Mestrado acadêmico

A última vez que eu tinha tentado mestrado foi em 2011 e foi um tanto quanto traumatizante pra mim. Foi assim porque eu queria muito passar e eu estava certa – e as pessoas à minha volta estavam certas – da minha aprovação. Foi devastador, mas tive que engolir e digerir o tal do orgulho ferido e simplesmente seguir em frente. E fiz isso porque, enfim, não havia outra coisa a ser feita no momento. Hoje resolvi parar pra tentar lembrar do zeitgeist da minha vida naquela época – há cinco anos atrás – e realmente, foi um ano bastante conturbado pra mim, em vários sentidos. Estava saindo de um relacionamento falido e indo ao encontro de um futuro incerto com muito, muito medo mesmo, sem saber o que estava por vir direito. Depois de um ano emocionalmente inviável, na época da prova eu estava completamente vulnerável. E aí deu no que deu, né? Fiquei no medo, na defensiva e não passei, óbvio.

Tive que tomar decisões difíceis no final de 2011, tais como desistir do mestrado em que havia sido aprovada e vir para São Paulo sem nenhuma perspectiva de absolutamente nada. Fiquei tão constrangida com a situação toda que tentei me convencer depois de que talvez o mestrado não fosse pra mim, mesmo, que era melhor eu trabalhar e seria isso. Vim pra cá pra trabalhar, trabalhei sempre na minha área e com o que mais gostava – organização e gestão da informação – e dois anos depois de formada fiz uma especialização. Queria voltar a fazer pesquisa, não tinha coragem ainda pra aceitar ser reprovada no mestrado de novo, mas achava que precisava de uma titulação melhor. Foi uma alternativa razoável, para o momento. Além disso tudo também tive que saber ponderar e filtrar tudo o que me diziam – que é a parte mais difícil de todas. “Faça pós em outra área”, “faça pós fora do país”, “mestrado é perda de tempo, faça só cursos”, etc. Tive que analisar tudo em seu devido contexto e também separadamente.

E a ideia de tentar mestrado continuava me assombrando, me assombrou por cinco anos na verdade. Esse é o tipo de coisa das quais ouvimos um certo tipo de chamado e não conseguimos ignorar. Foi assim antes na graduação em biblioteconomia e foi assim agora, também. Como tinha recém terminado a especialização no final de 2015 pensei comigo mesma “agora quero descansar por uns 2 anos, vou só trabalhar e depois penso em mestrado”. Nesse meio tempo também abriu o mestrado profissional, mas eu queria o acadêmico, mesmo, desde sempre e não mudei muito de ideia em relação a isso. E neste ano foi só chegar o mês de setembro que lá estava eu lendo o edital e considerando tentar o mestrado acadêmico novamente. Ia fazer pra testar, pra perder o medo da prova e de escrever… Enfim, já contava com a minha reprovação desta vez.

Conversei com alguns amigos sobre o projeto e me vi tendo que fazer alguns vários reajustes e aceitar algumas coisas. Duas mudanças pra mim foram as mais drásticas: mudar a linha de pesquisa e a orientadora, que era algo que eu tinha quase que completamente idealizado na minha cabeça e tive que flexibilizar um pouco mais. Eu realmente acreditava que o meu projeto só se encaixava na linha de pesquisa de Organização da Informação e só aceitaria ser orientada pela professora que eu queria… E as coisas não funcionam bem assim, desse jeito. Na verdade flexibilização foi meio que palavra de ordem, pra quase tudo: o meu projeto também mudou bastante e basicamente estava menos “fechado” e com várias lacunas a mais, cheio de “fios soltos”, com espaço para dúvidas e re-interpretação, apesar de bem estruturado. Depois de tê-lo terminado eu lia e não conseguia achá-lo bom de verdade, apenas razoável. Percebi também que estava completamente enferrujada com a escrita acadêmica, but oh well… Lá se foram cinco anos, não? Anyway. 

Me inscrevi e lá se foi meu projeto. Esperei muito ansiosamente pelo dia da prova e estava com muito medo de que o tema fosse tão espinhoso quanto tinha sido em 2011. Só que este ano não foi tanto, o enunciado foi uma frase do Canclini, bem de humanas, nada espinhosa e que me permitiu escrever sem maiores problemas de acordo com a bibliografia que tinha sido passada. Inclusive na bibliografia um dos textos que li, felizmente, era excepcionalmente bom e completo (e muitíssimo bem escrito) e foi nele mesmo que me baseei para fazer a prova. Saí da prova sem sentir nada, também, nem que fui bem, nem que fui mal. Só sabia que tinha feito o meu melhor naquele momento. E confesso que até me emocionei um pouquinho com pelo menos uma das coisas (totalmente piegas e bem clichês) que escrevi na prova. Não acreditei quando vi que passei na prova, fiquei um pouco em choque, mas imaginei que a entrevista seria mais sossegada. E foi mesmo… Sequer me recordo de qualquer momento estranho da entrevista e tenho a impressão – talvez ilusória – que ouvi mais elogios que o contrário sobre meu projeto. Terminou, desci pra fumar um cigarro e fui embora. Fiz ainda a prova de proficiência em inglês (risos) porque o diploma que eu tenho é muito antigo e não aceitariam. Enfim…

O resultado saiu no último dia 20/12, eu fui aprovada e ainda não sei o que fazer com essa informação. A ficha ainda não caiu direito por aqui. Talvez caia no dia da matrícula ou na aula inaugural. Às vezes fico com a impressão de que “demorei demais” pra tentar o mestrado de novo, que estou fazendo ele muito velha… Ou ainda, que tive que lower my standards tanto no projeto quanto na prova, como se eu não fosse boa o suficiente, quando na verdade não se trata de nada disso. Também me assombra a questão de conciliar trabalho e vida acadêmica e de saber priorizar as coisas. E de lembrar que eu terei, novamente, de abrir mão de algumas coisas para conseguir outras. Enfim, achei que ia ser um mar de rosas simplesmente ter sido aprovada, mas a verdade é que isso só me tirou da minha zona de conforto e me fez questionar ainda mais pesadamente uma série de outras coisas que volta e meia eu me pego pensando. Acredito que essa sensação e esse sentimento vão perdurar por pelo menos uns dois anos, agora. Bom, que venham e que assim seja.

 

  1. Oi Dora!

    Boa sorte na empreitada, viu? Eu quase pirei em conciliar emprego e mestrado – e olha que quando arrumei emprego como bibliotecária eu já havia terminado os créditos de disciplina!
    Estarei acompanhando sua caminhada por aqui, e se quiser bater um papo (epistemológico ou não, rsrs), pode chamar! Ah, e vai fazer onde? Eu fiz no IBICT

    Um abraço grande!

    • Dora

      Oi Paulla! Obrigada. Também sei que é difícil conciliar as coisas, mas fiz uma pós latu-sensu em 2014-2015 – também enquanto trabalhava – e tenho ideia do que me espera. É difícil, mas é recompensador. Vou fazer na USP mesmo, em Ciência da Informação também. Abraços!

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