Peraí: o que eu faço é UX Writing?

De uns tempos pra cá, tenho ficado um pouco confusa em relação a isso

Comecei a ouvir o termo no início de 2019, não me lembro exatamente onde.

Em maio deste ano entrei num grupo de whatsapp de UX Writers, que hoje tem quase 300 pessoas de todo o Brasil. Conheço poucas pessoas que trabalham diretamente com esta especialidade – consigo contar nos dedos de uma mão – mas a verdade é que a tendência do mercado em UX é a de especialização mesmo. Em um post que traduzi sobre os três tipos de profissionais de UX, poderíamos então incluir hoje em dia um quarto: os redatores, ou seja, os UX Writers.

Fiz uma rápida pesquisa no Google Trends com os termos “UX Writing” e “UX Writer” só pra ver quando exatamente eles começaram a ser mais pesquisados aqui no Brasil e de fato: é bastante recente, só passando a atingir seu máximo mesmo no final de 2018-2 e início de 2019-1 até os dias de hoje: 

Brasil. 01/01/2016 – 21/09/2019. Pesquisa Google na Web.

O tema me interessa porque embora eu não trabalhe especificamente com copywriting ou com escrita criativa, escrevo academicamente há pelo menos 10 anos e em meus últimos 2 trabalhos, realizar pesquisa de terminologia e nomenclatura em equipes de UX era parte da minha rotina diária. O design da informação – que costumavam chamar de arquitetura da informação há um tempo atrás – é a parte macro do meu trabalho e padronização e normalização de termos e palavras-chave também eram parte das minhas habilidades.

Isso não é UX Writing, mas é quase

Tinha consciência que, embora se aproximasse um tanto, meu trabalho ainda não era exatamente UX Writing. Mas também não estava distante disso: tudo o que eu precisava aparentemente era de: foco, redefinição de contexto e de um leve redirecionamento das habilidades que eu já tenho.

Desde que entrei no grupo do whatsapp, tem pipocado eventos da área e nunca consigo ir ou porque estão sempre lotados ou porque ocorre algum imprevisto (sem falar que o semestre de 2019-1 foi bem corrido pra mim e tive pouco tempo de me dedicar a outros interesses enquanto finalizava o mestrado). De maio pra cá, também vi inúmeros cursos e workshops de curta duração rolando em São Paulo e no Rio de Janeiro – inclusive tem o UX Writing: escrevendo experiências com a Ariana Dias no Belas Artes que quero muito fazer em algum momento, para aprender mais sobre o assunto.

No momento, como tenho me preparado para entrevistas, por hora fiz uma lista com 12 textos que tratam sobre o tema UX Writing/UX Writers. Como ainda não conheço quem é quem na área, fazer essa pesquisa breve me ajudou de início. Todos são escritos em português e por gente que trabalha na área (acho que vou deixar pra pesquisar artigos gringos quando estiver mais familiarizada com o tema):

  1. 01 dez 2017 – Mercedes Sanchez – Sua Majestade, o conteúdo, e seu fiel escudeiro, o UX Writer
  2. 22 jan 2018 – Bruno Canato – O que os UXers esperam de copy
  3. 27 jul 2018 – Iago Drumond – O que é UX Writing? (tradução)
  4. 23 out 2018 – Mariana Lorente – Uma semana na vida de uma UX Writer
  5. 28 jan 2019 – Mariane Lorente – UX Writing: o que é e por onde começar
  6. 04 fev 2019 – Helora Dana – UX Writing & Microcopy: Traduções de termos nas interfaces
  7. 05 fev 2019 – Verônica Antunes – Precisamos falar sobre UX Writing
  8. 19 mar 2019 – Mariane Lorente – Por que UX Writing é (só um pouco) diferente de writing e copywriting
  9. 18 mai 2019 – Suzana Ribeiro – Quero ser UX Writer!
  10. 03 jul 2019 – Anna Cecilia – UX Writer, Redator Publicitário e Redator Web: Entenda o que faz cada tipo de redator
  11. 22 ago 2019 – Elisa Nunes – “Como devo nomear aquele botão?” Faça sua página e seu produto converterem mais com UX writing
  12. 16 set 2019 – Josiane Portela – O que é UX Writing: conteúdo com real foco no usuário

Com esses textos pude aprender por cima do que se trata UX Writing, que é uma escrita de navegação, prezando pela funcionalidade do texto – a criatividade, embora também faça parte, está em segundo plano. As ferramentas de trabalho de Guia de Escrita (devo pesquisar mais sobre isso depois) e Fluxograma devem ajudar muito nesse processo de estruturação e concepção da escrita de uma interação. Entre as habilidades necessárias, nenhuma me é estranha: storytelling, metodologias de pesquisa e hierarquização de informações.

De todos esses textos que li, me identifiquei fortemente com as citações abaixo:

“(UX Writing) tem muito em comum com a poesia: sua linguagem concentrada”.

“A escrita precisa ser inclusiva, para que não aliene qualquer audiência potencial”.

(O que é UX Writing?, Iago Drumond)

“Não existe “lorem ipsum” em nenhuma etapa do processo de design”.

(UX Writing: o que é e por onde começar, Mariana Lorente)

Saraiva Online: Taxonomia para Papelaria

  • Desafio: Reestruturação da taxonomia da categoria de Papelaria da Saraiva Online (categorias, subcategorias, filtros e fichas de produto); 
  • Solução: Mapeamento de sortimento, pesquisa de sortimento, benchmarking de categoria (nomenclatura e organização) e card sorting;
  • Como ajudei: Realizei a estruturação de todas as informações coletadas a partir dos métodos utilizados e criei uma nova estrutura.

Problema

  • Mapeamento e Pesquisa de sortimento: Comercial (Elisabete) Árvore Mercadológica; Páginas Volta às Aulas (Fe Vidal) e Cadastro Metadados SIS 1 e 2;
  • Categorias: total de 48 categorias, entre produtos e conceitos misturados; Taxonomia desnecessariamente inflacionada;
  • Subcategorias e Filtros: precisam ser revisados e também é necessário o saneamento dos nomes dos tipos de produto.

Proposta

Benchmarking de Categoria – 12 Players – Nomenclatura e Organização

Pesquisa de Cardsorting

Processo

Pesquisa de Categorização – Diferenciação entre Conceitos e Tipos de Produto

Conceitos: Através da pesquisa de benchmarking, foi realizada pesquisa de análise de conteúdo na concorrência e planilhada a frequência de termos de categorias, utilizados posteriormente em nosso estudo.

Tipos de Produtos: Alguns Tipos de Produtos que eram 2 produtos em 1, foram separados. A nomenclatura de produtos, inicialmente, será realizada de acordo com a frequência de uso no mercado online e também de acordo com métricas de SEO.

Recomendação

Estudo de Categorização: 10 Categorias

Resultado

Em 2018, Aprovado pela equipe do comercial de papelaria, sendo posteriormente aprovado pela gerente de UX, feitas as alterações necessárias.

Na metade de 2018, o Marketplace começou a operar na companhia e pequenos reajustes foram realizados. 

A execução até o momento depende da companhia e de mudanças na estratégia de negócio, com a mudança de plataforma de Magento para VTex. 

Saraiva Online: Serviço de Atendimento ao Cliente

  • Desafio: Melhoria na estruturação das categorias do SAC da Saraiva Online; 
  • Solução: Pesquisa de Benchmarking em relação aos termos e categorias utilizados pelos SACs da concorrência;
  • Como ajudei: Realizei um mapeamento quantitativo e de frequência dos termos utilizados e verifiquei sua aplicabilidade;

Problema

  • Quais os termos mais frequentes nas categorias de SAC online?
  • O que pode ser considerado indispensável para compor um SAC online satisfatório?
  • Quais tipos de informações geralmente costumam ser mais ausentes para possíveis clientes?

Proposta

  • Foram analisadas as nomenclaturas de 12 lojas de comércio eletrônico referente ao SAC online enquanto título em: páginas iniciais, nas próprias páginas de Atendimento e na categorização de perguntas (caso houvessem).
  • A categorização das perguntas que compõem o FAQ do SAC foi analisada em relação às palavras mais frequentemente utilizadas, conceituando-as.

Processo

  • Nomenclatura do Título

Nesta primeira parte da pesquisa, foram analisadas as nomenclatura de quatro itens: páginas iniciais, páginas de SAC e categorias-atalho e categorização de perguntas (caso houvessem):

  • Nomenclatura de categorias

A partir da análise de frequência foi possível encontrar 14 tipos de categorias e para uma melhor análise elas foram separadas em 2 grupos distintos: mais frequentes e menos frequentes. A tabela a seguir ilustra as categorias identificadas e de que modo elas tendem a relacionar-se entre si:

Na apresentação e no artigo escrito para a pesquisa, foi realizada a descrição de cada uma das categorias e definições;

Recomendação

  • Pontos Positivos
  • Foi encontrado com certa frequência a categorização e o agrupamento de tópicos pertinentes para os clientes em geral;  
  • A boa margem de padronização dos termos: metade das categorias tratam-se de termos convencionados pelo mercado;
  • Um bom case seria o Atendimento diferenciado para clientes comuns e para clientes (vendedores) de Marketplace e este caso foi encontrado durante a pesquisa;
  • A pequena margem de utilização da categoria “Outros Tópicos”: nem sempre é possível excluir o uso completamente, mas vale a pena a tentativa;
  • A utilização de Redirects (redirecionamentos) entre categorias relacionadas. É uma solução simples, mas que pode auxiliar, e muito, a navegação.
  • Pontos a Desenvolver
  • Níveis de categorização: não devem passar de 2 ou no máximo 3, com o risco do cliente se perder em meio às perguntas. A categorização precisa ser concisa;
  • Deixar claro, sempre que possível, todos os canais de atendimento disponíveis: chat online, e-mail, telefone, televendas, lojas físicas; Durante a análise os Canais de Atendimento eram vistos muitas vezes apenas como um detalhe;
  • Marketplace: deve ficar mais claro para o cliente o que isso significa e o que implica na logística do pedido e em sua entrega;
  • Código de Defesa do Consumidor: já que é atendimento ao cliente, porque não disponibilizar estas informações?
  • Nota Fiscal Eletrônica: informações sobre NFe e sobre DANFE, que já previnem que o cliente busque em outras fontes.
Menu de Categorias da Central de Atendimento da Saraiva (Fevereiro/2019)

Resultado

  • Em algumas categorias existe a possibilidade de agrupamento como é o caso de “Produtos e Serviços” ou ainda “Institucional e Canais de Atendimento”;
  • Alguma categorias carregam diferenças conceituais que muitas vezes não são muito consideradas por nenhum e-commerce como por exemplo a diferença conceitual entre “Pedido” e “Entrega”; “Pedidos” refere-se ao site, ao digital, ao abstrato, ao rastreamento, quando o cliente ainda está ou navegando ou ainda está para receber o item comprado. Já o conceito de “Entrega” refere-se à logística, ao recebimento, ao produto físico, materializado, recebido e ao pós-venda;
  • Ainda referente ao melhor entendimento de conceitos, a categoria “Fabricantes” nos dá pistas sobre regras de negócio e indícios de novos modelos de negócio como por exemplo o Marketplace.

A intenção realmente não foi a de realizar uma proposta de categorização para SACs, mas de simplesmente verificar essa extração de informações e analisá-la como um espelhamento do que pode ser visto e encontrado em lojas de e-commerce no Brasil atualmente, provocando assim algumas reflexões e inferências.

Sensemaking e Taxonomia

  • Desafio: compreender o digital (taxonomia online) a partir de conhecimentos do mundo físico.
  • Solução: cursar biblioteconomia ao mesmo tempo em que desenvolvia um mindset digital.
  • Como ajudei: trabalho de conclusão de curso (2011) e escrevi 1 artigos (2015) e 1 capítulo de livro (2016) sobre o tema.

Problema

  • Sempre quis trabalhar com livros, mas principalmente com organização;
  • Sempre quis trabalhar com organização, mas também com tecnologia;
  • Sempre quis trabalhar com tecnologia, mas também com gente;
  • O problema: trabalhar com todas essas coisas e fazê-las trabalhar para um bem comum;

Proposta

  • Criei o blog, pesquisei, traduzi e escrevi sobre biblioteconomia desde 2008;
  • Dentro da área, me especializei em estudos sobre Linguagens Documentárias, Catálogo, Pesquisa Temática, Serviço de Referência e Informação, Listas, Índices;
  • Em disciplinas de pós-graduação, estudei sobre metadados e Organização da Informação e do Conhecimento;
  • Duas coisas que aprendi na graduação em biblioteconomia ainda se mantém para mim: o conceito de organização em bibliotecas físicas e as 5 Leis de Ranganathan; Ambos conhecimentos são relacionados a sistemas de organização e independem de suporte;

Minha compreensão do conceito de organização em biblioteconomia:

Conceitos e ferramentas de organização de itens físicos na biblioteconomia clássica.
  • As 5 Leis de Ranganathan e Eu
  1. Os livros são para serem usados
  2. Todo leitor tem seu livro
  3. Todo livro tem seu leitor
  4. Poupe o tempo do leitor
  5. Uma biblioteca é um organismo em crescimento
  1. Os conteúdos existem para serem compartilhados
  2. Todas as pessoas produzem conteúdo
  3. Todo conteúdo tem seu nicho
  4. Ninguém tem tempo a perder
  5. Too much information society

Processo

  • Liguei os pontos: 4 anos de pesquisa, 2 anos trabalhando como bibliotecária e 4 anos como pesquisadora em UX e taxonomista para e-commerce;
  • Trabalho na área de UX, sempre em conjunto com áreas como: catálogo, qualidade e SEO;
  • Título do Produto: Termos e Expressões
Os termos e expressões importam, tanto em SEO quanto em Taxonomia.
  • Departamentos e Categorias: Estantes
  • Subcategorias, Filtros e Seletores: Prateleiras, Livros, Páginas

  • Desafios: Contexto e Ambiguidade
Cafeteira, forno, grelha e talvez toque música também. Onde alocar?
O Ornitorrinco: a última piada de Deus.

Toda biblioteca, bem como todo sistema de organização, tem seu ornitorrinco. Em ambiente digital de varejo, não seria (não é) diferente.

Recomendação

Existem várias diferenças, a longo prazo, em se ter um profissional ou uma equipe de taxonomia ou de gestão de conteúdo, disponível trabalhando com a organização da informação:

  • Sem Taxonomia
  • Curto Prazo/Triagem
  • Não Qualificado
  • Modo ad hoc
  • Não Estruturado
  • Sem Especialistas
  • Nenhuma Responsabilidade

  • Com Taxonomia
  • Longo Prazo/Planejadas
  • Voltado para Informação
  • Estratégicas/Pensadas
  • Estruturadas
  • Taxonomistas Experientes
  • Responsabilidade Centralizada

  • Metodologia
  • Pesquisa, card sorting, benchmarking;
  • Impacta em: categorias (grupos de produtos fixos), prateleiras (coleções, sazonais, search), facetas (filtros e seletores) – modularidade;
  • Relações entre pessoas! – catálogo, SEO, UX, BI;
  • Atenção a normas e padronizações internacionais: GS1, GPC;

Resultado

  • Hard skills:
  • Pesquisa em User Experience
  • Arquitetura da Informação
  • Planejamento Estratégico
  • Negociação e Diplomacia
  • Soft skills:
  • Aprendizagem contínua;
  • Mudança de mentalidade de strictu para lato sensu;
  • O foco continua sendo no usuário, mas em sua experiência;
  • Os itens ou livros se tornaram estruturas de informações;
  • Os papéis ou conteúdo tornaram-se árvores de links;

Walmart Brasil: Tradução e Adaptação de Taxonomia

  • Desafio: verificar a viabilização de tradução da estrutura de taxonomia do Walmart dos EUA para o Walmart Brasil;
  • Solução: criar uma Proof of Concept e uma metodologia para testar e exemplificar e a complexidade do projeto de tradução;
  • Como ajudei: realizei testes de tradução e apresentei etapas do projeto realizados com o segmento de “Roupas, Sapatos e Acessórios”.

Problema

A estrutura de taxonomia do WM-EUA estava em transição do Product Categorization Service (PCS) para um sistema mais robusto chamado Iron Bank, que atenderia vários stakeholders ao mesmo tempo, com uma pegada mais omnichannel. A intenção era nos basearmos primeiramente nos segmentos já estruturados no PCS, uma vez que Iron Bank se utilizaria dos mesmos dados.

Proposta

Foi realizado o mapeamento do PCS e o dimensionamento da base, quantificando Segmentos, Tipos de Produtos, Atributos e Valores:

  • Segmentos: 26
  • Tipos de Produtos: 6.149 (237 TPs por segmento, em média)
  • Atributos: 9.062
  • Valores de Atributos: 35.027
  • Etapas de Implementação
  • Seleção dos Tipos de Produtos relevantes para o Walmart Brasil;
  • Tradução de todos os Tipos de Produtos selecionados do Segmento de
    “Roupas, Sapatos e Acessórios”;
  • Tradução dos Atributos e dos Valores dos TPs selecionados;

Processo: Proof of Concept

  • Segmento: Roupas, Sapatos e Acessórios, com 190 Tipos de Produtos;
  • Foram verificados problemas com ambigüidade e também de contexto, como seguem nos exemplos abaixo:
Problema de contexto de tradução de Tipos de Produtos brasileiros e Americanos;
Problema de ambiguidade e contexto de tradução de Tipos de Produtos;
Valores: Público, Faixa Etária e Tamanho, que por muitas vezes se confundem, causando ambigüidade;
  • Foi realizado De/Para (De TPs Traduzidos / Para Produtos existentes no WM-BR);
  • Foram traduzidos e adaptados apenas os Atributos dos produtos selecionados;
  • Foi verificado que, assim como os TPs, a tradução de Atributos e Valores também encontram problemas como ambigüidade e falta de contexto com a tradução automática;
  • Existiram alguns exemplos de discussão em Valores no quesito certificações principalmente, que existem nos EUA mas não no BR: Child Safety Certifications; Fair Trade Claim; GOTS Certification; Organic Certification;

Recomendações

  • Criar backlog: de produtos que são relevantes no BR e não existem ou não tem termos na estrutura dos EUA  (ex.: Sungas / Bermudas); produtos que são relevantes nos EUA e não são no BR (ex: Ponchos, produtos relativos a esportes na neve, etc);

Resultado

Alguns questionamentos foram levantados:

  • Quando haverá separação entre navegação e catálogo na taxonomia?
  • Por quais stakeholders as fichas serão utilizadas (Stargate, Catálogo, Outros…)?
  • Quais os atributos considerados obrigatórios pelo WM-EUA?
  • Como Filtros e Seletores farão parte da ficha e da navegação?

O projeto foi implementado parcialmente, tendo sido adaptado para o português apenas o seguimento de Moda – Roupas, Sapatos e Acessórios.

Por que você deveria se cercar com mais livros que jamais terá tempo pra ler

Prateleiras (ou e-readers) inflacionados indicam coisas boas sobre a sua mente

Por Jessica Stillman, para a Inc.com

Uma vida inteira de aprendizagem vai te ajudar a ser mais feliz, ganhar mais e até mesmo se manter mais saudável, dizem os especialistas. Além disso, muitos dos nomes mais inteligentes do mundo dos negócios, desde Bill Gates até Elon Musk, insistem que a melhor forma de ficar mais inteligente é lendo. Então o que você faz? Você vai lá e compra livros, vários deles.

Mas a vida é ocupada e intenções são uma coisa, ações, outra. Logo você percebe que suas estantes (ou seu e-reader) estão transbordando de títulos que você pretende ler um dia, ou livros que você deu uma lida uma vez mas então os abandonou. Seria isso um desastre com o seu projeto de se tornar uma pessoa mais inteligente e sábia?

Se você nunca conseguiu ler nenhum livro de fato, então sim. Você pode querer ler sobre truques para colocar mais leitura na sua vida frenética e porque vale a pena comprometer algumas horas por semana a um aprendizado. Mas se simplesmente a sua ação de ler livros não acompanha de nenhum modo a sua ação de comprá-los, tenho boas notícias pra você (e para mim, pois eu definitivamente me encaixo nessa categoria): sua biblioteca inflacionada não é um sinal de fracasso ou ignorância, é uma medalha de honra.

Por que você precisa de uma “antibiblioteca”

Esse é o argumento que o autor e estatístico Nassim Nicholas Taleb faz em seu bestseller A lógica do Cisne Negro. O blog eternamente fascinante Brain Pickings garimpou e sublinhou a seção em um post particularmente adorável. Taleb inicia suas reflexões com uma piada sobre a lendária biblioteca do escritor italiano Umberto Eco, que continha um impressionante total de 30 mil volumes.

Eco realmente leu todos esses livros? Claro que não, mas esse não era o objetivo de cercar-se com tanto conhecimento potencial mas até então nãorealizado. Por ter um constante lembrete de todas as coisas que ele não sabia, a biblioteca de Eco o mantinha intelectualmente faminto e perpetuamente curioso. Uma crescente coleção de livros que você ainda não leu pode fazer o mesmo por você, Taleb escreve:

Uma biblioteca particular não é um apêndice impulsionador de ego, mas uma ferramenta de pesquisa. Livros já lidos são bem menos valorosos que os não lidos. A biblioteca deveria conter tanto do quanto você não sabe quanto os seus meios financeiros, as taxas de hipoteca, e o atual mercado imobiliário apertado te permitir que você coloque lá. Você acumulará mais conhecimento e mais livros ficando mais velho, e o crescente número de livros não lidos nas estantes olharão para você de forma ameaçadora. De fato, quanto mais você sabe, maior fica a estante de livros não lidos. Vamos chamar essa coleção de livros não lidos de antibiblioteca.

Uma antibiblioteca é um lembrete poderoso de nossas limitações – a vasta quantidade de coisas que você não sabe, ou sabe pela metade ou algum dia irá perceber que está errado sobre. Viver com esse lembrete diariamente pode fazer com que você se atente para o tipo de humildade intelectual que melhora a tomada de decisões e impulsiona o aprendizado.

“As pessoas não andam por aí com anti-currículos te falando que não estudaram ou não tiveram experiência (é trabalho de seus competidores fazer isso), mas seria legal se fizessem isso”, diz Taleb.

Por que? Talvez porque seja um fato psicológico bem conhecido que os mais incompetentes sejam mais confiantes de suas habilidades e os mais inteligentes são cheios de dúvidas (sério, é chamado de efeito Dunning-Kruger). É igualmente bem estabelecido que quanto mais você admite rapidamente que não sabe coisas, mais rápido você as aprende.

Então pare de brigar consigo mesmo por comprar livros demais ou por ter uma lista de livros “para ler depois” que você nunca poderia terminar nem em três vidas. Todos esses livros que você não leu são na verdade um sinal da sua ignorância. Mas se você souber o quão ignorante é, você estará bem à frente da vasta maioria das pessoas.

SEO para LinkedIn é tema de minicurso no Seminário FESPSP 2017

#SeminarioFESPSP

03/10/2017

Dora Steimer explicou para os alunos presentes como criar um perfil mais atrativo na plataforma.

Técnicas de SEO para utilização na rede social profissional LinkedIn foram o tema do minicurso “Curso Básico de SEO para LinkedIn”, ministrado pela bibliotecária Dora Steimer. A aula aconteceu na terça-feira, 3 de outubro, durante o Seminário FESPSP 2017. Neste ano estamos discutindo As Incertezas do Trabalho. Confira aqui a programação do evento.

LinkedIn é a maior rede social profissional atualmente, sendo frequentemente utilizada por headhunters e profissionais de RH na busca por talentos. Este minicurso teve como objetivo auxiliar na criação de um perfil campeão no LinkedIn e ajudar a compreender como os metadados podem te ajudar a ser visto e encontrado nessa grande rede social profissional. Entre as abordagens tratadas, foram discutidas: indexação e SEO (como as palavras podem te ajudar a se posicionar melhor na recuperação do motor de busca da rede), postura e imagem profissional online (branding), criação de posts relevantes e gestão de conteúdo, monitoramento de empresas, vagas de trabalho e networking online.

Seminário FESPSP 2017
Tradicional no calendário de eventos de pesquisas acadêmicas, o Seminário FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo) na edição 2017 discutirá as Incertezas do Trabalho, em um momento singular na política nacional e no cenário global, em meio a discussões de Reformas Trabalhistas e Previdenciárias em vários países e à aproximação de uma 4ª Revolução Industrial, que já está mudando a forma como lidamos com o trabalho, de formas positivas e negativas. As Conferências, os minicursos, os grupos de trabalho e as reuniões da Cicla das 5 acontecerão entre os dias 2 e 5 de outubro, no campus FESPSP (Rua General Jardim, 522 – Vila Buarque – São Paulo/SP). Saiba mais sobre a programação e as inscrições aqui.

Nova busca da Plataforma Lattes

Há algumas semanas eu estava tentando acessar a Plataforma Lattes pelo link de sempre.

Estava tendo dificuldades e nem a busca, nem a atualização estavam funcionando. Ontem estava conversando com a Fernanda, uma colega de pós, e ela me informou que parece que a Plataforma Lattes está migrando para uma outra plataforma mais moderna, que seria esta aqui.

Se algum dia os filtros funcionarem, pode ser uma plataforma bem interessante mesmo.

Entrevista: bibliotecária “fora da caixinha”

Nesta semana recebi algumas perguntas de um pessoal da graduação em biblioteconomia da FESPSP. Eles estão criando um seminário sobre bibliotecários “fora da caixinha” e quiseram saber sobre a minha formação acadêmica e sobre carreira. Pessoalmente não curto muito esse termo “fora da caixinha”, como se fosse algo especial ou algo a ser celebrado… Acho meio bobo. Sem falar que ele causa uma ansiedade danada nas pessoas e, muito contra-intuitivamente, não as faz dar o melhor de si (justamente pela ansiedade que causa, etc.). Não me considero “fora da caixinha” mesmo porque ainda faço uma porção de coisas bastante operacionais e dentro da caixinha ainda, só que de modo sensivelmente diferente e com outras perspectivas e linha de pensamento… E qualquer outra pessoa pode fazer isso, se tiver intenção o suficiente. Eu poderia falar muito mais sobre isso, mas prefiro deixar pra dizer algumas coisas pessoalmente, apenas. Enfim…

Por fora bela viola, por dentro gatinha na caixinha, etc…

De qualquer modo, seguem minhas respostas:

  • Ao analisar seu perfil, nas plataformas sociais LinkedIn e Facebook percebemos que sua atuação abrange atividades que muitas vezes nem ouvimos falar na graduação, como por exemplo: elaboração de basic content; SKUs; compliance; framework, etc. Fale-nos um pouco da sua formação acadêmica e como se deu a escolha pelo ramo que atua no momento (e-commerce). A educação continuada é um diferencial para quem pretende seguir neste nicho? Pode citar quais cursos extracurriculares realizou e ainda pretende fazer para se aprimorar?

Biblioteconomia é minha segunda graduação e resolvi fazer porque me identificava muito com a área. Sobre a escolha da área em específico que estou no momento, acredito mais que fui escolhida do que o oposto. Não estava buscando ativamente trabalhar com Internet, a oportunidade apareceu pra mim e resolvi aceitar o convite. Sobre educação continuada, ela é realmente importante, mas não chega mais a ser considerada exatamente um diferencial pelo mercado. Supõe-se que as pessoas naturalmente invistam em suas carreiras. O diferencial nem sempre está na técnica, mas em nossa personalidade. Em relação a cursos extracurriculares, fiz inglês na Cultura Inglesa desde pequena e durante a graduação em biblioteconomia fiz duas disciplinas do mestrado como aluna especial. Fora isso, tenho um blog (indexadora.wordpress.com) onde escrevo vez e outra algumas considerações sobre a área, a profissão, etc. Também já escrevi para o Bibliotecários Sem Fronteiras (bsf.org.br) por algum tempo.

  • Comente um pouco sobre como funciona a empresa na qual você trabalha e o no que seu trabalho impacta.

Além das livrarias megastores e da editora, o Grupo Saraiva tem investido no e-commerce também. Atualmente, estou na Saraiva Online como Especialista em Taxonomia. Trabalho em conjunto com a equipe de User Experience (UX) e isso tem impacto direto nos produtos de interfaces, seja no desktop ou em mobile. A minha parte do trabalho é focada em dois sistemas bem importantes na Arquitetura da Informação: o sistema de organização e o sistema de nomenclatura. Meus colegas de bancada estão mais envolvidos com o sistema de navegação (layout, etc.) e também de busca (SEO), mas os trabalhos são bem interdependentes.

  • Como são os usuários/clientes? Como se dá o processo de estudo desses usuários?

Pela minha experiência, existem vários tipos de clientes. Meus clientes diretos são meus colegas de equipe, pessoas que vão avaliar meu trabalho e com quem vou trabalhar mais diretamente – isso inclui gestores também. Outro tipo de cliente são as diferentes áreas da empresa: áreas comerciais, qualidade, etc. Pessoas para quem mostrarei meu trabalho e tentarei chegar em um consenso, tentando ajuda-las ao mesmo tempo que defendo a experiência do usuário. E existem os clientes da Saraiva propriamente ditos, que é sempre uma incógnita que tentamos desvendar através de trabalhos, estudos e pesquisas como analise de Persona, Testes A/B, Card Sorting, etc.

  • Pode nos contar mais detalhadamente sobre as atividades que desempenha?

Considero meu trabalho hoje basicamente como mediação da informação, mesmo. Resumindo bastante, posso dizer que trabalho com pesquisa em UX, realizo mapeamento de conteúdo (sortimento, tipologia de produtos) a ser trabalhado e organizado; Também trabalho com normalização da nomenclatura dos tipos de produto e faço isso baseada em pesquisas de benchmarking (pesquisa na concorrência); Para a organização, também realizo pesquisas de Card Sorting que é uma técnica que verifica que tipos de padrões de organização podem surgir e a partir do cruzamento com outros dados, consigo sugerir uma estrutura de organização customizada para a companhia, de acordo com o que for mais adequado ao seu modelo de negócio.

  • Quais são os desafios e/ou dificuldades enfrentadas diariamente no exercício das atividades realizadas? O que há de interessante nestas atividades que exerce?

Curiosamente, justamente o que há de desafiante e difícil é, ao mesmo tempo, o que há de mais interessante nas atividades que faço: as pessoas. As pessoas com quem lido diariamente, suas ideias, seus interesses e objetivos. Saber lidar com as pessoas, suas expectativas e frustrações, é a parte mais tem me feito aprender, que mais me mantém humilde e é a parte que considero mais interessante no trabalho – por mais difícil que muitas vezes isso seja. Temos muito o que aprender, sempre.

  • Quais são as competências e habilidades que você acredita que o bibliotecário (a) deve possuir/desenvolver para desempenhar as atividades que você realiza?

Acho que as pessoas, de modo geral, precisam ser verdadeiras e honestas consigo mesmas em primeiro lugar. A principal habilidade para ser bem-sucedido – na minha opinião – em qualquer ambiente é o auto-conhecimento. Muitas vezes, não se trata de competência e habilidade técnica, mas justamente de características que não são ensinadas em universidades: empatia, paciência, parcimônia, jogo de cintura, mediação, postura profissional, posicionamento. Essas características são parte da vida, não podem ser ensinadas, também não podem ser aprendidas – se a pessoa se recusa, continuamente, a compreender seu lugar no mundo. De nada adianta ser excelente, no que quer que você faça, se te falta empatia. Se você não consegue alcançar o outro. Ou se você é tímido, não consegue ir até a mesa de outra pessoa para pedir algo, conversar, mostrar seu trabalho. Se você é incapaz de receber críticas sem levar isso para o lado pessoal, de forma passional.

  • Quais dicas você dá para os graduandos e ou veteranos que desejam ingressar neste ramo de atuação?

Vejam se o trabalho, como um todo, tem a ver com a sua personalidade. Se é essa mesmo a sua verdadeira vontade. Se você é capaz de se adaptar, se entende que precisará trabalhar em conjunto, de forma colaborativa. Se entende que o cliente, as pessoas de modo geral, devem ser prioridade pois é com elas que se está lidando, mais diretamente. As técnicas ajudam, mas elas são só isso: técnicas. E elas mudam e são superadas e modificadas ao longo do tempo.

  • Você trabalha com uma equipe multidisciplinar e/ou há mais bibliotecários no local?

A equipe que eu trabalho hoje é multidisciplinar, tem pessoas com vários backgrounds e formações. Mas no último trabalho que tive, trabalhei brevemente com uma colega bibliotecária (oi, Ana Marysa) que estava na equipe de UX.

  • Para você, o que é bibliotecário “fora da caixinha”? Você considera que o mercado está aquecido para contratação de bibliotecário (a) inovadores, ou seja, “fora da caixinha”?

Para mim, bibliotecários “fora da caixinha” são os que conseguem fazer com que seus piores defeitos trabalhem ao seu favor. E há uns 2 ou 3 anos atrás eu diria que o mercado está aquecido, mas na atual conjuntura econômica pela qual o país passa, eu não afirmaria isso com tanta certeza assim. De qualquer modo, é preciso saber vender seu próprio peixe, ter um bom networking, saber cultivar relacionamentos e principalmente saber quem se é e o que se quer. Nada disso é trivial, mas se for feito com certa consistência, as chances de sucesso tendem a ser maiores.

Competências necessárias ao bibliotecário a partir da web

Acabei de receber um formulário, provavelmente para um TCC, que me questiona sobre competências necessárias ao bibliotecário a partir da web. Além de perguntas pessoais sobre o meu trabalho, teve uma última pergunta que era a seguinte: “Em sua opinião quais competências, habilidades e atitudes necessárias aos bibliotecários para atuarem na Web?”

Pessoalmente eu acredito que trata-se menos de competências e habilidades e muito mais de atitudes. E não apenas de atitudes propriamente ditas, mas principalmente de mentalidade, da forma de pensar a organização da informação… E de como ela pode ser transferida e adaptada do analógico para o digital. É um duplo trabalho, mas é necessário que seja feito, caso a pessoa queira efetivamente trabalhar com o digital. Acredito que estejamos num momento bem híbrido, tendo que lidar com o mundo físico e também com o digital… Qual a sua prioridade?

O perfil/esterótipo da profissão de bibliotecário, generalizando bastante, são de pessoas muito conservadoras e que tem preferência por estabilidade, visando em sua grande maioria concursos e carreiras públicas. Isso não é um demérito nem nada, é apenas uma característica, um fato. As grandes empresas que trabalham com o digital geralmente não costumam absorver profissionais com este tipo de perfil. O perfil do profissional que trabalha com e para a web é dinâmico, resiliente e está sempre aberto a mudanças, tanto a aceitá-las quanto para implementá-las.

É necessária uma mudança de mentalidade mesmo, a longo prazo. E isso só pode ser feito em nível individual, com postura profissional e com a pessoa se responsabilizando pela própria carreira e pelo que efetivamente gosta de fazer e trabalhar, sem depender tanto de instituições externas a ela. É preciso se arriscar mais, pensar fora da caixa e principalmente: não esperar aprendizado vindo dos cursos de graduação ou de pós, pois eles podem até auxiliar, mas não formam efetivamente um profissional para o mercado.

Mini-curso básico de SEO para LinkedIn

A ideia desse mini-curso surgiu de uma inquietação que me surgiu quando vi um oferecimento de mini-curso para a Plataforma Lattes. Sugeri à prof. Valéria Valls da FESPSP, que fosse também ministrado um mini-curso voltado para o LinkedIn e me ofereci para ministrá-lo. Ofereci esse curso pois vejo muita gente utilizando a ferramenta de forma não tão otimizada assim e gostaria de poder ajudar as pessoas com isso, de verdade.

Ao começar a criar o conteúdo para aula, fiz uma auto-crítica e percebi que eu também precisava fazer a minha lição de casa. Nunca parei pra pensar nem tive regras muito definidas acerca das redes sociais que utilizo – profissionais ou não. Sempre fiz tudo, minha gestão de conteúdo inclusive, de forma completamente orgânica e espontânea mesmo, sem um planejamento muito acertado ou rígido. Funciona? Claro. Mas não é lá muito otimizado.

O LinkedIn é hoje a maior rede social profissional, sendo frequentemente utilizada por headhunters e diversos profissionais de RH na busca por talentos. Este minicurso tem como objetivo auxiliar na criação de um perfil campeão no LinkedIn e ajudar a compreender como os metadados podem te ajudar a ser visto e encontrado nessa grande rede social profissional. Chega de colocar “desempregado” ou “em busca de novas oportunidades” no título principal né? Acredito que podemos ser melhores que isso se realmente quisermos deixar nossa marca no mundo – seja ela qual for.

Entre as abordagens trataremos sobre: indexação e SEO (como as palavras podem te ajudar a se posicionar melhor na recuperação do motor de busca da rede), postura e imagem profissional online (branding), criação de posts relevantes e gestão de conteúdo, monitoramento de empresas, vagas de trabalho e networking online. O minicurso fará parte do Seminário anual que acontece na FESPSP. Para se inscrever, é só clicar aqui.

Até breve!

 

Categorias de Papelaria para e-commerce

Categorizar e classificar qualquer tipo de coisa é sempre um desafio, não importa o tema. Quando tratamos de miudezas, agrupá-las de forma minimamente coerente parece ser um desafio maio ainda. Em plataformas de e-commerce, a taxonomia e a organização deste tipo de informação ainda é bem incipiente, uma vez que muito frequentemente a busca é a maior privilegiada. De qualquer modo a organização dos itens de forma lógica ainda é um atrativo pra quem é menos objetivo na hora de realizar compras online e navega pelo site com frequência, afinal, uma página de produtos não deixa de ser uma vitrine e às vezes queremos “só dar uma olhadinha” no sortimento, não?

Pensando nisso, resolvi fazer uma breve pesquisa apenas com o objetivo de verificar como alguns e-commerces organizam seu departamento de papelaria. Selecionei 12 lojas nacionais, sendo 7 especializadas (ou seja, papelarias mesmo), 3 empresas de varejo geral e 2 livrarias, que também vendem itens de papelaria. Embora os perfis das lojas sejam distintos, foi possível encontrar um pequeno padrão.

Neste estudo analisei apenas a nomenclatura das categorias apresentadas, deixando as subcategorias para uma segunda parte do trabalho – que é bem mais complexa e aprofundada, pois se trata menos de conceitos e mais de tipos de produtos específicos e reais. Num exemplo rápido: ao invés de encontrar apenas “Material de Escritório” (conceito geral), encontramos “Fragmentadoras” e “Grampeadores” (produtos específicos).

Destas 12 lojas, foi levantado um universo de 173 categorias de papelaria, onde 132 apresentaram repetição e frequência. Para fazer o tratamento e agrupamento dessas categorias, usei a técnica de Análise de Conteúdo (Bardin, 2010) e cheguei em 9 categorias principais (consideradas mais frequentes) e 10 categorias secundárias (menos frequentes).

Categorias Principais Categorias Secundárias
[15.15%] Escritório
[12.87%] Arte e Artesanato
[10.60%] Informática
[9,09%] Papéis, Envelopes e Etiquetas
[8.33%] Material Escolar
[6.06%] Mochilas, Estojos e Lancheiras
[6.06%] Presentes
[5.30%] Escrita e Corretivos
[4,54%] Cadernos e Agendas
[3.78%] Eletro-Eletrônica
[3.03%] Cartuchos de Impressão
[3.03%] Jogos/Games
[2.27%] Alimentação
[2.27%] Embalagens
[1.51%] Álbuns
[1.51%] Limpeza
[1.51%] Higiene
[1.51%] Telefonia
[1.51%] EPI

Em verde estão as categorias-conceito e em azul as categorias-produto. As categorias principais e de maior frequência são o “feijão com arroz” de qualquer papelaria, são os materiais básicos. Já nas categorias secundárias, geralmente vemos tanto conceitos quanto produtos que geralmente não são muito comuns, sendo considerados mais “extras” ou muito específicos em uma papelaria. Mas a partir destas informações, já é possível desenhar o que é imprescindível para uma boa categorização e o que pode ser considerado opcional. No entanto, isso tudo varia com o propósito do negócio e com a cultura da empresa em questão.

O próximo desafio é verificar e fazer o levantamento de quais tipos de produtos comporiam “Escritório”, também se preocupando com a duplicidade de produtos em diferentes categorias, verificando a sua viabilidade enquanto categoria. Um exemplo rápido: o produto “Caneta” poderia facilmente fazer parte das categorias “Escritório”, “Material Escolar” e “Arte e Artesanato”. Mas como se trata de um produto com muita relevância e que precisa estar em destaque devido a possuir um sortimento mais variado, é elevado ao status de categoria em “Escrita e Corretivos”. Isso acontece com frequência em categorizações e precisa ser verificado caso a caso, pois como já mencionei, pode ser customizável de acordo com regras de negócio.

A segunda parte do trabalho vai ser o de verificar os tipos de produto que compõem as categorias, seus possíveis filtros e demais atributos.