Oficina de Introdução à História da Arte – 8/02/11 [3 de 4]

(Originalmente publicado em 7 de março de 2011)

Esta antepenúltima aula foi a que eu mais gostei porque acho que foi a que teve mais referências de estilos artísticos que eu até então podia até ter ouvido falar, mas desconhecia o nome propriamente dito. Foi uma aula  meio corrida (bem, não tinha como ser de outro jeito, acho), mas ainda assim, uma das melhores. No geral vimos Maneirismo, Barroco, Rococó, Neoclássico, Romantismo, Realismo, Impressionismo e no finalzinho da aula ainda deu tempo de vermos rapidinho o que era o Memento Mori.

Esta aula começou com “o fim” (heh) do Renascentismo, que foi por volta de 1527, mais ou menos mesma época que o protestantismo começou a surgir. Nesta época, surgiu na Europa o Maneirismo (a palavra deriva do termo italiano maniera, “maneira”, indicando o estilo pessoal de determinado autor) e a partir de então, as transformações no mundo começam a ficar mais rápidas, inclusive as mudanças na arte: os movimentos artísticos a partir de então só se pluralizaram. Mas ainda nesta época a religião cristã tinha forte influência na arte.

O Maneirismo, apesar da difícil caracterização, tem algumas marcas distintivas que de certa forma vão de encontro ao que se via no Renascentismo: a substituição da harmonia pela dissonância e desequilíbrio; substituição de razão por emoção; substitui realidade por imaginação; instabilidade (figuras suspensas) ao invés de equilíbrio, há uma certa “confusão” na linguagem pictória, muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo; diagonalidade na composição; espaço pictório cheio ou um vazio no centro da pintura; cores pálidas e menos vibrantes; e surge também a importância dos jardins e entornos.

Amor Vincit Omnia, Caravaggio

São exemplos de artistas maneiristas (ou que adotam algumas características maneiristas):

Sei que a imagem que coloquei pra ilustrar o maneirismo não é exatamente uma referência do estilo, mas foi a que eu mais gostei. Me parece também que em relação ao que eu vi anteriormente a quantidade de obras – e de artistas – aumentou bastante. E a tendência é só aumentar mesmo.

Depois do Maneirismo vamos para o Barroco (Fim do Séc. XVI a meados do Séc. XVIII), que retrata parcelas da sociedade e instabilidades da época. O termo “barroco” foi usado como pejorativo por muito tempo, talvez por causa das características exageradas do estilo: monumentalidade das dimensões, opulência das formas, excesso de ornamentação… Quanto mais cristão o tema, mais excessivo. É uma época de descobrimentos e muitos conflitos, já começam as colonizações, a globalização já é uma realidade e o protestantismo começa a se estruturar. Diferente do Renascimento, no Barroco existe essa constante busca por grandes efeitos. Um filme que retrata um pouco do que seria a época do Barroco é o “Moça com Brinco de Pérola”, sobre o pintor holandês Johannes Vermeer.

Como a Luciane tem estudado o material ouro há algum tempo, citou Bernini – que também era arquiteto – como referência de escultura Barroca. Entre suas obras mais conhecidas encontramos: “A Verdade”, “Apolo e Dafne”, “O êxtase de Santa Teresa“, “Fonte do tritão“. A pintura barroca ainda era muito doutrinária e a arquitetura barroca era sacra ou palaciana, sendo muito utilizada pela igreja. Caravaggio – também considerado maneirista –  tinha obras que podem ser classificadas como barrocas, como “Davi vitorioso”, “os peregrinos de Emaú” e “São Matheus e o anjo”. Segundo a professora, na França foi onde existiu um barroco ‘mais leve’ e no Brasil, muita gente já aprendeu sobre as obras de Alejaidinho e no estilo barroco brasileiro que integra pintura, escultura e arquitetura. Algumas obras barrocas no geral também podem ser consideradas tão excessivas que às vezes beiram ao Rococó. Alguns exemplos de artistas do período barroco:

As Meninas, de Velázquez

Rococó (Final do Séc. XVII, início do Séc. XVIII) também é conhecido como ‘o barroco tardio’ e o termo também foi usado de modo pejorativo por algum tempo. No entanto os temas no Rococó adquirem mais leveza, mais alegria, mais clareza. A palavra Rococó vem do francês Rocaille, quer dizer concha e remete à ornamentação e decoração que neste estilo sempre foi excessivo. Se o Barroco era o excesso, Rococó é o excesso do excesso. Mas o estilo perde um pouco da religiosidade do Barroco, há uma maior teatralidade que reflete os valores burgueses e seu cotidiano, retratando frugalidades, jardins, eventos sociais. Notamos que Watteau é um artista característico deste estilo, quando observamos obras como “Os encantos da vida” (1718). Outras coisas começam a ter importância na pintura: a vegetação, o entorno, a nobreza. Outra obra que também representa essas características é “O Balanço” de Fragonard, que não tem como não ser um ícone Rococó. Entre outras obras do mesmo autor estão La Lettre d’amour e La Liseuse. A arquitetura no Rococó exige uma ornamentação mais exagerada, com mais dourado. As esculturas diminuem (para que a burguesia possa comprá-las), então criam-se bibelôs para se ter em casa e o uso de porcelana e louça é intenso. Um filme que retrata bem a época em que o estilo rococó estava em alta é o “Marie Antoinette” (2006), da Sofia Coppola.

Até então, os movimentos artísticos que surgem parecem sempre estar negando o movimento anterior. E isso acontece de novo quando o estilo Neoclássico (Final do Séc. XVIII) surge no período pós-revolução francesa, como uma reação aos exageros e dramaticidades do Rococó e Barroco. Com o neoclássico, o ideal de beleza retorna, o olhar se torna mais crítico e é um período de muito academicismo, o que faz com que o estilo clássico, grego e de arte greco-romana, retorne com força total. E este estilo tem características academicistas, como ser muito ilustrativo e literário, juntamente com certo formalismo e linearidade. O estilo neoclássico conta histórias de heróis e pretende um equilíbrio de naturalismo com idealismo. A pintura nesta época é menos desenvolvida, mas o estilo ainda encontra seus representantes como Jacques-Louis David, “A morte de Marat” (1793); Dominique Ingres, “Auto-retrato com 24 a.”, “Napoleão entronado”“A grande odalisca”, “O banho turco”, “A morte de Leonardo Da Vinci”. Antonio Canova (escultor), “Cupido e Psiquê”. Entre exemplos de arquitetura neoclássica podemos citar a Biblioteca Sainte Geneviève, em Paris e a Catedral de Helsinki, na Finlândia.  A impressão que fica é que a partir desde movimento os artistas começam a pensar não só nas técnicas, mas também a ter um olhar para a própria história da arte, que já está bem consolidada.

Foi a partir de um movimento literário e filosófico (Lord Byron, Jean Genet) que surgiu o Romantismo (Séc. XVIII a XIX) para depois aparecer nas artes plásticas. A partir desta época, as cenas religiosas se tornam cada vez menos populares. Apesar de ainda muito academicista o romantismo é marcado por extremos, os valores são outros como a boêmia, a percepção do “mal do século” que se opõe de certa forma ao racionalismo neoclássico. O romantismo retrata a sensibilidade, emoções e valores interiores, a questão de dramas amorosos, a morte heróica, o suicídio por amor. A arquitetura nesse período – em contrapartida com o neoclássico – não foi muito expressiva nessa época, excetuando-se a criação da Torre Eiffel em 1889 na França. Fora isso, acontecia a Revolução Industrial, onde utilizava-se muito ferro, vidro, etc. Entre os autores destacados do romantismo estão Eugène Delacroix e Francisco Goya. Delacroix acreditava que  “… nem sempre a pintura precisa de um tema” e além de ter criado obras como “A liberdade guiando o povo” e “A barca de Dante”, também foi um grande retratista. Fuçando na Wikipédia, achei muito lindo o “retrato de George Sand” e também o da “menina órfã no cemitério“. Nesta época os pintores começavam a ser mais politizados e isso é demonstrado no filme “Os Fantasmas de Goya” de 2006, que conta uma história ficcional da vida do pintor.

Quando chegamos ao Realismo (Segunda metade do Séc. XIX) podemos observar algumas características do  que ocorria com o mundo que influenciavam diretamente nas artes: o fracasso da Revolução Francesa; um capitalismo mais concretizado; o avanço dos processos tecnológicos; a influência das correntes filosóficas, com ênfase no positivismo; determinismo, evolucionismo, marxismo (Marx/Engels).. Isso tudo interferiu na arte uma vez que os artistas passaram a retratar temas sociais, de realidade popular, como quase que uma arte de documentação, sendo o Realismo um tipo de estilo pintura considerado politizado. Entre os autores:

Os Jogadores de Xadrez, de Honoré Daumier

Quando surge o Impressionismo (Século XIX) os artistas começam a discutir mais “a arte enquanto arte”. Foi a primeira vez na história da arte que artistas de um determinado estilo artístico escreveram um manifesto, defendendo o estilo. A partir de então os MOVIMENTOS de arte começaram a ser mais plurais e a arte realmente começou a ser mais debatida em questão de técnicas, de mistura de cores, de uso de produtos químicos e outras possibilidades. Um dos principais nomes do impressionismo é o de Claude Monet que produzia imagens que eram formadas por cores que se sobrepunham (“Sol Nascente“). O impressionismo não se importava com o realismo ou com a academia, sendo contra a cultura tradicional e deu origem à técnica de pontilhismo. Entre seus nomes expoentes estão:

Na continuação e última parte da oficina, começaremos a partir do século XX, onde a arte cada vez mais nos ensina a pensar, refletir e provoca questões como um todo.

Parte especial da aula: Memento Mori (séc. XIX). Olhando na Wikipédia eu descobri que, na verdade, existem vários tipos de “Memento Mori” como o Ars Moriendi e Danse Macabree, pra citar dois. Acho que este tipo de arte nos remete aos egípcios, que gostavam de preservar seus mortos com a mumificação e criação de tumbas adornadas. Mas no séc. XIX o Memento Mori popularizou-se através da fotografia. A Fotogragia Post-Mortem era utilizada para retratar o último momento do ser amado e isso aparece no filme “Os Outros“, e em um filme japonês, mais recente, chamado “Departures“. Existem vários tipos de arte memento-mori, inclusive com esculturas, onde podemos citar o Ossuário Kostnice, na Republica Tcheca.

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