Sense Making

Traduzido originalmente do post Sense Making, do site de David Lankes.

Sense-making” e “sensemaking” podem ter a mesma pronúncia, serem escritas quase da mesma forma e baseadas em perspectivas construtivistas similares, mas elas não se tratam da mesma coisa. Quando tratamos de indivíduos tentando criar sentido de seu próprio mundo e seu ambiente, duas ideias principais lideram a discussão. A primeira é o “Sense-Making” como cunhado por Brenda Dervin (Dervin & Nilan, 1986) e a segunda é “sensemaking” criada por Karl E. Weick (Weick, 1995).1 Sensemaking de acordo com Weick será a abordagem adotada, mas por conta da similaridade na terminologia e para remover a possibilidade de confusão, a abordagem de Dervin merece uma breve revisão primeiro.

Sense-Making de acordo com Dervin tem foco no indivíduo enquanto ele ou ela se move através do espaço e do tempo. Enquanto isso ocorre, lacunas são encontradas onde o indivíduo deve “fazer sentido” da situação para se movimentar, física ou cognitivamente, através da lacuna. Os componentes-chave neste processo são a situação, a lacuna e os usos. A situação é o contexto do usuário, a lacuna é quem previne o movimento e o uso é a aplicação do sentido que é construído (Dervin, 1999). Neste sentido, a abordagem de Dervin é monádica porque ela se foca no indivíduo e no sentido que o indivíduo faz enquanto ele ou ela tenta superar a lacuna.

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Isto entra em contraste com Weick, que se foca no sensemaking de grupo como pelo menos diádico mas mais geralmente triádico ou poliádico. Em outras palavras, Weick se foca em múltiplas pessoas trabalhando junto para criarem sentido. Embora este contraste entre o grupo e o indivíduo seja significante, a abordagem de Dervin tem as mesmas raízes filosóficas que Weick. Dervin (1999) afirma: “descrevi Sense-Making como abordagem construtivista, enquanto agora eu descrevo como pós-construtivista, ou modernista pós-moderna” (p. 730). Embora Weick e Dervin ambos tenham sido associados com construtivismo, Dervin não liga diretamente o sensemaking de Weick ao seu próprio Sense-Making mas como uma das muitas “abordagens paralelas” (Dervin et al., 2005).

Existem muitos usos do termo sense making enquanto fenômeno na literatura (escrito em uma miríade de jeitos diferentes) que não tem relação alguma à Metodologia de Sense Making. Por exemplo o Sensemaking de Weick (Weick, 1995) em organizações que olham a vida organizacional examinando o fenômeno [de] Sensemaking (Dervin, 1999, p. 729).

Embora Dervin não ligue Weick ao seu trabalho, ambos seguem uma abordagem construtivista. Isso é demonstrado especialmente pela conceitualização de Weick de ambiguidade (Weick & Sutcliffe, 2001, p. 10). Em contraste à Dervin, os principais trabalhos de Weick citam Dervin ou traçam suas conceitualizações ao seu trabalho (Weick, 1969, 1993, 1995, 2003, 2005, 2006, 2007; Weick & Roberts, 1993; Weick & Sutcliffe, 2001; Weick, Sutcliffe, & Obstfeld, 2005; Wenger, 1999, 2001, 2005a, 2005b; Wenger, McDermott, & Snyder, 2002; Wenger & Snyder, 2000; Wenger, White, Smith, & Rowe, 2005). Existem outras abordagens construtivistas que poderiam ser consideradas, tal como Habermas. No entanto, como um pesquisador sob a supervisão de Brenda Dervin colocou: “sugiro que a atual corrente baseada nas teorias de Habermas de prática de ação comunicativa e esfera pública possa ser muito limitada para descrever a prática comunicativa baseada em ambientes online” (Schaefer, 2001, p. ii). Em resumo, a visão de Weick de sensemaking enquanto atividade de grupo é mais relevante para comunidades de bibliotecas do que a abordagem monádica de Dervin, que se foca mais em Sense-Making individual. No entanto, a discussão agora tem seu foco em Weick.

Image property of the Albright-Knox Art Gallery, Buffalo, NY.

Convergence, 1952 by Jackson Pollock

A estrutura teórica para a perspectiva organizacional deste estudo será a de sensemaking enquanto descrito por Karl E. Weick em Sensemaking in Organizations (Weick, 1995) e Managing the Unexpected: Assuring High Performance in an Age of Complexity (Weick & Sutcliffe, 2001). Estas obras foram prenunciadas em seu primeiro livro,The Social Psychology of Organizing (Weick, 1969). Sensemaking teve o seu fundamento em vários estudos de caso significativos onde Weick investigou situações complexas para compreender como as pessoas tentaram fazer sentido a partir de informações aparentemente contraditórias. A maior parte do trabalho de Weick era em “organizações do setor público”, com apenas algumas poucas organizações “comerciais” (Weick, 2006, p. 1733). Infelizmente, ele não escreveu sobre os setores sem fins lucrativos ou bibliotecas. Dois exemplos importantes de sua abordagem são estudos da cabine de pilotagem de um porta aviões (Weick & Roberts, 1993) e com bombeiros em combate a incêndios (Weick, 1993). Sensemaking não tem uma definição rigorosa per se, mas existem vários exemplos de Weick.

A ideia básica de sensemaking é que a realidade é uma realização contínua que emerge de esforços para se criar ordem e fazer um sentido retrospectivo do que ocorre (Weick, 1993, p. 635)

Sensemaking é sobre a ampliação de pequenas pistas. É uma busca por contextos na qual pequenos detalhes se encaixam e fazem sentido. São pessoas interagindo para extraírem intuições. É uma alteração contínua entre detalhes e explicações com cada ciclo dando e adicionando forma e substância ao outro. (Weick, 1995, p. 133). Falar sobre sensemaking é tratar sobre a realidade enquanto uma realização contínua que toma forma quando as pessoas fazem um sentido retrospectivo das situações nas quais elas encontram a si mesmas e suas criações. Há uma forte qualidade reflexiva neste processo. Pessoas fazem sentido das coisas por enxergarem um mundo no qual elas já impuseram o que acreditam. Em outras palavras, pessoas descobrem suas próprias invenções. É por isso que o sensemaking pode ser compreendido como uma invenção e interpretações compreendidas como descobertas. Estas são ideias complementares. Se sensemaking é entendido como um ato de invenção, então também é possível argumentar que os artefatos que ela produz incluem jogos de linguagem e textos (Weick, 1995, p. 15).

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Sensemaking tem a ver com tanto com autoria quanto com interpretação, criação bem como descoberta. (Weick, 1995, p. 8) Sensemaking organizacional é primeiro e principalmente sobre a questão: como algo se torna um evento para membros de uma organização? Segundo, sensemaking é sobre a pergunta: o que o evento significa? (Weick et al., 2005, p. 410)

O construtivismo é em parte revelado em Weick por sua ênfase no uso de gerúndios se opondo a substantivos (Gioia, 2006) e a não utilização do termo “é” mas ao invés disso fornecer afirmações descritivas sobre algo ou alguém (Weick, 2007). Descrevendo a perspectiva de Weick, Dervin diz: “Não existe tal coisa como organização. Existe apenas o organizar” (Dervin, 2003, p. 116). A questão em ambos os casos é se deslocar do ponto onde se enxerga a realidade como uma coleção de entidades fixas e estáticas (substantivas) para o ponto onde se enxerga a realidade enquanto entidades sempre mutáveis. “É sobre o ‘processo de tornar-se’ ao invés do ‘estado das coisas’ (Gioia, 2006, p. 1711). “Agora quando você pensa em termos de verbos e gerúndios, isso muda a forma que você fala sobre e compreende fenômenos… A conversa muda quando você põe ênfase em verbos e gerúndios. E esta é uma das principais razões de porque, quando você tem um ponto de vista ‘Weickiano’, você não consegue evitar em enxergar as coisas de forma diferente” (Gioia, 2006, p. 1711).

Estas descrições de sensemaking tratam de criação, compartilhamento, interação, atividade cíclica e pessoas engajando-se para criar uma melhor compreensão de seu mundo e seu trabalho. Weick identifica sete características distintas do processo de sensemaking:

  1. Baseado em construção de identidade
  2. Retrospectiva
  3. Ativação de ambientes sensíveis
  4. Social
  5. Continuidade
  6. Focado em e por intuições extraídas
  7. Dirigido por plausibilidade ao invés de precisão (Weick, 1995, p. 17)

Tendo fornecido uma breve visão geral do que é sensemaking, é hora de examinar suas partes constituintes.

The Son of Man, 1946, by Rene Magritte

The Son of Man, 1946, by Rene Magritte

Construção de Identidade

A questão de identidade começa com a icônica questão de Weick: “como posso saber o que penso até que eu veja o que falo (1995)? Nesta afirmação, todos os quatro pronomes são “eu”. Sensemaking começa com o indivíduo e o sentido que o indivíduo faz da situação.2 Esta discussão com o próprio eu é o primeiro passo que então permite que alguém faça sentido com os outros. Sensemaking é um processo complexo pelo qual o indivíduo, através de interação com o eu e o outros, define seu eu. “A armadilha é que o sensemaker é singular e nenhum indivíduo nunca age como um único sensemaker. Ao invés disso, qualquer sensemaker é, nas palavras de Mead (1934), ‘um parlamento de eus’ (Weick, 1995, p. 18). Isso segue a lógica de Pask e a teoria da conversação como descrito na discussão sobre conversação. Isso é conversação com o eu. Da mesma forma citando Knorr-Cetina (1981, p. 10), Weick identifica a compreensão que “o indivíduo é uma construção discursiva tipificada” (Weick, 1995, p. 20). Mesmo quando os indivíduos estão “sozinhos”, eles estão engajando-se porque cada indivíduo é uma coleção de eus. Em outras palavras, nenhum indivíduo é verdadeiramente um sensemaker solitário. Embora isso possa parecer que simplesmente leve à esquizofrenia, “quanto mais eus aos quais eu tenho acesso, maior quantidade de significados eu devo ser capaz de extrair e impôr em qualquer situação” e “menor é a probabilidade que eu me encontre totalmente surpreso” (Weick, 1995, p. 24). “Assim, as identidades especificam relações que são centrais à natureza social do sensemaking entre atores diversos” (Weber & Glynn, 2006, p. 1646). Construção de identidade é sobre como fazer sentido das entidades, indivíduos e organizações na situação sensemaking. Essas identidades são construídas olhando para o que foi dito anteriormente, como a questão inicial implica. Não pode haver sentido antes que a conversação comece. Na terminologia de Weick, este aspecto do sensemaking é a retrospectiva.

The Tree of Monkeys, 1984, Keith Harring

The Tree of Monkeys, 1984, Keith Harring

Retrospectiva

Sensemaking é contínuo e retrospectivo, fazendo sentido do que aconteceu (Gioia, 2006; Weber & Glynn, 2006; Weick, 1995). Não é uma atividade prospectiva. Indivíduos fazem sentido do que as pessoas disseram e fizeram e no entanto não podem fazer sentido sobre o que ainda não foi dito ou feito (o futuro). Sensemaking envolve o desenvolvimento retrospectivo contínuo de imagens plausíveis que racionalizam o que as pessoas estão fazendo” (Weick et al., 2005, p. 409). Em resumo, indivíduos consideram e contemplam as conversações, artefatos e acontecimentos e tentam fazer sentido deles. É o processo de participar disso que ocorreu, olhando a partir do agora para o passado, reconhecendo que é sujeito à falibilidade da memória e pode ser muito enganoso (Weick, 1995). Embora esse processo pareça sem solução, humanos ainda assim são capazes de navegar o mundo apesar da fraqueza da incompletude da habilidade individual de compreender o que aconteceu. Isso leva à necessidade de outras vozes em auxiliar no sensemaking descrito acima. O “quanto mais eus aos quais eu tenho acesso, maior quantidade de significados eu devo ser capaz de extrair e impôr em qualquer situação” e “menor é a probabilidade que eu me encontre totalmente surpreso” (Weick, 1995, p. 24).

Yayoi Kusama, Infinity Mirrored Room, 2010

Yayoi Kusama, Infinity Mirrored Room, 2010

Ativação de ambientes sensíveis

Sensemaking é uma combinação de “ação e cognição juntos” (Weick, 1995). Weick refere-se a isso como “atuação” (enactment). Isso diz respeito ao fato de que indivíduos participem em seu ambiente. Enquanto eles estão criando seu ambiente, eles também estão fazendo sentido dele. Pessoas estão fazendo sentido de ambientes dinâmicos “não algum tipo de ambiente monolítico, singular, fixo que existe destacado de e externo à essas pessoas” (Weick, 1995, p. 31). O indivíduo é parte do ambiente através do processo de co-construção dele com outros sensemakers. É por isso que sensemaking não é apenas interpretação. Interpretação é sobre ler um “texto”. Sensemaking envolve não apenas compreensão do texto mas também sua criação. Atuação é a insistência teimosa de que as pessoas agem de modo a desenvolver um sentido do que deveriam fazer a seguir. Atuação é sobre duas questões: qual é a história? E agora? Quando as pessoas agem a fim de responder estas questões, a sua atuação tipicamente codetermina a resposta (Weick, 2003). Sensemaking não é simplesmente interpretação porque ela também inclui “as formas que as pessoas geram o que interpretam” (Weick, 1995, p. 13). O sensemaker cria o ambiente e o ambiente cria o sensemaker. A partir desta perspectiva, indivíduos nunca podem ser completamente neutros ou objetivos sobre si mesmos ou sobre seu processo de sensemaking. “Se isto é oscilação ontológica, que seja. Parece funcionar.” (Weick, 1995).

'The Girl frisking a Soldier', by Banksy

‘The Girl frisking a Soldier’, by Banksy

Social

Sensemaking é “tanto uma atividade individual e social” e não é claro se estas são separáveis porque esta atividade é uma “tensão durável na condição humana” (Weick, 1995, p. 6). É um processo individual e coletivo ao mesmo tempo. Sensemaking reconhece que “o contexto social é crucial… porque ele vincula as pessoas às ações que elas então terão que justificar, afeta a saliência da informação, e provê normas e expectativas que limitam as explicações” (Weick, 1995, p. 53). Como Weick diz, “sentido pode estar nos olhos de quem vê, mas quem vê vota e a maioria governa” (Weick, 1995, p. 6). “O que é especialmente interessante é que ela tenta fazer sentido de como outras pessoas fazem sentido das coisas, uma determinação complexa do que é rotina numa vida organizacional” (Weick et al., 2005, p. 413). Isso se trata essencialmente de sistemas cibernéticos de segunda-ordem como descritos por Pask, sistemas que observam sistemas (Pask, 1975a, 1975b, 1976). Isso é o indivíduo conversando com o eu sobre a conversação com outros. Em todo caso, a conversação é ao menos diádica porque dois ou mais lados estão envolvidos. A partir desta perspectiva, sensemaking é mais significante (em oposição a Dervin) para o contexto organizacional que afeta o processo de sensemaking na biblioteca. A organização ou biblioteca afeta o sensemaking porque: “(1) instituições primam pelo sensemaking por proverem pistas sociais; (2) instituições editam o sensemaking através de processos de feedback social; (3) instituições engatilham sensemaking, colocando mosaicos para sensemaking através de contradição e ambivalência endógena” (Weber & Glynn, 2006, p. 1648). Porque bibliotecas consistem de indivíduos que estão constantemente criando novos “sentidos” de suas situações, o processo como um todo é contínuo. Isso acontece no contexto da biblioteca entre sua equipe, membros e outras partes interessadas.

Espiral de Aloe Vera

Espiral de Aloe Vera

Continuidade

“O sensemaking nunca começa. O motivo pelo qual ele nunca começa é que a pura duração nunca termina” (Weick, 2006, p. 43). O sensemaker pode apenas viver o aqui e o agora. Para o sensemaker, o “agora” nunca começou realmente, e contanto que haja consciência, ele nunca termina. Alguém está sempre no processo de criação de sentido. A partir deste ponto de vista, sensemaking não possui pretérito. Pessoas estavam criando sentido, estão criando sentido e estarão criando sentido mas nunca totalmente criaram sentido de algo. Sensemaking é claramente sobre uma atividade ou um processo…” e não apenas uma consequência (Weick, 1995, p. 13). Enquanto as pessoas estão fazendo sentido, há sempre novos estímulos que afetam o processo e o sentido. “O contraste entre a descoberta e a invenção está implícito na palavra sentido. Sentir algo soa como um ato de descoberta. Mas para se sentir algo, deve haver algo lá para criar a sensação. E o sensemaking sugere a construção daquilo que então se torna sensível” (Weick, 1995, p. 14). Embora a vida providencie o estímulo para sensemaking, o motivo pelo qual o sentido deve ser criado é porque há uma lacuna, um problema ou uma dissonância cognitiva contínua. Como Weick diz, “meu único contato com o real parece ter sido a minha dissertação em 1961 sobre dissonância cognitiva” (Weick, 2006, p. 1734). Isto é, “a interrupção, o inconsistente, o inexplicável”, que faz com que alguém tenha que fazer sentido da situação (Weick, 2006, p. 1734). Uma vez que esta dissonância é um evento recorrente, ela leva à “interação recíproca de busca da informação, atribuição de significado e ação” (Thomas, Clark, & Gioia, 1993, p. 240). Problemas são “construídos a partir dos materiais da situação problemática, que são intrigantes, perturbadoras e incertas” (Weick, 1995, p. 9). Para o sensemaker resolver a dissonância ou situação problemática, ele ou ela irá buscar por dicas no contexto ambiental como parte do processo de sensemaking. Este é um processo contínuo pois os problemas estarão sempre presentes contanto que haja movimento através do tempo e espaço.

Focado em e por intuições extraídas

Quando o sensemaking é aplicado, é essencial olhar não apenas ao ato de decisão por si só mas às circunstâncias ou contexto que resultaram nesta ação. Compreender as circunstâncias do contexto nos leva a perguntar “como” a situação se deu ao invés de “por que” uma decisão foi tomada (Weick et al., 2005). Isso irá ajudar a identificar as dicas que informaram o processo de sensemaking. O contexto não fornece não apenas as sugestões, mas contém os padrões de uso das sugestões. A cultura organizacional pode enfatizar certas fontes para sugestões e ignorar outras. Deste modo, a organização diz ao sensemaker onde procurar por sugestões. Em termos de Wenger, as fontes de localização de sugestões são o resultado de reificação uma vez que padrões são construídos através de participação. Para colocar de outro modo, “o contexto social é crucial para o sensemaking porque ele vincula a pessoas que elas então devem justificar, que limita explicações (Weick, 1995, p. 53). O contexto nos ajuda a determinar onde as pessoas estão direcionando o foco de suas intenções, onde as sugestões estão vindo. Na biblioteca, essas sugestões são criadas através de esquemas de classificação, notação, metadados, catálogos e todos os outros meios que as bibliotecas usam para guiar, direcionar e instruir seus usuários.

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“Intuição é a arte, peculiar à mente humana, de buscar pela resposta correta a partir de dados que são, por si sós, incompletos ou até mesmo, talvez, errôneos”.

Plausibilidade ao invés de precisão

Quando olhamos para o processo de sensemaking extraído a partir de sugestões, devemos relembrar que “sensemaking é dirigido por plausibilidade ao invés de precisão” (Bansler & Havn, 2006, p. 61). A precisão é secundária à plausibilidade por vários motivos. Primeiro, as pessoas estão constantemente filtrando as sugestões que afetam sua tomada de decisão. Segundo, pessoas tendem a ligar sugestões atuais com sugestões anteriores e construir sentido presente em sentido feito no passado. Terceiro, pessoas geralmente não disponibilizam do tempo necessário para rigor antes de agirem. O sentido delas precisa apenas ser bom o suficiente para o próximo passo. Finalmente, a precisão é mais relevante para curtas durações e para questões específicas do que para circunstâncias globais (Weick, 1995). Resumindo, a explicação do processo de sensemaking deve “fazer sentido” não necessariamente “ser preciso”.

Sensemaking se trata de narrativas que são socialmente aceitáveis e críveis… Seria ótimo se essas narrativas sociais também fossem precisas. Mas em um mundo pós-moderno e equívoco, imerso em políticas de interpretação e conflito de interesses e habitado por pessoas com identidades múltiplas e variantes, uma obsessão por precisão parece infrutífera e também não muito prática. (Weick, 1995, p. 61).

Enquanto em processo de sensemaking, as pessoas “lêem nas coisas os significados que gostariam de ver; eles coletam objetos, expressões, ações e daí em diante com significado subjetivo o que as ajuda a fazer com que seu mundo seja inteligível para si mesmos” (Frost & Morgan, 1983). Quando em processo de sensemaking as pessoas não estão se esforçando para ter precisão mas ao invés disso por plausibilidade e sentido. Se parece plausível e é suficiente para fornecer o significado necessário para seguir adiante, isto é preciso o suficiente para que a pessoa aja. Se esta é ou não a “ação correta” trata-se de uma outra questão. Isto foi visto no incêndio de Mann Gulch. Um plano de fuga fez sentido para a maioria dos bombeiros. Embora o plano para fuga tenha feito sentido para eles, ele não era preciso e os levou à morte. O plano preciso não fez sentido. Este é um exemplo principal de indivíduos agindo a partir da sensibilidade, do que faz sentido, ao invés de precisão (Weick, 1993). Então, quando estamos tentando entender o que aconteceu, precisamos considerar o que foi plausível aos sensemakers mesmo se o sentido deles era ou for impreciso.

Resumo

Sensemaking nas organizações e bibliotecas é um processo contínuo que nunca se inicia e nem se finaliza, contanto que a organização continue a existir. “Primeiro, o sensemaking ocorre quando um fluxo de circunstâncias organizacionais se torna em palavras e categorias salientes. Segundo, organizar-se está incorporado em textos escritos e falados. Terceiro, ler, escrever, conversar e editar são ações cruciais que servem como meio através do qual a mão invisível das instituições forma a conduta…” (Weick et al., 2005, p. 409).

Através deste processo de sensemaking, decisões são feitas levando ao comportamento. No entanto, sensemaking e tomada de decisão não são a mesma coisa. A diferença entre tomada de decisão e sensemaking é que “o primeiro nos leva a culpar os mau atores que fizeram más escolhas enquanto o último ao invés disso se foca em boas pessoas lutando para fazer sentido de uma situação complexa” (Eisenberg, 2006, p. 1699). O objetivo da biblioteca então deveria ser ajudar as pessoas a fazerem sentido das fontes que a biblioteca possui, sejam essas fontes humanas, digitais ou artefatuais. Este é um processo contínuo que nunca cessa e requer conversação entre todos os atores envolvidos com a biblioteca. Requer que os bibliotecários adotem essa dinâmica, processo de conversação e compreender que a biblioteconomia trata sobre facilitação de sensemaking e não sobre atingir um estado estático onde todo idem finalmente tem “a etiqueta correta” e está “no lugar correto”.

Notas

  1. Como os termos da terminologia de Dervin e Weick são muito próximos, “Sense-Making” será usado quando se refere ao conceito de Dervin e “sensemaking” será usado com referência ao conceito de Weick. Isso segue as convenções de cada autor.
  2. Enquanto isso é paralelo à ideia de Dervin, Weick não relaciona isso ao trabalho dela. Enquanto o leitor pode observar similaridade entre Sense Making e sensemaking, esta discussão não buscará esta linha de raciocínio uma vez que Dervin e Weick mesmos não a buscam.

Artefatos Relacionados

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