Nova busca da Plataforma Lattes

Há algumas semanas eu estava tentando acessar a Plataforma Lattes pelo link de sempre.

Estava tendo dificuldades e nem a busca, nem a atualização estavam funcionando. Ontem estava conversando com a Fernanda, uma colega de pós, e ela me informou que parece que a Plataforma Lattes está migrando para uma outra plataforma mais moderna, que seria esta aqui.

Se algum dia os filtros funcionarem, pode ser uma plataforma bem interessante mesmo.

Lista de Bibliotecas Digitais de Teses e Dissertações

Estou fazendo uma pesquisa e resolvi fazer uma lista das Bibliotecas Digitais de Teses e Dissertações (BDTDs) de acordo com os programas de pós-graduação que listei neste outro post. Ou seja, nessa lista só vão ter BDTDs das universidades que possuem programas em CI. O recorte é meu, mesmo.  Não acho que exista nenhuma lista assim online, então estou fazendo isso pra facilitar. Caso algum link esteja errado e alguém saiba o correto, favor manifestar-se nos comentários. Agradeço desde já. Segue:

UNB – http://www.bce.unb.br/bibliotecas-digitais/repositorio/teses-e-dissertacoes/
USP – http://www.teses.usp.br/
UDESC – http://www.tede.udesc.br/
UEL – http://www.bibliotecadigital.uel.br/teses_dissertacoes.php
UNESP – https://www.athena.biblioteca.unesp.br/F/?func=find-b-0&local_base=BDTD
UFBA – http://www.bdtd.ufba.br/new_bdtd.htm (Não está funcionando)
UFPB – http://tede.biblioteca.ufpb.br/?locale=pt_BR
UFMG – http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/
UFPE – http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/50
UFSC – https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/74645
UFSCAR – https://repositorio.ufscar.br/
UFC – http://www.teses.ufc.br/
UFPA – http://repositorio.ufpa.br/jspui/handle/2011/2289
UFRJ – https://minerva.ufrj.br/F?RN=681702743
UFF – http://www.bdtd.ndc.uff.br/tde_busca/index.php/ (Atualmente invadida por um grupo turco)

 

 

 

Lista de Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação no Brasil (Mestrado e Doutorado)

Estava fazendo uma pesquisa e não consegui encontrar nenhum link fácil com essa informação. Então vou deixar a lista aqui. Todos esses dados foram tirados da Plataforma Sucupira (Qualis/Capes) e não contemplam universidades que possuam apenas mestrados profissionais.

UNB – http://www.ppgcinf.fci.unb.br  (Conceito Capes 4)
USP – http://www3.eca.usp.br/pos/ppgci (Conceito Capes 5)
UDESC – http://ppginfo.faed.udesc.br (Conceito Capes 3)
UEL – http://www.uel.br/pos/ppgci (Conceito Capes 3)
UNESP – http://www.marilia.unesp.br/posci/ (Conceito Capes 6)
UFBA – http://www.posici.ufba.br/ (Conceito Capes 4)
UFPB – http://dci.ccsa.ufpb.br/ppgci (Conceito Capes 4)
UFMG – http://ppgci.eci.ufmg.br/ (Conceito Capes 6)
UFPE – http://www.ufpe.br/ppgci (Conceito Capes 4)
UFSC – http://pgcin.paginas.ufsc.br/ (Conceito Capes 4)
UFSCAR – http://www.ppgci.ufscar.br (Conceito Capes 3)
UFC – http://www.ppgci.ufc.br (Conceito Capes 3)
UFPA – http://www.portal.ufpa.br  (Conceito Capes 3)
UFRJ – http://www.ppgci.ufrj.br/pt/ (Conceito Capes 5)
UFF – http://www.uff.br/cienciainformacao (Conceito Capes 4)

2017-2, Estude enquanto eles se divertem, etc.

Muita coisa mudou de abril desse ano pra cá e talvez eu devesse falar um pouco sobre elas. Em abril finalizei um percurso no Walmart.com, atuando como analista de taxonomia sênior. Gostei muito de tudo o que desenvolvi nesses 2 anos e meio, desde o começo, mesmo com todas as mudanças de percurso – passei por três tipos diferentes de gestão. Hoje posso dizer que essa experiência foi parte fundamental da minha carreira e que faz parte indissociável de mim, das minhas escolhas. É o tipo de conhecimento que adquirimos e vivências pelas quais passamos que podemos levar pra vida, de verdade.

Em abril mesmo, comecei uma conversa com a Patricia de Cia em relação a um trabalho a ser desenvolvido na Saraiva Online como especialista de catálogo digital para e-commerce. Conversamos e vimos que tínhamos expectativas bem alinhadas, no entanto, eu deveria começar no segundo semestre por volta de julho ou agosto. Esse espaço de tempo foi fundamental para que eu pudesse colocar as ideias em ordem e também para descansar um pouco, aproveitar o ócio. Nesse meio tempo, aproveitei ao máximo para cumprir as disciplinas de mestrado na USP, de Cultura e Informação e Sociedade, Conhecimento e Informação.

Em maio aconteceram mais algumas coisas. A Renate Land me convidou para participar da Egrégora Inteligência e isso acabou se tornando realidade. Conversamos e percebemos que foi um encontro, pois temos visões muito aproximadas sobre temas que são importantes pra nós, como gestão da informação e de conteúdo. Participei de algumas reuniões da cooperativa e pude aprender só de observar e ouvir as conversas entre consultores seniores, uma maturidade que ainda está um tanto quanto distante pra mim, eu diria – sou a “pirralha” da nossa cooperativa certamente, mas colaboro ao meu modo. Para o momento, a Egrégora tem sido um dos meus caminhos também.

Também em maio, a prof. Cristina Palhares da Unifai me convidou para dar aulas no curso de pós-graduação lato sensu em Arquitetura da Informação da Unifai. Mesmo sem saber se tinha jeito pra coisa ou não, dar aulas sempre foi uma vontade antiga minha. Não foi à toa que fiz uma especialização e em seguida tentei o mestrado novamente. Já dei palestras, fiz apresentações, mini-cursos e etc, mas a verdade é que sempre estive do outro lado, como aluna, nunca como professora. Quando recebi o convite, mesmo sem ter muita certeza se daria ou não conta do recado, aceitei o convite sem pensar muito. Preferi deixar o tempo dizer se eu ia ou não dar conta.

Em julho o semestre finalmente acabou e também finalizei os artigos que precisava entregar para as disciplinas do mestrado. Ambos provavelmente vão compôr partes da dissertação (ou não), mas os temas estão todos interligados com o meu tema central de certo modo, uma vez que fui eu que escolhi os seminários (um sobre organização do conhecimento e outro sobre cultura digital). E em agosto comecei uma série de coisas, todas ao mesmo tempo:

  • Última disciplina na ECA/USP (Informação e Linguagem) para cumprir créditos para a qualificação;
  • Estágio docência na ECA/USP na disciplina de Teoria da Ação Cultural, com a prof. Dra. Lucia Maciel Barbosa Oliveira;
  • Professora visitante na Unifai, aos sábados, na disciplina de Introdução à Arquitetura da Informação; Este ano ainda darei a disciplina de Planejamento de Conteúdo Digital em novembro/dezembro;
  • Comecei como Especialista em Taxonomia na Saraiva Online, pela Egrégora Inteligência;

E ainda tenho uma dissertação para começar a pensar e escrever. Tenho tempo pra dormir? Às vezes. E não me orgulho muito disso não, mas é o que tem para hoje. É mais ou menos como essa imagem que apareceu na minha timeline do FB ontem:

Sempre achei esse tipo de “motivação” muito abjeto, mesmo, por isso ri bastante e me identifiquei quando vi esse meme. Esse conceito de meritocracia desgraçado no qual a gente vive, principalmente no contexto Brasil, onde uma pessoa precisa se estrupiar inteira para ter uma vida minimamente decente. Não acho nada disso justo e isso porque já sou privilegiada para cacete, em uma série de sentidos. Sem falar que uma sociedade onde “não ter tempo pra nada” e “estar sempre ocupado” é sinal de coisa boa ou ainda pior, de competência, não me parece lá muito saudável. Mas enfim: a girl gotta do what a girl gotta do. Minha perspectiva nunca é a de ficar reclamando porque esse não é meu perfil. Prefiro fazer outras coisas. E o que tenho tentado fazer no momento é buscar convergências, entrelaçamentos e relações entre todas essas coisas que faço, pois uma é interdependente da outra. Sim, cansa. Sim, não é fácil.

Mas se fosse fácil, já estava feito.

Mestrado acadêmico

A última vez que eu tinha tentado mestrado foi em 2011 e foi um tanto quanto traumatizante pra mim. Foi assim porque eu queria muito passar e eu estava certa – e as pessoas à minha volta estavam certas – da minha aprovação. Foi devastador, mas tive que engolir e digerir o tal do orgulho ferido e simplesmente seguir em frente. E fiz isso porque, enfim, não havia outra coisa a ser feita no momento. Hoje resolvi parar pra tentar lembrar do zeitgeist da minha vida naquela época – há cinco anos atrás – e realmente, foi um ano bastante conturbado pra mim, em vários sentidos. Estava saindo de um relacionamento falido e indo ao encontro de um futuro incerto com muito, muito medo mesmo, sem saber o que estava por vir direito. Depois de um ano emocionalmente inviável, na época da prova eu estava completamente vulnerável. E aí deu no que deu, né? Fiquei no medo, na defensiva e não passei, óbvio.

Tive que tomar decisões difíceis no final de 2011, tais como desistir do mestrado em que havia sido aprovada e vir para São Paulo sem nenhuma perspectiva de absolutamente nada. Fiquei tão constrangida com a situação toda que tentei me convencer depois de que talvez o mestrado não fosse pra mim, mesmo, que era melhor eu trabalhar e seria isso. Vim pra cá pra trabalhar, trabalhei sempre na minha área e com o que mais gostava – organização e gestão da informação – e dois anos depois de formada fiz uma especialização. Queria voltar a fazer pesquisa, não tinha coragem ainda pra aceitar ser reprovada no mestrado de novo, mas achava que precisava de uma titulação melhor. Foi uma alternativa razoável, para o momento. Além disso tudo também tive que saber ponderar e filtrar tudo o que me diziam – que é a parte mais difícil de todas. “Faça pós em outra área”, “faça pós fora do país”, “mestrado é perda de tempo, faça só cursos”, etc. Tive que analisar tudo em seu devido contexto e também separadamente.

E a ideia de tentar mestrado continuava me assombrando, me assombrou por cinco anos na verdade. Esse é o tipo de coisa das quais ouvimos um certo tipo de chamado e não conseguimos ignorar. Foi assim antes na graduação em biblioteconomia e foi assim agora, também. Como tinha recém terminado a especialização no final de 2015 pensei comigo mesma “agora quero descansar por uns 2 anos, vou só trabalhar e depois penso em mestrado”. Nesse meio tempo também abriu o mestrado profissional, mas eu queria o acadêmico, mesmo, desde sempre e não mudei muito de ideia em relação a isso. E neste ano foi só chegar o mês de setembro que lá estava eu lendo o edital e considerando tentar o mestrado acadêmico novamente. Ia fazer pra testar, pra perder o medo da prova e de escrever… Enfim, já contava com a minha reprovação desta vez.

Conversei com alguns amigos sobre o projeto e me vi tendo que fazer alguns vários reajustes e aceitar algumas coisas. Duas mudanças pra mim foram as mais drásticas: mudar a linha de pesquisa e a orientadora, que era algo que eu tinha quase que completamente idealizado na minha cabeça e tive que flexibilizar um pouco mais. Eu realmente acreditava que o meu projeto só se encaixava na linha de pesquisa de Organização da Informação e só aceitaria ser orientada pela professora que eu queria… E as coisas não funcionam bem assim, desse jeito. Na verdade flexibilização foi meio que palavra de ordem, pra quase tudo: o meu projeto também mudou bastante e basicamente estava menos “fechado” e com várias lacunas a mais, cheio de “fios soltos”, com espaço para dúvidas e re-interpretação, apesar de bem estruturado. Depois de tê-lo terminado eu lia e não conseguia achá-lo bom de verdade, apenas razoável. Percebi também que estava completamente enferrujada com a escrita acadêmica, but oh well… Lá se foram cinco anos, não? Anyway. 

Me inscrevi e lá se foi meu projeto. Esperei muito ansiosamente pelo dia da prova e estava com muito medo de que o tema fosse tão espinhoso quanto tinha sido em 2011. Só que este ano não foi tanto, o enunciado foi uma frase do Canclini, bem de humanas, nada espinhosa e que me permitiu escrever sem maiores problemas de acordo com a bibliografia que tinha sido passada. Inclusive na bibliografia um dos textos que li, felizmente, era excepcionalmente bom e completo (e muitíssimo bem escrito) e foi nele mesmo que me baseei para fazer a prova. Saí da prova sem sentir nada, também, nem que fui bem, nem que fui mal. Só sabia que tinha feito o meu melhor naquele momento. E confesso que até me emocionei um pouquinho com pelo menos uma das coisas (totalmente piegas e bem clichês) que escrevi na prova. Não acreditei quando vi que passei na prova, fiquei um pouco em choque, mas imaginei que a entrevista seria mais sossegada. E foi mesmo… Sequer me recordo de qualquer momento estranho da entrevista e tenho a impressão – talvez ilusória – que ouvi mais elogios que o contrário sobre meu projeto. Terminou, desci pra fumar um cigarro e fui embora. Fiz ainda a prova de proficiência em inglês (risos) porque o diploma que eu tenho é muito antigo e não aceitariam. Enfim…

O resultado saiu no último dia 20/12, eu fui aprovada e ainda não sei o que fazer com essa informação. A ficha ainda não caiu direito por aqui. Talvez caia no dia da matrícula ou na aula inaugural. Às vezes fico com a impressão de que “demorei demais” pra tentar o mestrado de novo, que estou fazendo ele muito velha… Ou ainda, que tive que lower my standards tanto no projeto quanto na prova, como se eu não fosse boa o suficiente, quando na verdade não se trata de nada disso. Também me assombra a questão de conciliar trabalho e vida acadêmica e de saber priorizar as coisas. E de lembrar que eu terei, novamente, de abrir mão de algumas coisas para conseguir outras. Enfim, achei que ia ser um mar de rosas simplesmente ter sido aprovada, mas a verdade é que isso só me tirou da minha zona de conforto e me fez questionar ainda mais pesadamente uma série de outras coisas que volta e meia eu me pego pensando. Acredito que essa sensação e esse sentimento vão perdurar por pelo menos uns dois anos, agora. Bom, que venham e que assim seja.

 

Da ingenuidade

(Originalmente publicado em 29 de novembro de 2011)

Comecei a cursar biblioteconomia em 2008. Não me lembro que idéia tinha do curso, mas certamente não era nem parecida com o que sei hoje. Eu era bem ingênua. É difícil arranjar estágios na primeira fase, mas meu primeiro estágio – que durou muito pouco – foi na Sala de Leitura do HU/UFSC. No segundo semestre do mesmo ano, comecei meu primeiro projeto em iniciação científica. Ainda não tinha muita noção do quê exatamente, eu gostava em biblioteconomia, mas foi um bom começo, pois desde essa época eu já sabia que gostava de trabalhar com pesquisa. Só não sabia exatamente como, nem com qual assunto especificamente.

Só fui começar a entender as disciplinas mais práticas do curso bem depois de tê-las cursado, em 2009, quando decidi deixar a renovação da bolsa de pesquisa para ser auxiliar de biblioteca em uma empresa privada. Esse distanciamento do ambiente universitário e aproximação com a prática foi o que me fez perceber o que realmente me interessava na área: processos de indexação, classificação e até catalogação, etc. Enfim, metadados. Era sobre isso que eu queria estudar mais do que todas as outras coisas, que também não deixavam de ser igualmente importantes. Sempre bom lembrar que tudo está interconectado de algum modo.

A disciplina de Linguagens Documentárias me ajudou, mas não foi suficiente. A disciplina de Indexação foi bastante precária, tendo em vista que foi ministrada por uma professora substituta. O jeito foi buscar por mais conhecimento sobre isso sozinha. Então no início de 2010 fui monitora da disciplina de Linguagens Documentárias e no segundo semestre me envolvi com outra pesquisa, desta vez sobre um assunto do meu interesse: organização da informação. Não foi à toa que, em dezembro de 2010 os posts aqui no blog começaram a ficar um pouco mais frequentes. Eu estava animada com tudo o que tinha descoberto e me sentia mais confortável e segura pra escrever mais.

Finalizei esta segunda pesquisa agora em 2011 e até então tenho tentado orientar meu trabalho nesse sentido: fiz estágio obrigatório em indexação na Tempo Editorial e ao mesmo tempo continuei envolvida com a universidade, sendo monitora de Leitura e Informação e Biblioterapia. Meu TCC foi praticamente uma extensão da pesquisa sobre organização da informação. O tema foi o mesmo, mas o foco desta vez foi na produção brasileira de teses e dissertações na área de Ciência da Informação. A apresentação deste ‘último trabalho’ aconteceu hoje às 18h30.

Não o entendo bem como sendo o último, mas sim como mais um.

Ainda existe muito mesmo pela frente.

É um privilégio pra mim, me graduar em biblioteconomia pela UFSC, que é considerado um dos melhores cursos do Brasil. Não sei se as escolhas que fiz durante a minha graduação foram as melhores, mas sei que foram minhas. O fato de reconhecer e principalmente assumir e de me responsabilizar por elas já é importante o bastante pra mim. Fora isso, não devo absolutamente nada a ninguém.

Me dediquei mais à pesquisa porque é isso o que gosto de fazer, independente do ambiente em que eu esteja. Concluo que fiz isso (tive dúvidas, questionei, procurei saber) tanto durante a minha graduação em pesquisas formais e financiadas, quanto aqui mesmo no blog, informalmente, onde não ganho nada por isso (por assim dizer). Faço pesquisa porque gosto. Realizar tudo isso foi essencial pra uma melhor definição das minhas escolhas e para o afastamento de qualquer dúvida que me restasse.

No entanto, hoje tive a certeza de que estou saindo do curso muito mais ingênua do que entrei. Sei que esse é o maior clichê do universo, mas digo sem constrangimento nenhum: termino o curso com a certeza de que eu ainda não sei nada. Mesmo.

Só sei de uma coisa: eu sempre quis fazer biblioteconomia. E tudo o que eu mais queria eu acabei por conseguir: o título de bacharel em biblioteconomia.

Agora é a hora de buscar pelo que devo me tornar.

Vejamos o que o futuro me reserva.

Por que reprovei na prova de mestrado da USP em 2011?

[Comentário sobre a prova de mestrado em Ciência da Informação da USP de 2011]

“Como instituições seculares do conhecimento e da memória, Bibliotecas, Museus e Arquivos não só compõem, preservam e disseminam os saberes culturais e a pesquisa científica, eles tem sido historicamente, e são hoje, produtores específicos de conhecimento e de informação. Podemos dizer, mais precisamente, que eles produzem conhecimento sobre o conhecimento, informação sobre as informações, inter-documentos sobre todas as mediações e inscrições (documentos, artefatos e coleções; informações cadastrais e referenciais). Participam das formas estabelecidas de validação e credenciamento da produção do conhecimento, seus produtores e suas vinculações institucionais.

As tecnologias digitais, nômades e interativas podem alterar a atualidade e vigência dos formatos e conteúdos desse conhecimento informacional (ou meta-informacional), mas não a competência crítica e analítica de acompanhar, analisar, reconstruir os novos processos de produção, disseminação e apropriação dos conhecimentos, se exercidas suas competências de maneira crítica e inovadora.”

GONZÁLEZ DE GOMEZ, M. N. A Universidade e a “Sociedade da Informação”. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas , v.9, n.1 , p. 239, jul./dez. 2011. (Grifo Nosso)

A distinção entre meta-informação e informação é algo que precisa ser abordado com uma maior detalhação e cuidado. Em outro post no blog mencionei sobre isso rapidamente, explicando que muitos alunos decepcionam-se com a graduação em Biblioteconomia justamente por ela ter abordagens com mais ênfase no tecnicismo relativo ao processamento técnico, ou seja, à meta-informação, à criação de metadados e aos seus processos relacionados. Alguns graduandos em Biblioteconomia consideram outros cursos de humanas mais interessantes (jornalismo, história, filosofia, letras) pois estes cursos tratam de informações com menos (ou pouquíssima) ênfase em meta-informações. No entanto, no trecho acima, percebi que essa distinção não foi realizada.

Para mim, é um tanto quanto peculiar conceber Bibliotecas, Museus e Arquivos especificamente como produtores de conhecimento e informação. Acho curioso o texto abordar sobre a Universidade e a “Sociedade da Informação” oferecendo tão pouca ênfase à sociedade de fato. Afinal, que “Sociedade da Informação” será essa que existe apesar das Bibliotecas, Museus e Arquivos? Bibliotecas são queimadas e destruídas por questões políticas, Museus e Arquivos facilmente esquecidos pelo descaso de diferentes governos e deteriorados impiedosamente pelo tempo… Mas sociedades – da informação ou não – não só permanecem, como modificam-se e principalmente adaptam-se a novos tempos.

Compreendo que as Unidades de Informação, tais como as conhecemos, tem papel essencial na organização da memória e dos insumos intelectuais das comunidades nas quais estão inseridos. Mas todo o conhecimento e informação que são “compostos, preservados e disseminados” não são produzidos e nem criados por essas unidades de informação, mas sim, pela comunidade nas quais estão inseridos. O conhecimento técnico e cultural adquirido pelos bibliotecários – que tem papel central no desenvolvimento de uma comunidade – é advindo da própria universidade, dos cursos de graduação e posteriormente no aprofundamento e especialização em suas experiências profissionais.

É possível interpretar a partir do trecho exposto (talvez muito equivocadamente, pela falta de contexto) que existe um deslocamento do bibliotecário e suas habilidades junto à uma comunidade, para a instituição biblioteca, ou seja um prédio, que contém livros organizados, em categorias e classificações arbitrárias e que, por si só, entraria em colapso muito facilmente. Uma biblioteca por si só, abandonada a própria sorte (seja por bibliotecários com má formação ou conduta, seja por falta de incentivo governamental ou qualquer outro tipo de descaso grave) raramente produz qualquer coisa que seja, quanto mais informação e mais pretensiosamente ainda, conhecimento.

Relativo às tecnologias digitais, é possível perceber que a relação ainda é a de precaução, mais de desafio do que de oportunidade, uma vez que elas são colocadas em paralelo com a competência do bibliotecário, que deveria ser “crítica e analítica”. Acredito que esse paralelismo não existe na verdade, uma vez que o bibliotecário faz uso destas tecnologias digitais justamente para que elas possam auxiliá-lo (e auxiliar também sua comunidade como um todo) a “acompanhar, analisar e reconstruir os novos processos de produção, disseminação e apropriação dos conhecimentos” – substituindo-o apenas no trabalho repetitivo, “braçal”, na mão de obra, dificilmente no trabalho intelectual e principalmente social.

(…)

Este foi o trecho que deveríamos comentar na prova de mestrado da USP, a qual não passei, por motivos que agora são muito mais claros pra mim. Os comentários que fiz acima foram feitos de uns dois dias pra cá, mas são resumidamente as opiniões que emiti na prova, neste post de forma um pouco mais pontual. Na prova também citei parte da bibliografia que talvez não tenham se ajustado muito adequadamente com o assunto proposto. Mas de qualquer modo, o simples fato de ter exposto este tipo de opinião referente a um texto de uma autoridade da área, já pode ter sido considerado muito mais do que arrogante. Pois bem.

Tecer comentários sobre o texto que foi passado na prova neste espaço pode ser simplesmente considerado ‘malcriação’ ou até mesmo pode ser interpretado como discurso de ‘gente fraca e frustrada’ porque não passou na prova. E talvez seja mesmo, afinal, mesmo sabendo do risco que corri, fiquei bastante decepcionada com o fato de não ter passado. Também fiquei decepcionada com a minha imaturidade intelectual e possível falta de sensibilidade com o trecho a ser comentado. Mas sinceramente, acho que prefiro assumir essa ignorância minha por – hoje – ainda ser incapaz de enxergar isso de outro modo que não seja o qual expus aqui.

Eu sabia que algum dia este momento na minha vida chegaria. Ele chega pra todo mundo, mais cedo ou mais tarde.

Me questiono algumas vezes se poderia simplesmente ter tido sangue frio (ou talvez um cinismo patológico) e ignorado o fato de o texto me trazer afirmações muito contundentes sobre coisas que simplesmente não acredito e não vivencio. Teria que ter muito estômago pra isso e talvez não tenha. Talvez isso seja mera covardia e ingenuidade pura mesmo, falta de malícia. Falta de malandragem. Mas talvez também seja o que chamam de hombridade.

Me questiono se eu poderia simplesmente bancar – mais uma vez – o fato de ter de deixar de lado novamente quem eu sou e no que acredito para tentar conciliar (como sempre) ideias contraditórias. Ter de realizar todo um esforço externo à mim para tentar chegar a um consenso ao invés de conflito, apenas para não confrontar o que está ‘estabelecido’. Mas fracassei nisso. Terrível e felizmente. Talvez eu tenha mais sorte ano que vem. Ou esteja menos insolente.

Biblioteconomia ou Ciência da Informação?

Essa semana eu estou publicando aqui alguns conteúdos que estavam no meu antigo blog de biblio, o Dora Ex Libris. A maior parte das publicações é de 2011, quando eu estava terminando a graduação em biblioteconomia. Hoje encontrei um texto em que eu falava do meu tcc que entreguei em dezembro de 2011. Meu TCC foi um estudo sobre o tema de Organização da Informação (OI) na produção de teses e dissertações em Ciência da Informação no Brasil. Ele levantou algumas outras questões como as Bibliotecas Digitais de Teses e Dissertações (BDTDs), como estão organizadas em cada pós-graduação, quais softwares estão sendo mais utilizados, como é feita a armazenagem, representação e disponibilização desse tipo de material em acesso livre na Internet e etc.

Tive a ideia de republicar este post porque na época fui questionada por um colega do mestrado sobre o meu tema: “por que você está fazendo seu TCC de Biblioteconomia sobre Ciência da Informação? Por que não faz sobre bibliotecas?”. Essa é uma questão que é pertinente já há algum tempo. Muitos cursos de graduação no Brasil tomam uma coisa por outra e entendem a Ciência da Informação como uma evolução natural da biblioteconomia. Mas eu vou bater na tecla do hibridismo enquanto as bibliotecas físicas ainda existirem. Tem a discussão de que o curso de graduação precisa se modernizar etc., e talvez um dos impedimentos pra essa modernização seja justamente o mestrado: que também não tem nada de tecnologia e que é apenas uma continuação, mais teórica, do que se aprende na graduação. Não vejo uma coisa como sendo melhor ou superior à outra.

E defendo o hibridismo pois foi disso que o meu tcc tratou. Descobri no segundo semestre de 2009 que a parte que eu mais gosto na Biblioteconomia é a de Organização da Informação (leia-se, processamento técnico, técnicas de organização e representação da informação e do conhecimento, indexação, classificação, catalogação, criação de resumos, metadados, recuperação da informação). Em 2010 iniciei a execução de um projeto de pesquisa PIBIC sobre o conceito de OI a partir de material encontrado na base de dados LISA (Library and Information Science Abstracts). Uma base de dados dessa importância não deixa de ser uma referência para a área, bem como não deixa de ser um tipo de biblioteca virtual, se assim quisermos chamar. Pois bem.

Depois de ter analisado a literatura internacional, fiquei curiosa pra saber o que tem sido produzido referente à OI no Brasil. Eu poderia ter feito a análise a partir da produção nos periódicos científicos da área pois querendo ou não, divulgação científica lida diretamente com fontes de informação, e fontes de informação, ora veja, é assunto da Biblioteconomia também; mas achei mais interessante buscar pela produção da pós-graduação, uma vez que teses e dissertações são publicações mais importantes do que artigos de periódicos (é a partir das teses e dissertações que artigos são publicados na verdade, enfim).

Aí entra a questão das Bibliotecas (opa!) Digitais de Teses e Dissertações e de sua importância pra divulgação do que está sendo produzido em todo o Brasil, e de que modos as pós-graduações em CI se articulam (ou não) para preservar sua produção em ambiente online. Meu TCC não é especificamente sobre isso mas esse tema por si só, já dá um outro TCC inteiro. Bibliotecas Digitais (não vou nem entrar na questão terminológica aqui: repositórios, portais, BDTDs, etc.) são importantes pois acredito que seus usuários (nós, estudantes, pesquisadores e profissionais da biblioteconomia e de outras áreas) deveriam ter o acesso mais facilitado – a partir de qualquer computador – à produções de outros estados do Brasil. Por que continuar utilizando o COMUT se é possível com as tecnologias de hoje viabilizar um serviço deste tipo? Essa é só uma das questões, mas com certeza devem existir várias outras se persistirmos no assunto.

Pra mim, pesquisar conteúdo digital nunca fugiu do escopo da biblioteconomia. Pelo contrário: nunca foi tão alinhado ao que a biblioteconomia devaria ser. Pra mim parecia estranho evitar tratar do assunto Ciência da Informação na graduação e nunca houve escopo ideal: fiz o melhor que pude com o que tinha disponível na época. Não me parecia estranho também porque fiz disciplinas isoladas de mestrado e fui aprovada no mestrado da UFSC, mas nunca entendi nada disso como evolução e sim como mais um exercício – bem como toda pesquisa e projeto que nos envolvendo, por maior e mais importantes que sejam, sempre são recomeços. O que fiz foi tão importante quanto todos os outros trabalhos desenvolvidos pela minha classe – não houve melhor ou pior, mas são conteúdos e abordagens diferentes. A qualidade só foi julgada quando da entrega e também por diferentes motivos.

Ainda acredito que a pluralidade é mais importante do que ‘o que eu acho ser o melhor para a Biblioteconomia’ em detrimento de todos os outros tipos de estudo. Trabalhos de conclusão de curso geralmente refletem uma série de variáveis da vida da pessoa que o produz: seus interesses, suas paixões, seu foco (ou falta dele), sua rotina e seu ambiente de trabalho e também um pouco do que aprendeu em sala de aula. Tudo junto e misturado.

Seguem os títulos dos TCCs desenvolvidos pela Biblioteconomia da UFSC em 2011-2. Alguns já mudaram, outros permaneceram, mas basicamente a minha turma tratou destes temas:

  • Atuação dos Bibliotecários em Arquivos: um estudo de caso do arquivo central da Universidade Federal de Santa Catarina
  • O uso de informações estratégicas para geração de inteligência competitiva: um estudo nas agências de Publicidade de Florianópolis
  • Biblioteca Digital de Educação a Distância: favorecendo a Competência Informacional
  • Padrões de metadados para indexação fotográfica
  • A atuação do bibliotecário como disseminador de informação em bibliotecas públicas da grande Florianópolis
  • Relação entre o bibliotecário e o professor na Biblioteca Escolar
  • A potencialidade do uso das ferramentas da Web 2.0 em bibliotecas escolares no processo educativo como ferramentas para ampliar o acesso e disseminação da informação
  • A gestão de documentos no âmbito das instituições públicas do Estado de Santa Catarina
  • Ergonomia na Biblioteca Cruz e Souza (CESUSC)
  • O papel do Bibliotecário nas práticas e modelos para o desenvolvimento da competência informacional
  • Análise das publicações acerca de arquivologia nos últimos 10 anos
  • Análise do uso da coleção do ensino médio do SENAI de Tijucas/SC
  • Ergonomia e usabilidade no documento texto a digital
  • Organização da informação: abordagens nas teses e dissertações em Ciência da Informação no Brasil
  • Avaliação do Software de Automação de Biblioteca Pergamum
  • A importância dos livros de registros do Cartório do 2º Ofício de Imóveis de Florianópolis/SC: monumentos históricos
  • Atividades biblioterapêuticas para crianças
  • O Ensino de Biblioteconomia: uma análise do curso de Biblioteconomia da UFSC
  • Avaliação do Software Automotivo Doutor-ie na perspectiva do usuário
  • FRBR: uma revisão de literatura
  • Critérios para a preservação digital adotados pelos repositórios informacionais arrolados no ROAR
  • Formação e desenvolvimento de coleçõesem biblioteca especializada: análise da coleção da biblioteca do SEBRAE de Santa Catarina
  • Análise das Publicações Eletrônicas Brasileiras em Acesso Aberto na área de Educação Física
  • Arquivo em instituição pública
  • Indexação de imagens fotográficas na empresa Tempo Editorial
  • O uso da informação estratégica

Sobre a Googleteconomia

(Publicado originalmente em 8 de março de 2011)

Volta e meia (quase sempre) o professor Milanesi está “com dúvidas” no Twitter. Acho curioso por que, para o senso comum, um professor deveria ter mais respostas do que perguntas, mas acredito que a tentativa dele de questionar tanto é não só compartilhar, mas também compreender o que as outras pessoas pensam (partindo do pressuposto de que ele espera respostas de quem o lê). Talvez esse pensamento de que ‘os mestres tenham todas as respostas’ seja mesmo um pouco falacioso.. Os mestres sabem sempre questionar melhor, sendo que questionar nem sempre envolve necessariamente uma crítica. É a tal da coisa: perguntar nem sempre ofende.

Pode parecer muita intromissão de minha parte, afinal, estou falando sobre algo que ocorreu em uma instituição a qual não pertenço. Também não sei a quantas anda a organização de recepção aos calouros/2011 e como o CAB/UFSC está agilizando isso, mas não duvido em nada que as meninas já estejam pensando em alguma coisa. Quando fiz parte do CAB, lembro que era difícil, a UFSC não permite trotes (nenhum tipo de trote) e nenhum professor quer se responsabilizar, etc. É complicado. A única intersecção que ‘permite’ que eu dê um pitaco nesse assunto é que por acaso eu também faço biblioteconomia, apenas em outro Estado. E também por que acredito que se pararmos de ser intrometidos e enxeridos (pra não dizer metidos à besta mesmo), não vai mais ter bibliotecário no mundo.

Enfim.

Dia primeiro de março me apareceu o seguinte tweet: Uma faixa estudantil na Biblio USP: Googleteconomia. Não consegui entender o sentido disso. Parece-me uma crítica. Mas qual é o alvo?

Eis a faixa:

Aí está a faixa com a enigmática “Googleteconomia”. É tema de seminário na disciplina Biblioteca, Informação e Sociedade.

Explicando rapidamente, acho que quem criou a faixa quis fazer um paralelo entre o trabalho do bibliotecário com o trabalho do Google, no sentido de familiarizar os calouros. “Olha, o que a gente faz basicamente, é mais ou menos a mesma coisa que o Google faz, só que nós somos mais lerdos, ok?”. Enfim, de primeira, um paralelo para familiarização dos calouros.

Pessoalmente, achei a faixa engraçadinha e irônica sim. Não canso de ler por aí a tal da expressão “a biblioteconomia em tempos de Google e Wikipédia” e também “com os adventos das novas tecnologias em informação e comunicação” e todo aquele blábláblá que a gente conhece muito bem. Mas o que eu fico me perguntando aqui é: por que (e onde) a Biblioteconomia é tão diferente do Google? É bastante sedutor (mesmo) pensarmos que o Google é melhor (por que é mesmo!) e com certeza mais eficiente do que uma pessoa. Achar coisas no Google é mesmo muito fácil e muita gente até pode pensar que não tem como competir com isso.

Com o Google, você não precisa pedir a receita de polenta da sua avó, basta procurar qualquer receita por palavra-chave. Com o Google, você não precisa se matar procurando referências (boas) pra um trabalho, basta procurar, copiar e colar, talvez. Afinal, é muito mais simples fazer isso do que procurar um especialista na área e simplesmente dar a cara a tapa e conversar com ele, tomar um café, qualquer coisa.

No jornalismo falava-se do mesmo problema: “mimimi… a Internet está matando o jornalismo investigativo”. Cara… O jornalismo investigativo é que está cometendo suicídio se não deixar de ter preguiça mental e também ir fazer pesquisa de campo. E quando eu falo de “pesquisa de campo”, falo em simplesmente nos relacionarmos com AS PESSOAS e o mundo (lá fora da Internet, the truth is out there, folks), por que simplesmente são elas que tem as informações. Sim, pessoas carregam bibliotecas dentro de si, não se esqueçam.

É muito simplista querer achar um bode expiatório para a crise que enfrentamos, colocando a culpa na Internet e em qualquer tipo de tecnologia.

Usar o Google é muito bom e prático.  Digo isso sem ironia nenhuma, por que eu mesma uso. Sentamos na frente do computador, digitamos palavras chave e ele quase que magicamente “resolve o nosso problema”. Mas resolve mesmo? Notaram o padrão? Usando o Google, interage-se menos com pessoas, talvez. E talvez também percamos uma série de outras experiências que poderíamos ter, apenas para satisfazer a nossa necessidade sempre URGENTE por praticidade e imediatismo.

Pois né, as pessoas trabalham muito e são muito ocupadas e talvez não tenham mesmo mais tempo a perder com ‘experiências’ hoje em dia… Não há tempo para um olhar mais demorado, não há tempo pra reflexão (lembrando sempre que tempo é dinheiro!). Todos estão muito ocupados com seus blackberries, tentando se localizar por aí… Talvez a afetividade ou tenha mudado completamente de sentido, ou tenha mesmo se perdido em meio a isso tudo. Enfim, apenas algo a se pensar.

Não quero uma biblioteca que seja impecável em organização, mas que não tenha vida própria. Não quero um bibliotecário que só me alcance um livro na estante (isso qualquer pessoa faz, um técnico, sei lá) ou que me dê informações e instruções entediadamente e desleixadamente (automaticamente?) sobre algo que eu não saiba.

Isso é trabalho do Google.

Acho que é a partir desse tipo de pensamento é que vocês podem procurar por si mesmos ‘o que é a biblioteconomia em época de Google’ e ‘pra que serve um bibliotecário?’.

Não é a toa que estamos na área de HUMANAS e Sociais Aplicadas e não de Exatas. Não é a toa que temos um vínculo com a área de Educação. Gosta muito de lógica e classificação? Vai pra sei lá, filosofia, ou pra exatas, matemática, ciência da computação, sei lá. Por isso também fiquei meio passada com “penso, logo classifico” que estava na faixa.  Me pareceu muito, muito, muito ignorante… Como se existisse só classificação para se pensar, sendo que classificação é só um processo, é só uma ponta do iceberg! O contexto desse processo é o que é o mais importante. E e olha que eu gosto MUITO (mesmo) de classificação… Gente, vocês não são seus professores… Se eles pensam, logo classificam não papagaiem o comportamento deles, pelamor!

Pode até ser que a faixa tenha sido pura e simples TROLLAGEM da braba por parte dos veteranos. Talvez tenha sido uma crítica mesmo e o alvo tenha sido a própria biblioteconomia (ou seja, o já famoso tirinho básico no pé). Mas é bem possível que isso não tenha sido intencional, nem proposital e muito menos pensado, imagino… Que tenha sido feito “apenas na ingenuidade, na brincadeira”. Mas é sempre bom lembrar que nenhuma mensagem emitida – por mais que afirmem – é totalmente neutra: tudo é passível de interpretação. Em um primeiro momento, a faixa me pareceu engraçadinha só… Mas ao parar pra analisar e desconstruir esse pensamento para além da primeira impressão, acredito que podemos descobrir muito mais coisas.

E outra: se foi uma trollagem, considero que foi uma trollagem #FAIL uma vez que a média de idade dos calouros na USP/ECA – 2011 é 38 anos. Bem… Com uma média de idade dessas, acho que esses alunos não precisam ser exatamente “familiarizados” com o que eles irão ser, fazer ou se tornar. Acredito que essas pessoas talvez já saibam o que estão fazendo, mesmo que seja fazer biblioteconomia pra prestar concurso público depois,… mas elas já devem ter uma noção mínima do que vão enfrentar. Ou talvez não saibam mas né… 38 não é 18, convenhamos. Também acho que vão descobrir com mais facilidade a diferença entre Biblioteconomia e a Googleteconomia.. Mas isso só o tempo vai dizer :)

Periódicos Internacionais em Biblioteconomia e Ciência da Informação

(Lista publicada originalmente em 20 de dezembro de 2010. Não foi atualizada.)

Eu tinha feito um post sobre os periódicos em biblioteconomia e ciência da informação no Brasil e então resolvi fazer este aqui também, com periódicos internacionais em inglês. Não dava pra dizer que eram periódicos só americanos ou só ingleses por que tem outros países que publicam em inglês em conjunto. Então são todos internacionais, só que em língua inglesa. O que fiz na verdade foi selecionar alguns dos links de periódicos que encontrei no diretório do Yahoo, no Open Acess Journals  (DOAJ) e no Digital Information in the Information Research field, diretório criado pelo professor Tom Wilson, editor-chefe da Information Research.

Teve 3 blogs listados como periódicos nestas listas: 1. O Journal of the Hyperlinked Organization (JOHO) (que é do D. Weinberger, autor do Nova Desordem Digital) que parece ter sido descontinuado em 2009, mas o Joho the blog, tem uma última atualização de 18 de dezembro de 2010; 2. O Library Juice, que não é bem um “periódico do tipo que aceita submissões”, mas é um blog excelente sobre biblio e CI; 3. A Wired Magazine, que não é blog, nem periódico, é revista (sim, sou chata). Definições são chatas mas né, vamos lá. Se alguém conhecer mais algum periódico em inglês, favor compartilhar pelos comentários. :]

E ah, periódicos em espanhol (países centro e sul americanos + Espanha) fica pra um outro post e/ou fica a dica pra quem quiser fazer este post também.

Periódicos em Biblioteconomia e Ciência da Informação no Brasil

(Lista publicada originalmente em 10 de dezembro de 2010. Não foi atualizada.)

Este não é um post novo. Na verdade é uma lista que tem em vários blogs. Ela já foi feita no site do OFAJ e refeita no ExtraLibris Concursos e também tem no blog do NIPEEB. Arrisco dizer que esta que eu fiz aqui é uma lista atualizada, com 3 periódicos a mais do que nas listas que eu encontrei.

Gostaria de deixar por aqui uma lista também, pra voltar sei lá, uma vez por ano e atualizá-la sempre que aparecer um periódico novo. Pretendo deixar por aqui apenas periódicos brasileiros da Ciência da Informação disponibilizados online, em Acesso Livre. Pra ver qual é o estrato da revista é só dar uma olhada no WebQualis da CAPES. Se alguém conhecer algum periódico (brasileiro, de CI, online e em acesso livre) que não está nesta lista, pode se manifestar nos comentários.

Alguns itens que constavam na lista e eu retirei:

Boletim Eletrônico CFB (Conselho Federal de Biblioteconomia, Brasília) – Acho que é mais um repositório do que um periódico.

Revist@ CRB-7 (Conselho Regional de Biblioteconomia 7ª Região, Rio de Janeiro) – Revista institucional, desatualizada.  Última edição: v. 2, n. 1, 2006.

Revista CRB-8 Digital (Conselho Regional de Biblioteconomia 8ª Região, São Paulo) – O link não abre <http://revista.crb8.org.br/&gt;

Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação (ANCIB) – Última edição: v. 3, n. 1, 2010. – Na verdade não é exatamente um periódico, está mais para um repositório onde são armazenados os anais do evento (ANCIB). Se fosse periódico aceitaria submissões em qualquer época do ano.

10 Práticas Acadêmicas Irritantes

Ao longo da vida acadêmica, a partir do momento em que você tem que ler textos – tanto porque é obrigado pelas aulas, às vezes porque recomendam e outras porque você quer –  se você tem o mínimo de senso crítico (não precisa nem ser muito, mesmo porque, eu mesma não me considero uma crítica chata) você nota que alguns artigos não são exatamente bons. Claro, nem todos os artigos são criativos e nem tem insights incríveis… Alguns você nota que a pessoa apenas fez o seu dever de casa, ficou bom e aí você volta pra sua vidinha normalmente.

Mas existem os artigos que eu considero nocivos, ruins mesmo. Aliás, existem comportamentos, mentalidades que eu também considero ruins, incompatíveis com a realidade de hoje e com um ambiente acadêmico que se pretende, inclusivo, colaborativo, moderno e blábláblá. Algumas coisas são tão ruins que fica difícil entender como elas acontecem. Mas aí a nossa tendência – por sermos “meros estudantes de graduação” – é pensar “nossa, quem escreveu/fez/criou/organizou é uma doutora e o texto já passou pela avaliação de pares, então a burra aqui da história deve ser eu, mesmo”.

Um conselho dos mais sinceros: não tenha tanta certeza disso. Suspeite de tudo, até mesmo da sua ignorância – que talvez nem mesmo exista de fato.

A primeira vez que eu li sobre práticas acadêmicas irritantes foi no blog da Adriana Amaral, onde ela fez um breve post, falando sobre duas práticas acadêmicas que ela considera irritantes. Acredito que a visão dela é diferente, uma vez que ela já é professora e tem reclamações bem mais específicas que as que eu vou descrever aqui, acredito.

Resolvi guardar algumas práticas que considero irritantes no geral e deixei por hora na quantidade de 10, mas com certeza surgirão outras com o tempo, aí faço outro post.  Os comentários estão abertos, caso vocês queiram compartilhar das coisas que vocês consideram irritantes, academicamente. Esta lista não está por ordem de importância.

Tudo o que foi listado é igualmente irritante.

1. Não compartilhamento. O Tiago Murakami escreveu este post falando sobre os estudantes que enviam trabalhos para encontros, mas depois não compartilham na Internet. Existe outro post na ExtraLibris que também fala sobre compartilhamento, e eu também concordo que a precariedade na comunicação se deve a falta de cultura, o que é bizarro principalmente na nossa área – que nem mesmo se preza a preservar o conteúdo informacional de seus próprios eventos. Toda vez que pensamos em compartilhamento, sonhamos com algo que seja centralizado e todo mundo se engaje num depósito voluntário. Pessoalmente, acredito que atingir isso é bastante difícil, e é duro pois nos decepcionamos de criar uma viabilidade e então ficar esperando a espontaneidade das pessoas. Acredito que uma cultura só se cria a partir de hábitos e hábitos, querendo ou não devem fazer parte de nossas obrigações e responsabilidades. Blogar, twittar, compartilhar, comunicar-se bem é um ato de responsabilidade para com uma comunidade. Um dos grandes desafios é conscientizar as pessoas da importância de suas responsabilidades individuais para com o todo.

2. Citar por citar. “Hm, que interessante esse autor novo que eu nunca ouvi falar e na verdade, eu nem sei do que ele fala direito, mas acho que vou citá-lo/entrevistá-lo/usá-lo no meu artigo/pesquisa”. Não há envolvimento com a obra, com o autor – sim, é babaca da minha parte, mas acho isso importante. Não há envolvimento com as obras que contestem esse autor, nem a sua idéia. É possível que aconteça até mesmo uma distorção de suas idéias, na ânsia de encaixá-lo no artigo. É uma motivação superficial, só para que um autor novo ou que esteja abordando um assunto “da moda” conste nas suas referências. “Achei bonito, acho que cola se eu acochambrar umas idéias dele no meu texto”. A quebra na leitura do artigo é nítida como a luz do sol na retina e se você for um leitor um pouquinho mais atento/a, entende na hora que há algo errado ali. Acho isso detestável e muito irritante.

3. Enxergar X onde não existe. Uma coisa é bem certa nessa vida: não existe texto  que seja isento. Imparcialidade é lenda. É possível que se você seja anarquista, que seu texto saia meio anarquista, se você for socialista/comunista/marxista, se você viveu a época da ditadura (às vezes nem precisa ter vivido, basta ser uma pessoa sensível ao drama da época), se você foi hippie, enfim… É possível enxergar essas suas “marcas” no seu texto. Impossível exigir que as pessoas abstenham-se disso e, realmente, nem quero isso. Mas é sempre bom ter bom senso e utilizar estes tipos de discurso com moderação (ok, eu sou babaca). Acho comum em alguns artigos ver uma idéia sendo forçada onde ela realmente não se encontra, só na cabeça do autor (e das pessoas que pensam como ele/a). Um exemplo da biblio: enxergar biblioteca física transportada pro ambiente de computador e se achar visionário/a por isso, o que é ridículo. Enxergar ameaça, onde deveria se enxergar oportunidade. Cara, sinceridade? Sinto muito, você não é visionário: você é retrógrado por mais que seu doutorado tente nos dizer o contrário. E assim vai.

4. Teoria sem prática e prática sem teoria. Não adianta nada você ter 30 anos de experiência em biblioteca universitária, ser doutora em CI e escrever um texto fraquíssimo e sem posicionamento algum sobre tecnologias da informação porque né, convenhamos, não vai dar certo. A situação é constrangedora pra quase todos os envolvidos: os pares que vão ter que ler (e não sei porque raios acabam aprovando o artigo), as pessoas que vão ler depois (e vão ficar com vergonha do que leram, certeza), só não vai ser constrangedor pra você, que vai continuar se achando muito inteligente e segura com o doutorado debaixo do braço. Bem como também não adianta você viver aclamando determinadas aplicações, mas achar que tudo o que você lê é um lixo e nada nunca é bom o suficiente. De nada adianta ignorar a teoria se nada que você tenha tentado colocar em prática funcionou efetivamente até hoje. Esse conselho é extremamente ignorante e algum dia, posso me arrepender profundamente de ter escrito isso aqui (mas a vida é assim mesmo): atenha-se ao que você sabe fazer e não invente moda, não importa quem você seja. Quem sabe pensar diferente é porque já sabe pensar igual.

5. Carência de literatura na área. Acho que é o mimimi mais recorrente na literatura de qualquer área. Mas quando a gente lê uns livrinhos bestas e inúteis sobre a história social do conhecimento (do Burke) e percebe que tudo é muito, mas muito recente e incipiente, fica um pouquinho mais fácil de entender os porquês da literatura especializada ser tão escassa. Acho esse argumento meio fajuto, uma vez que também percebemos que sempre existem assuntos “da moda” e é sobre eles que as pessoas “gostam” de escrever (na verdade não gostam, escolhem porque é o mais fácil; gostar é superestimado, mas isso é outro assunto). Na academia isso é muito comum: não se cria viabilização para pluralidade, apenas para repetição de discurso. Certamente não é à toa que existe “carência de literatura na área”, em qualquer área – não só na Biblioteconomia não. Isso pode até ser verdade, mas escrever um parágrafo pra dizer “coitadinho de nós que não temos referências nacionais sobre esse assunto direito”, acho meio demais. Dica: não reclame da carência, apenas crie. Desbrave. Por maiores que sejam as dificuldades.

6. Textos literários demais. Este é apenas um preconceito pessoal que tenho. Certo que não concordo com todos os preceitos da “escrita acadêmica e científica”, mas poxa… Desnecessário tentar ser literário demais numa tese ou dissertação. Sinceramente, do fundo do meu coração amargurado, eu acredito que pra você ser um escritor, você precisa ser bom (olha, muito bom. na verdade você precisa ser excelente, tá?) em primeiro lugar. Considero de extrema dificuldade conciliar um texto acadêmico com um texto literário (ruim), mas tem gente que consegue e ainda, claro, consegue ser aprovado pela banca. Como, não sei. Lembrando bem que ter um estilo de escrita não tem nada a ver com ser literário, mas sim em ter sabedoria e até certa malícia, sagacidade no uso das palavras certas (eu disse palavras certas, que sejam elegantes e impactantes, não falei de chavões, que são feios e grosseiros). Eu gosto de coesão num texto e não gosto de muita viagem na maionese e riponguice. Não estou falando pra poupar palavras nem nada, mas pra ser cauteloso ao invés de estiloso. Só isso. Por favor.

7. Invenção da Roda. Se você está na graduação, ou até mesmo na pós-graduação, olha, eu sinto muito, mas você de antemão não é inovador, genial, visionário e nem vai inventar a roda. Se você é tudo isso (e está bem certo disso), a academia não precisa de você e muito provavelmente nem você dela. Não, você não está inventando a roda. Pelo menos não até o doutorado. Veja se alguém já não fez ou falou o que você pretende pesquisar. Só dê uma olhadinha e simplesmente aceite este fato. Não dói. Sério.

8. Vocabulário rebuscado só pra pagar de erudito. Não vou nem me prolongar nesta, só vou fazer uma pergunta: pra quê isso, me diz? Quem caça palavra complicada em dicionário só pra usar e pagar de erudito é simplesmente babaca. (Desculpem, não resisti em ofender).

9. “Artigos” com amontoados de citações. Infelizmente, tive a sofrível experiência logo na primeira fase do curso de biblioteconomia, de ter de encarar um texto sobre ética e deontologia (um assunto que considero difícil, tanto de ler como se escrever sobre), com um “artigo” que continha blocos imensos de citações, uma seguida da outra. Foi a coisa mais traumatizante que me sugeriram ler, em toda a minha vida. O choque foi ainda maior quando vi que tinha sido escrito por uma mestranda (mestrandos deveriam ser mais sagazes que eu né? pois é). O trauma se agravou porque o professor deu um estudo dirigido onde continha a seguinte pergunta “qual é a idéia principal da autora no texto?”. Fui sincera: a autora não tem nenhuma idéia principal sobre nada e no texto, aparentemente, ela não tem a mínima idéia sobre o que ela está escrevendo. Ah, falei sim senhor. E também dei uma de classhole e falei a mesma coisa em sala de aula, nem ligo, falei mesmo. Isso é que dá aprovar aluno CDF e “esforçado” em seleção de mestrado. Não adianta nada se o seu melhor simplesmente não é bom o suficiente.

10. Contradições descaradas. Isso não é nem sobre um artigo ou texto em si, mas sim sobre posicionamentos mesmo, que considero bizarros – por não existir palavra melhor pra descrevê-los. Dou dois exemplos: #1. organizam um livro sobre Mídias Sociais sendo que a grande maioria dos autores mal responde e-mails (provavelmente não devem ter tempo, ou coisa assim). Isso, para mim, é totalmente bizarro, simplesmente. Vejam que nem mesmo reclamei dos autores não fazerem parte de certas mídias sociais, pois é um pouco mais complicado do que imaginamos: não respondem e-mails que não sejam estritamente do interesse deles (não querem perder tempo). Ok. #2. organizam um livro tendo como tema principal e fundamental “O Livre Acesso ao Conhecimento Científico” ou sei lá sobre “Compartilhamento, Livre Acesso e Colaboratividade” e o livro além de caro, está indisponível em versão eletrônica para download. Como isso é possível? Isso é a CI, my friends. De que Livre Acesso eles devem estar falando mesmo? Sério, é inacreditável. Acho isso mesquinho, ruim mesmo, como um todo. Não é uma publicação para se ter orgulho, definitivamente.

(Publicado originalmente em 12 de janeiro de 2011.)