Sobre o deslumbramento

Já há algum tempo eu queria fazer um post sobre deslumbramento. Não sabia se o fazia em meu blog pessoal ou por aqui. Ainda não sei bem porque, postá-lo aqui me pareceu mais adequado. O deslumbramento, como um monte de coisas na vida, dependendo para o lado que pende, pode ser bom ou ruim. Sempre fui bastante deslumbrada, talvez porque seja do interior do Brasil. São Paulo pra mim parecia uma cidade infinita e aterrorizante quando eu era mais nova e vinha visitar. É sempre um assombro ver um prédio muito alto, ver prédios muito antigos e pessoas com hábitos diferentes dos seus, mesmo que levemente.

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Arranha céus da Avenida Paulista, em São Paulo

Já há algum tempo tenho pensado sobre o brilho nos olhos (por falta de termo mais adequado) que o deslumbramento provoca. Brilho nos olhos pode ser muita coisa: ambição, ganância, vontade, inspiração, querer.. Pode ser várias coisas ao mesmo tempo, coisas realmente difíceis de nomear. Uma biblioteca grande, uma quantidade absurda de livros reunida num só lugar, de forma não só adequada, mas bela mesmo, era algo que me enchia os olhos, quando era pequena. Ainda acontece, mas não mais com a mesma afetação de quando nunca se viu nada na vida e se é tão pequena, fisicamente inclusive.

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Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro

Tenho tentado rascunhar algumas respostas para o que me causa deslumbre hoje em dia e essa é uma das coisas mais difíceis que tenho empreendido até então. Quero acreditar que isso, esse sentimento, independa de algum contexto mais externo à mim – onde moro, o que faço, coisas que gosto. É ruim pensar que o deslumbre precisa ser necessariamente condicionante. Se as condições precisam ser sempre favoráveis para que exista o deslumbramento, talvez ele seja só mais uma ficção funcional, um entretenimento – e não algo que te transforme, verdadeiramente. Algo que te faça querer não mais, não melhor: mas outra coisa. Que te põe em movimento.

 

 

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Trilha de estrelas, 10 de agosto de 2012, por Daniel Lowe.

Acredito que o deslumbramento pode nos fazer melhor enquanto pessoas uma vez que ele nos remete a um sentimento de insignificância. Da mesma forma que a meditação, através da contemplação, dissolve um pouco do que é o ego. Mas essa insignificância acaba nos remetendo na verdade ao todo, à singularidade, porque querendo ou não, estamos aqui e fazemos parte disso tudo. Então não é tanto uma questão de se deslumbrar com algo externo: com uma coisa, um lugar, uma pessoa, uma ocasião… Quando isso ocorre, na verdade, nos deslumbramos com um espelho de nós mesmos. E do que, principalmente, podemos vir a ser.

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