Saraiva Online: Taxonomia para Papelaria

  • Desafio: Reestruturação da taxonomia da categoria de Papelaria da Saraiva Online (categorias, subcategorias, filtros e fichas de produto); 
  • Solução: Mapeamento de sortimento, pesquisa de sortimento, benchmarking de categoria (nomenclatura e organização) e card sorting;
  • Como ajudei: Realizei a estruturação de todas as informações coletadas a partir dos métodos utilizados e criei uma nova estrutura.

Problema

  • Mapeamento e Pesquisa de sortimento: Comercial (Elisabete) Árvore Mercadológica; Páginas Volta às Aulas (Fe Vidal) e Cadastro Metadados SIS 1 e 2;
  • Categorias: total de 48 categorias, entre produtos e conceitos misturados; Taxonomia desnecessariamente inflacionada;
  • Subcategorias e Filtros: precisam ser revisados e também é necessário o saneamento dos nomes dos tipos de produto.

Proposta

Benchmarking de Categoria – 12 Players – Nomenclatura e Organização

Pesquisa de Cardsorting

Processo

Pesquisa de Categorização – Diferenciação entre Conceitos e Tipos de Produto

Conceitos: Através da pesquisa de benchmarking, foi realizada pesquisa de análise de conteúdo na concorrência e planilhada a frequência de termos de categorias, utilizados posteriormente em nosso estudo.

Tipos de Produtos: Alguns Tipos de Produtos que eram 2 produtos em 1, foram separados. A nomenclatura de produtos, inicialmente, será realizada de acordo com a frequência de uso no mercado online e também de acordo com métricas de SEO.

Recomendação

Estudo de Categorização: 10 Categorias

Resultado

Em 2018, Aprovado pela equipe do comercial de papelaria, sendo posteriormente aprovado pela gerente de UX, feitas as alterações necessárias.

Na metade de 2018, o Marketplace começou a operar na companhia e pequenos reajustes foram realizados. 

A execução até o momento depende da companhia e de mudanças na estratégia de negócio, com a mudança de plataforma de Magento para VTex. 

Competências necessárias ao bibliotecário a partir da web

Acabei de receber um formulário, provavelmente para um TCC, que me questiona sobre competências necessárias ao bibliotecário a partir da web. Além de perguntas pessoais sobre o meu trabalho, teve uma última pergunta que era a seguinte: “Em sua opinião quais competências, habilidades e atitudes necessárias aos bibliotecários para atuarem na Web?”

Pessoalmente eu acredito que trata-se menos de competências e habilidades e muito mais de atitudes. E não apenas de atitudes propriamente ditas, mas principalmente de mentalidade, da forma de pensar a organização da informação… E de como ela pode ser transferida e adaptada do analógico para o digital. É um duplo trabalho, mas é necessário que seja feito, caso a pessoa queira efetivamente trabalhar com o digital. Acredito que estejamos num momento bem híbrido, tendo que lidar com o mundo físico e também com o digital… Qual a sua prioridade?

O perfil/esterótipo da profissão de bibliotecário, generalizando bastante, são de pessoas muito conservadoras e que tem preferência por estabilidade, visando em sua grande maioria concursos e carreiras públicas. Isso não é um demérito nem nada, é apenas uma característica, um fato. As grandes empresas que trabalham com o digital geralmente não costumam absorver profissionais com este tipo de perfil. O perfil do profissional que trabalha com e para a web é dinâmico, resiliente e está sempre aberto a mudanças, tanto a aceitá-las quanto para implementá-las.

É necessária uma mudança de mentalidade mesmo, a longo prazo. E isso só pode ser feito em nível individual, com postura profissional e com a pessoa se responsabilizando pela própria carreira e pelo que efetivamente gosta de fazer e trabalhar, sem depender tanto de instituições externas a ela. É preciso se arriscar mais, pensar fora da caixa e principalmente: não esperar aprendizado vindo dos cursos de graduação ou de pós, pois eles podem até auxiliar, mas não formam efetivamente um profissional para o mercado.

Mini-curso básico de SEO para LinkedIn

A ideia desse mini-curso surgiu de uma inquietação que me surgiu quando vi um oferecimento de mini-curso para a Plataforma Lattes. Sugeri à prof. Valéria Valls da FESPSP, que fosse também ministrado um mini-curso voltado para o LinkedIn e me ofereci para ministrá-lo. Ofereci esse curso pois vejo muita gente utilizando a ferramenta de forma não tão otimizada assim e gostaria de poder ajudar as pessoas com isso, de verdade.

Ao começar a criar o conteúdo para aula, fiz uma auto-crítica e percebi que eu também precisava fazer a minha lição de casa. Nunca parei pra pensar nem tive regras muito definidas acerca das redes sociais que utilizo – profissionais ou não. Sempre fiz tudo, minha gestão de conteúdo inclusive, de forma completamente orgânica e espontânea mesmo, sem um planejamento muito acertado ou rígido. Funciona? Claro. Mas não é lá muito otimizado.

O LinkedIn é hoje a maior rede social profissional, sendo frequentemente utilizada por headhunters e diversos profissionais de RH na busca por talentos. Este minicurso tem como objetivo auxiliar na criação de um perfil campeão no LinkedIn e ajudar a compreender como os metadados podem te ajudar a ser visto e encontrado nessa grande rede social profissional. Chega de colocar “desempregado” ou “em busca de novas oportunidades” no título principal né? Acredito que podemos ser melhores que isso se realmente quisermos deixar nossa marca no mundo – seja ela qual for.

Entre as abordagens trataremos sobre: indexação e SEO (como as palavras podem te ajudar a se posicionar melhor na recuperação do motor de busca da rede), postura e imagem profissional online (branding), criação de posts relevantes e gestão de conteúdo, monitoramento de empresas, vagas de trabalho e networking online. O minicurso fará parte do Seminário anual que acontece na FESPSP. Para se inscrever, é só clicar aqui.

Até breve!

 

Sobre dar aulas

Como disse no post anterior, em agosto agora comecei a dar aulas na Unifai, como professora visitante. Até então foram três encontros (dos quatro que estão programados) e pude ter uma ideia de como é estar ‘do outro lado’, uma vez que até então sempre tinha sido aluna. Há algum tempo já entendi que alguém que dava aulas o fazia por um motivo maior do que simplesmente ensinar. Tratavam-se de pessoas com projetos (consistentes ou não) de uma vida inteira, de autores, pensadores e pesquisadores de uma determinada área de conhecimento.

Mas bem antes disso eu também já sabia e era consciente de que sala de aula não era lugar de imparcialidade e neutralidade – e algum lugar de fato o é por completo? – e que aquele momento de aula era (ao menos em tese deveria ser) muito mais do que repassar conteúdo encaixotado, one size fits all. Planejar e preparar uma aula de verdade não é exatamente a coisa mais simples do mundo. Tratam-se de algumas boas horas de leitura e de sistematização de conteúdo, que precisam ser alinhadas e equilibradas com criatividade, de forma razoavelmente atrativa (dependendo do caso com algumas dinâmicas e metodologias) e, dependendo do contexto, com alguma ajuda das famigeradas tecnologias da informação. Bem, essa é a parte prática, né?

Alunos da minha disciplina, numa dinâmica de Card Sorting para entender como funciona.

É um tanto quanto sedutor acreditar que basta criar conteúdo que o resto “meio que se encaminha sozinho”, mas sabemos que não é bem assim que funciona. Tudo é uma construção e essa construção também se trata – na verdade principalmente – de relacionamentos. Talvez seja também este um dos motivos pelos quais nunca me animei em dar qualquer aula ou curso via EAD. Não que eu não acredite que funcione, mas talvez porque eu não acredite que seja pra mim, pro meu perfil. Acho mais interessante conhecer as pessoas, conversar com elas, entender o que pensam e sentem, suas expectativas, etc. e isso indubitavelmente acontece melhor presencialmente.

Já escrevi/traduzi muitas coisas e tenho algumas linhas de pensamento pelas quais me fio, mas ainda não me considero “uma autora” – se as pessoas me consideram, já são outros quinhentos… Para mim, eu ainda não publiquei nenhum livro ou algo que considere uma obra realmente relevante. E talvez isso nunca aconteça também, mas aí é outro papo.

Para o momento, em relação sobre o que achei de dar aulas e sobre como me sinto em relação a isso o resumo é: nunca fui tão aluna na minha vida. Criar e repassar conteúdo (pois ainda estou nessa fase) é estimulante de um modo que eu jamais tinha experimentado até hoje. Me obriga a pensar e a fazer pesquisa. Mesmo, de verdade. E implica em responsabilidade, em certa medida, com os outros. Não dá pra repassar qualquer coisa, de qualquer jeito e definitivamente este não é um bico, não. Ao menos eu levo isso bastante a sério.

Sábado passado uma das alunas apresentou o seminário da disciplina e vi que ela entendeu os conceitos. O exercício era fazer uma análise de um site e do que poderia ser melhorado nele de acordo com os conceitos que passei. Ela fez a análise das páginas e ao final desenhou um wireframe de interface de landing page priorizando alguns conceitos de informação que no site original estavam escondidos ou mal organizados – e isso foi muito bacana. A sensação que eu tive foi de que pela primeira vez eu estava fazendo parte de algo muito maior do que simplesmente produzir algo bom, mas operacional. Isso me trouxe um tipo de contentamento que eu ainda não havia sentido antes. Não sei se ensinar é exatamente minha vocação, mas tem sido uma experiência muito enriquecedora, em mais de um sentido.

2017-2, Estude enquanto eles se divertem, etc.

Muita coisa mudou de abril desse ano pra cá e talvez eu devesse falar um pouco sobre elas. Em abril finalizei um percurso no Walmart.com, atuando como analista de taxonomia sênior. Gostei muito de tudo o que desenvolvi nesses 2 anos e meio, desde o começo, mesmo com todas as mudanças de percurso – passei por três tipos diferentes de gestão. Hoje posso dizer que essa experiência foi parte fundamental da minha carreira e que faz parte indissociável de mim, das minhas escolhas. É o tipo de conhecimento que adquirimos e vivências pelas quais passamos que podemos levar pra vida, de verdade.

Em abril mesmo, comecei uma conversa com a Patricia de Cia em relação a um trabalho a ser desenvolvido na Saraiva Online como especialista de catálogo digital para e-commerce. Conversamos e vimos que tínhamos expectativas bem alinhadas, no entanto, eu deveria começar no segundo semestre por volta de julho ou agosto. Esse espaço de tempo foi fundamental para que eu pudesse colocar as ideias em ordem e também para descansar um pouco, aproveitar o ócio. Nesse meio tempo, aproveitei ao máximo para cumprir as disciplinas de mestrado na USP, de Cultura e Informação e Sociedade, Conhecimento e Informação.

Em maio aconteceram mais algumas coisas. A Renate Land me convidou para participar da Egrégora Inteligência e isso acabou se tornando realidade. Conversamos e percebemos que foi um encontro, pois temos visões muito aproximadas sobre temas que são importantes pra nós, como gestão da informação e de conteúdo. Participei de algumas reuniões da cooperativa e pude aprender só de observar e ouvir as conversas entre consultores seniores, uma maturidade que ainda está um tanto quanto distante pra mim, eu diria – sou a “pirralha” da nossa cooperativa certamente, mas colaboro ao meu modo. Para o momento, a Egrégora tem sido um dos meus caminhos também.

Também em maio, a prof. Cristina Palhares da Unifai me convidou para dar aulas no curso de pós-graduação lato sensu em Arquitetura da Informação da Unifai. Mesmo sem saber se tinha jeito pra coisa ou não, dar aulas sempre foi uma vontade antiga minha. Não foi à toa que fiz uma especialização e em seguida tentei o mestrado novamente. Já dei palestras, fiz apresentações, mini-cursos e etc, mas a verdade é que sempre estive do outro lado, como aluna, nunca como professora. Quando recebi o convite, mesmo sem ter muita certeza se daria ou não conta do recado, aceitei o convite sem pensar muito. Preferi deixar o tempo dizer se eu ia ou não dar conta.

Em julho o semestre finalmente acabou e também finalizei os artigos que precisava entregar para as disciplinas do mestrado. Ambos provavelmente vão compôr partes da dissertação (ou não), mas os temas estão todos interligados com o meu tema central de certo modo, uma vez que fui eu que escolhi os seminários (um sobre organização do conhecimento e outro sobre cultura digital). E em agosto comecei uma série de coisas, todas ao mesmo tempo:

  • Última disciplina na ECA/USP (Informação e Linguagem) para cumprir créditos para a qualificação;
  • Estágio docência na ECA/USP na disciplina de Teoria da Ação Cultural, com a prof. Dra. Lucia Maciel Barbosa Oliveira;
  • Professora visitante na Unifai, aos sábados, na disciplina de Introdução à Arquitetura da Informação; Este ano ainda darei a disciplina de Planejamento de Conteúdo Digital em novembro/dezembro;
  • Comecei como Especialista em Taxonomia na Saraiva Online, pela Egrégora Inteligência;

E ainda tenho uma dissertação para começar a pensar e escrever. Tenho tempo pra dormir? Às vezes. E não me orgulho muito disso não, mas é o que tem para hoje. É mais ou menos como essa imagem que apareceu na minha timeline do FB ontem:

Sempre achei esse tipo de “motivação” muito abjeto, mesmo, por isso ri bastante e me identifiquei quando vi esse meme. Esse conceito de meritocracia desgraçado no qual a gente vive, principalmente no contexto Brasil, onde uma pessoa precisa se estrupiar inteira para ter uma vida minimamente decente. Não acho nada disso justo e isso porque já sou privilegiada para cacete, em uma série de sentidos. Sem falar que uma sociedade onde “não ter tempo pra nada” e “estar sempre ocupado” é sinal de coisa boa ou ainda pior, de competência, não me parece lá muito saudável. Mas enfim: a girl gotta do what a girl gotta do. Minha perspectiva nunca é a de ficar reclamando porque esse não é meu perfil. Prefiro fazer outras coisas. E o que tenho tentado fazer no momento é buscar convergências, entrelaçamentos e relações entre todas essas coisas que faço, pois uma é interdependente da outra. Sim, cansa. Sim, não é fácil.

Mas se fosse fácil, já estava feito.

Precisamos de bibliotecários agora que temos a Internet?

por Robert Graboyes, para o PBS NewsHour – 24/10/2016

Observe bibliotecários e você vai aprender bastante sobre os médicos do século XXI. As tecnologias digitais estão arremessando ambos profissionais em mundos desintermediados onde eles não são mais os únicos provedores de serviços vitais. Ambos devem mudar suas habilidades ano a ano e provar seu valor dia a dia. Ambos devem escolher entre esta ser uma mudança libertadora ou sufocante.

Minha esposa, Alanna, recentemente aposentou-se após trabalhar 40 anos como bibliotecária. O trabalho dela mudou radicalmente nestes anos. Quando ela começou, bibliotecários eram monopolizadores que juntavam, organizavam e disseminavam fontes preciosas para uma clientela dependente. Na universidade de Columbia, onde ela trabalhava e onde nos conhecemos, estudantes não sobreviveriam sem acesso rápido aos conteúdos cavernosos das estantes. Bibliotecários eram guardiões que determinavam quando um certo estudante poderia possuir fontes essenciais. Eles multavam e davam advertências para quem violasse as regras.

Alanna teve o desejo e a sorte de auxiliar várias bibliotecas a irem para a era digital. Em Columbia, ela ajudou na inspeção da mudança para catálogos online. Milagrosamente, estudantes e acadêmicos poderiam então navegar pelas fontes da biblioteca sem pedir para pessoas no balcão. Os anos se passaram e a Internet erodiu mais ainda aspectos da biblioteca tradicional. Alanna teve papel central em transportar uma companhia da Fortune 500, uma biblioteca pública e duas de ensino médio nesta nova era.

O último projeto dela era supervisionar o design e a construção de uma biblioteca de ensino médio, para ser usada de formas jamais imaginadas quando ela começou sua carreira. Quando o projeto começou meu irmão Arnold – um médico do setor de emergências – perguntou casualmente “por que precisamos de bibliotecas agora que temos a Internet?”

Alanna respondeu, “por que precisamos de médicos agora que temos computadores?”

Ponderando sobre essas trocas de frases, ela concluiu: por séculos, o trabalho do bibliotecário era promover informação escassa para clientes dependentes. Agora, o trabalho está ajudando as pessoas a navegarem a superabundância de informação de uma variedade absurda e de procedência incerta. O novo trabalho, diferente do antigo, requere marketing – bibliotecários devem persuadir clientes que um navegador vale a pena e o trabalho. Para melhor ou pior, a era digital força os experts a explicarem o porquê de uma busca do Google não substituir o bibliotecário e o WebMD não substituir o médico.

Alanna achou essa evolução emocionante. Alguns bibliotecários odiaram. Alguns tem medo disso. E outros simplesmente não a entendem.

Na virada deste milênio, um amigo próximo, Rich Schieken, se aposentou depois de uma carreira de 40 anos como cardiologista pediátrico e professor de medicina. Ele me disse que estava satisfeito em estar parando.

“Por que?” perguntei, “pensei que você amasse o seu trabalho”.

A resposta do Rich foi mais ou menos assim: “eu amo sim, mas meu mundo mudou. Quando comecei, os pais me traziam seus filhos doentes e que estavam morrendo para mim. Eu dizia “é isso o que faremos” e eles diziam “sim, doutor”. Hoje em dia, eles trazem 300 páginas de impressões de internet. Quando eu ofereço um prognóstico e sugiro tratamento, eles mostram os papéis e perguntam “por que não isso ou aquilo?”. Ele ainda disso “não me entenda mal. Esse novo mundo é melhor que o antigo. Só demoraremos mais um pouco a nos acostumarmos com ele”.

O cardiologista Eric Topol escreve muito sobre como tecnologias convergentes estão democratizando a medicina. Com aplicativos baratos de smartphone, pacientes podem checar infecções nos ouvidos de seus filhos, diferenciar entre bronquite e pneumonia, e performar uma miríade de outros serviços que antes era de domínio exclusivo de médicos. Um paciente com fibrilação atrial pode usar um smartphone e um pequeno AliveCor periférico para fazer um eletrocardiograma em 30 segundos (eu mesmo tenho um no meu iPhone).

Pondere isso por um momento: Topol argumenta que o smartphone logo irá ser o dispositivo mais importante na história da medicina e que, aliviado de tarefas repetitivas, os médicos poderam ser livres para usarem suas mentes e talentos onde eles são realmente indispensáveis.

Alan Greene, diretor médico da startup de um dispositivo diagnóstico chamado Scanadu, disse sobre o supercomputador Watson da IBM: “acredito que algo como o Watson será em breve o melhor diagnosticador do mundo – seja máquina ou humano. Na medida que a tecnologia [de inteligência artificial] está melhorando, uma criança nascida hoje raramente precisará ver um médico para ter um diagnóstico até se tornarem adultos”.

O otimismo tecnológico de Greene é provavelmente um pouco mais poderoso que o meu. Mas acredito que alguma versão da medicina democratizada de Topol e as bibliotecas democratizadas de minha esposa irão prevalecer e dominar este século – e que, em última análise, médicos, bibliotecários e suas clientelas estarão melhores com isso.

Bibliotecários: o marketing digital precisa das habilidades de vocês

por Laurel Norris, para o CMS Wire

A American Library Association (ALA) postou 2,386 empregos de bibliotecários em 2015.

Hoje em dia a ALA nem sempre posta todo trabalho disponível. Mas com o National Center for Education Statistics dizendo que 6,983 pessoas possuíram uma graduação em Biblioteconomia e Ciência da Informação no ano acadêmico de 2012-2013, podemos dizer que existe um desequilíbrio entre o número de graduados e o número de trabalhos bibliotecários tradicionais disponíveis.

Esse desequilibrio contribuiu para que a revista Fortune incluísse a Ciência da Informação como um dos 15 piores graduações para empregos em sua lista de 2016?

Talvez, mas nem tudo está perdido.

Se você possui habilidades modernas de biblioteconomia como desenvolvimento de taxonomia, gestão de sistemas web, análise de dados, arquitetura e literacia da informação, você está qualificado para trabalhar em vários departamentos de marketing.

Pessoas com graduação em Ciência da Informação estão fazendo gestão de conteúdo, dando forma à estratégias de marketing e organizando ativos digitais para companhias no mundo todo.

Como conseguir um trabalho em Marketing com habilidades de biblioteconomia

Os melhores conselhos para bibliotecários que buscam carreira no marketing ou em qualquer outra área, vem da taxonomista do Etsy Jenny Benevento.

“As empresas precisam de um certo conjunto de habilidades e o que acontece é que coincidentemente essas são as habilidades que você tem quando você se forma em biblioteconomia – mas eles não necessariamente colocam a palavra biblioteconomia num anúncio de vaga. Vários bibliotecários esperam até que alguém peça por um bibliotecários ou algo muito específico”, ela explica.

“Uma das principais habilidades bibliotecárias são pesquisa e palavras-chave. Minha recomendação é utilizar essas habilidades e buscar vagas através de palavras-chaves de coisas nas quais você é bom em sites de emprego – não apenas em sites de empregos da área, mas de qualquer área.”

Outro benefício de listas suas habilidades em palavras-chaves está no fato de que talvez você comece a perceber habilidades as quais você não tem – especialmente se esta é uma indústria nova pra você. Para Benevento, é uma oportunidade para expandir. “Talvez você não consiga aquele emprego em específico, mas veja anúncios de vagas e tente perceber que tipos de habilidades são colocadas juntas. Se existem habilidades complementares que você não tem, aprenda-as”.

Ela leva as palavras-chaves um pouco além e usa palavras-chaves que representam suas habilidades em seu perfil no LinkedIn.

“Eu coloco talvez cinco termos para o que eu faço no primeiro parágrafo do meu perfil do LinkedIn, como taxonomia, tesauro e metadados, apenas descrevendo minhas habilidades no máximo de palavras-chave possíveis… Tantas pessoas entram em contato comigo pelo LinkedIn e se você for pensar em quem está realizando buscas no LinkedIn, são recrutadores e head hunters que não necessariamente entendem de metadados ou taxonomia. Eles apenas buscam esses três termos e chamam a primeira pessoa que aparece. Basicamente o que estou dizendo é: use suas habilidades bibliotecárias para aparecer através do SEO”.

O talento da Benevento para se otimizar na busca de recrutadores a levou a uma invejável carreira em marketing, estratégia de conteúdo e taxonomia.

Pensando fora da caixa da biblioteca

Benevento não é a única graduada em biblioteconomia a desenvolver uma carreira fora do papel bibliotecário tradicional. Durante uma discussão que aconteceu no encontro anual de 2016 do Special Libraries Association (SLA), três bibliotecários discutiram suas carreiras como criadores de conteúdo e editores. Vamos das uma olhada em suas carreiras.

Caitlin Nitz é diretora de marketing de conteúdo na agência de estratégia digital Blue State Digital. Depois de concluir biblioteconomia ela começou uma graduação em propaganda, trabalhando para a Association of National Advertisers. Lá era levantou e compilou apresentações de marketing para compartilhar como parte do Marketing Knowledge Center de 9 mil itens. Mais tarde ela atuou como gestora do Centro antes de se mudar para a área de estratégia de conteúdo e então o seu atual papel.

Liz Aviles começou no mundo de marketing e conteúdo em 1999 com “potty postings” na agência de marketing Upshot, onde ela ainda trabalha. Os potty postings eram planilhas de uma página de informações que ela e o time dela compartilhavam nos banheiros. As habilidades de Aviles de curadoria, análise e identificação de informação importante garantiram a ela seu atual papel como vice presidente de inteligência de marketing.

Hillary Rengert começou sua carreira como bibliotecária no ramo da rua 96 do sistema de bibliotecas públicas de Nova Iorque. Depois de dois anos, ela se tornou bibliotecária de pesquisa e em 2004 ela se juntou ao eMarketer como pesquisadora sênior. Ela agora é a Vice Presidente de pesquisa da organização.

Onde estão os trabalhos hoje

Ainda sem saber como começar sua busca? As seguintes vagas oferecem boas oportunidades para bibliotecários em marketing. Enquanto essas vagas foram listadas recentemente, incluí uma pequena descrição caso elas sejam encerradas.

  • Gestor de Mídia, Marca, BuzzFeed — Esta vaga é um bom exemplo do que Benevento chama de cluster de habilidades. O BuzzFeed está em busca de alguém com experiência em bibliotecas de bases de dados digitais, arquivos e tagging – e também conhecimento de padrões de dados de vídeos específicos e opções de arquivos. Se você tem as habilidades e interesse em vídeo, procure por oportunidades de estágio ou trabalhos freelance para se preparar para um trabalho assim.
  • Coordenador de Ativos Digitais, Memorial Sloan Kettering Cancer Center — Um papel admnistrativo de ativos digitais clássico, o coordenador de ativos digitais é responsável por gerir copyrights e diretrizes de direitos, determinando e aplicando metadados aos ativos, e apoiando usuários dos mesmos. As habilidades requeridas estão alinhadas com profissionais de biblioteca, como gestão da informação, comunicação e organização.
  • Especialista em Conteúdo Digital, Dignity Health — Esta vaga combina vários conjuntos de habilidades: sistemas de gestão (DAM e sistemas de conteúdo), avaliação analítica, habilidades arquivísticas, gestão de projetos e marketing. Com algumas adições, treinamento em taxonomia, catalogação e auditoria de sistemas é um bom lugar para começar a adicionar mais habilidades em desenvolvimento de conteúdo e métricas.
  • Coordenador de Ativos Digitais, New Balance — A principal responsabilidade do Coordenador de Ativos Digitais é manter o sistema de DAM rodando. Isso inclui administração de usuários, gestão de ativos no sistema, manter a qualidade da marca, atender aos direitos legais dos ativos e fazer relatórios de avaliação.
  • Assistente Técnico em Imagens, The Getty — Embora não seja tecnicamente uma vaga de marketing (e com um museu), eu incluo essa vaga temporária no museu Paul J. Getty Museum porque é um exemplo de como ganhar habilidades complementares. As principais atividades incluem coisas como compilação de arquivos digitais, catalogá-los, aplicar convenções de nomeação e tarefas pós-processamento. Embora conhecimento em Adobe Photoshop e correção digital de cor estejam listadas, nenhuma experiência é necessária. Um ótimo trabalho para começar a construir uma nova habilidade profissionalmente.

Os motivos pelos quais os bibliotecários no mercado deveriam buscar a área de marketing estão bem claros. Habilidades em taxonomia, metadados, sistemas para web, análise de dados, arquitetura e literacia da informação são apenas algumas que você pode oferecer e que possui alta demanda.

Imagem “Librarian” (CC BY-SA 2.0) por valkyrieh116

Quatro anos de formada

Hoje, dia 29 de fevereiro, faço 4 anos de formada em biblioteconomia. Muita coisa aconteceu nesse meio tempo: larguei mão de fazer um mestrado acadêmico, mudei de cidade, passei por três empregos completamente distintos um do outro em contextos completamente diferentes, terminei uma especialização. Estou indo por um caminho que tem me promovido novas descobertas e tenho me sentido satisfeita nesse sentido. Nem todas as descobertas são boas, mas enfim, são necessárias pro meu desenvolvimento. Cada vivência é única e muita gente me diz que tenho feito escolhas sábias, mas sinceramente, a verdade é que não tenho certeza alguma disso. Às vezes acredito que quem é sábio mesmo fez concurso público e tem uma vida com um pouco mais de estabilidade e segurança. Relutei por um tempo em acreditar nisso, mas ao que tudo indica, estabilidade e segurança até o momento não são prioridades pra mim. É difícil reconhecer-se remando contra a maré, mas é necessário. Não consigo evitar.

Até este ano constou na minha carteira de trabalho como “bibliotecária”. A partir de março agora constará como “analista”. E me dei conta de que, assim sendo, devo cancelar o meu registro profissional como bibliotecária. Me dar conta disso me deixou feliz e triste ao mesmo tempo. Me lembrei imediatamente do dia em que fui buscar o meu registro e aquilo era como se fosse uma vontade minha que tinha se materializado na minha mão. Eu era uma bibliotecária e havia um documento comprovando aquilo. Para mim, sempre foi uma questão de identidade, mesmo. Foi um momento importante na minha vida: era a primeira vez que eu tinha conseguido algo genuinamente meu, por vontade própria, sem pressão externa, sem família, nada. Aquilo era meu e foi um processo inteiramente consciente do início ao fim. Realizar escolhas conscientes não é algo fácil, é doloroso…

E sempre achamos que estamos perdendo algo nesse empreendimento. Uma outra escolha, uma outra chance, um outro caminho. Descobri que tive que me tornar bibliotecária para entender que bibliotecária é uma das coisas que eu posso ser, não a única. Me identifico com muitas coisas da profissão, mas me desiludi, e muito, com outras tantas – felizmente a maioria delas independe de mim. Em 4 anos como bibliotecária, pude notar que alguns tipos de bibliotecários são mais privilegiados que outros e que a área é mais desunida do que jamais imaginei ser enquanto estava na universidade. Isso foi bastante frustrante. E em 4 anos, sempre que recebi e-mails do CRB e os abria para saber de novidades da área, ou estavam tentando me vender algo ou me indicar algum curso específico referentes à biblioteca jurídica. Isso tudo é desanimador quando me pego observando as potencialidades e possibilidades da área.

Me sinto muitas vezes perdida e frequentemente não me identifico com os grupos de profissionais da área no facebook. E tenho sentido vontade de entender e falar sobre outras coisas que vão além das técnicas que já aprendi e posso utilizar como ferramentas. As técnicas são boas e interessantes, mas me parecem muito operacionais quando percebo que preciso dar dois passos pra trás e enxergar o todo de outra perspectiva, entender o impacto do que faço no operacional a partir de um novo olhar. Tenho pensado muito em comunicação (voltando um pouco para minha primeira graduação), em negociação, em postura profissional, em psicologia, em solução de conflitos e criatividade… Em outras coisas, mais genéricas e menos específicas. Um entendimento mais holístico das coisas, mesmo. E as coisas nas quais tenho pensado não existe em faculdade nem em curso algum, mas na vida, mesmo.

São fases, né? E as fases tem início, meio e fim. A sensação atual é que estou no fim de alguma fase, no meio de um rito de passagem e que devo encarar isso como algo natural ao invés de um dissabor. E então dá-lhe crises existenciais profissionais… Mas sinceramente, não me vejo mudando de área, apenas me aperfeiçoando em um sentido mais horizontal, menos verticalizado. Para mim, isso é o que tem sido mais vantajoso até agora.

A biblioteconomia não precisa de profissionais

publicado originalmente no ACRLog

Eu deveria escrever sobre profissionalismo a partir da perspectiva de uma bibliotecária recém formada. Como ser levada a sério como uma “profissional nova” e como “ser você mesma” ao mesmo tempo. Aí é que está – é um total mistério pra mim com as pessoas fazem isso.

Questiono o que é ser profissional todos os dias. Não tenho certeza se sei o que profissionalismo significa ou como se parece. Talvez eu tenha, mas a ideia me dá náuseas.

Me dá náuseas porque e se quem eu sou, e quem eu gostaria de ser no ambiente de trabalho, não se alinham com a definição das outras pessoas do que é ser um profissional? Me dá náuseas quando eu penso em todos os conselhos, ou conselhos implícitos, que outras pessoas me deram sobre como eu deveria agir para ser uma profissional. “Seja humilde. Não apareça muito. Não questione nada ou ninguém, muito menos seus superiores. Fique quieta. Não seja emotiva. Não diga nada pessoal à ninguém. Lembre-se de sorrir sempre”.

No passado, esse aviso limitou a minha capacidade de compartilhar a minha humanidade e individualidade com meus colegas e debilitou a minha habilidade em me conectar com outras pessoas. Com medo ser percebida como “não profissional” ou ingênua me levou a ficar quieta durante reuniões e tímida em relação aos meus colegas e supervisores. Performar profissionalismo deixou me sentindo robótica e não tanto eu mesma. De quem eram essas regras, afinal?

Eu sei que tipo de ambiente quero fazer parte. Sei o tipo de pessoas com quem quero trabalhar e colaborar. Muitos dos comentários em relação ao profissionalismo não estavam combinando com o que eu tinha pensado e esperado. Se esse era o conselho para ser uma profissional, então talvez eu não quisesse ser uma.

As pessoas dizem “você precisa ser mais profissional” quando na verdade querem dizer “você precisa entrar na linha” ou “não curto essa tatuagem” ou “coloca essa camisa pra dentro!”. Profissionalismo é uma palavra que as pessoas usam para manter e reforçar o status quo. Profissionalismo não se arrisca; encoraja conformismo. Como você pode simultaneamente se chamar de profissional e advogar por mudanças radicais? Profissionalismo é seguro e chato. Também argumentaria que profissionalismo tem um grande papel em reenforçar a ilusão da neutralidade das bibliotecas.

Eu não quero que profissionalismo signifique colocar uma fachada ou um verniz por cima de nós antes que entremos no trabalho todos os dias. Mas é assim. E não sei o que fazer em relação à isso. A ilusão de que nossas vidas fora do trabalho param no segundo em que chegamos lá nunca fez sentido pra mim. Não sei o que posso fazer em relação à isso também. É um enigma exaustivo.

Talvez eu ache que devemos amar uns aos outros. Penso que possamos confortar uns aos outros e deixar nossos colegas saber que podem compartilhar e expressarem-se conosco. Como nova contratada, preciso ver vulnerabilidade primeiro antes que eu me sinta confortável para fazer o mesmo. Acredito que sejamos capazes disso. Menos julgamento. Menos presunções. É isso o profissionalismo em prática? Gostaria que fosse.

Pra mim, a coisa mais difícil em qualquer trabalho novo é que quase tudo no início é desconhecido. Pode ser uma época solitária e inquietante época na vida de uma pessoa, mesmo se você não mudou de local. Você precisa descobrir e reconhecer as fronteiras, a cultura, seus usuários e as pessoas com quem trabalha. Você precisa descobrir o que é aceitável, quando é aceitável e em relação à quem. Você precisa discernir o quanto de você é apropriado trazer neste novo território. Quais partes de você deve esconder, que partes você deixa que conheçam? Em quem você pode confiar para contar suas preocupações e suas ansiedades enquanto você trabalha para começar algo novo?

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Vou ser honesta com vocês. Terminei biblioteconomia em maio e estou na minha nova posição como bibliotecária por seis meses. É a coisa mais emocionante do mundo e também a mais aterrorizante. Ainda não me sinto como se soubesse de tudo e não estou muito confortável em ser vulnerável ainda. Embora tenha recebido muito amor e apoio, ainda estou tentando me ambientar em alguns aspectos. Como uma nova bibliotecária, pode ser difícil se expressar e deixar sua guarda baixa quando você quer ser respeitada, valorizada e ter suas ideias levadas à sério. Você quer mostrar pra todo mundo que pode fazer um bom trabalho e que eles fizeram a escolha certa em te contratar.

Aprender como “colocar um rosto” não era algo que vinha naturalmente para mim – mesmo depois de trabalhar por quase uma década com atendimento ao cliente. Como mulher, me disseram como pensar, me comportar e agir de certo modo através de uma variedade de fontes e instituições. Enquanto profissional, recebemos todo um outro conjunto de regras de conduta (expectativas de gênero são muitas!). Eu gostaria que bibliotecários, especialmente os que estão em papéis de liderança, que questionem o que significa profissionalismo e como ele se parece. Estamos tendo uma abordagem humanista em ajudar a formar novos profissionais, em auxiliar nossos usuários e impactando nossa profissão para o melhor? Algumas bibliotecas fizeram isso bem, e me sinto privilegiada em trabalhar onde trabalho.

É claro para mim que profissionalismo é uma performance. É, entre outras coisas, um termo com viés de gênero, atribuído com mais frequência à pessoas com muitos privilégios. É uma palavra complexa. Aqueles que performam com sucesso o papel d’O Profissional são dignos de mais respeito e responsabilidade no ambiente de trabalho. Ainda assim as características que eu valorizo em outros seres humanos (vulnerabilidade, inteligência emocional, autenticidade, empatia) geralmente não parecem se encaixar na construção de um profissional típico.

Quero que bibliotecários tenham relacionamentos reais e abertos com as pessoas que trabalham. Será essa uma idéia não muito profissional? Quero que bibliotecários e gestores reconheçam a humanidade de seus usuários, colegas de trabalho e equipes. Precisamos de bibliotecários que questionem as éticas de nossas instituições e nosso comprometimento, ou falta dele, com a diversidade. Precisamos de bibliotecários que posicionem-se em relação ao acesso à informação, privacidade e liberdade intelectual, mesmo quando isso é difícil de ser feito. Quero que bibliotecários se sintam confortáveis desafiando “o modo que sempre fizemos as coisas por aqui”. A sua organização encoraja o profissionalismo performance mais do que encoraja o questionamento do status quo?

A biblioteconomia não precisa de mais profissionais. A biblioteconomia precisa de pessoas que observem criticamente para a nossa área e sintam-se compelidas a trazerem mudanças. Precisamos de lideranças que encoragem isso ativamente. Como podemos criar culturas de trabalho que conduzam à isso?

Sou uma pessoa apaixonada e idealista. Às vezes me entusiasmo até demais quando falo de trabalho. Par aalguns, eu devo parecer completamente não profissional. Amo ser bibliotecária e amo essa profissão e geralmente não tenho vergonha alguma em expressar isso. É difícil escrever esse post apesar das minhas próprias inseguranças (e se eu soar *engasga* – não profissional?!). Estou genuinamente interessada em saber como outros abordaram profissionalismo dentro da biblioteconomia – fique à vontade para compartilhar seus pensamentos abaixo.

Madison Sullivan é bibliotecária de pesquisa, serviços de informação e relações externas na biblioteca universitária da North Carolina State University. Madison recebeu o título de pós-graduada em MLIS na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign em 2015 e é uma líder emergente na American Library Association em 2016. Seus pontos de vista não correspondem aos de seus empregadores.

Sobre o constrangimento

Daí você tem que falar pra alguém que é bibliotecário/a ou que faz biblioteconomia. E inevitavelmente você tem que explicar um pouco o que é isso porque as pessoas não sabem. A vergonha deve estar de qual lado: seu por talvez não saber explicar direito ou da pessoa que não faz idéia do que é? Ou dos dois? Ou de nenhum?

Alguém me explica o que um geógrafo faz, além de ser professor de geografia? Mede terreno, sei lá? E um oceanólogo? Mede o mar? E alguém que se forma em letras, faz o que? Só pesquisa e dá aula? Ninguém precisa saber falar o que é, ou ficar se explicando. Quem é competente, faz. E é assim que as pessoas demonstram a que vieram. Ficar se explicando, dependendo do caso, pode ser até perda de tempo.

Concordo que acho tosco quando resolvem dar piti pelo uso ‘indevido’ (ou pelo não uso [!]) dos termos ‘bibliotecário’ e ‘biblioteconomia’ na mídia. Que nem quando falaram que a presidente Dilma parecia uma “bibliotecária solteirona” ou quando na reportagem da inauguração da Mário de Andrade em janeiro desse ano, nenhuma das pessoas que foram entrevistadas e trabalhavam lá apareciam como “bibliotecários”. Quem dá piti geralmente acha ou que: a) Estão ‘denegrindo’ a  nossa imagem profissional; b) Não estão valorizando a nossa classe como deveriam. Ou seja, reclamar com a mídia é uma forma de ‘lutar’ (wtf!) pelo devido reconhecimento. Acredito que reconhecimento seja por mérito dos nossos esforços e não como se fossemos magicamente consegui-lo ao “ganharmos a nossa causa”. O quão infantil não é isso?

Já pararam pra pensar que cada vez que alguém ‘luta’ nesse sentido o nosso estereótipo possa, na verdade, se agravar? Além de bibliotecárias solteironas mal amadas de óculos e coque, acrescentamos os adjetivos de ‘barraqueiras sem senso de humor’ ao nosso já não muito estimado estereótipo. Que as pessoas não conheçam/valorizem o que é e o que faz um bibliotecário é batata. Ninguém sabe mesmo, só quem faz faculdade e olhe lá. Fiquei até surpresa uma vez que um amigo do meu pai, do interior do Mato Grosso do Sul, me disse que não só sabia o que era biblioteconomia, mas me contou como um bibliotecário que ele contratou transformou a empresa de logística dele. Mas né… Essas histórias de gente que sabe do que os bibliotecários são capazes não são tão interessantes… Talvez por serem muito raras.

O nome é de difícil pronúncia e entendimento: a biblioteconomia só me envergonha. Talvez por isso algumas pessoas pensem que é mais interessante mudar o nome de Biblioteconomia pra ‘Gestão da Informação’ ou qualquer outra coisa mais modernosa e pomposa (ou ainda tecnológica!) pra né, ficar mais bonito. O curioso é que o nome (que é só um nome) vai mudar, mas os maus profissionais não vão. Então qual é mesmo o propósito?

O estereótipo bibliotecário que existe no imaginário coletivo quando vem à tona não é com a intenção de denegrir a classe profissional de ninguém: é SÓ um estereótipo inevitável. Nada além disso. O problema é que a extensão de significado do termo ‘denegrir’ pode ser meio ampla, aí se ofendem basicamente por qualquer coisa. Com tanta coisas grotescas que vivenciamos e presenciamos em nossa vida profissional (e fora dela também, inclusive), as pessoas parecem perder o senso do que é denegrir de verdade.

Denegrir para mim é, por exemplo, privar uma pessoa de condições decentes de trabalho (só pra citar UM exemplo, e não precisa nem ser bibliotecário). É humilhar uma pessoa por escolhas de vida. É não permitir que ela desenvolva seu potencial plenamente por algum tipo bizarro de capricho. É cercear e limitar os direitos das pessoas como um todo. Isso sim é que é denegrir uma classe profissional.

Acho que precisamos saber separar quando ocorre uma estereotipação que é de praxe e um ataque mais concreto e generalizado que pode se estender criando precedentes a toda uma classe de profissionais. Também acredito que é possível ter paciência e/ou senso de humor, sem deixar de fazer alguma reflexão crítica séria quando necessário.

 

 

 

Seis hábitos de bons ouvintes

por Lisa Evans, na Fast Company

Quando pensamos em grandes líderes, geralmente pensamos em indivíduos que dão discursos que motivam ações, mas além de serem grandes oradores, grandes líderes também são bons ouvintes. Taylor Berens Crouch, doutoranda em psicologia clínica na universidade de Maryland, diz que ser um bom ouvinte é crucial para ser um bom líder.

“Se estamos tentando guiar pessoas em uma direção que elas queiram, é absolutamente necessário que entendamos os desejos, perspectivas e pensamentos das pessoas e ouvir é necessário para se obter essa informação”, diz Crouch.

Siga estes seis passos de excelentes ouvintes:

1. Eles praticam ser verdadeiramente atenciosos

Estar presente para ouvir o que o outro está dizendo é essencial para ser um bom ouvinte. Enquanto a maioria de nós sabe que é rude pegar o celular para responder um texto ou checar emails enquanto estamos numa conversação, evitar distrações internas é muito mais difícil.

“Se você é realmente atencioso, você está no momento. Você está focando no que a outra pessoa está dizendo e evitando a inclinação natural e tentação de julgar, prever e avaliar”, diz Crouch.

Ser um ouvinte atencioso significa evitar ficar distraído pelos seus próprios pensamentos. Preste atenção cuidadosamente aos pensamentos que nadam na sua mente enquanto você ouve outra pessoa. Está pensando na janta que terá hoje à noite? Se está, não está ouvindo com atenção.

2. Eles fazem uma pausa antes de responder 

Para evitar silêncios esquisitos ou lacunas na conversa, geralmente formulamos nossa resposta a alguém enquanto eles ainda estão falando. Isso fica no caminho de uma escuta efetiva. Ao invés disso, dê uma pausa depois que o outro tenha terminado de falar para pensar na sua resposta.

“Se quisermos pensar  de modo consciente no que uma outra pessoa está falando, essa pausa pode ser realmente importante para coletarmos nossos pensamentos e prepararmos o que queremos dizer”, diz a autora. Fazer tudo isso enquanto o outro está pensando significa que inevitavelmente você vai perder algo que eles disseram.

3. Eles parafraseiam o que acabou de ser dito 

Para assegurar que estão interpretando o que o outro falou corretamente, bons ouvintes praticam o que é chamado escuta refletiva, que significa que eles evitam responder logo de cara e ao invés disso parafraseiam o que foi dito. Isso dá ao outro a oportunidade de dizer “sim, você realmente está me ouvindo” ou “não, não é bem isso”. A escuta refletiva não apenas demonstra ao outro que você está verdadeiramente engajado e interessado em entendê-lo, mas evita a oportunidade para maus entendidos.

4. Eles tem a mente aberta

Quantas vezes você foi num encontro com alguém pensando que você sabia exatametne como a conversa seria? Talvez você já tivesse a conversa na sua cabeça antes mesmo de dar a chance ao outro de falar. Excelentes ouvintes entram numa conversa com um desejo autêntico de entender, ao invés de ter noções pré-concebidas ou julgamentos sobre o que o outro irá dizer.

“Temos a tendência de pensar que entendemos quais as intenções das pessoas antes mesmo que elas comecem a falar” diz Crouch. Ótimos ouvintes, ela diz, tem a boa vontade de serem humildes e aceitarem que não sabem o que o outro está pensando, mesmo que esta outra pessoa seja tão próxima de nós quanto o nosso cônjuge. Ótimos ouvintes largam mão de premissas e colocam-se na posição de curiosos e abertos para ouvir o que o outro tem a dizer.

5. Eles ficam confortáveis estando desconfortáveis

Ouvir pode ser desafiador e desconfortável. Às vezes você é forçado a ouvir coisas com as quais não concorda. “Temos um desejo de nos afastarmos desse disconforto defendendo a nós mesmos ou oferecendo nosso ponto de vista”, diz Crouch, mas resistir à vontade de interromper o outro é uma habilidade crítica para um bom ouvinte adotar.

6. Eles notam sua própria linguagem corporal

A forma que você posiciona o seu corpo físico deixa a pessoa com quem você está falando saber se você está engajado na conversa. Quando você ouve ativamente, incline-se levemente para frente, olhe nos olhos e balance positivamente a cabeça para mostrar que está interessado. Evite usar o seu corpo como barreira física cruzando seus braços ou cobrindo seu rosto com as mãos.

Projeto de Etiquetagem Social em um Museu de Arte: steve.museum

(Originalmente publicado em 20 de maio de 2011)

Dia 18/05 tropecei no link do texto do “The Evolution of the Knowledge Web Worker”. O post em si não tinha nada de muito novo (pelo menos pra mim) e achei a apresentação sobre Knowledge Worker 2.0 – Power to the people, do Stephen Collins muito interessante. O tema 2.0 pode até ser considerado datado – afinal, passaram só a primeira década do séc. XXI falando disso e agora ‘ninguém aguenta mais’ – mas tendo em vista que ninguém ainda definitivamente ‘acordou’ pra esse assunto acredito que talvez valha a pena insistir nele por mais um pouquinho de tempo.

A apresentação do Collins fala basicamente sobre gestão (e gestores) do conhecimento, que atualmente está focada mais nos processos e nas ferramentas do que nas pessoas e em suas capacidades. Por conta de uma série de restrições (burocráticas e principalmente culturais), gestores do conhecimento são forçados a ser vistos como retrógrados (slide 23) e são limitados (foi essa a palavra usada no slide 15) a trabalharem em bibliotecas e arquivos (slides 16 e 17) quando poderiam estar distribuídos em diferentes setores dentro de uma empresa que trabalham igualmente com informação. Trata-se muito do assunto de “mudança cultural”, que seria algo como uma mudança de mentalidade, mas de forma pouco aprofundada: fala-se que é necessário, mas não explicita os passos de como atingir ou provocar esse tipo de mudança nas pessoas. Talvez por que seja melhor que ela fosse espontânea, no entanto ao que me parece essa mudança deve ser bem difícil de se conseguir espontaneamente em curto prazo, a não ser que seja feita a partir de modelos muito alternativos, isolados e que sejam sustentáveis – o que também dependendo da situação é bem difícil.

Além disso o autor mostrou rapidamente quatro iniciativas que se encaixam no perfil do gestor de conhecimento. Entre os exemplos, o slide de número 38 me chamou muito a atenção, pois mencionou um projeto de etiquetagem social chamado Steve.museum, promovido pela Jennifer Trant. A frase curta “70% dos termos na Folksonomia não estão na Taxonomia” me deixou curiosa o suficiente pra jogar no google as palavras-chave Jennifer Trant e steve.museum pra ver se descobria mais alguma coisa e descobri várias. Primeiro, o verbete na Wikipédia:

O projeto steve.museum é um esforço colaborativo para melhorar o acesso e engajamento do público com coleções de museus de arte. Para isso, ele explora as possibilidades de descrições de trabalhos de arte gerada por usuários, também conhecida como folksonomia.

Entre os museus norte americanos que participam do projeto estão o  Guggenheim Museum, o Cleveland Museum of Art, o Metropolitan Museum of Art e o San Francisco Museum of Modern Art, bem como o  Archives & Museum Informatics.  A folksonomia é uma ferramenta que serve como suporte ao catálogo formal enriquecendo-o e provendo novos termos de busca, que tanto os artistas quanto os profissionais de museus podem não ter incluído na descrição das obras. Bruce Wyman, diretor de novas tecnologias no Museu de Arte de Denver – no artigo sobre o assunto publicado no NYT – diz que o processo de etiquetagem por parte das pessoas “nos empresta um conjunto de olhos que não temos”. Esse tipo de organização da informação – e de metadados – pode funcionar como uma possibilidade da arte encontrar seu papel na era digital e se tornar mais acessível a todos no mundo todo, o que ainda não é muito discutido aqui no Brasil.

Além da descrição, existem links para o site de uma conferência que aconteceu em 2006 Museums and the Web: the international conference for culture and heritage online e todos os artigos da conferência ainda estão disponíveis online, entre os destacados estão: Exploring the potential for social tagging and folksonomy in art museums e Social Classification and Folksonomy in Art Museums: early data from the steve.museum tagger prototype. Depois também encontrei uma Edição Especial da Texas Digital Library de 2009, v. 10, n. 1, sobre Bibliotecas Digitais e Conteúdo gerado por usuários, também com outros artigos sobre o assunto.

Ainda sobre o steve.museum, existem dois sites sobre o projeto: o site que o descreve e o site do steve.museum propriamente dito. Existe também o Wiki do projeto onde você pode entender como se inscrever e participar.

Compartilhei o link do steve.museum no twitter e no Facebook e recebi uma resposta da @anita22, que me passou mais um link sobre uma outra iniciativa parecida, o Tag Game que acontece no Brooklyn Museum:

Encontrei tudo isso meio que “por acaso”, mas acredito que se eu for efetivamente buscar por essas informações, mais aprofundadamente e de modo sistematizado, acho que irei encontrar muitas coisas acontecendo ao redor do mundo. Pessoalmente, para mim esse é um assunto que pode ser aprofundado e analisado incrivelmente e a sensação que eu tenho às vezes é a de que ele não cabe no blog. No entanto, vou continuar escrevendo vez e outra, fazendo ligações aqui e ali sempre que possível, tentando conciliar todas as coisas que encontro por aí.