Categorias de Papelaria para e-commerce

Categorizar e classificar qualquer tipo de coisa é sempre um desafio, não importa o tema. Quando tratamos de miudezas, agrupá-las de forma minimamente coerente parece ser um desafio maio ainda. Em plataformas de e-commerce, a taxonomia e a organização deste tipo de informação ainda é bem incipiente, uma vez que muito frequentemente a busca é a maior privilegiada. De qualquer modo a organização dos itens de forma lógica ainda é um atrativo pra quem é menos objetivo na hora de realizar compras online e navega pelo site com frequência, afinal, uma página de produtos não deixa de ser uma vitrine e às vezes queremos “só dar uma olhadinha” no sortimento, não?

Pensando nisso, resolvi fazer uma breve pesquisa apenas com o objetivo de verificar como alguns e-commerces organizam seu departamento de papelaria. Selecionei 12 lojas nacionais, sendo 7 especializadas (ou seja, papelarias mesmo), 3 empresas de varejo geral e 2 livrarias, que também vendem itens de papelaria. Embora os perfis das lojas sejam distintos, foi possível encontrar um pequeno padrão.

Neste estudo analisei apenas a nomenclatura das categorias apresentadas, deixando as subcategorias para uma segunda parte do trabalho – que é bem mais complexa e aprofundada, pois se trata menos de conceitos e mais de tipos de produtos específicos e reais. Num exemplo rápido: ao invés de encontrar apenas “Material de Escritório” (conceito geral), encontramos “Fragmentadoras” e “Grampeadores” (produtos específicos).

Destas 12 lojas, foi levantado um universo de 173 categorias de papelaria, onde 132 apresentaram repetição e frequência. Para fazer o tratamento e agrupamento dessas categorias, usei a técnica de Análise de Conteúdo (Bardin, 2010) e cheguei em 9 categorias principais (consideradas mais frequentes) e 10 categorias secundárias (menos frequentes).

Categorias Principais Categorias Secundárias
[15.15%] Escritório
[12.87%] Arte e Artesanato
[10.60%] Informática
[9,09%] Papéis, Envelopes e Etiquetas
[8.33%] Material Escolar
[6.06%] Mochilas, Estojos e Lancheiras
[6.06%] Presentes
[5.30%] Escrita e Corretivos
[4,54%] Cadernos e Agendas
[3.78%] Eletro-Eletrônica
[3.03%] Cartuchos de Impressão
[3.03%] Jogos/Games
[2.27%] Alimentação
[2.27%] Embalagens
[1.51%] Álbuns
[1.51%] Limpeza
[1.51%] Higiene
[1.51%] Telefonia
[1.51%] EPI

Em verde estão as categorias-conceito e em azul as categorias-produto. As categorias principais e de maior frequência são o “feijão com arroz” de qualquer papelaria, são os materiais básicos. Já nas categorias secundárias, geralmente vemos tanto conceitos quanto produtos que geralmente não são muito comuns, sendo considerados mais “extras” ou muito específicos em uma papelaria. Mas a partir destas informações, já é possível desenhar o que é imprescindível para uma boa categorização e o que pode ser considerado opcional. No entanto, isso tudo varia com o propósito do negócio e com a cultura da empresa em questão.

O próximo desafio é verificar e fazer o levantamento de quais tipos de produtos comporiam “Escritório”, também se preocupando com a duplicidade de produtos em diferentes categorias, verificando a sua viabilidade enquanto categoria. Um exemplo rápido: o produto “Caneta” poderia facilmente fazer parte das categorias “Escritório”, “Material Escolar” e “Arte e Artesanato”. Mas como se trata de um produto com muita relevância e que precisa estar em destaque devido a possuir um sortimento mais variado, é elevado ao status de categoria em “Escrita e Corretivos”. Isso acontece com frequência em categorizações e precisa ser verificado caso a caso, pois como já mencionei, pode ser customizável de acordo com regras de negócio.

A segunda parte do trabalho vai ser o de verificar os tipos de produto que compõem as categorias, seus possíveis filtros e demais atributos.

 

 

 

Design Thinking e design de taxonomia

por Claire Brawdy, para o site Enterprise Knowledge

Na minha experiência, descobri que qualquer esforço para um design de sucesso em taxonomia nasce de um forte entendimento das necessidades do usuário final – dificilmente uma tarefa simples. Um dos modos que trabalhei para lidar com este desafio foi incorporar o Design Thinking em nosso processo de design de taxonomia.

A IDEO define Design Thinking como uma abordagem de resolução de problemas centrada em pessoas que centraliza suas necessidades, as de tecnologia e do negócio para resolver problemas complexos com soluções inovadoras. O processo é quebrado em fases, que podem ocorrer em paralelo e serem repetidos com frequência. Esse post explica como nós na Enterprise Knowledge integramos cada fase durante o design de taxonomia.

Por que Design Thinking? Aqui na EK, observamos várias situações onde os esforços para o design de taxonomia sofrem de uma falta de aceitação e alinhamento, resultando em estagnação pois os usuários não estão adotando e usando a taxonomia. Esta metodologia visa estas questões pois prevê oportunidades para compreender totalmente os usuários e suas necessidades, e reforçar que você esteja realmente realizando o design para eles. Usar esta abordagem assegura que o design de taxonomia é apoiado pelos usuários e que combina findability (encontrabilidade) e usabilidade.

Empatizar

Para começar, você precisa ter um profundo conhecimento do problema que precisa ser resolvido e remover quaisquer premissas que você tiver. Isso envolve empatizar com usuários, observando e interagindo com eles para compreender suas experiências e motivos. Descobrimos que isso geralmente faz falta nas iniciativas de design de taxonomia, onde os stakeholders do projeto não estão alinhados com os objetivos, ou claramente não entendem o “porque” de uma taxonomia.

Existem muitas abordagens que você pode ter para cumprir este objetivo. Na Ek, conduzimos entrevistas e grupos de foco, e facilitamos workshops de taxonomia. Entrevistas e grupos de foco podem te ajudar a aprender quais são as lutas dos seus usuários em relação à busca e descoberta de informações. Seja consciente de quem você está entrevistando e que tipos de perguntas está fazendo. Você está entrevistando uma gama de usuários, representando diferentes níveis de experiência e diferentes áreas de expertise? Você está fazendo perguntas tendenciosas baseadas no que você assume que os problemas sejam?

Workshops são incrivelmente valorosos particularmente pois eles dão a oportunidade de envolver usuários de negócios de verdade nas fases iniciais, mitigando o risco de presumir incorretamente requerimentos de design. Enquanto entrevistas e grupos de foco indiscutivelmente oferecem os mesmos benefícios, participantes de workshops podem se tornar seus defensores mais fortes para o design de taxonomia, uma vez que eles estão verdadeiramente envolvidos desde o início. Além das entrevistas, grupos de foco e workshops, considere desenvolver personas colaborativamente e mapas de empatia para identificar diferenciadores de usuários e necessidades usuários chave. Juntas estas ferramentas vão te ajudar a desenhar insights chave a partir de seus usuários finais.

Definir

O estágio de Definir envolve analisar e sintetizar toda a informação colhida anteriormente para definir os principais problemas que afetam seus usuários finais. Nesta fase, você precisará definir claramente todas as necessidades dos usuários.

Na EK, ao invés de focarmos em criar uma declaração de problemas, nós mudamos o foco para a criação de uma declaração de resultados. Em resumo, estamos pedindo aos usuários finais para que respondam a pergunta, “o que esta taxonomia permitirá que usuários finais façam/realizem?”. Fazer este tipo de pergunta nos permite facilmente capturar as expectativas e desejos dos usuários finais e termos a certeza de que estamos entregando um produto que funciona para eles. Bem como criar um declaração de problema efetivo, criar a declaração de resultados simultaneamente foca os usuários finais das suas necessidades específicas e cria um senso de possibilidade que permite que os membros de equipes mudem de ideias na fase de Idealizar.

Idealizar

Munido com os insights dos usuários e declarações claras de problemas/resultados, você pode progredir para a fase de Idealizar para identificar alternativas ao entendimento do problema e subsequentemente, novas soluções.

Aqui é onde você pode talvez começar a se movimentar rumo ao campo de metadados iniciais e avaliar identificação e priorização, mantendo em mente a declaração de resultados já mencionada. Enquanto é importante iniciar esta fase com critérios levando em conta características de taxonomias de sucesso em negócios, também é importante ter uma gama de ideias potenciais e ter a certeza de que tudo está ao menos capturado. O conjunto resultante de campos de metadados e valores correspondentes pode dar uma visão geral de alto nível das características importantes de conteúdo que podem precisar estar refletidas na taxonomia.

Prototipar e Testar

A fase de Prototipar nos oferece a oportunidade de testar nossas potenciais soluções através de versões reduzidas e econômicas do produto ou suas características específicas. A fase Testar final envolve uma testagem rigorosa do produto completo. A taxonomia em papel tende a ser abstrata. Nossa prototipação e abordagens de teste trazem o contexto real do negócio ao esforço de design de taxonomia para nossos usuários finais.

Os campos de metadados que são identificados na fase de Idealizar podem ajudar a formar uma “taxonomia iniciante” que será testada posteriormente e elaborada de forma a se tornar uma taxonomia de negócio verdadeiramente efetiva. Uma forma que lidamos com esta fase aqui na EK é através de card sorting, uma técnica para descobrir como usuários finais categorizam a informação, que por sua vez ajudam a validar partes de um design de taxonomia. O exercício também pode ajudar a identificar quais categorias precisam de ajustes baseados no feedback de usuários.

No final da fase de prototipagem, o time terá uma melhor ideia das limitações da taxonomia, os problemas que existem e um melhor entendimento de como usuários reais agiriam, pensariam e se sentiriam enquanto estivessem interagindo com o produto final. No design de taxonomia, o teste do produto completo é contínuo, com alterações e refinamentos sendo considerados e feitos através de uma governança de taxonomia para melhor refletir os usuários finais e a evolução de suas necessidades.

Conclusão

O progresso no esforço do design da sua taxonomia começa com um entendimento claro dos seus usuários finais. É por isso que o Design Thinking pode ser incrivelmente útil na construção de uma taxonomia que irá ao encontro das reais necessidades de sua organização e seus usuários finais. Essa metodologia colaborativa, flexível e interativa nos permite rapidamente identificar, construir e testar o produto rumo ao sucesso.

Claire Brawdy tem foco em entregas Ágeis para gestão do conhecimento e esforços para design de taxonomia. Claire gosta de colaborar com seus clientes para desenvolver uma compreensão compartilhada de necessidades e gestão.

O valor no desenvolvimento de uma taxonomia para lojas online

por Craig Fox para a PinnacleCart

Tendo uma pequena loja, apenas o fato de manter o controle de inventário e estoque da sua loja online pode tomar 90% do seu tempo disponível – considerar o uso de taxonomia para a sua loja online pode parecer como qualquer outra tarefa pra lista de ‘fazer depois’. No entanto, gerir e revisar a taxonomia de sua loja online pode te ajudar a desenvolver conteúdo, otimizar SEO, desenvolver um plano de vendas e criar oportunidades naturais de vendas cruzadas e aumento de vendas.

Então, o que é taxonomia? Taxonomia é um termo técnico que se refere à classificação de itens. Em qualquer site isto seria considerado o agrupamento de conteúdo para o mapa do site; em e-commerce isso significa identificar em categorias agrupamentos naturais e específicos de produtos da loja.

Se você vende sapatos online as categorias naturais podem ser:

  • Sapatos esportivos
  • Sapatos sociais
  • Sapatos casuais
  • Botas

Essas categorias seriam divididas no futuro em sub-categorias dependendo do tipo de conhecimento que você tiver de seus clientes. Uma versão poderia ser:

  • Sapatos sociais
    • Sapatos Sociais Femininos
    • Sapatos Sociais Masculinos
    • Sapatos Sociais Infantis

 

Ou talvez a sua loja online apenas atenda mulheres e você criaria sub-categorias assim:

  • Sapatos Sociais
    • Salto Alto
    • Plataforma
    • Anabella
    • Sandálias

 

Ou talvez você gostaria de começar por materiais – couro, camurça, tecido; ou por estação – verão, outono, inverno, primavera. Tudo depende do conhecimento que você tiver de seus clientes, suas preferências de compra, as quais você pode identificar a partir de dados anteriores, termos de busca do seu software deanalytics ou até mesmo a partir de pesquisas feitas com clientes.

Agrupamentos específicos de produtos de lojas online podem ser taxonomias que você cria para dar apoio à uma venda ou grupo de consumidores em específico – tais como “Sandálias de Verão”, “Básicos da Moda” ou “Estilos Mais Populares Para Pés Largos”. Estas são coleções que você fará a curadoria manualmente baseado no seu conhecimento do produto ou em dados sobre vendas e padrões de compras dos clientes, que você pode obter a partir da plataforma da sua loja online.

Uma vez que você criou uma taxonomia lógica baseada nas informações dos clientes, você pode começar a trabalhar otimizando suas páginas de categoria para SEO orgânico, identificando as principais palavras-chaves para aquele grupo que deve aparecer na página. Use sua pesquisa de termos para guiar o modo como você nomeará a página, como você estruturará sua URL e o conteúdo que você criará para a página, incluindo cópia, imagens e vídeos.

Enquanto você cria suas categorias e as popula com os produtos apropriados, você começará a ver os padrões de lacunas naturais ou estoque excessivo em certas categorias. Faça com que essa informação seja insumo para o seu plano de vendas – procure novos produtos para preencher categorias sazonais ou categorias populares e volte-se para aqueles que não estão vendendo bem, ou mova alguns itens para uma seção promocional. Se você sempre faz um grande esforço para fazer a gestão do aumento de vendas e vendas cruzadas, sua taxonomia organizada fará com que você selecione os produtos apropriados num estalar de dedos. Até que você tenha tempo pra revisar seus dados de venda para determinar padrões de compra comuns, você pode utilizar os grupos de produtos para preencher essas lacunas.

Taxonomia de varejo: não é taxidermia e é importante

por Season Hughes, para Bloomreach.com

I-love-TaxonomySe você quer vender produtos online, você deveria nomeá-los corretamente e colocá-los nas categorias corretas.

Isso é taxonomia, pura e simples.

Taxonomia é a classificação de dados – e de dados sobre dados (ou metadados). A taxonomia determina como algo deve ser chamado (“vestido”), sua categoria (Moda Feminina > Vestidos), seus atributos (“verde”, “de renda”) e os tipos de atributos (cores, materiais). Boas taxonomias são informadas pelo comportamento dos usuários (Tipo de atributo no Brasil: jeans, Tipo de atributo em Portugal: ganga) e encompassam todos os produtos disponíveis de modo que o cliente possa navegar até o produto desejado com o mínimo de cliques possíveis.

“Mas por que ter uma taxonomia quando você pode só usar a busca?” como taxonomista, eu ouço muito isso. Junto com as pessoas me pedindo pra declarar seu imposto de renda.

E a resposta é: se você não tem a informação correta em primeiro lugar, a sua busca não funcionará. Se você tem um cliente pesquisando em Répteis por uma lâmpada de terrário, mas o produto está em Comida para Cavalo, esse cliente sairá de mãos vazias, você perderá essa venda e provavelmente a confiança do cliente.

Várias companhias, de varejistas de e-commerce à agências de imagens, reconhecem a importância de uma taxonomia boa e limpa e tem taxonomistas dedicados em sua equipe para resolver estes problemas (a Bloomreach é uma destas companhias). Estes taxonomistas geralmente tem graduações em biblioteconomia ou ciência da informação com cursos relacionados em pesquisa, classificação e linguística. (leia sobre o perfil da Season Hughes aqui.)

Mas e se você não tiver tais fontes dedicadas? E se a taxonomia só for um projeto paralelo adicionado às suas responsabilidades diárias sem nenhum treinamento ou tempo à mais? Por onde você começa?

No Taxonomy Bootcamp, uma conferência anual que acontece em Washington D.C., onde taxonomistas se reunem e fazem piadas sobre taxidermia e onde profissionais da informação compartilham suas abordagens com um vasto número de desafios de taxonomia, desde criar um portal médico para o diagnóstico de doenças até reformular um website de biblioteca de alguma universidade da Ivy League, e construir um site com “tudo sobre Simpsons (este último é o Simpsons World e foi construído inteiramente a partir de informações obtidas em material impresso.)

Algumas diretrizes gerais emergiram a partir do trabalho destes taxonomistas:

  • Engaje as pessoas. Pode não parecer o mais glamuroso dos empreendimentos, mas sua taxonomia pode levar diretamente ao aumento de tráfego e vendas – quando as pessoas conseguem encontrar produtos mais rapidamente, eles comprarão mais e continuarão retornando. Tenha certeza que as pessoas na sua companhia saibam o quanto a taxonomia os beneficia. Elas vão te apoiar mais e você se sentirá menos solitário na sua busca.  
  • Identifique seus usuários. As taxonomias deveriam ser construídas para os usuários. Tenha certeza de que você sabe quem eles são e como eles irão usar sua taxonomia. Tire um tempo para conversar com eles, para observá-los utilizando o que você tem por hora, para perguntar para eles o que eles gostam e não gostam e como o sistema ideal deles funcionaria.
  • Conheça seu conteúdo. Tenha uma ideia sobre os dados com os quais você está trabalhando e como eles são estruturados. É por escrito ou apenas conhecimento tribal? Ocorre em diversos canais ou todos em um lugar só? Isso também o ajudará a estimar o tamanho de seu projeto e comprometimento de tempo.  
  • Taxonomize. Essa palavra não existe, mas descreve a fase em que você efetivamente começa a construir uma taxonomia. Nós taxonomistas somos fãs de um sistema altamente analógico para mantermos nossa casa digital em ordem. É também conhecido como “card sorting”, onde você escreve os termos em cartões e os classifica a partir do conceito mais amplo para o mais restrito (ou qualquer categorização que seja melhor para o usuário final – sempre o usuário primeiro!). A partir daí você pode construir uma taxonomia para apresentar aos usuários finais e observar o comportamento deles. Inevitavelmente, eles irão interagir com a sua taxonomia de formas completamente inesperadas. Resista à vontade de dizer “você não está fazendo direito” e corrigir o comportamento. Ao invés disso, lembre-se de que uma boa taxonomia é construída para o usuário e não o contrário disso e ajuste seu trabalho de acordo com isso.
  • Governe. Uma vez tendo construído e testado sua taxonomia e chegado em uma que se adapta às necessidades dos seus usuários, você precisará de um jeito de manter o trabalho. Um mito comum sobre taxonomias é o de que elas são estáticas: construa elas uma vez e terminou. Na verdade, taxonomias estão constantemente mudando, especialmente no varejo. Conceitos que não existiam há um ano atrás, hoje podem ser mais comumente utilizado e eles precisarão de um nome, uma categoria e alguns atributos. Veja: bastões de selfie.

Essas diretrizes básicas te darão uma ideia de como começar seus empreendimentos taxonômicos. Você achará várias ferramentas para te ajudar no caminho, incluindo templates de classificação, softwares de gestão de bases de dados, auto-tagueadores e mais. Se você se impressionar bastante com as possibilidades e quiser aprender mais sobre o mundo fascinante da taxonomia, “The Accidental Taxonomist” é uma excelente leitura para o profissional da informação que quer se desenvolver.

Boa sorte e feliz taxonomização!

Fotos por Season Hughes tiradas no Taxonomy Bootcamp de 2015.

Ornitólogo de bolso?

Meu bicho preferido é passarinho. Ou pássaros de qualquer tipo. Vivo repostando vídeos, gifs e imagens dessas criaturinhas no meu facebook e acredito que isso seja de conhecimento de todo mundo. Sigo um ornitólogo no twitter e foi por ele que descobri os maravilhosos pássaros do paraíso, como são chamados, os pássaros que tem na região da Nova Guiné. São bichos simplesmente inacreditáveis de tão bonitos. Até assisti um documentário inteiro no sobre eles, porque é muito fascinante. Vou até postar por aqui de novo um vídeo do The Cornell Lab of Ornithology, porque sempre o compartilho quando vejo simplesmente porque acho que cada vez mais gente precisa saber que esses bichos ainda existem:

Fiz essa pequena introdução porque ano passado me apresentaram um artigo (por Melissa Breyer no TreeHugger.com) sobre Merlin Bird Photo ID, que seria um identificador de alguns pássaros via imagem. Isso me lembrou de uma outra discussão sobre recuperação de dados de imagem, via Google. Esse identificador de pássaros é capaz de identificar cerca de 400 pássaros encontrados geralmente no Canadá e Estados Unidos. Geralmente ele acerta o pássaro nos primeiros três resultados 90% das vezes e quanto mais pessoas utilizarem esse software, melhores serão os resultados.

Bird identifier

O processo é simples: um usuário faz upload da imagem de um pássaro e também coloca os dados de quando e onde a foto foi tirada; daí faz-se um pequeno retângulo/quadrado em volta do pássaro, marcando o corpo os olhos e o rabo. Em segundos o software reconhece os pixels e através de inteligência artificial com milhares de pontos de dados, apresenta as espécies mais prováveis, incluindo fotos e vocalizações.

Serge Belongie, professor de Ciência da Computação na Cornell Tech acredita que “computadores podem processar imagens mais eficentemente que humanos – eles podem organizar, indexar e combinar vastas constelações de informação visual tais como as cores das plumas e os formatos da anatomia”.

A precisão do software é resultado de muito trabalho humano, uma vez que ele aprendeu a reconhecer cada espécie com dezenas de centenas de imagens identificadas e categorizadas por especialistas. Também se baseia em um excesso de 70 milhões de imagens gravadas por especialistas e curiosos na base de dados do eBird.org, que se reduz na medida em que você utiliza a localização e época do ano em que a foto foi tirada.

Embora por agora não tenha a versão mobile, eles estão trabalhando nisso.

Aí vai ser possível ter um ornitólogo no bolso.

Update: Parece que também já existe um software que reconhece plantas também.

A Nova Desordem Digital (2007), David Weinberger

“Como vimos, a primeira característica do conhecimento tradicional é que, assim como existe apenas uma realidade, existe um conheicmento, o mesmo para todos. Quando duas pessoas têm idéias contraditórias sobre algo factual, achamos que apenas uma pode ter razão. Isso porque presumimos que o conhecimento seja uma representação precisa da realidade e que o mundo real não pode se contradizer. Tratamos idéias que contestam essa visão do conhecimento com desdém. Rotulamos estas como “relativismo” e as consideramos obra do diabo; fazemos pouco delas chamando-as de “pós-modernas” e presumimos que não passam de papo-furado de pseudo-intelectual francês. Dizemos “deixa pra lá” como licença para parar de pensar.

A segunda é presumirmos que, assim como a realidade não é ambígua, o conhecimento deve ser exato. Se algo não está claro para nós, é porque não entendemos a questão. Talvez não estejamos 100% certos sobre qual o maior rio do mundo, se o Nilo ou o Amazonas, mas estamos seguros de que um deles o é. Reciprocamente, se não há possibilidade de certeza – “O que é mais gostoso: beterraba ou rabanete?” -; dizemos que não é questão de conhecimento.

A terceira é que, como o conhecimento é tão grande quanto a realidade, ninguém pode compreendê-lo. Sendo assim, precisamos de pessoas que exerçam o papel de filtro, usando sua formação, sua experiência e seu raciocínio claro. Chamamos esses indivíduos de experts e damos a eles carta branca para que afastem as informações erradas e nos forneçam dados precisos.

A quarta éque os experts atingem esse status ao trabalhar em instituições sociais. Pessoas dessas instituições fazem o melhor para serem honestas e úteis, mas, enquanto os humanos não atingem o status de divinais, nossas organizações inevitavelmente estarão sujeitaas a influências corruptíveis. O fato de alguns grupos receberem recursos financeiros pode determinar as convicções de uma sociedade, e tais recursos geralmente são dados por pessoas que sabem menos que os especialistas: o destino de um centro de pesquisas de DNA pode estar nas mãos de congressistas que não sabem a diferença entre um ribossomo e um trombone.

O modo como organizamos o conhecimento tem sido determinado, em grande parte, por essas quatro propriedades do conhecimento. Tentamos estabelecer um quadro contextual único e abrangente para o conhecimento, com categorias claras e amplas o suficiente para que especialistas possam colocar cada coisa em seu lugar. As instituições cresceram para manter a estrutura conceitual do conhecimento. Sua capacidade de certificar especialistas e afiançar o conhecimento tornou-as poderosas e, às vezes, ricas. Portanto, quando a miscelânea de terceira ordem é digital, não física, não mais temos de concordar com uma única estrutura conceitual. As coisas têm seus respectivos lugares, não um único lugar. Chegamos ao ponto em que podemos criar nossas próprias categorias, de acordo com nossa forma de pensar. Os experts podem ser úteis, mas, na era da miscelânea, eles e suas instituições não mais estão encarregados de nossas idéias.” (p. 101-102)

Clue: o aplicativo para monitoramento do ciclo menstrual

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Update 17/05/2016: e pelo que as meninas conversaram e chegaram a conclusão na comunidade aí em cima o termo “Retirada” no Clue significa o ato de coito interrompido.

Confesso que não me lembro ao certo onde na Internet Foi pelo Twitter, através da amiga Maria Clara que fiquei sabendo sobre o aplicativo Clue, para monitoramento do ciclo menstrual. Acho que comecei a buscar um aplicativo desses pra mim, mas pelo menos uns 2 que eu tentei usar ou focavam muito na janela do período fértil para quem estava tentando engravidar (não é meu caso) ou ainda: eram muito ~de mulherzinha~ e não eram muito bons, nem objetivos, pra acompanhamento de informações mesmo. O Clue ajuda a monitorar independente do objetivo, sendo voltado mais para a saúde mesmo.

De qualquer modo, mesmo antes do aplicativo eu já usava a agenda em papel para anotar quais dias eram os vermelhos, já conseguia prever com certa precisão a minha tpm e os meus sintomas, dores e outras particularidades pré-menstruais. Pra mim sempre foi corriqueiro esse tipo de monitoramento. E escrevia sobre isso também, sobre tudo o que percebia em mim, pra ver se conseguia reconhecer algum tipo de padrão ao longo do tempo. Bom. Aparentemente esses dias acabaram. Esse aplicativo veio como uma luva, pois posso até sentir necessidade de continuar escrevendo sobre as percepções que tenho, mas para acompanhamento ele é bastante preciso.

A simplicidade do aplicativo é impressionante e o uso é muito intuitivo. Depois da instalação é necessário o preenchimento de um formulário com algumas perguntas que vão programá-lo e aí ele está pronto para ser usado. Entre as informações que você monitora estão dores de cabeça, dores nos peitos, se você foi a alguma festa e bebeu ou fumou, variações de humor, se está exausta ou com pique, se fez exercícios e meditou. Como o aplicativo é usado no mundo todo, eles passaram uma pesquisa perguntando como que é encarada a menstruação por aqui, comigo. Bem, eu sou do Brasil e por aqui, a conversa sobre menstruação ainda é feita em códigos (ao menos quando eu era mais nova era sim), pois ninguém gosta de falar sobre isso abertamente e muito menos com homens. Ou seja, é tabu ainda sim. Cercado de mitos e constrangimentos, etc. Enfim.

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Menstruação. É totalmente normal.

O Clue tem um quê de gamification onde o objetivo é o reconhecimento de padrões para um melhor auto-conhecimento. Ainda não utilizei o aplicativo por um ciclo completo pra saber exatamente quais os tipos de informação que ele pode me ajudar a monitorar, mas acredito que o app vai evoluir com o tempo. Além da conta no Twitter onde eles se comunicam com os usuários, o Clue também tem um blog no tumblr onde apresentam a equipe que desenvolve o aplicativo e explicam também os porquês de cada um dos diferentes tipos de monitoramentos, como por que monitorar sua pele, seu cabelo, seu estado mental, seus exercícios e seu sono. Na verdade os monitoramentos são opcionais, por exemplo: eu não tomo pílula, logo deixo inativo o monitoramento da pílula. Nesse sentido o app tem certa flexibilidade, não há obrigatoriedade de monitorar tudo.

Algumas coisas também faltam no aplicativo, mas aos poucos podem ir sendo implementadas. Hoje por exemplo, depois de alguns pedidos feitos por usuárias no Twitter, eles atualizaram a versão incluindo coletores menstruais, pois antes só existiam absorventes. Ainda tenho dúvidas quanto ao significado de algumas traduções e até mesmo em relação ao significado de algum dos ícones, que para mim são a parte mais criativa e atraente do aplicativo. Claro que ainda faltam algumas coisas pro aplicativo ficar realmente bom, mas acho que quem vai ajudar ele a ficar melhor são as pessoas que o utilizam (sim, pessoas pois surpresa!: homens trans também podem menstruar). Ainda não fucei no aplicativo o suficiente mas gostaria de saber como ele funcionaria caso alguém tomasse uma pílula do dia seguinte (o que costuma desregular tudo) ou tivesse alguma doença do tipo hipotireoidismo, que também desregula o ciclo, caso você não tome o remédio regularmente.

Mas essas são informações que acredito que ficarão para um futuro próximo. Por hora, tem sido muito bom pra mim. Vamos ver como ele evolui.

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Busca por imagem no Google

(Publicado originalmente em 30 de agosto de 2011)

Esses dias eu aprendi um truque mágico e quero compartilhar com quem ainda não conhece. Às vezes a linguagem (natural, controlada, o que for) não é suficiente pra nos ajudar a encontrar exatamente o que queremos, principalmente quando se trata de imagens, fotografias.  É difícil dizer o que se quer. É mais difícil ainda representar o que se conhece. Não preciso ir muito longe: sabe aquele meme engraçadinho que você não sabe o nome e nem mesmo a história? Ou aquela pintura linda que você encontrou por acaso no tumblr mas não faz a mínima idéia de onde é, quem é o artista e outras informações? Que nem essa imagem que encontrei ontem:

philip_govedare

Achei a imagem incrível, mas não sabia nada sobre ela e nem sobre outras imagens do mesmo artista, enfim, nenhuma informação além  do óbvio, “paisagem”, “aquarela” e “tons de azul”, que era simplesmente insuficiente pra encontrar o que eu quero nas galáxias de informações de páginas que o Google indexa. Às vezes eu não ligo, mas boa parte do tempo não saber das coisas meio que me angustia.  De uns tempos prá cá isso tem deixado de ser apenas uma angústia pessoal, mas uma necessidade de trabalho mesmo.. Mas enfim, eis o truque:

  1. Encontre uma imagem aleatória na internet, sem fazer a mínima idéia do que ou de quem seja.
  2. Salve esta imagem desconhecida em seu desktop ou em qualquer outro diretório.
  3. Abra o buscador do Google imagens.
  4. Arraste o ícone da imagem que foi salva até o campo de busca do Google imagens.
  5. Voilà.

É claro que algoritmos são tão imperfeitos quanto indexações humanas, por melhores e mais especializadas que elas sejam. A busca por um sistema  que seja perfeito é uma audácia inalcançável, mas as pessoas se divertem inventando possibilidades de organização e desorganização e é isso o que é interessante pra mim. Lógico que muito lixo vai ser recuperado e outras imagens que são apenas semelhantes, não representando exatamente o que você queria.

Muito dos primeiros links também não vão ter informações muito úteis sobre o artista em questão, mas se você persistir um pouco mais, pode acabar encontrando algo mais especializado, como por exemplo, o blog de uma ilustradora, que fala sobre o artista – Philip Govedare –  apresentando também outras obras dele. Sejam bem vindos ao futuro da  ausência total de palavras-chaves? É… É divertido acreditar que sim, apesar de ainda não estar tão certa disso… :)

Aprendi isso agora que estou tendo que indexar imagens que não faço idéia de onde foram tiradas e nem do que sejam – embora isso seja apenas parte do trabalho. Me convenço cada vez mais de que toda indexação é um profundo – e apaixonante – trabalho de pesquisa, apesar de ser tão desprezado por boa parte de quem estuda biblio. Me passam a imagem de uma praça, de cidade X, com uma fonte luminosa e uma torre.

Arrasta-se a imagem para o campo de busca e descobre-se uma miríade de outras informações: nome da praça, geolocalização, nome da torre, proximidade de outros locais, hotéis das redondezas, etc.. Informações inimagináveis, pode-se navegar por um mar quase que sem fim delas. Descubro mundos, memorizo o que vejo, vou pra vários lugares sem sair de onde estou.. É difícil entender como isso pode ser algo entediante. Bem como também é difícil se convencer de que a tecnologia é só um meio, e que o nosso fazer é bem humano.

Sobre a CDD

A CDD deveria ser vista como o sonho do administrador de biblioteca ao invés do sonho dos usuários de biblioteca. Ela não foi criada para nenhuma coleção específica e deve ser vista como um compromisso entre coleções diferentes e interesses acadêmicos correspondentes. Para minimizar a carga de trabalho nas bibliotecas, o sistema é conservador no sentido de que ele geralmente prefere evitar mudanças estruturais. Em outras palavras, a consistência interna em relação a diferentes edições geralmente teve prioridade comparado à atualização do sistema a fim de torná-lo mais de acordo com a sociedade onde ele está inserido. O usuário não tem uma visão detalhada e realística sobre as relações entre as disciplinas e campos de conhecimento, mas o administrador de biblioteca tem um sistema no qual a maioria dos livros já estão classificados por outras bibliotecas ou agências e no qual é usado tanto para arranjo na estante quanto para busca no catálogo. O administrador de biblioteca pode contratar pessoas dos cursos de biblioteconomia, que conhecem o sistema e podem aplicar esse conhecimento em todas as bibliotecas usando a CDD. O sistema está apoiando, no entanto, interesses profissionais. Ele provavelmente representa uma racionalização do trabalho de biblioteca mais do que qualquer coisa. Sua principal qualidade pode ser que represente um padrão e não um sistema otimizado para busca ou recuperação para qualquer interesse particular. Devemos lembrar que o que hoje é chamado de Biblioteconomia e Ciência da Informação (Library and Information Science, LIS), foi denominado economia de bibliotecas (library economy) em 1876 quando o sistema foi publicado pela primeira vez, o que também é um indicador dos objetivos administrativos ao invés de acadêmicos do sistema. Isso também pode explicar porque sistemas criados com base em princípios mais modernos não conseguiram influenciar a prática nas bibliotecas. (p. 88)

B. Hjørland. What is Knowledge Organization (KO)? Knowl. Org. 35 (2008) No.2/No.3

Desclassificação na Organização do Conhecimento: ensaio pós-epistemológico

Várias civilizações e culturas – por exemplo, subculturas que não são necessariamente territoriais, tais como a científica – tem se especializado em “heteroclassificação”, em resenharem listas de clichês com os quais os assuntos e objetos classificados devem se adequar, sabendo muito bem que a inclusão de todos os assuntos e objetos na mesma categoria é geralmente forçada, ou que a categoria acaba por explodir devido à pressão interna ou por conta das próprias dinâmicas deste mundo incansável ao qual pretende subordinar-se. Categorias científicas e epistemológicas não são preparadas para assumirem mudanças constantes de uma supra-ordenação totalista. (p. 9 )

A informação científica, que em um primeiro momento teve de lidar com a gestão e organização das ciências, mesmo que por meio de classificações universais imprudentes, também terminou por organizar conhecimento social, cultural, midiático, artístico e estético. Através da gestão e organização de documentos arqueológicos, históricos e antropológicos, a informação científica terminou por invadir e modificar nossa visão de várias culturas contemporâneas e identidades em dissolução e a imagem que têm de si mesmas. (p. 10)

A desclassificação não nega a classificação, pois nunca paramos de classificar, mas envolve a suposição metacognitiva de uma lógica diferente, plural e não-essencialista. A desclassificação introduz ao pluralismo lógico, mundos possíveis, dúvida e contradição em proposições, justamente provendo um pensamento anti-dogmático, um pensamento fraco, alguém poderia dizer, invocando Vattimo (pensiero debole). (p. 11)

Algo fora de contexto é sempre e simultaneamente múltiplas coisas. Concepções infinitas aguardam por instâncias, formando e reformando proposições. E confirmar várias proposições simultâneamente não é contraditório; é simplesmente uma declaração de incerteza. Entretanto, uma instância não é apenas, é também. (…) Afirmar que qualquer instância é também, implica na demissão da tradição ou imposição de quem a perspectiva do conceito tem sido vista e considerada, bem como seu supra-ordenamento e elementos subordinados, e transferir o pluralismo desclassificante ao próprio núcleo da refundação conceitual a qual o pensamento democrático requere. (p. 11-12)

 

GARCÍA GUTIÉRREZ, A. Desclassification in Knowledge Organization: a post-epistemological essay. Transinformação, Campinas, 23(1): 5-14, jan./abr., 2011. Disponível em: <http://revistas.puc-campinas.edu.br/transinfo/include/getdoc.php?id=905&article=457&mode=pdf> Acesso em: 20 out 2011.

Nomeação, Tempo e Instabilidade: Tempo de Inscrição

O ato formal do bibliotecário de nomear, de registrar a descrição do assunto de um documento ou de especificar um relacionamento entre chamadas de assuntos é necessariamente realizada em algum ponto no tempo e inscrita no aparato de índices e catálogos. Uma vez que o tempo passa, este ato recua do presente para o passado. Durante o mesmo fluxo de tempo, o discurso prévio, sobre a qual a escolha do nome foi derivada, continuou, evoluiu e mudou e as práticas de nomeação evoluiriam com essas mudanças. Além disso, como o futuro se torna o presente, novos futuros continuam a ser previstos e a perspectiva antecipadora seria cada vez mais relacionada a discursos futuros cambiantes. Entretanto, um nome atribuído, uma vez inscrito, é fixado. Então, com o passar do tempo, seu relacionamento tanto com os discursos passados, quanto com os discursos sobre o então-futuro esperado precisa afastar-se da relevância para a percepção de um presente porvir. Nomes atribuídos são, portanto, inerentemente obsolescentes no que diz respeito ao passado e ao futuro. Os discursos e o bibliotecário fluem em frente como tempo, mas os nomes atribuídos têm sido inscritos para, e fixados em, um passado retrocedente.

BUCKLAND, M. Naming in the library: Marks, meaning and machines. C. Todenhagen & W. Thiele (Eds.) In: Nominalization, nomination and naming in texts. Tübingen, Germany: Stauffenburg, 2007. p. 249-260. Disponível em: http://people.ischool.berkeley.edu/~buckland/naminglib.pdf

Qual a diferença entre classificação e categorização?

A necessidade de comunicação efetiva entre o sistema de informação e o indivíduo aponta para cinco áreas de pesquisa:

(i) A comunicação entre o sistema de informação e o indivíduo é influenciada pela representação de fontes?

(ii) A estrutura organizacional do sistema de informação faz com que o indivíduo ajuste suas estruturas cognitivas internas?

(iii) A organização de fontes contribui para a criação de um contexto significativo para a informação?

(iv) O significado da informação é influenciado pela estrutura organizacional do sistema de informação? e

(v) Quais serão as conseqüências das diferentes estruturas organizacionais que podem ser aplicadas a um conjunto de recursos de informação?

Uma compreensão dos diferentes modos de estruturas organizacionais e as implicações que cada um possui para a criação de um contexto significativo para informação é primordial e deve, entretanto preceder qualquer discussão do papel que a representação e organização têm na dinâmica da informação. Assim, o foco aqui está nas ramificações da estrutura organizacional para comunicação entre o sistema de informação e o indivíduo enquanto inteligência natural. Mais especificamente, o argumento apresentado aqui endereça as diferenças estruturais e semânticas fundamentais entre a classificação e categorização e em como essas diferenças fazem uma diferença no ambiente informacional.

Tradução do artigo na íntegra disponível no meu Slideshare.

JACOB, E. K.: A Difference that Makes a Difference. Library Trends, v. 52, n. 3, 2004, p. 515-540.

[Dica: pra achar o artigo original é só jogar a referência acima no Google. Está disponível em Acesso Livre.]

(Publicado originalmente em 21 de abril de 2011.)