências em sua madona, Maèsta (1280), que não tem perspectiva e usa-se muito ouro. Aluno de Cimabue, Giotto também é considerado pré-renascentista, tendo uma visão um pouco mais humanista, com mais emoção e sentimento que seu mestre. Nesta época na Europa começou a surgir oficinas, guildas, ateliês e os artistas tinham cada vez mais importância. O pré-renascentismo também foi um período de muita inovação e ousadia nas artes. Simone Martini, em sua “Anunciação” inova ao pintar uma representação tridimensional, com perspectiva. Começamos então a poder falar de uma “gramática artística”, ainda que com muitas características bizantinas, orientais.

Sim, você já viu isso em algum lugar. É o Nascimento de Vênus, do Botticelli

Botticelli, pintor renascentista da escola florentina,  tem como as obras mais conhecidas o “Nascimento de Vênus” (acima) e a “Primavera”. Ao contrário de outros artistas, Botticelli retrata cenas mitológicas e a iconologia também é bastante forte em suas pinturas. O humanismo / antropocentrismo, a morte ao feudalismo e ascenção da burguesia, marcam o início do Renascimento (Séc. XV e XVI). Pra me situar um pouco no tempo, em 1450 ocorreu a invenção da imprensa de Gutenberg. A invenção de três artefatos também tiveram muita influencia no mundo das artes no começo do renascimento: a tinta à óleo, a tela e a imprensa, que permitiu uma melhor viabilização das traduções de vários manuscritos antigos em grego, para a língua mais moderna utilizada na época: o latim.

Na arte  surgiram com ainda mais força:  os autoretratos, as assinaturas de obras (a importância do artista), Biografia de artistas (fama). Nomes importantes: Vasari e Zuccari (pintores e arquitetos italianos); Donatello (escultor florentino, “Niccolo da Uzzano”); Fra Angelico, pintor, era um frade, o que influenciava em muito as suas obras, uma vez que não era um artista apenas que pintava, mas sim, um homem religioso, que compartilhava de sua fé através da arte. Gostei muito “das Anunciações” (ele fez várias). Ticiano é um pintor e retratista, que começou a ser estudado há pouco tempo. Suas obras mais conhecidas são a Vênus de Urbino e a Alegoria do Tempo. Rafael foi um pintor que faleceu jovem, com 37 anos. Foi ele quem pintou o afresco da “Escola de Atenas” (com Platão e Aristóteles) e a “Madona Sistina” (com os anjinhos da Fiorucci). Verrochio (pintor e escultor, início da retratística), era mestre de Leonardo Da Vinci e diz-se da história de que no quadro “O Batismo de Cristo”, Verrochio mandou Da Vinci pintar os anjinhos que estão no detalhe a esquerda. Quando viu o resultado, achou os anjos tão perfeitos, que nunca mais voltou a pintar…

Senhora com Arminho, Da Vinci

Luciane considera – e não só ela, acredito – Leonardo da Vinci como um dos nomes mais importantes da era renascentista.  Ela destaca não só suas obras, mas também a personalidade do artista, que segundo seus pesquisadores tinha uma genialidade impulsiva, era extremamente produtivo e era extrovertido, sendo considerado “o arroz de festa” do Renascentismo (fazia de tudo e estava em tudo). Ninguém precisa saber muito de arte pra conhecer a tal da Mona Lisa (a.k.a La Gioconda) né? E também, depois de todo alvoroço por conta do livro, quem já não ouviu falar do quadro d’A Última Ceia? Ok, eu já tinha visto o Homem Vitruviano, mas eu não sabia que ele se chamava assim! Podemos perceber também que nas pinturas de Da Vinci as composições triangulares eram comuns, com o exemplo do quadro da Virgem dos Rochedos. E isto é apenas parte do trabalho dele, que além de pintor era escultor, arquiteto, músico, cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, geologista, cartógrafo, botânico e escritor. Uma vida só foi pouco pra ele.

Michelangelo, que era escultor, pintor, arquiteto, era o exato oposto de Da Vinci, pois tinha um temperamento muito explosivo e era de poucos amigos. As obras dele fazem parte do Renascimento em sua parte mais avançada. Diz-se que certa vez um bispo pediu que Michelangelo esculpisse um mausoléu, mas como nesta mesma época ocorria a queda da igreja católica e o quase início do protestantismo, e a igreja estava ostentando riqueza cada vez menos, o bispo resolveu cancelar o projeto da escultura. Michelangelo, claro, ficou furiosíssimo, falou que não ia fazer nada mesmo e ainda disse “se o bispo quiser, ele que venha me buscar!”, coisa que gente ajuizada nunca diria a um bispo naquela época. Mas né, depois de um tempo parece que o bispo foi, de fato, buscá-lo e então surgiu o projeto do teto da Capela Sistina, que Michelangelo acabou fazendo muito a contragosto. Ele não se achava um pintor, ele se achava um escultor… E assinava todas as suas obras de pintura como “Michelangelo, o escultor“.

Adão e Deus, detalhe da Capela Sistina, de Michelangelo

Este detalhe da Capela Sistina também tem controvérsias, pois alguns pesquisadores acreditam que Michelangelo quis pintar um cérebro no lugar de deus, ali à direita. Muitos estudos sobre a anatomia do corpo humano estavam sendo feitos esta época, por vários artistas…. Então tem gente que acredita nessa possibilidade. Outras obras que fazem Michelangelo conhecido são suas Pietàs (de composição triangular, também), a sua escultura de Davi e sua escultura de Moisés, a qual ele se sentiu tão realizado quando finalizou e achou a sua obra tão perfeita, que falou “Parla! Perché non parli?”, pois para ele a estátua só faltava falar. Uma outra obra importante sua foi “O Juízo Final”, que é considerado maneirista, quase pré-barroco.

Ao final da aula, a professora falou brevemente sobre o Renascimento fora da Itália, citando três artistas que ela considera mais importantes:  Dürer, que foi um pintor alemão, retratista. A obra mostrada que mais me impressionou foi a da lebre feita em aquarela. Ok, grande coisa é só uma lebre… Mas quem pinta (ou já pintou) em aquarela sabe o quanto é difícil – qualquer errinho já estragaria a pintura inteira – e esta lebre está perfeita, cheia de detalhes e sombra;  Jan van Eyck, pintor flamengo, que fazia suas pinturas a óleo. A mais impressionante com certeza é “O casal Arnolfini”. Olhando assim o quadro, ele parece não ter nada demais mesmo, mas no post deste blog, o quadro e todos os seus detalhes são esmiuçados e podemos ver o quanto essa pintura, pra época, é bem impressionante e cheia de significados; E por fim, Hieronymus Bosch, que eu já conhecia (e adoro muito), com as pinturas do Jardim das Delícias Terrenas.

Um pensamento sobre “Oficina de Introdução à História da Arte – 3/02/11 [2 de 4]

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