Lista de Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação no Brasil (Mestrado e Doutorado)

Estava fazendo uma pesquisa e não consegui encontrar nenhum link fácil com essa informação. Então vou deixar a lista aqui. Todos esses dados foram tirados da Plataforma Sucupira (Qualis/Capes) e não contemplam universidades que possuam apenas mestrados profissionais.

UNB – http://www.ppgcinf.fci.unb.br  (Conceito Capes 4)
USP – http://www3.eca.usp.br/pos/ppgci (Conceito Capes 5)
UDESC – http://ppginfo.faed.udesc.br (Conceito Capes 3)
UEL – http://www.uel.br/pos/ppgci (Conceito Capes 3)
UNESP – http://www.marilia.unesp.br/posci/ (Conceito Capes 6)
UFBA – http://www.posici.ufba.br/ (Conceito Capes 4)
UFPB – http://dci.ccsa.ufpb.br/ppgci (Conceito Capes 4)
UFMG – http://ppgci.eci.ufmg.br/ (Conceito Capes 6)
UFPE – http://www.ufpe.br/ppgci (Conceito Capes 4)
UFSC – http://pgcin.paginas.ufsc.br/ (Conceito Capes 4)
UFSCAR – http://www.ppgci.ufscar.br (Conceito Capes 3)
UFC – http://www.ppgci.ufc.br (Conceito Capes 3)
UFPA – http://www.portal.ufpa.br  (Conceito Capes 3)
UFRJ – http://www.ppgci.ufrj.br/pt/ (Conceito Capes 5)
UFF – http://www.uff.br/cienciainformacao (Conceito Capes 4)

Sobre dar aulas

Como disse no post anterior, em agosto agora comecei a dar aulas na Unifai, como professora visitante. Até então foram três encontros (dos quatro que estão programados) e pude ter uma ideia de como é estar ‘do outro lado’, uma vez que até então sempre tinha sido aluna. Há algum tempo já entendi que alguém que dava aulas o fazia por um motivo maior do que simplesmente ensinar. Tratavam-se de pessoas com projetos (consistentes ou não) de uma vida inteira, de autores, pensadores e pesquisadores de uma determinada área de conhecimento.

Mas bem antes disso eu também já sabia e era consciente de que sala de aula não era lugar de imparcialidade e neutralidade – e algum lugar de fato o é por completo? – e que aquele momento de aula era (ao menos em tese deveria ser) muito mais do que repassar conteúdo encaixotado, one size fits all. Planejar e preparar uma aula de verdade não é exatamente a coisa mais simples do mundo. Tratam-se de algumas boas horas de leitura e de sistematização de conteúdo, que precisam ser alinhadas e equilibradas com criatividade, de forma razoavelmente atrativa (dependendo do caso com algumas dinâmicas e metodologias) e, dependendo do contexto, com alguma ajuda das famigeradas tecnologias da informação. Bem, essa é a parte prática, né?

Alunos da minha disciplina, numa dinâmica de Card Sorting para entender como funciona.

É um tanto quanto sedutor acreditar que basta criar conteúdo que o resto “meio que se encaminha sozinho”, mas sabemos que não é bem assim que funciona. Tudo é uma construção e essa construção também se trata – na verdade principalmente – de relacionamentos. Talvez seja também este um dos motivos pelos quais nunca me animei em dar qualquer aula ou curso via EAD. Não que eu não acredite que funcione, mas talvez porque eu não acredite que seja pra mim, pro meu perfil. Acho mais interessante conhecer as pessoas, conversar com elas, entender o que pensam e sentem, suas expectativas, etc. e isso indubitavelmente acontece melhor presencialmente.

Já escrevi/traduzi muitas coisas e tenho algumas linhas de pensamento pelas quais me fio, mas ainda não me considero “uma autora” – se as pessoas me consideram, já são outros quinhentos… Para mim, eu ainda não publiquei nenhum livro ou algo que considere uma obra realmente relevante. E talvez isso nunca aconteça também, mas aí é outro papo.

Para o momento, em relação sobre o que achei de dar aulas e sobre como me sinto em relação a isso o resumo é: nunca fui tão aluna na minha vida. Criar e repassar conteúdo (pois ainda estou nessa fase) é estimulante de um modo que eu jamais tinha experimentado até hoje. Me obriga a pensar e a fazer pesquisa. Mesmo, de verdade. E implica em responsabilidade, em certa medida, com os outros. Não dá pra repassar qualquer coisa, de qualquer jeito e definitivamente este não é um bico, não. Ao menos eu levo isso bastante a sério.

Sábado passado uma das alunas apresentou o seminário da disciplina e vi que ela entendeu os conceitos. O exercício era fazer uma análise de um site e do que poderia ser melhorado nele de acordo com os conceitos que passei. Ela fez a análise das páginas e ao final desenhou um wireframe de interface de landing page priorizando alguns conceitos de informação que no site original estavam escondidos ou mal organizados – e isso foi muito bacana. A sensação que eu tive foi de que pela primeira vez eu estava fazendo parte de algo muito maior do que simplesmente produzir algo bom, mas operacional. Isso me trouxe um tipo de contentamento que eu ainda não havia sentido antes. Não sei se ensinar é exatamente minha vocação, mas tem sido uma experiência muito enriquecedora, em mais de um sentido.

2017-2, Estude enquanto eles se divertem, etc.

Muita coisa mudou de abril desse ano pra cá e talvez eu devesse falar um pouco sobre elas. Em abril finalizei um percurso no Walmart.com, atuando como analista de taxonomia sênior. Gostei muito de tudo o que desenvolvi nesses 2 anos e meio, desde o começo, mesmo com todas as mudanças de percurso – passei por três tipos diferentes de gestão. Hoje posso dizer que essa experiência foi parte fundamental da minha carreira e que faz parte indissociável de mim, das minhas escolhas. É o tipo de conhecimento que adquirimos e vivências pelas quais passamos que podemos levar pra vida, de verdade.

Em abril mesmo, comecei uma conversa com a Patricia de Cia em relação a um trabalho a ser desenvolvido na Saraiva Online como especialista de catálogo digital para e-commerce. Conversamos e vimos que tínhamos expectativas bem alinhadas, no entanto, eu deveria começar no segundo semestre por volta de julho ou agosto. Esse espaço de tempo foi fundamental para que eu pudesse colocar as ideias em ordem e também para descansar um pouco, aproveitar o ócio. Nesse meio tempo, aproveitei ao máximo para cumprir as disciplinas de mestrado na USP, de Cultura e Informação e Sociedade, Conhecimento e Informação.

Em maio aconteceram mais algumas coisas. A Renate Land me convidou para participar da Egrégora Inteligência e isso acabou se tornando realidade. Conversamos e percebemos que foi um encontro, pois temos visões muito aproximadas sobre temas que são importantes pra nós, como gestão da informação e de conteúdo. Participei de algumas reuniões da cooperativa e pude aprender só de observar e ouvir as conversas entre consultores seniores, uma maturidade que ainda está um tanto quanto distante pra mim, eu diria – sou a “pirralha” da nossa cooperativa certamente, mas colaboro ao meu modo. Para o momento, a Egrégora tem sido um dos meus caminhos também.

Também em maio, a prof. Cristina Palhares da Unifai me convidou para dar aulas no curso de pós-graduação lato sensu em Arquitetura da Informação da Unifai. Mesmo sem saber se tinha jeito pra coisa ou não, dar aulas sempre foi uma vontade antiga minha. Não foi à toa que fiz uma especialização e em seguida tentei o mestrado novamente. Já dei palestras, fiz apresentações, mini-cursos e etc, mas a verdade é que sempre estive do outro lado, como aluna, nunca como professora. Quando recebi o convite, mesmo sem ter muita certeza se daria ou não conta do recado, aceitei o convite sem pensar muito. Preferi deixar o tempo dizer se eu ia ou não dar conta.

Em julho o semestre finalmente acabou e também finalizei os artigos que precisava entregar para as disciplinas do mestrado. Ambos provavelmente vão compôr partes da dissertação (ou não), mas os temas estão todos interligados com o meu tema central de certo modo, uma vez que fui eu que escolhi os seminários (um sobre organização do conhecimento e outro sobre cultura digital). E em agosto comecei uma série de coisas, todas ao mesmo tempo:

  • Última disciplina na ECA/USP (Informação e Linguagem) para cumprir créditos para a qualificação;
  • Estágio docência na ECA/USP na disciplina de Teoria da Ação Cultural, com a prof. Dra. Lucia Maciel Barbosa Oliveira;
  • Professora visitante na Unifai, aos sábados, na disciplina de Introdução à Arquitetura da Informação; Este ano ainda darei a disciplina de Planejamento de Conteúdo Digital em novembro/dezembro;
  • Comecei como Especialista em Taxonomia na Saraiva Online, pela Egrégora Inteligência;

E ainda tenho uma dissertação para começar a pensar e escrever. Tenho tempo pra dormir? Às vezes. E não me orgulho muito disso não, mas é o que tem para hoje. É mais ou menos como essa imagem que apareceu na minha timeline do FB ontem:

Sempre achei esse tipo de “motivação” muito abjeto, mesmo, por isso ri bastante e me identifiquei quando vi esse meme. Esse conceito de meritocracia desgraçado no qual a gente vive, principalmente no contexto Brasil, onde uma pessoa precisa se estrupiar inteira para ter uma vida minimamente decente. Não acho nada disso justo e isso porque já sou privilegiada para cacete, em uma série de sentidos. Sem falar que uma sociedade onde “não ter tempo pra nada” e “estar sempre ocupado” é sinal de coisa boa ou ainda pior, de competência, não me parece lá muito saudável. Mas enfim: a girl gotta do what a girl gotta do. Minha perspectiva nunca é a de ficar reclamando porque esse não é meu perfil. Prefiro fazer outras coisas. E o que tenho tentado fazer no momento é buscar convergências, entrelaçamentos e relações entre todas essas coisas que faço, pois uma é interdependente da outra. Sim, cansa. Sim, não é fácil.

Mas se fosse fácil, já estava feito.

Design Thinking e design de taxonomia

por Claire Brawdy, para o site Enterprise Knowledge

Na minha experiência, descobri que qualquer esforço para um design de sucesso em taxonomia nasce de um forte entendimento das necessidades do usuário final – dificilmente uma tarefa simples. Um dos modos que trabalhei para lidar com este desafio foi incorporar o Design Thinking em nosso processo de design de taxonomia.

A IDEO define Design Thinking como uma abordagem de resolução de problemas centrada em pessoas que centraliza suas necessidades, as de tecnologia e do negócio para resolver problemas complexos com soluções inovadoras. O processo é quebrado em fases, que podem ocorrer em paralelo e serem repetidos com frequência. Esse post explica como nós na Enterprise Knowledge integramos cada fase durante o design de taxonomia.

Por que Design Thinking? Aqui na EK, observamos várias situações onde os esforços para o design de taxonomia sofrem de uma falta de aceitação e alinhamento, resultando em estagnação pois os usuários não estão adotando e usando a taxonomia. Esta metodologia visa estas questões pois prevê oportunidades para compreender totalmente os usuários e suas necessidades, e reforçar que você esteja realmente realizando o design para eles. Usar esta abordagem assegura que o design de taxonomia é apoiado pelos usuários e que combina findability (encontrabilidade) e usabilidade.

Empatizar

Para começar, você precisa ter um profundo conhecimento do problema que precisa ser resolvido e remover quaisquer premissas que você tiver. Isso envolve empatizar com usuários, observando e interagindo com eles para compreender suas experiências e motivos. Descobrimos que isso geralmente faz falta nas iniciativas de design de taxonomia, onde os stakeholders do projeto não estão alinhados com os objetivos, ou claramente não entendem o “porque” de uma taxonomia.

Existem muitas abordagens que você pode ter para cumprir este objetivo. Na Ek, conduzimos entrevistas e grupos de foco, e facilitamos workshops de taxonomia. Entrevistas e grupos de foco podem te ajudar a aprender quais são as lutas dos seus usuários em relação à busca e descoberta de informações. Seja consciente de quem você está entrevistando e que tipos de perguntas está fazendo. Você está entrevistando uma gama de usuários, representando diferentes níveis de experiência e diferentes áreas de expertise? Você está fazendo perguntas tendenciosas baseadas no que você assume que os problemas sejam?

Workshops são incrivelmente valorosos particularmente pois eles dão a oportunidade de envolver usuários de negócios de verdade nas fases iniciais, mitigando o risco de presumir incorretamente requerimentos de design. Enquanto entrevistas e grupos de foco indiscutivelmente oferecem os mesmos benefícios, participantes de workshops podem se tornar seus defensores mais fortes para o design de taxonomia, uma vez que eles estão verdadeiramente envolvidos desde o início. Além das entrevistas, grupos de foco e workshops, considere desenvolver personas colaborativamente e mapas de empatia para identificar diferenciadores de usuários e necessidades usuários chave. Juntas estas ferramentas vão te ajudar a desenhar insights chave a partir de seus usuários finais.

Definir

O estágio de Definir envolve analisar e sintetizar toda a informação colhida anteriormente para definir os principais problemas que afetam seus usuários finais. Nesta fase, você precisará definir claramente todas as necessidades dos usuários.

Na EK, ao invés de focarmos em criar uma declaração de problemas, nós mudamos o foco para a criação de uma declaração de resultados. Em resumo, estamos pedindo aos usuários finais para que respondam a pergunta, “o que esta taxonomia permitirá que usuários finais façam/realizem?”. Fazer este tipo de pergunta nos permite facilmente capturar as expectativas e desejos dos usuários finais e termos a certeza de que estamos entregando um produto que funciona para eles. Bem como criar um declaração de problema efetivo, criar a declaração de resultados simultaneamente foca os usuários finais das suas necessidades específicas e cria um senso de possibilidade que permite que os membros de equipes mudem de ideias na fase de Idealizar.

Idealizar

Munido com os insights dos usuários e declarações claras de problemas/resultados, você pode progredir para a fase de Idealizar para identificar alternativas ao entendimento do problema e subsequentemente, novas soluções.

Aqui é onde você pode talvez começar a se movimentar rumo ao campo de metadados iniciais e avaliar identificação e priorização, mantendo em mente a declaração de resultados já mencionada. Enquanto é importante iniciar esta fase com critérios levando em conta características de taxonomias de sucesso em negócios, também é importante ter uma gama de ideias potenciais e ter a certeza de que tudo está ao menos capturado. O conjunto resultante de campos de metadados e valores correspondentes pode dar uma visão geral de alto nível das características importantes de conteúdo que podem precisar estar refletidas na taxonomia.

Prototipar e Testar

A fase de Prototipar nos oferece a oportunidade de testar nossas potenciais soluções através de versões reduzidas e econômicas do produto ou suas características específicas. A fase Testar final envolve uma testagem rigorosa do produto completo. A taxonomia em papel tende a ser abstrata. Nossa prototipação e abordagens de teste trazem o contexto real do negócio ao esforço de design de taxonomia para nossos usuários finais.

Os campos de metadados que são identificados na fase de Idealizar podem ajudar a formar uma “taxonomia iniciante” que será testada posteriormente e elaborada de forma a se tornar uma taxonomia de negócio verdadeiramente efetiva. Uma forma que lidamos com esta fase aqui na EK é através de card sorting, uma técnica para descobrir como usuários finais categorizam a informação, que por sua vez ajudam a validar partes de um design de taxonomia. O exercício também pode ajudar a identificar quais categorias precisam de ajustes baseados no feedback de usuários.

No final da fase de prototipagem, o time terá uma melhor ideia das limitações da taxonomia, os problemas que existem e um melhor entendimento de como usuários reais agiriam, pensariam e se sentiriam enquanto estivessem interagindo com o produto final. No design de taxonomia, o teste do produto completo é contínuo, com alterações e refinamentos sendo considerados e feitos através de uma governança de taxonomia para melhor refletir os usuários finais e a evolução de suas necessidades.

Conclusão

O progresso no esforço do design da sua taxonomia começa com um entendimento claro dos seus usuários finais. É por isso que o Design Thinking pode ser incrivelmente útil na construção de uma taxonomia que irá ao encontro das reais necessidades de sua organização e seus usuários finais. Essa metodologia colaborativa, flexível e interativa nos permite rapidamente identificar, construir e testar o produto rumo ao sucesso.

Claire Brawdy tem foco em entregas Ágeis para gestão do conhecimento e esforços para design de taxonomia. Claire gosta de colaborar com seus clientes para desenvolver uma compreensão compartilhada de necessidades e gestão.

Newsletter?

Acho que Newsletter virou uma coisa há um ou dois anos por aí. Foi mais ou menos na mesma época que o Medium começou a ficar popular como plataforma. Meu Medium tá lá, parado. Tentei usar, não foi pra frente. Tenho preguiça. Mas voltando às Newsletters, por algum motivo obscuro que desconheço, as pessoas acreditaram que ela substituiria totalmente os blogs. Pode até ter substituído, em certa medida, mas menos pra mim – porque sou antiquada e teimosa. Pra não dizer que não assinei nenhuma newsletter, assinei duas de amigos próximos. E só. E gosto muito da forma como o Moreno escreve a newsletter dele, só pontuando brevemente as coisas que aconteceram na semana. Não é temática, tem uma porção de temas tudo junto e misturado. Tá certo que é muito link e às vezes minha cabeça explode mas enfim… É a Newsletter dele e eu assinei, então eu que acompanhe né?

Mas como notei que isso me incomodou a princípio, é claro que percebi que aí tinha coisa e pensei comigo mesma em criar a minha própria “Newsletter”, por que não né? O que me impede? Vou fazer em post por aqui mesmo e vou tentar ser disciplinada o suficiente pra postar algo semanalmente, no mínimo – todos os sábados. A idéia da minha Newsletter vai ser literalmente a de catar milho: catar, uma por uma, das informações que eu considero relevantes que pipocaram nas minhas timelines durante a semana e contextualizá-las, com comentários meus. Parece algo simples de se fazer, mas não é tanto quanto parece (comecei ontem). É difícil tentar fazer sentido de informações não estruturadas, mas como esse vai ser meu tema de estudo esse ano, além da teoria acho que pode ser interessante que eu tenha uma prática pessoal que redimensione algumas perspectivas minhas.

Enfim, sábado agora (07/01/2017) vou publicar o primeiro número da Newsletter. E ela será algo completamente independente – e bem mais pontual – do que meus posts temáticos por aqui.

Mestrado acadêmico

A última vez que eu tinha tentado mestrado foi em 2011 e foi um tanto quanto traumatizante pra mim. Foi assim porque eu queria muito passar e eu estava certa – e as pessoas à minha volta estavam certas – da minha aprovação. Foi devastador, mas tive que engolir e digerir o tal do orgulho ferido e simplesmente seguir em frente. E fiz isso porque, enfim, não havia outra coisa a ser feita no momento. Hoje resolvi parar pra tentar lembrar do zeitgeist da minha vida naquela época – há cinco anos atrás – e realmente, foi um ano bastante conturbado pra mim, em vários sentidos. Estava saindo de um relacionamento falido e indo ao encontro de um futuro incerto com muito, muito medo mesmo, sem saber o que estava por vir direito. Depois de um ano emocionalmente inviável, na época da prova eu estava completamente vulnerável. E aí deu no que deu, né? Fiquei no medo, na defensiva e não passei, óbvio.

Tive que tomar decisões difíceis no final de 2011, tais como desistir do mestrado em que havia sido aprovada e vir para São Paulo sem nenhuma perspectiva de absolutamente nada. Fiquei tão constrangida com a situação toda que tentei me convencer depois de que talvez o mestrado não fosse pra mim, mesmo, que era melhor eu trabalhar e seria isso. Vim pra cá pra trabalhar, trabalhei sempre na minha área e com o que mais gostava – organização e gestão da informação – e dois anos depois de formada fiz uma especialização. Queria voltar a fazer pesquisa, não tinha coragem ainda pra aceitar ser reprovada no mestrado de novo, mas achava que precisava de uma titulação melhor. Foi uma alternativa razoável, para o momento. Além disso tudo também tive que saber ponderar e filtrar tudo o que me diziam – que é a parte mais difícil de todas. “Faça pós em outra área”, “faça pós fora do país”, “mestrado é perda de tempo, faça só cursos”, etc. Tive que analisar tudo em seu devido contexto e também separadamente.

E a ideia de tentar mestrado continuava me assombrando, me assombrou por cinco anos na verdade. Esse é o tipo de coisa das quais ouvimos um certo tipo de chamado e não conseguimos ignorar. Foi assim antes na graduação em biblioteconomia e foi assim agora, também. Como tinha recém terminado a especialização no final de 2015 pensei comigo mesma “agora quero descansar por uns 2 anos, vou só trabalhar e depois penso em mestrado”. Nesse meio tempo também abriu o mestrado profissional, mas eu queria o acadêmico, mesmo, desde sempre e não mudei muito de ideia em relação a isso. E neste ano foi só chegar o mês de setembro que lá estava eu lendo o edital e considerando tentar o mestrado acadêmico novamente. Ia fazer pra testar, pra perder o medo da prova e de escrever… Enfim, já contava com a minha reprovação desta vez.

Conversei com alguns amigos sobre o projeto e me vi tendo que fazer alguns vários reajustes e aceitar algumas coisas. Duas mudanças pra mim foram as mais drásticas: mudar a linha de pesquisa e a orientadora, que era algo que eu tinha quase que completamente idealizado na minha cabeça e tive que flexibilizar um pouco mais. Eu realmente acreditava que o meu projeto só se encaixava na linha de pesquisa de Organização da Informação e só aceitaria ser orientada pela professora que eu queria… E as coisas não funcionam bem assim, desse jeito. Na verdade flexibilização foi meio que palavra de ordem, pra quase tudo: o meu projeto também mudou bastante e basicamente estava menos “fechado” e com várias lacunas a mais, cheio de “fios soltos”, com espaço para dúvidas e re-interpretação, apesar de bem estruturado. Depois de tê-lo terminado eu lia e não conseguia achá-lo bom de verdade, apenas razoável. Percebi também que estava completamente enferrujada com a escrita acadêmica, but oh well… Lá se foram cinco anos, não? Anyway. 

Me inscrevi e lá se foi meu projeto. Esperei muito ansiosamente pelo dia da prova e estava com muito medo de que o tema fosse tão espinhoso quanto tinha sido em 2011. Só que este ano não foi tanto, o enunciado foi uma frase do Canclini, bem de humanas, nada espinhosa e que me permitiu escrever sem maiores problemas de acordo com a bibliografia que tinha sido passada. Inclusive na bibliografia um dos textos que li, felizmente, era excepcionalmente bom e completo (e muitíssimo bem escrito) e foi nele mesmo que me baseei para fazer a prova. Saí da prova sem sentir nada, também, nem que fui bem, nem que fui mal. Só sabia que tinha feito o meu melhor naquele momento. E confesso que até me emocionei um pouquinho com pelo menos uma das coisas (totalmente piegas e bem clichês) que escrevi na prova. Não acreditei quando vi que passei na prova, fiquei um pouco em choque, mas imaginei que a entrevista seria mais sossegada. E foi mesmo… Sequer me recordo de qualquer momento estranho da entrevista e tenho a impressão – talvez ilusória – que ouvi mais elogios que o contrário sobre meu projeto. Terminou, desci pra fumar um cigarro e fui embora. Fiz ainda a prova de proficiência em inglês (risos) porque o diploma que eu tenho é muito antigo e não aceitariam. Enfim…

O resultado saiu no último dia 20/12, eu fui aprovada e ainda não sei o que fazer com essa informação. A ficha ainda não caiu direito por aqui. Talvez caia no dia da matrícula ou na aula inaugural. Às vezes fico com a impressão de que “demorei demais” pra tentar o mestrado de novo, que estou fazendo ele muito velha… Ou ainda, que tive que lower my standards tanto no projeto quanto na prova, como se eu não fosse boa o suficiente, quando na verdade não se trata de nada disso. Também me assombra a questão de conciliar trabalho e vida acadêmica e de saber priorizar as coisas. E de lembrar que eu terei, novamente, de abrir mão de algumas coisas para conseguir outras. Enfim, achei que ia ser um mar de rosas simplesmente ter sido aprovada, mas a verdade é que isso só me tirou da minha zona de conforto e me fez questionar ainda mais pesadamente uma série de outras coisas que volta e meia eu me pego pensando. Acredito que essa sensação e esse sentimento vão perdurar por pelo menos uns dois anos, agora. Bom, que venham e que assim seja.

 

Sense Making

Traduzido originalmente do post Sense Making, do site de David Lankes.

Sense-making” e “sensemaking” podem ter a mesma pronúncia, serem escritas quase da mesma forma e baseadas em perspectivas construtivistas similares, mas elas não se tratam da mesma coisa. Quando tratamos de indivíduos tentando criar sentido de seu próprio mundo e seu ambiente, duas ideias principais lideram a discussão. A primeira é o “Sense-Making” como cunhado por Brenda Dervin (Dervin & Nilan, 1986) e a segunda é “sensemaking” criada por Karl E. Weick (Weick, 1995).1 Sensemaking de acordo com Weick será a abordagem adotada, mas por conta da similaridade na terminologia e para remover a possibilidade de confusão, a abordagem de Dervin merece uma breve revisão primeiro.

Sense-Making de acordo com Dervin tem foco no indivíduo enquanto ele ou ela se move através do espaço e do tempo. Enquanto isso ocorre, lacunas são encontradas onde o indivíduo deve “fazer sentido” da situação para se movimentar, física ou cognitivamente, através da lacuna. Os componentes-chave neste processo são a situação, a lacuna e os usos. A situação é o contexto do usuário, a lacuna é quem previne o movimento e o uso é a aplicação do sentido que é construído (Dervin, 1999). Neste sentido, a abordagem de Dervin é monádica porque ela se foca no indivíduo e no sentido que o indivíduo faz enquanto ele ou ela tenta superar a lacuna.

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Isto entra em contraste com Weick, que se foca no sensemaking de grupo como pelo menos diádico mas mais geralmente triádico ou poliádico. Em outras palavras, Weick se foca em múltiplas pessoas trabalhando junto para criarem sentido. Embora este contraste entre o grupo e o indivíduo seja significante, a abordagem de Dervin tem as mesmas raízes filosóficas que Weick. Dervin (1999) afirma: “descrevi Sense-Making como abordagem construtivista, enquanto agora eu descrevo como pós-construtivista, ou modernista pós-moderna” (p. 730). Embora Weick e Dervin ambos tenham sido associados com construtivismo, Dervin não liga diretamente o sensemaking de Weick ao seu próprio Sense-Making mas como uma das muitas “abordagens paralelas” (Dervin et al., 2005).

Existem muitos usos do termo sense making enquanto fenômeno na literatura (escrito em uma miríade de jeitos diferentes) que não tem relação alguma à Metodologia de Sense Making. Por exemplo o Sensemaking de Weick (Weick, 1995) em organizações que olham a vida organizacional examinando o fenômeno [de] Sensemaking (Dervin, 1999, p. 729).

Embora Dervin não ligue Weick ao seu trabalho, ambos seguem uma abordagem construtivista. Isso é demonstrado especialmente pela conceitualização de Weick de ambiguidade (Weick & Sutcliffe, 2001, p. 10). Em contraste à Dervin, os principais trabalhos de Weick citam Dervin ou traçam suas conceitualizações ao seu trabalho (Weick, 1969, 1993, 1995, 2003, 2005, 2006, 2007; Weick & Roberts, 1993; Weick & Sutcliffe, 2001; Weick, Sutcliffe, & Obstfeld, 2005; Wenger, 1999, 2001, 2005a, 2005b; Wenger, McDermott, & Snyder, 2002; Wenger & Snyder, 2000; Wenger, White, Smith, & Rowe, 2005). Existem outras abordagens construtivistas que poderiam ser consideradas, tal como Habermas. No entanto, como um pesquisador sob a supervisão de Brenda Dervin colocou: “sugiro que a atual corrente baseada nas teorias de Habermas de prática de ação comunicativa e esfera pública possa ser muito limitada para descrever a prática comunicativa baseada em ambientes online” (Schaefer, 2001, p. ii). Em resumo, a visão de Weick de sensemaking enquanto atividade de grupo é mais relevante para comunidades de bibliotecas do que a abordagem monádica de Dervin, que se foca mais em Sense-Making individual. No entanto, a discussão agora tem seu foco em Weick.

Image property of the Albright-Knox Art Gallery, Buffalo, NY.
Convergence, 1952 by Jackson Pollock

A estrutura teórica para a perspectiva organizacional deste estudo será a de sensemaking enquanto descrito por Karl E. Weick em Sensemaking in Organizations (Weick, 1995) e Managing the Unexpected: Assuring High Performance in an Age of Complexity (Weick & Sutcliffe, 2001). Estas obras foram prenunciadas em seu primeiro livro,The Social Psychology of Organizing (Weick, 1969). Sensemaking teve o seu fundamento em vários estudos de caso significativos onde Weick investigou situações complexas para compreender como as pessoas tentaram fazer sentido a partir de informações aparentemente contraditórias. A maior parte do trabalho de Weick era em “organizações do setor público”, com apenas algumas poucas organizações “comerciais” (Weick, 2006, p. 1733). Infelizmente, ele não escreveu sobre os setores sem fins lucrativos ou bibliotecas. Dois exemplos importantes de sua abordagem são estudos da cabine de pilotagem de um porta aviões (Weick & Roberts, 1993) e com bombeiros em combate a incêndios (Weick, 1993). Sensemaking não tem uma definição rigorosa per se, mas existem vários exemplos de Weick.

A ideia básica de sensemaking é que a realidade é uma realização contínua que emerge de esforços para se criar ordem e fazer um sentido retrospectivo do que ocorre (Weick, 1993, p. 635)

Sensemaking é sobre a ampliação de pequenas pistas. É uma busca por contextos na qual pequenos detalhes se encaixam e fazem sentido. São pessoas interagindo para extraírem intuições. É uma alteração contínua entre detalhes e explicações com cada ciclo dando e adicionando forma e substância ao outro. (Weick, 1995, p. 133). Falar sobre sensemaking é tratar sobre a realidade enquanto uma realização contínua que toma forma quando as pessoas fazem um sentido retrospectivo das situações nas quais elas encontram a si mesmas e suas criações. Há uma forte qualidade reflexiva neste processo. Pessoas fazem sentido das coisas por enxergarem um mundo no qual elas já impuseram o que acreditam. Em outras palavras, pessoas descobrem suas próprias invenções. É por isso que o sensemaking pode ser compreendido como uma invenção e interpretações compreendidas como descobertas. Estas são ideias complementares. Se sensemaking é entendido como um ato de invenção, então também é possível argumentar que os artefatos que ela produz incluem jogos de linguagem e textos (Weick, 1995, p. 15).

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Sensemaking tem a ver com tanto com autoria quanto com interpretação, criação bem como descoberta. (Weick, 1995, p. 8) Sensemaking organizacional é primeiro e principalmente sobre a questão: como algo se torna um evento para membros de uma organização? Segundo, sensemaking é sobre a pergunta: o que o evento significa? (Weick et al., 2005, p. 410)

O construtivismo é em parte revelado em Weick por sua ênfase no uso de gerúndios se opondo a substantivos (Gioia, 2006) e a não utilização do termo “é” mas ao invés disso fornecer afirmações descritivas sobre algo ou alguém (Weick, 2007). Descrevendo a perspectiva de Weick, Dervin diz: “Não existe tal coisa como organização. Existe apenas o organizar” (Dervin, 2003, p. 116). A questão em ambos os casos é se deslocar do ponto onde se enxerga a realidade como uma coleção de entidades fixas e estáticas (substantivas) para o ponto onde se enxerga a realidade enquanto entidades sempre mutáveis. “É sobre o ‘processo de tornar-se’ ao invés do ‘estado das coisas’ (Gioia, 2006, p. 1711). “Agora quando você pensa em termos de verbos e gerúndios, isso muda a forma que você fala sobre e compreende fenômenos… A conversa muda quando você põe ênfase em verbos e gerúndios. E esta é uma das principais razões de porque, quando você tem um ponto de vista ‘Weickiano’, você não consegue evitar em enxergar as coisas de forma diferente” (Gioia, 2006, p. 1711).

Estas descrições de sensemaking tratam de criação, compartilhamento, interação, atividade cíclica e pessoas engajando-se para criar uma melhor compreensão de seu mundo e seu trabalho. Weick identifica sete características distintas do processo de sensemaking:

  1. Baseado em construção de identidade
  2. Retrospectiva
  3. Ativação de ambientes sensíveis
  4. Social
  5. Continuidade
  6. Focado em e por intuições extraídas
  7. Dirigido por plausibilidade ao invés de precisão (Weick, 1995, p. 17)

Tendo fornecido uma breve visão geral do que é sensemaking, é hora de examinar suas partes constituintes.

The Son of Man, 1946, by Rene Magritte
The Son of Man, 1946, by Rene Magritte

Construção de Identidade

A questão de identidade começa com a icônica questão de Weick: “como posso saber o que penso até que eu veja o que falo (1995)? Nesta afirmação, todos os quatro pronomes são “eu”. Sensemaking começa com o indivíduo e o sentido que o indivíduo faz da situação.2 Esta discussão com o próprio eu é o primeiro passo que então permite que alguém faça sentido com os outros. Sensemaking é um processo complexo pelo qual o indivíduo, através de interação com o eu e o outros, define seu eu. “A armadilha é que o sensemaker é singular e nenhum indivíduo nunca age como um único sensemaker. Ao invés disso, qualquer sensemaker é, nas palavras de Mead (1934), ‘um parlamento de eus’ (Weick, 1995, p. 18). Isso segue a lógica de Pask e a teoria da conversação como descrito na discussão sobre conversação. Isso é conversação com o eu. Da mesma forma citando Knorr-Cetina (1981, p. 10), Weick identifica a compreensão que “o indivíduo é uma construção discursiva tipificada” (Weick, 1995, p. 20). Mesmo quando os indivíduos estão “sozinhos”, eles estão engajando-se porque cada indivíduo é uma coleção de eus. Em outras palavras, nenhum indivíduo é verdadeiramente um sensemaker solitário. Embora isso possa parecer que simplesmente leve à esquizofrenia, “quanto mais eus aos quais eu tenho acesso, maior quantidade de significados eu devo ser capaz de extrair e impôr em qualquer situação” e “menor é a probabilidade que eu me encontre totalmente surpreso” (Weick, 1995, p. 24). “Assim, as identidades especificam relações que são centrais à natureza social do sensemaking entre atores diversos” (Weber & Glynn, 2006, p. 1646). Construção de identidade é sobre como fazer sentido das entidades, indivíduos e organizações na situação sensemaking. Essas identidades são construídas olhando para o que foi dito anteriormente, como a questão inicial implica. Não pode haver sentido antes que a conversação comece. Na terminologia de Weick, este aspecto do sensemaking é a retrospectiva.

The Tree of Monkeys, 1984, Keith Harring
The Tree of Monkeys, 1984, Keith Harring

Retrospectiva

Sensemaking é contínuo e retrospectivo, fazendo sentido do que aconteceu (Gioia, 2006; Weber & Glynn, 2006; Weick, 1995). Não é uma atividade prospectiva. Indivíduos fazem sentido do que as pessoas disseram e fizeram e no entanto não podem fazer sentido sobre o que ainda não foi dito ou feito (o futuro). Sensemaking envolve o desenvolvimento retrospectivo contínuo de imagens plausíveis que racionalizam o que as pessoas estão fazendo” (Weick et al., 2005, p. 409). Em resumo, indivíduos consideram e contemplam as conversações, artefatos e acontecimentos e tentam fazer sentido deles. É o processo de participar disso que ocorreu, olhando a partir do agora para o passado, reconhecendo que é sujeito à falibilidade da memória e pode ser muito enganoso (Weick, 1995). Embora esse processo pareça sem solução, humanos ainda assim são capazes de navegar o mundo apesar da fraqueza da incompletude da habilidade individual de compreender o que aconteceu. Isso leva à necessidade de outras vozes em auxiliar no sensemaking descrito acima. O “quanto mais eus aos quais eu tenho acesso, maior quantidade de significados eu devo ser capaz de extrair e impôr em qualquer situação” e “menor é a probabilidade que eu me encontre totalmente surpreso” (Weick, 1995, p. 24).

Yayoi Kusama, Infinity Mirrored Room, 2010
Yayoi Kusama, Infinity Mirrored Room, 2010

Ativação de ambientes sensíveis

Sensemaking é uma combinação de “ação e cognição juntos” (Weick, 1995). Weick refere-se a isso como “atuação” (enactment). Isso diz respeito ao fato de que indivíduos participem em seu ambiente. Enquanto eles estão criando seu ambiente, eles também estão fazendo sentido dele. Pessoas estão fazendo sentido de ambientes dinâmicos “não algum tipo de ambiente monolítico, singular, fixo que existe destacado de e externo à essas pessoas” (Weick, 1995, p. 31). O indivíduo é parte do ambiente através do processo de co-construção dele com outros sensemakers. É por isso que sensemaking não é apenas interpretação. Interpretação é sobre ler um “texto”. Sensemaking envolve não apenas compreensão do texto mas também sua criação. Atuação é a insistência teimosa de que as pessoas agem de modo a desenvolver um sentido do que deveriam fazer a seguir. Atuação é sobre duas questões: qual é a história? E agora? Quando as pessoas agem a fim de responder estas questões, a sua atuação tipicamente codetermina a resposta (Weick, 2003). Sensemaking não é simplesmente interpretação porque ela também inclui “as formas que as pessoas geram o que interpretam” (Weick, 1995, p. 13). O sensemaker cria o ambiente e o ambiente cria o sensemaker. A partir desta perspectiva, indivíduos nunca podem ser completamente neutros ou objetivos sobre si mesmos ou sobre seu processo de sensemaking. “Se isto é oscilação ontológica, que seja. Parece funcionar.” (Weick, 1995).

'The Girl frisking a Soldier', by Banksy
‘The Girl frisking a Soldier’, by Banksy

Social

Sensemaking é “tanto uma atividade individual e social” e não é claro se estas são separáveis porque esta atividade é uma “tensão durável na condição humana” (Weick, 1995, p. 6). É um processo individual e coletivo ao mesmo tempo. Sensemaking reconhece que “o contexto social é crucial… porque ele vincula as pessoas às ações que elas então terão que justificar, afeta a saliência da informação, e provê normas e expectativas que limitam as explicações” (Weick, 1995, p. 53). Como Weick diz, “sentido pode estar nos olhos de quem vê, mas quem vê vota e a maioria governa” (Weick, 1995, p. 6). “O que é especialmente interessante é que ela tenta fazer sentido de como outras pessoas fazem sentido das coisas, uma determinação complexa do que é rotina numa vida organizacional” (Weick et al., 2005, p. 413). Isso se trata essencialmente de sistemas cibernéticos de segunda-ordem como descritos por Pask, sistemas que observam sistemas (Pask, 1975a, 1975b, 1976). Isso é o indivíduo conversando com o eu sobre a conversação com outros. Em todo caso, a conversação é ao menos diádica porque dois ou mais lados estão envolvidos. A partir desta perspectiva, sensemaking é mais significante (em oposição a Dervin) para o contexto organizacional que afeta o processo de sensemaking na biblioteca. A organização ou biblioteca afeta o sensemaking porque: “(1) instituições primam pelo sensemaking por proverem pistas sociais; (2) instituições editam o sensemaking através de processos de feedback social; (3) instituições engatilham sensemaking, colocando mosaicos para sensemaking através de contradição e ambivalência endógena” (Weber & Glynn, 2006, p. 1648). Porque bibliotecas consistem de indivíduos que estão constantemente criando novos “sentidos” de suas situações, o processo como um todo é contínuo. Isso acontece no contexto da biblioteca entre sua equipe, membros e outras partes interessadas.

Espiral de Aloe Vera
Espiral de Aloe Vera

Continuidade

“O sensemaking nunca começa. O motivo pelo qual ele nunca começa é que a pura duração nunca termina” (Weick, 2006, p. 43). O sensemaker pode apenas viver o aqui e o agora. Para o sensemaker, o “agora” nunca começou realmente, e contanto que haja consciência, ele nunca termina. Alguém está sempre no processo de criação de sentido. A partir deste ponto de vista, sensemaking não possui pretérito. Pessoas estavam criando sentido, estão criando sentido e estarão criando sentido mas nunca totalmente criaram sentido de algo. Sensemaking é claramente sobre uma atividade ou um processo…” e não apenas uma consequência (Weick, 1995, p. 13). Enquanto as pessoas estão fazendo sentido, há sempre novos estímulos que afetam o processo e o sentido. “O contraste entre a descoberta e a invenção está implícito na palavra sentido. Sentir algo soa como um ato de descoberta. Mas para se sentir algo, deve haver algo lá para criar a sensação. E o sensemaking sugere a construção daquilo que então se torna sensível” (Weick, 1995, p. 14). Embora a vida providencie o estímulo para sensemaking, o motivo pelo qual o sentido deve ser criado é porque há uma lacuna, um problema ou uma dissonância cognitiva contínua. Como Weick diz, “meu único contato com o real parece ter sido a minha dissertação em 1961 sobre dissonância cognitiva” (Weick, 2006, p. 1734). Isto é, “a interrupção, o inconsistente, o inexplicável”, que faz com que alguém tenha que fazer sentido da situação (Weick, 2006, p. 1734). Uma vez que esta dissonância é um evento recorrente, ela leva à “interação recíproca de busca da informação, atribuição de significado e ação” (Thomas, Clark, & Gioia, 1993, p. 240). Problemas são “construídos a partir dos materiais da situação problemática, que são intrigantes, perturbadoras e incertas” (Weick, 1995, p. 9). Para o sensemaker resolver a dissonância ou situação problemática, ele ou ela irá buscar por dicas no contexto ambiental como parte do processo de sensemaking. Este é um processo contínuo pois os problemas estarão sempre presentes contanto que haja movimento através do tempo e espaço.

Focado em e por intuições extraídas

Quando o sensemaking é aplicado, é essencial olhar não apenas ao ato de decisão por si só mas às circunstâncias ou contexto que resultaram nesta ação. Compreender as circunstâncias do contexto nos leva a perguntar “como” a situação se deu ao invés de “por que” uma decisão foi tomada (Weick et al., 2005). Isso irá ajudar a identificar as dicas que informaram o processo de sensemaking. O contexto não fornece não apenas as sugestões, mas contém os padrões de uso das sugestões. A cultura organizacional pode enfatizar certas fontes para sugestões e ignorar outras. Deste modo, a organização diz ao sensemaker onde procurar por sugestões. Em termos de Wenger, as fontes de localização de sugestões são o resultado de reificação uma vez que padrões são construídos através de participação. Para colocar de outro modo, “o contexto social é crucial para o sensemaking porque ele vincula a pessoas que elas então devem justificar, que limita explicações (Weick, 1995, p. 53). O contexto nos ajuda a determinar onde as pessoas estão direcionando o foco de suas intenções, onde as sugestões estão vindo. Na biblioteca, essas sugestões são criadas através de esquemas de classificação, notação, metadados, catálogos e todos os outros meios que as bibliotecas usam para guiar, direcionar e instruir seus usuários.

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“Intuição é a arte, peculiar à mente humana, de buscar pela resposta correta a partir de dados que são, por si sós, incompletos ou até mesmo, talvez, errôneos”.

Plausibilidade ao invés de precisão

Quando olhamos para o processo de sensemaking extraído a partir de sugestões, devemos relembrar que “sensemaking é dirigido por plausibilidade ao invés de precisão” (Bansler & Havn, 2006, p. 61). A precisão é secundária à plausibilidade por vários motivos. Primeiro, as pessoas estão constantemente filtrando as sugestões que afetam sua tomada de decisão. Segundo, pessoas tendem a ligar sugestões atuais com sugestões anteriores e construir sentido presente em sentido feito no passado. Terceiro, pessoas geralmente não disponibilizam do tempo necessário para rigor antes de agirem. O sentido delas precisa apenas ser bom o suficiente para o próximo passo. Finalmente, a precisão é mais relevante para curtas durações e para questões específicas do que para circunstâncias globais (Weick, 1995). Resumindo, a explicação do processo de sensemaking deve “fazer sentido” não necessariamente “ser preciso”.

Sensemaking se trata de narrativas que são socialmente aceitáveis e críveis… Seria ótimo se essas narrativas sociais também fossem precisas. Mas em um mundo pós-moderno e equívoco, imerso em políticas de interpretação e conflito de interesses e habitado por pessoas com identidades múltiplas e variantes, uma obsessão por precisão parece infrutífera e também não muito prática. (Weick, 1995, p. 61).

Enquanto em processo de sensemaking, as pessoas “lêem nas coisas os significados que gostariam de ver; eles coletam objetos, expressões, ações e daí em diante com significado subjetivo o que as ajuda a fazer com que seu mundo seja inteligível para si mesmos” (Frost & Morgan, 1983). Quando em processo de sensemaking as pessoas não estão se esforçando para ter precisão mas ao invés disso por plausibilidade e sentido. Se parece plausível e é suficiente para fornecer o significado necessário para seguir adiante, isto é preciso o suficiente para que a pessoa aja. Se esta é ou não a “ação correta” trata-se de uma outra questão. Isto foi visto no incêndio de Mann Gulch. Um plano de fuga fez sentido para a maioria dos bombeiros. Embora o plano para fuga tenha feito sentido para eles, ele não era preciso e os levou à morte. O plano preciso não fez sentido. Este é um exemplo principal de indivíduos agindo a partir da sensibilidade, do que faz sentido, ao invés de precisão (Weick, 1993). Então, quando estamos tentando entender o que aconteceu, precisamos considerar o que foi plausível aos sensemakers mesmo se o sentido deles era ou for impreciso.

Resumo

Sensemaking nas organizações e bibliotecas é um processo contínuo que nunca se inicia e nem se finaliza, contanto que a organização continue a existir. “Primeiro, o sensemaking ocorre quando um fluxo de circunstâncias organizacionais se torna em palavras e categorias salientes. Segundo, organizar-se está incorporado em textos escritos e falados. Terceiro, ler, escrever, conversar e editar são ações cruciais que servem como meio através do qual a mão invisível das instituições forma a conduta…” (Weick et al., 2005, p. 409).

Através deste processo de sensemaking, decisões são feitas levando ao comportamento. No entanto, sensemaking e tomada de decisão não são a mesma coisa. A diferença entre tomada de decisão e sensemaking é que “o primeiro nos leva a culpar os mau atores que fizeram más escolhas enquanto o último ao invés disso se foca em boas pessoas lutando para fazer sentido de uma situação complexa” (Eisenberg, 2006, p. 1699). O objetivo da biblioteca então deveria ser ajudar as pessoas a fazerem sentido das fontes que a biblioteca possui, sejam essas fontes humanas, digitais ou artefatuais. Este é um processo contínuo que nunca cessa e requer conversação entre todos os atores envolvidos com a biblioteca. Requer que os bibliotecários adotem essa dinâmica, processo de conversação e compreender que a biblioteconomia trata sobre facilitação de sensemaking e não sobre atingir um estado estático onde todo idem finalmente tem “a etiqueta correta” e está “no lugar correto”.

Notas

  1. Como os termos da terminologia de Dervin e Weick são muito próximos, “Sense-Making” será usado quando se refere ao conceito de Dervin e “sensemaking” será usado com referência ao conceito de Weick. Isso segue as convenções de cada autor.
  2. Enquanto isso é paralelo à ideia de Dervin, Weick não relaciona isso ao trabalho dela. Enquanto o leitor pode observar similaridade entre Sense Making e sensemaking, esta discussão não buscará esta linha de raciocínio uma vez que Dervin e Weick mesmos não a buscam.

Artefatos Relacionados

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Precisamos de bibliotecários agora que temos a Internet?

por Robert Graboyes, para o PBS NewsHour – 24/10/2016

Observe bibliotecários e você vai aprender bastante sobre os médicos do século XXI. As tecnologias digitais estão arremessando ambos profissionais em mundos desintermediados onde eles não são mais os únicos provedores de serviços vitais. Ambos devem mudar suas habilidades ano a ano e provar seu valor dia a dia. Ambos devem escolher entre esta ser uma mudança libertadora ou sufocante.

Minha esposa, Alanna, recentemente aposentou-se após trabalhar 40 anos como bibliotecária. O trabalho dela mudou radicalmente nestes anos. Quando ela começou, bibliotecários eram monopolizadores que juntavam, organizavam e disseminavam fontes preciosas para uma clientela dependente. Na universidade de Columbia, onde ela trabalhava e onde nos conhecemos, estudantes não sobreviveriam sem acesso rápido aos conteúdos cavernosos das estantes. Bibliotecários eram guardiões que determinavam quando um certo estudante poderia possuir fontes essenciais. Eles multavam e davam advertências para quem violasse as regras.

Alanna teve o desejo e a sorte de auxiliar várias bibliotecas a irem para a era digital. Em Columbia, ela ajudou na inspeção da mudança para catálogos online. Milagrosamente, estudantes e acadêmicos poderiam então navegar pelas fontes da biblioteca sem pedir para pessoas no balcão. Os anos se passaram e a Internet erodiu mais ainda aspectos da biblioteca tradicional. Alanna teve papel central em transportar uma companhia da Fortune 500, uma biblioteca pública e duas de ensino médio nesta nova era.

O último projeto dela era supervisionar o design e a construção de uma biblioteca de ensino médio, para ser usada de formas jamais imaginadas quando ela começou sua carreira. Quando o projeto começou meu irmão Arnold – um médico do setor de emergências – perguntou casualmente “por que precisamos de bibliotecas agora que temos a Internet?”

Alanna respondeu, “por que precisamos de médicos agora que temos computadores?”

Ponderando sobre essas trocas de frases, ela concluiu: por séculos, o trabalho do bibliotecário era promover informação escassa para clientes dependentes. Agora, o trabalho está ajudando as pessoas a navegarem a superabundância de informação de uma variedade absurda e de procedência incerta. O novo trabalho, diferente do antigo, requere marketing – bibliotecários devem persuadir clientes que um navegador vale a pena e o trabalho. Para melhor ou pior, a era digital força os experts a explicarem o porquê de uma busca do Google não substituir o bibliotecário e o WebMD não substituir o médico.

Alanna achou essa evolução emocionante. Alguns bibliotecários odiaram. Alguns tem medo disso. E outros simplesmente não a entendem.

Na virada deste milênio, um amigo próximo, Rich Schieken, se aposentou depois de uma carreira de 40 anos como cardiologista pediátrico e professor de medicina. Ele me disse que estava satisfeito em estar parando.

“Por que?” perguntei, “pensei que você amasse o seu trabalho”.

A resposta do Rich foi mais ou menos assim: “eu amo sim, mas meu mundo mudou. Quando comecei, os pais me traziam seus filhos doentes e que estavam morrendo para mim. Eu dizia “é isso o que faremos” e eles diziam “sim, doutor”. Hoje em dia, eles trazem 300 páginas de impressões de internet. Quando eu ofereço um prognóstico e sugiro tratamento, eles mostram os papéis e perguntam “por que não isso ou aquilo?”. Ele ainda disso “não me entenda mal. Esse novo mundo é melhor que o antigo. Só demoraremos mais um pouco a nos acostumarmos com ele”.

O cardiologista Eric Topol escreve muito sobre como tecnologias convergentes estão democratizando a medicina. Com aplicativos baratos de smartphone, pacientes podem checar infecções nos ouvidos de seus filhos, diferenciar entre bronquite e pneumonia, e performar uma miríade de outros serviços que antes era de domínio exclusivo de médicos. Um paciente com fibrilação atrial pode usar um smartphone e um pequeno AliveCor periférico para fazer um eletrocardiograma em 30 segundos (eu mesmo tenho um no meu iPhone).

Pondere isso por um momento: Topol argumenta que o smartphone logo irá ser o dispositivo mais importante na história da medicina e que, aliviado de tarefas repetitivas, os médicos poderam ser livres para usarem suas mentes e talentos onde eles são realmente indispensáveis.

Alan Greene, diretor médico da startup de um dispositivo diagnóstico chamado Scanadu, disse sobre o supercomputador Watson da IBM: “acredito que algo como o Watson será em breve o melhor diagnosticador do mundo – seja máquina ou humano. Na medida que a tecnologia [de inteligência artificial] está melhorando, uma criança nascida hoje raramente precisará ver um médico para ter um diagnóstico até se tornarem adultos”.

O otimismo tecnológico de Greene é provavelmente um pouco mais poderoso que o meu. Mas acredito que alguma versão da medicina democratizada de Topol e as bibliotecas democratizadas de minha esposa irão prevalecer e dominar este século – e que, em última análise, médicos, bibliotecários e suas clientelas estarão melhores com isso.

Bibliotecários: o marketing digital precisa das habilidades de vocês

por Laurel Norris, para o CMS Wire

A American Library Association (ALA) postou 2,386 empregos de bibliotecários em 2015.

Hoje em dia a ALA nem sempre posta todo trabalho disponível. Mas com o National Center for Education Statistics dizendo que 6,983 pessoas possuíram uma graduação em Biblioteconomia e Ciência da Informação no ano acadêmico de 2012-2013, podemos dizer que existe um desequilíbrio entre o número de graduados e o número de trabalhos bibliotecários tradicionais disponíveis.

Esse desequilibrio contribuiu para que a revista Fortune incluísse a Ciência da Informação como um dos 15 piores graduações para empregos em sua lista de 2016?

Talvez, mas nem tudo está perdido.

Se você possui habilidades modernas de biblioteconomia como desenvolvimento de taxonomia, gestão de sistemas web, análise de dados, arquitetura e literacia da informação, você está qualificado para trabalhar em vários departamentos de marketing.

Pessoas com graduação em Ciência da Informação estão fazendo gestão de conteúdo, dando forma à estratégias de marketing e organizando ativos digitais para companhias no mundo todo.

Como conseguir um trabalho em Marketing com habilidades de biblioteconomia

Os melhores conselhos para bibliotecários que buscam carreira no marketing ou em qualquer outra área, vem da taxonomista do Etsy Jenny Benevento.

“As empresas precisam de um certo conjunto de habilidades e o que acontece é que coincidentemente essas são as habilidades que você tem quando você se forma em biblioteconomia – mas eles não necessariamente colocam a palavra biblioteconomia num anúncio de vaga. Vários bibliotecários esperam até que alguém peça por um bibliotecários ou algo muito específico”, ela explica.

“Uma das principais habilidades bibliotecárias são pesquisa e palavras-chave. Minha recomendação é utilizar essas habilidades e buscar vagas através de palavras-chaves de coisas nas quais você é bom em sites de emprego – não apenas em sites de empregos da área, mas de qualquer área.”

Outro benefício de listas suas habilidades em palavras-chaves está no fato de que talvez você comece a perceber habilidades as quais você não tem – especialmente se esta é uma indústria nova pra você. Para Benevento, é uma oportunidade para expandir. “Talvez você não consiga aquele emprego em específico, mas veja anúncios de vagas e tente perceber que tipos de habilidades são colocadas juntas. Se existem habilidades complementares que você não tem, aprenda-as”.

Ela leva as palavras-chaves um pouco além e usa palavras-chaves que representam suas habilidades em seu perfil no LinkedIn.

“Eu coloco talvez cinco termos para o que eu faço no primeiro parágrafo do meu perfil do LinkedIn, como taxonomia, tesauro e metadados, apenas descrevendo minhas habilidades no máximo de palavras-chave possíveis… Tantas pessoas entram em contato comigo pelo LinkedIn e se você for pensar em quem está realizando buscas no LinkedIn, são recrutadores e head hunters que não necessariamente entendem de metadados ou taxonomia. Eles apenas buscam esses três termos e chamam a primeira pessoa que aparece. Basicamente o que estou dizendo é: use suas habilidades bibliotecárias para aparecer através do SEO”.

O talento da Benevento para se otimizar na busca de recrutadores a levou a uma invejável carreira em marketing, estratégia de conteúdo e taxonomia.

Pensando fora da caixa da biblioteca

Benevento não é a única graduada em biblioteconomia a desenvolver uma carreira fora do papel bibliotecário tradicional. Durante uma discussão que aconteceu no encontro anual de 2016 do Special Libraries Association (SLA), três bibliotecários discutiram suas carreiras como criadores de conteúdo e editores. Vamos das uma olhada em suas carreiras.

Caitlin Nitz é diretora de marketing de conteúdo na agência de estratégia digital Blue State Digital. Depois de concluir biblioteconomia ela começou uma graduação em propaganda, trabalhando para a Association of National Advertisers. Lá era levantou e compilou apresentações de marketing para compartilhar como parte do Marketing Knowledge Center de 9 mil itens. Mais tarde ela atuou como gestora do Centro antes de se mudar para a área de estratégia de conteúdo e então o seu atual papel.

Liz Aviles começou no mundo de marketing e conteúdo em 1999 com “potty postings” na agência de marketing Upshot, onde ela ainda trabalha. Os potty postings eram planilhas de uma página de informações que ela e o time dela compartilhavam nos banheiros. As habilidades de Aviles de curadoria, análise e identificação de informação importante garantiram a ela seu atual papel como vice presidente de inteligência de marketing.

Hillary Rengert começou sua carreira como bibliotecária no ramo da rua 96 do sistema de bibliotecas públicas de Nova Iorque. Depois de dois anos, ela se tornou bibliotecária de pesquisa e em 2004 ela se juntou ao eMarketer como pesquisadora sênior. Ela agora é a Vice Presidente de pesquisa da organização.

Onde estão os trabalhos hoje

Ainda sem saber como começar sua busca? As seguintes vagas oferecem boas oportunidades para bibliotecários em marketing. Enquanto essas vagas foram listadas recentemente, incluí uma pequena descrição caso elas sejam encerradas.

  • Gestor de Mídia, Marca, BuzzFeed — Esta vaga é um bom exemplo do que Benevento chama de cluster de habilidades. O BuzzFeed está em busca de alguém com experiência em bibliotecas de bases de dados digitais, arquivos e tagging – e também conhecimento de padrões de dados de vídeos específicos e opções de arquivos. Se você tem as habilidades e interesse em vídeo, procure por oportunidades de estágio ou trabalhos freelance para se preparar para um trabalho assim.
  • Coordenador de Ativos Digitais, Memorial Sloan Kettering Cancer Center — Um papel admnistrativo de ativos digitais clássico, o coordenador de ativos digitais é responsável por gerir copyrights e diretrizes de direitos, determinando e aplicando metadados aos ativos, e apoiando usuários dos mesmos. As habilidades requeridas estão alinhadas com profissionais de biblioteca, como gestão da informação, comunicação e organização.
  • Especialista em Conteúdo Digital, Dignity Health — Esta vaga combina vários conjuntos de habilidades: sistemas de gestão (DAM e sistemas de conteúdo), avaliação analítica, habilidades arquivísticas, gestão de projetos e marketing. Com algumas adições, treinamento em taxonomia, catalogação e auditoria de sistemas é um bom lugar para começar a adicionar mais habilidades em desenvolvimento de conteúdo e métricas.
  • Coordenador de Ativos Digitais, New Balance — A principal responsabilidade do Coordenador de Ativos Digitais é manter o sistema de DAM rodando. Isso inclui administração de usuários, gestão de ativos no sistema, manter a qualidade da marca, atender aos direitos legais dos ativos e fazer relatórios de avaliação.
  • Assistente Técnico em Imagens, The Getty — Embora não seja tecnicamente uma vaga de marketing (e com um museu), eu incluo essa vaga temporária no museu Paul J. Getty Museum porque é um exemplo de como ganhar habilidades complementares. As principais atividades incluem coisas como compilação de arquivos digitais, catalogá-los, aplicar convenções de nomeação e tarefas pós-processamento. Embora conhecimento em Adobe Photoshop e correção digital de cor estejam listadas, nenhuma experiência é necessária. Um ótimo trabalho para começar a construir uma nova habilidade profissionalmente.

Os motivos pelos quais os bibliotecários no mercado deveriam buscar a área de marketing estão bem claros. Habilidades em taxonomia, metadados, sistemas para web, análise de dados, arquitetura e literacia da informação são apenas algumas que você pode oferecer e que possui alta demanda.

Imagem “Librarian” (CC BY-SA 2.0) por valkyrieh116

Aqui estão todos os dados que o Pokemon Go está coletando do seu telefone

A companhia por trás do jogo está colecionando dados dos jogadores. E definitivamente está conseguindo pegar todos.

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sub-buzz-5926-1468349136-2Originalmente postado em 11 de julho de 2016 às 3:38 p.m.
Atualizado em 12 de julho de 2016 às 3:20 p.m.
por Joseph Bernstein, reporter do BuzzFeed News

Atualização: em um anúncio anexado ao primeiro patch do jogo, lançado hoje, a Niantic disse que “consertou o escopo de conta do Google”. Usuários de iOS que fizeram log off e log in no jogo de novo com o Google verão a tela ao lado, com as duas permissões que agora o jogo requere: ID de usuário do Google e endereço de e-mail.

Nos últimos cinco dias delirantes desde o seu lançamento americano, o Pokémon Go se tornou uma sensação econômica e cultural. Baixado por milhões de pessoas, o jogo aumentou o valor de mercado da Nintendo em U$ 9 bilhões (e contando), deu um belo exemplo de realidade aumentada enquanto formato de jogo do futuro e fez acontecer uma quantidade inimaginável de encontros na vida real completamente estranhos, assustadores e aleatórios.

E enquanto milhares de usuários andam pelo país colecionando Pikachus e Jigglypuffs, o spin-off da Alphabet, a Niantic Inc. que desenvolveu o jogo está colecionando informações sobre os colecionadores. E está definitivamente conseguindo pegar todas.

Como a maioria dos aplicativos que trabalham com GPS nos smartphones, Pokémon Go pode dizer uma série de coisas sobre você baseado na sua movimentação enquanto joga: onde você vai, quando você foi lá, como você conseguiu chegar lá, por quanto tempo ficou e quem mais estava por lá. E, como vários desenvolvedores que construíram estes apps, a Niantic mantém essa informação.

De acordo com a política de privacidade do Pokémon Go, a Niantic pode colecionar – entre outras coisas – seu endereço de email, endereço de IP, a web page que você estava usando antes de fazer login no Pokémon Go, seu username e sua localização. E se você utiliza a sua conta Google para se logar e usa um dispositivo iOS, a menos que você especificamente revogue isso, a Niantic tem acesso à toda a sua conta no Google. Isso significa que a Niantic pode ter acesso ao seu e-mail (leitura e escrita), documentos de Google Drive e mais. (Também significa que se os servidores da Niantic forem hackeados, quem quer que tenha hackeado estes servidores potencialmente também terá acesso à toda a sua conta no Google. E você pode apostar que toda essa popularidade do jogo fez com que ele se tornasse um alvo para hackers. Dado o número de crianças jogando, isso é meio assustador). Você pode checar que tipo de acesso a Niantic tem à sua conta Google aqui.

A empresa também pode compartilhar essa informação com outras, incluindo a Pokémon Company que desenvolveu o jogo, “provedores de serviços terceirizados” e “terceiros” para conduzirem “pesquisa e análise, perfil demográfico e outros propósitos similares”. Pode também, pela política, compartilhar qualquer informação que colete com a aplicação da lei em resposta à uma reivindicação legal para proteger seus próprios interesses, ou bloquear “atividades ilegais, antiéticas ou juridicamente acionáveis”.

Agora, nenhuma destas disposições de privacidade são únicas por si sós. Apps baseados em localização como o Foursquare ou Tinder podem e fazem coisas similares. Mas mapa de dados bloco a bloco incrivelmente granular do Pokémon Go, combinado com sua afluente popularidade, pode logo se tornar, se já não for, o gráfico social baseado em geolocalização mais detalhado já compilado.

E está tudo, ou ao menos a maior parte, nas mãos da Niantic, uma pequena companhia de desenvolvimento de realidade aumentada com intensas raízes no vale do Silício. As origens da companhia datam desde a startup de visualização de dados geoespaciais Keyhole Inc., a qual o Google adquiriu em 2004; teve papel crucial no desenvolvimento do Google Earth e do Google Maps. E embora a Niantic seja uma derivada da Alphabet do final do ano passado, a empresa-mãe do Google ainda é um dos seus principais investidores, assim como a Nintendo, que é dona da maior parte das ações na Pokémon Company. De fato, o Google ainda tinha posse da Niantic quando o desenvolvedor lançou o seu primeiro jogo, Ingress, que foi o que a Niantic usou para coletar as locações para os Pokéstops e ginásios gerais do Pokémon Go.

Em uma declaração ao Gizmodo na segunda à noite, a Niantic disse que eles começaram a trabalhar em um erro e verificaram com o Google que nada além das informações básicas de perfil tinham sido acessadas.

Recentemente descobrimos que o processo de criação de conta no Pokémon GO no iOS erroneamente requere permissões de acesso completo para a conta do usuário do Google. No entanto, o Pokémon GO acessa apenas as informações básicas de perfil do Google (especificamente, seu User ID e e-mail) e nenhuma outra informação de conta é ou tem sido acessada ou coletada.

Uma vez que descobrimos este erro, nós começamos a trabalhar em uma reparação de erro no cliente para requerer permissão apenas para informações básicas de perfil do Google, alinhado com os dados que acessamos de verdade. O Google verificou que nenhuma informação tem sido recebida ou acessada pelo Pokémon GO ou pela Niantic.

O Google em breve reduzirá a permissão do Pokémon Go para apenas os dados básicos de perfil necessários e para que os usuários não precisem tomar ações nenhuma.

Dado o fato de que o Pokémon Go já tem milhões de usuários e que já atraiu a atenção da aplicação da lei, parece provável que em algum momento a polícia vai tentar fazer com que a Niantic libere informações dos usuários. E se o histórico do Google servir para qualquer indicação – um relatório feito no início do ano mostrou que a companhia cumpriu 78% dos pedidos de aplicação da lei para dados de usuários – eles provavelmente estão preparados para cooperar.

Salvem os mantenedores

por Lee Vinsel e Andrew Russell, para a Aeon.co

O capitalismo se destaca na inovação mas está falhando na manutenção e
para a maioria das pessoas é a manutenção o que mais importa

Inovação é uma ideologia dominante da nossa era, adotada nos Estados Unidos pelo Vale do Silício, Wall Street e a elite política de Washington DC. Uma vez que a busca por inovação inspirou tecnólogos e capitalistas, ela também provocou críticas que suspeitam que os mascates da inovação superestimam radicalmente a inovação. O que acontece depois da inovação, argumentam, é mais importante. A manutenção e o reparo, a construção de infraestruturas, o trabalho mundano que providencia a sustentação e o funcionamento de infra estruturas eficientes, simplesmente tem mais impacto nas vidas diárias das pessoas do que a vasta maioria das inovações tecnológicas.

Os destinos das nações em lados opostos na Cortina de Ferro ilustram os bons motivos que levaram à ascensão da inovação enquanto conceito de buzzword e organização. Ao longo do percurso do século XX, sociedades abertas que celebraram a diversidade, a novidade e o progresso performaram melhor do que sociedades fechadas que defendiam a uniformidade e a ordem.

No final dos anos 60 em face à guerra do Vietnã, a degradação ambiental, os assassinatos de Kennedy e King e outras frustrações sociais e tecnológicas, ficou cada vez mais difícil para muitos ter fé no progresso moral e social. Para substituir o progresso, a ‘inovação’, um conceito menor e moralmente neutro surgiu. A inovação providenciou uma forma de celebrar as realizações de uma era high-tech sem esperar muito dela em relação à questões de melhorias sociais e morais.

Antes dos sonhos da Nova Esquerda terem sido destruídos por massacres em My Lai e Altamont, economistas já tinham se voltado para a tecnologia para explicar o crescimento econômico e o alto padrão de vida em democracias capitalistas. Começando nos anos 50, os proeminentes economistas Robert Solow e Kenneth Arrow descobriram que explicações tradicionais – mudanças na educação e no capital, por exemplo – podiam não ser responsáveis por parcelas significativas de crescimento. Eles pensaram na hipótese de a mudança tecnológica ser o fator X escondido. Sua busca caiu como uma luva com todas as maravilhas tecnológicas que foram consequências da Segunda Guerra Mundial, a Guerra Fria e a mania pós-Sputinik por ciência e tecnologia, e a visão pós-guerra de abundância material.

O importante livro de Robert Gordon, The Rise and Fall of American Growth (A Ascenção e Queda do Crescimento Americano, em tradução livre), oferece uma história mais abrangente desta era de ouro na economia Americana. Como Gordon explica, entre 1870 e 1940, os Estados Unidos experimentaram um período sem precedentes – e provavelmente irrepetível – de crescimento econômico. Aquele século viu uma série de novas tecnologias e novas industrias sendo criadas, incluindo a elétrica, química, telefonia celular, automóveis, rádio, televisão, petróleo, gás e eletrônicos. A demanda por uma variedade de novos equipamentos de casa e utensílios de cozinha, que, normalmente, tornam a vida mais fácil e mais suportável, impulsionou o crescimento. Após a Segunda Guerra Mundial, os americanos trataram as novas tecnologias de consumo como procurações para o progresso social – mais famosamente, no ‘Kitchen Debate’ de 1959 entre o vice-presidente norte americano Richard Nixon e o premier soviético Nikita Kruschev. Críticos se questionaram se Nixon tinha sido sábio em apontar aparelhos modernos tais como liquidificadores e máquinas de lavar como emblemas da superioridade americana.

Mesmo assim, o crescimento estava fortemente amarrado à melhoria social contínua. Uma vez que industrias mais velhas amadureceram e declinaram, ‘novas industrias associadas com novas tecnologias’ teriam ascendido para tomarem seus lugares.

Ainda, essa necessidade para novas indústrias emergentes se tornou problemática uma vez que os Estados Unidos foi em direção aos tempos difíceis dos anos 70 e início dos anos 80. Setores econômicos inteiros, a indústria automobilística, por exemplo, se desvalorizou. Um novo termo – ‘política de inovação’ – surgiu, designado para estimular o crescimento econômico por apoiar mudança tecnológica, particularmente em face à competição econômica internacional com o Japão. O Vale do Silício, um termo que tinha acabado de surgir no fim dos anos 70, se tornou o exemplo de inovação nesta época.

No início dos anos 80, livros lançaram o Vale do Silício como uma terra de engenhosidade tecnológica quase mágica começaram a chegar ao mercado. A política de inovação focou-se mais e mais em ‘sistemas de inovação regional’ e ‘clusters de inovação’. Qualquer lugar era potencialmente o próximo Vale do Silício de X. Esse tema de localidade chegou em sua apoteose no livro de 2002 de Richard Florida, The Rise of the Creative Class (A Ascenção da Classe Criativa, em tradução livre), que argumentou que regiões sucediam por tornarem-se os tipos de lugares que os tipos comedores de granolas, andadores de bicicleta, criadores de código criativos queriam viver. O livro usou a palavra ‘inovação’ mais de 90 vezes e idealizou o Vale do Silício pesadamente.

Nos anos 90, acadêmicos e audiências populares também redescobriram o trabalho de Joseph Schumpeter. Schumpeter era um economista austríaco que defendeu a inovação e seu termo parceiro, empreendedorismo. Schumpeter visualizou o crescimento econômico e a mudança no capitalismo como um ‘vendaval de destruição criativa’, no qual as novas tecnologias e práticas de negócio ultrapassaram ou destruíram completamente as antigas. O pensamento neo-Schumpeteriano às vezes nos levou a uma montanha de academicismo dúbio e pensamento mágico, mais notavelmente, o tomo de 1997 de Clayton M Christensen, The Innovator’s Dilemma: The Revolutionary Book that Will Change the Way You Do Business. Agora em boa parte desconsiderado, o trabalho de Christensen exerceu tremenda influência, com sua ênfase em tecnologias ‘disruptivas’ que subjugou indústrias inteiras para fazer fortunas.

Na virada do milênio, no mundo dos negócios e da tecnologia, a inovação se transformou em um fetiche erótico. Exércitos de jovens magos da tecnologia aspiravam se tornar disruptivos. A ambição pela disrupção na busca pela inovação transcendeu a política, recrutando tanto liberais quanto conservadores. Políticos conservadores poderiam estripar o governo e cortar impostos em nome do fomento ao empreendedorismo, enquanto liberais poderiam criar novos programas voltados para patrocinar pesquisas. A ideia era vaga o suficiente para fazer quase qualquer coisa em seu nome sem sentir o mínimo de conflito, contanto que você entoasse o mantra repetidamente: INOVAÇÃO!! EMPREENDEDORISMO!!

Um consultor profissional em inovação aconselhou seus clientes a banirem a palavra em suas companhias. Ele disse que era só uma ‘palavra para esconder a falta de substância’

Alguns anos depois, no entanto, era possível detectar tremores de dissidência. Em um ensaio ácido entitulado ‘Innovation is the New Black‘ (Inovação é o Novo Preto, em tradução livre), Michael Bierut, escrevendo no Design Observer em 2005, lamentou a ‘mania de inovação, ou ao menos pela infinita repetição da palavra “inovação”’. Logo, até mesmo publicações de negócio começaram a levantar a questão de valor inerente. Em 2006, o The Economist notou que oficiais chineses tinham feito da inovação um ‘buzzword nacional’, ao mesmo tempo em que presunçosamente reportou que o sistema educacional da china ‘salienta a conformidade e faz pouco para patrocinar o pensamento independente’, e que as novas frases de efeito do Partido Comunista ‘em sua maioria acabam afundando em poças de retórica’. Mais tarde naquele ano a Businessweek alertou: ‘inovação está em grave perigo de se tornar uma buzzword superestimada. Estamos fazendo nossa parte aqui na Businessweek’. De novo na Businessweek, no último dia de 2008, o crítico de design Bruce Nussbaum retornou ao tema, declarando que a inovação morreu em 2008, morta por excesso de uso, mau uso, estreiteza, incrementalismo e fracasso em evoluir… No final, “inovação” provou ser fraca tanto tática quanto estrategicamente em face à economia e tumulto social’.

Em 2012, até o Wall Street Journal entrou em um ato de depredação da inovação, notando que ‘o Termo Começou a Perder Sentido’. Na época, contou-se ‘mais de 250 livros com “inovação” no título… publicados nos últimos três meses’. Um consultor profissional de inovação que foi entrevistado aconselhou seus clientes a banirem a palavra em suas companhias. Ele disse que era apenas ‘uma palavra para esconder a falta de substância’.

Surgiram evidências de que regiões de intensa inovação também possuem problemas sistêmicos com desigualdade. Em 2013, protestos surgiram em São Francisco por conta da gentrificação e estratificação social simbolizada pelos ônibus do Google e outros ônibus privados. Esses ônibus traziam empregados high-tech de suas casas caras, urbanas e modernas aos seus campus suburbanos exuberantes, sem expô-los à inconveniência do transporte público ou às vastas populações de pobres e sem teto que também chamam o Vale do Silício de casa. O sofrimento dramático e desnecessário exposto por tais justaposições de desigualdade econômica parece ser uma característica, não um bug de regiões altamente inovadoras.

A trajetória da ‘inovação’ a partir de seu núcleo, que valorizou a prática de publicizar sociedades distópicas, não é completamente surpreendente, em certo nível. Há um sentimento formuláico: um termo ganha popularidade porque ele ressoa em conjunto com o zeitgeist, alcança o status de buzzword, e então sofre de superexposição e cooptação. Agora mesmo, a fórmula trouxe à sociedade um questionamento: depois que a ‘inovação’ foi exposta como mercenarismo, há uma melhor forma de caracterizar relacionamentos entre sociedade e tecnologia?

Existem três formas básicas de responder esta questão. Primeiro, é crucial entender que tecnologia não é inovação. Inovação é apenas uma pequena parte do que acontece com tecnologia. Essa preocupação com a novidade é infeliz porque ela falha em levar em consideração as tecnologias de uso muito difundido, e obscurece a quantidade de coisas à nossa volta que são bem velhas. Em seu livro, Shock of the Old (2007), o historiador David Edgerton examina a tecnologia atual. Ele percebe que objetos comuns, como o ventilador elétrico e várias partes dos automóveis, permaneceram virtualmente não modificadas por um século ou mais. Quando temos essa perspectiva mais ampla, podemos contar diferentes histórias com ênfases geográficas, cronológicas e sociológicas drasticamente diferentes. As histórias mais mofadas sobre inovação focam-se em homens brancos e prósperos sentados em garagens em uma pequena região da Califórnia, mas seres humanos no Sul Global também vivem com tecnologias. Quais delas? De onde eles vem? Como são produzidas, utilizadas, consertadas? Sim, objetos de novidade preocupam os privilegiados e podem gerar grandes lucros. Mas os contos mais memoráveis de astúcia, esforço e preocupação que as pessoas direcionaram em relação às tecnologias existem bem além das mesmas velhas anedotas sobre invenção e inovação.

Segundo, por abrirmos mão da inovação, nós podemos reconhecer o papel essencial das infraestruturas básicas. ‘Infraestrutura’ é um termo bem mais não glamouroso, o tipo de palavra que teria sumido do nosso léxico há muito tempo se não apontasse para algo de importância social imensa. Notavelmente, em 2015 ‘infraestrutura’ veio ao foro de conversações em várias caminhadas da vida Americana. Na véspera de uma colisão fatal da Amtrak perto da Philadelphia, o presidente Obama lutou com o Congresso para passar o projeto de lei de infraestrutura que os Republicanos estavam bloqueando, mas finalmente aprovaram em dezembro de 2015. ‘Infraestrutura’ também se tornou o foco de comunidades acadêmicas em história e antropologia, aparecendo até mesmo 78 vezes no programa do encontro anual da Associação Antropológica Norte Americana. Artistas, jornalistas e até mesmo comediantes fizeram parte da luta, mais memoravelmente com o esquete hilário de John Oliver estrelando o Edward Norton e Steve Buscemi em um trailer para um blockbuster imaginário no mais enfadonho dos temas. No começo de 2016, o New York Review of Books trouxe ‘a mais séria e passiva palavra’ para a atenção de seus leitores, com um ensaio deprimente entitulado ‘A Country Breaking Down‘ (‘Um país deteriorando-se’, em tradução livre).

Apesar das recorrentes fantasias sobre o fim do trabalho, o fato central da nossa civilização industrial é a ocupação, muito do qual recai muito longe do domínio da inovação

O melhor dessas conversas sobre infraestrutura saem de questões técnicas estreitas para engajarem-se em implicações morais mais profundas. Fracassos em infraestrutura – acidentes de trem, falhas em pontes, alagamentos urbanos, etc. – são manifestações de e alegorias para o sistema político disfuncional americano, sua desgastada rede de segurança social e seu permanente fascínio por coisas brilhantes, novas e triviais. Mas, especialmente em alguns redutos do mundo acadêmico, um foco nas estruturas materiais do dia a dia pode ter uma reviravolta bizarra, como exemplificado em um trabalho que forneça ‘agência’ à coisas materiais ou embrulhe um fetichismo de comodity na linguagem de teoria da alta cultura, marketing escorregadio e design. Por exemplo, a série ‘Object Lessons’ da Bloomsbury possui biografias e reflexões filosóficas sobre coisas construídas por humanos, como a bola de golfe. Que vergonha seria se a sociedade americana amadurecesse ao ponto da superficialidade do conceito de inovação se tornasse algo claro, mas a resposta mais proeminente fosse uma fascinação igualmente superficial com bolas de golfe, geladeiras e controles remotos.

Terceiro, focar-se em infraestrutura ou em coisas velhas e já existentes ao invés de novas nos lembram da centralidade absoluta do trabalho que existe para manter todo o mundo funcionando. Apesar de fantasias recorrentes sobre o fim do trabalho ou a automação de tudo, o fato central de nossa civilização industrial é a ocupação e a maior parte desta ocupação recai fora do domínio da inovação. Inventores ou inovadores são uma pequena parcela – talvez algo entre um por cento – dessa força de trabalho. Se dispositivos devem render dinheiro, corporações precisam de pessoas para manufaturá-lo, vendê-lo e distribuí-lo. Outra importante faceta do trabalho tecnológico surge quando as pessoas usam de fato um produto. Em alguns casos, a imagem do ‘usuário’ poderia ser um indivíduo como você, sentando no seu computador, mas em outros caso, usuários finais são instituições – companhias, governos ou universidades que lutam para fazer as tecnologias trabalharem de modos que seus inventores ou criadores jamais imaginaram.

As menos apreciadas e desvalorizadas formas de trabalho tecnológico são também as mais banais: aqueles que reparam e mantém tecnologias que já existem, que foram ‘inovadas’ há muito tempo atrás. Essa mudança na ênfase envolve o foco nos constantes processos de entropia e des-fazer – que o acadêmico de mídia Steven Jackson chama de ‘pensamento do mundo destruído’ – e o trabalho que fazemos é deixá-los mais lentos ou detê-los, ao invés da introdução de coisas novas. Em anos recentes, acadêmicos produziram um número de estudos sobre pessoas que realizam este tipo de trabalho. Por exemplo, a pesquisadora em estudos da ciência Lilly Irani examinou os trabalhadores de baixa renda que higienizam informação digital na web, incluindo trabalhadores indianos que checam propagandas ‘para filtrar pornografia, álcool e violência’. Por que não estender este estilo de análise para pensar mais claramente sobre assuntos tais como ‘cyber segurança’? A necessidades de programadores e escritores de código no campo da cybersegurança é óbvia, mas deveria ser igualmente óbvio que vulnerabilidades fundamentais em nossas cyber estruturas são protegidas por guardas que trabalham em turnos de coveiros e equipes que reparam cercas e leitores de cartão de identificação.

Podemos pensar em trabalho que precisa de manutenção e reparo como o trabalho dos mantenedores, aqueles indivíduos os quais o trabalho mantém a existência ordinária seguindo, ao invés de introduzirem coisas novas. Uma breve reflexão demonstra que a grande maioria do trabalho humano, de lavanderia e remoção de lixo à trabalho de zeladoria e preparação de comida, é deste tipo: de manutenção. Essa percepção tem implicações significantes para relações de gênero na e acerca da tecnologia. Teóricas feministas argumentaram por muito tempo que obsessões com novidades tecnológicas obscurescem todo o trabalho, incluindo trabalho de casa, que mulheres, desproporcionalmente, fazem para manter a vida nos trilhos. Trabalho doméstico tem ramificações financeiras imensas mas fica fora amplamente da contabilidade econômica, como Produto Interno Bruto. Em seu clássico livro de 1983 More Work for Mother, Ruth Schwartz Cowan examinou tecnologias domésticas – tais como máquinas de lavar louça e aspiradores de pó – e como eles se encaixam no trabalho incessante das mulheres de manutenção doméstica. Uma de suas descobertas mais interessantes foi que as novas tecnologias de manutenção doméstica, que prometiam diminuir a carga de trabalho, literalmente criaram mais trabalho para as mães uma vez que os padrões de limpeza aumentaram, deixando as mulheres perpetuamente incapazes de lidar com tudo.

Não há sentido em manter a prática de uma adoração de herói onde meramente muda o cast de heróis sem confrontar os problemas mais profundos

Nixon, errado em tantas coisas, também estava errado em apontar eletrodomésticos como indicadores auto-evidentes do progresso americano. Ironicamente, o trabalho de Cowan encontrou ceticismo de acadêmicos homens que trabalhavam com a história da tecnologia, de quem o histórico era um panteão masculino de inventores: Bell, Morse, Edison, Tesla, Diesel, Shockley, e por aí vai. Um foco renovado sobre a manutenção e reparo também tem implicações além das políticas de gênero que o More Work for Mother trouxe à luz. Quando eles colocam a obsessão com inovação de lado, acadêmicos podem confrontar vários tipos de trabalhos de baixa renda performados por vários norte americanos negros, latinos e outras minorias étnicas e raciais. A partir desta perspectiva, lutas recentes sobre o aumento do salário mínimo, inclusive para trabalhadores de fast food, podem ser vistos como argumentos pela dignidade de ser um mantenedor.

Organizamos uma conferência para trazer o trabalho dos mantenedores em um foco mais claro. Mais de 40 acadêmicos responderam a chamada para artigos perguntando ‘O que está em jogo se retirarmos a academia da inovação e ao encontro da manutenção?’ Historiadores, cientistas sociais, economistas, administradores, artistas e ativistas responderam. Todos querem falar sobre a tecnologia fora da sombra da inovação.

Um tópico de conversação importante é o perigo de mover-se muito triunfantemente da inovação para a manutenção. Não há motivo em manter a prática de adoração de herói onde meramente muda-se o cast de heróis sem confrontar um dos problemas mais profundos subjacentes à obsessão por inovação. Um dos problemas mais significantes é a cultura dominada por homens na tecnologia, manifestado em recentes constrangimentos tais como a flagrante misoginia no ‘#GamerGate’ há alguns anos atrás, bem como a persistente diferença entre salários entre homens e mulheres exercendo o mesmo trabalho.

Há uma necessidade urgente de contarmos mais direta e honestamente com nossas máquinas e nós mesmos. Ultimamente, enfatizando a manutenção envolve ir de buzzwords para valores, e de meios para fins. Em termos formais econômicos, ‘inovação’ envolve a difusão de novas coisas e práticas. O termo é completamente agnóstico sobre essas práticas serem boas ou não. Crack, por exemplo, era um produto muito inovador nos anos 80, que envolvia uma grande quantidade de empreendedorismo (chamado ‘traficar’) e gerava muito retorno. Inovação! Empreendedorismo! Talvez este ponto seja cínico, mas chama nossa atenção para uma realidade perversa: o discurso contemporâneo trata a inovação como um valor positivo por si só, quando ele não é.

Sociedades inteiras vem falar sobre inovação como se fosse um valor inerentemente desejável, como amor, fraternidade, coragem, beleza, dignidade ou responsabilidade. Fazem adorações sobre inovação no altar da mudança, mas raramente se perguntam sobre a quem beneficia, e com qual fim? O foco na manutenção provê oportunidade para fazer perguntas sobre o que realmente queremos das nossas tecnologias. Com o que realmente nos importamos? Que tipo de sociedade queremos viver? Isso nos ajudará a chegar lá? Devemos mudar de meios, incluindo tecnologias que sustentam nossas ações do dia a dia, para fins, incluindo os vários tipos de benefícios e melhorias sociais que a tecnologia pode oferecer. Nosso mundo cada vez mais desigual e temeroso agradeceria.

Lee Vinsel é professor assistente de estudos de ciência e tecnologia no Stevens Institute of Technology em Hoboken, New Jersey. Ele está trabalhando no livro Taming the American Idol: Cars, Risks, and Regulations.

Andrew Russell é professor associado e diretor do programa em estudos da ciência e tecnologia no Stevens Institute of Technology em Hoboken, New Jersey. Ele é o autor do Open Standards and the Digital Age (2014) e co-editor do Ada’s Legacy (2015).

O valor no desenvolvimento de uma taxonomia para lojas online

por Craig Fox para a PinnacleCart

Tendo uma pequena loja, apenas o fato de manter o controle de inventário e estoque da sua loja online pode tomar 90% do seu tempo disponível – considerar o uso de taxonomia para a sua loja online pode parecer como qualquer outra tarefa pra lista de ‘fazer depois’. No entanto, gerir e revisar a taxonomia de sua loja online pode te ajudar a desenvolver conteúdo, otimizar SEO, desenvolver um plano de vendas e criar oportunidades naturais de vendas cruzadas e aumento de vendas.

Então, o que é taxonomia? Taxonomia é um termo técnico que se refere à classificação de itens. Em qualquer site isto seria considerado o agrupamento de conteúdo para o mapa do site; em e-commerce isso significa identificar em categorias agrupamentos naturais e específicos de produtos da loja.

Se você vende sapatos online as categorias naturais podem ser:

  • Sapatos esportivos
  • Sapatos sociais
  • Sapatos casuais
  • Botas

Essas categorias seriam divididas no futuro em sub-categorias dependendo do tipo de conhecimento que você tiver de seus clientes. Uma versão poderia ser:

  • Sapatos sociais
    • Sapatos Sociais Femininos
    • Sapatos Sociais Masculinos
    • Sapatos Sociais Infantis

 

Ou talvez a sua loja online apenas atenda mulheres e você criaria sub-categorias assim:

  • Sapatos Sociais
    • Salto Alto
    • Plataforma
    • Anabella
    • Sandálias

 

Ou talvez você gostaria de começar por materiais – couro, camurça, tecido; ou por estação – verão, outono, inverno, primavera. Tudo depende do conhecimento que você tiver de seus clientes, suas preferências de compra, as quais você pode identificar a partir de dados anteriores, termos de busca do seu software deanalytics ou até mesmo a partir de pesquisas feitas com clientes.

Agrupamentos específicos de produtos de lojas online podem ser taxonomias que você cria para dar apoio à uma venda ou grupo de consumidores em específico – tais como “Sandálias de Verão”, “Básicos da Moda” ou “Estilos Mais Populares Para Pés Largos”. Estas são coleções que você fará a curadoria manualmente baseado no seu conhecimento do produto ou em dados sobre vendas e padrões de compras dos clientes, que você pode obter a partir da plataforma da sua loja online.

Uma vez que você criou uma taxonomia lógica baseada nas informações dos clientes, você pode começar a trabalhar otimizando suas páginas de categoria para SEO orgânico, identificando as principais palavras-chaves para aquele grupo que deve aparecer na página. Use sua pesquisa de termos para guiar o modo como você nomeará a página, como você estruturará sua URL e o conteúdo que você criará para a página, incluindo cópia, imagens e vídeos.

Enquanto você cria suas categorias e as popula com os produtos apropriados, você começará a ver os padrões de lacunas naturais ou estoque excessivo em certas categorias. Faça com que essa informação seja insumo para o seu plano de vendas – procure novos produtos para preencher categorias sazonais ou categorias populares e volte-se para aqueles que não estão vendendo bem, ou mova alguns itens para uma seção promocional. Se você sempre faz um grande esforço para fazer a gestão do aumento de vendas e vendas cruzadas, sua taxonomia organizada fará com que você selecione os produtos apropriados num estalar de dedos. Até que você tenha tempo pra revisar seus dados de venda para determinar padrões de compra comuns, você pode utilizar os grupos de produtos para preencher essas lacunas.