Lista de Bibliotecas Digitais de Teses e Dissertações

Estou fazendo uma pesquisa e resolvi fazer uma lista das Bibliotecas Digitais de Teses e Dissertações (BDTDs) de acordo com os programas de pós-graduação que listei neste outro post. Ou seja, nessa lista só vão ter BDTDs das universidades que possuem programas em CI. O recorte é meu, mesmo.  Não acho que exista nenhuma lista assim online, então estou fazendo isso pra facilitar. Caso algum link esteja errado e alguém saiba o correto, favor manifestar-se nos comentários. Agradeço desde já. Segue:

UNB – http://www.bce.unb.br/bibliotecas-digitais/repositorio/teses-e-dissertacoes/
USP – http://www.teses.usp.br/
UDESC – http://www.tede.udesc.br/
UEL – http://www.bibliotecadigital.uel.br/teses_dissertacoes.php
UNESP – https://www.athena.biblioteca.unesp.br/F/?func=find-b-0&local_base=BDTD
UFBA – http://www.bdtd.ufba.br/new_bdtd.htm (Não está funcionando)
UFPB – http://tede.biblioteca.ufpb.br/?locale=pt_BR
UFMG – http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/
UFPE – http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/50
UFSC – https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/74645
UFSCAR – https://repositorio.ufscar.br/
UFC – http://www.teses.ufc.br/
UFPA – http://repositorio.ufpa.br/jspui/handle/2011/2289
UFRJ – https://minerva.ufrj.br/F?RN=681702743
UFF – http://www.bdtd.ndc.uff.br/tde_busca/index.php/ (Atualmente invadida por um grupo turco)

 

 

 

Lista de Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação no Brasil (Mestrado e Doutorado)

Estava fazendo uma pesquisa e não consegui encontrar nenhum link fácil com essa informação. Então vou deixar a lista aqui. Todos esses dados foram tirados da Plataforma Sucupira (Qualis/Capes) e não contemplam universidades que possuam apenas mestrados profissionais.

UNB – http://www.ppgcinf.fci.unb.br  (Conceito Capes 4)
USP – http://www3.eca.usp.br/pos/ppgci (Conceito Capes 5)
UDESC – http://ppginfo.faed.udesc.br (Conceito Capes 3)
UEL – http://www.uel.br/pos/ppgci (Conceito Capes 3)
UNESP – http://www.marilia.unesp.br/posci/ (Conceito Capes 6)
UFBA – http://www.posici.ufba.br/ (Conceito Capes 4)
UFPB – http://dci.ccsa.ufpb.br/ppgci (Conceito Capes 4)
UFMG – http://ppgci.eci.ufmg.br/ (Conceito Capes 6)
UFPE – http://www.ufpe.br/ppgci (Conceito Capes 4)
UFSC – http://pgcin.paginas.ufsc.br/ (Conceito Capes 4)
UFSCAR – http://www.ppgci.ufscar.br (Conceito Capes 3)
UFC – http://www.ppgci.ufc.br (Conceito Capes 3)
UFPA – http://www.portal.ufpa.br  (Conceito Capes 3)
UFRJ – http://www.ppgci.ufrj.br/pt/ (Conceito Capes 5)
UFF – http://www.uff.br/cienciainformacao (Conceito Capes 4)

Sobre ofender-se

(Originalmente publicado em 6 de outubro de 2011)

“Uma biblioteca verdadeiramente grandiosa sempre terá algo para ofender alguém”. A citação do título do post é de Jo Godwin, ex-editora do Wilson Library Bulletin. Lembrei que, há alguns meses atrás, apareceu um ateu muito indignado na minha timeline porque estavam querendo criar uma lei que obrigasse todas as bibliotecas a terem uma cópia da bíblia. De primeira, eu sinceramente não entendi a indignação. Não entendi a indignação dele porque: 1. Não me considero atéia (não compartilho os mesmos valores que ele); 2. Não acho que seja realmente necessário criar uma lei para assegurar algo que já poderia ser feito regularmente. Uma lei dessas não assegura hegemonia de catolicismo nenhum: já existem igrejas suficientes. Nenhuma biblioteca – que não seja especializada – vai pregar palavra de nada nem ninguém.

Sem falar que ninguém garante que só por ter uma bíblia disponível na biblioteca todas as pessoas imediatamente vão querer lê-la e serem religiosas, obedientes, católicas, etc. Da mesma forma que uma biblioteca por si só, por melhor, mais completa e moderna que seja, não cria leitores, críticos, cidadãos, etc. Uma bíblia na biblioteca é apenas mais um livro disponível na estante, não passa muito além disso. Mesmo. Imagino que se tratando de biblioteca pública, comunitária e talvez até mesmo universitária (centrais), todas deveriam ter todas as versões da Bíblia, bem como versões de livros considerados importantes para todas as outras religiões, judaísmo, islamismo, kardecismo, etc. A política deve ser: ou existem todos os livros religiosos já criados ou não deve existir nenhum.

O colega ateu se ofendeu com esta lei. A mim, ela não ofendeu em nenhum momento. Só a achei um tanto quanto ignorante e com um propósito vazio de sentido, mesmo. Como eu já disse, qualquer biblioteca que se preze tem várias edições e versões da bíblia. De qualquer modo, acharia insensato que essa lei se aplicasse à todas as bibliotecas, indiscriminadamente. Me é estranho que seja compulsório a uma biblioteca especializada em alguma religião que seja antagônica ao catolicismo/cristianismo ter uma versão da Bíblia. Enfim… Também acredito que bibliotecas realmente grandiosas sempre acabarão por ofender alguém.

E acho interessante conversarmos sobre o ato de ofender-se, um pouco. Pode ser um bom exercício. Pessoalmente comecei meu exercício assistindo esse stand up aqui:

Hello, it’s me again! Primeiro: achei o cara engraçado. Róla um charme natural com esse sotaque australiano. Ele faz a pergunta “o que há de errado em se ofender?”. Acho que não há nada de errado, mesmo. Da mesma forma que acredito que não há como evitar de se ofender com algo. Um conhecido meu me dizia que “Ofender-se é escolha do ofendido” e por muito tempo eu acreditei mesmo nisso. Mas pensando um pouco mais sobre o assunto, percebi que o fato de ofender-se pode tomar caminhos distintos.

“E daí? Ofenda-se, nada acontece. Você é adulto, cresça, lide com isso“. Enxergo uma certa ambiguidade neste pedido para que eu “lide com isso”. Lidar como? Se posicionando ou se resignando? Uma das formas de lidar com as coisas é se posicionando em relação a elas e de fato tentar abrir uma conversa sobre o assunto, chegar em um senso comum com a comunidade ou ao menos as pessoas com quem você convive. Nos resignamos quando algumas coisas são tão enraizadas, estruturadas e sistêmicas, que tentar conversar sobre elas ou até mesmo lutar para que mudem torna-se um desperdício de energia (e de vida). Lembrando que nem sempre resignação é o mesmo que acomodação. São várias as formas de se burlar um sistema que oprime.

Também acho que nesse standup o cara confunde ‘being offended‘, ofender-se – com todo o peso que isso carrega – com o que podem ser considerados meros ‘pet-peeves‘, ou ainda, pequenas implicâncias. Na boa? Se você se ofende com boy bands tenho más notícias: o implicante é você, amigo. Não esqueçamos também que, além de “pet peeves” e “being offended”, para algumas pessoas levemente mais destemperadas pode vir a existir a singela variável major psychotic fucking hatreds, algo como ódios imensos psicóticos pra caralho. Não é a toa que algumas pessoas saem por aí atirando em outras no highschool ou até mesmo no college ou até mesmo em lagos noruegueses, quem diria. Ou não né? Duvido que o George Carlin, mesmo estando puto, tenha sido agressivo alguma vez com um funcionário de aeroporto. Pelo menos não tenho notícia disso.

Prefiro o discurso contrário: hoje em dia, ninguém pode reclamar de nada, pois na primeira reclamação já é taxado de politicamente correto. Quando muitas vezes não é ser politicamente correto ou não que está em questão, mas simplesmente respeito, enxergar o outro, colocar-se no seu lugar entre outras coisas que fazem parte daquilo que chamam de humanismo, às vezes. Também não defendo sempre quem é politicamente correto pois alguns são tão assépticos em relação ao uso da linguagem e em relação às próprias vidas que me deprime um pouco. A vida é mais complexa que a linguagem.

Concordo com se ofender ser subjetivo, mas não acho que seja uma escolha propriamente dito.

Imagina se tivéssemos que evitar nos sentirmos ofendidos/as? Me parece que róla um certo tipo de cultivo de cinismo ao buscar evitar se ofender a todo custo. E acho bom que continuem se incomodando mesmo e que esse incômodo seja sempre explícito. É por ter tanta gente incomodada no mundo que surgem coisas como o Wikileaks, como os protestos no Egito e na Líbia, como os indignados da Espanha e como os 99% em Wall Street. Essa galera toda tá se sentindo muito ofendida. Bastante. Mesmo.

Certa vez um amigo meu me disse que viu um dia num muro de Porto Alegre uma pichação com uma frase pedófila e achou escroto. Por que? Porque ele tem uma filha pequena e isso é importante pra ele. Será que ele poderia simplesmente escolher “não se ofender”? Não sentir absolutamente nada? Como?

Teve uma época nos EUA – acho que anos 80 por aí – que algumas pessoas se ofendiam com pornografia. Pra mim, o puritanismo deles é que é bizarro, até hoje. Here’s what causes sexual thought: having a dick.

What are we gonna do? Ban public transportation?

Há uns dois anos uma miss EUA disse na caruda quando foi questionada, que de acordo com os valores que ela recebeu da família dela, pessoas do mesmo sexo não deveriam se casar porque isso, para ela, era simplesmente errado. E adivinhem, ela estava certa ao responder isso: é um valor dela. Um valor extremamente preconceituoso e que desconsidera pessoas que não sejam parte da realidade dela, mas enfim, you get the point. Vários gays que estavam na banca de jurados ficaram incrédulos, claro que se ofenderam com isso e ela mesmo sendo forte candidata à Miss EUA, não ganhou.

Enfim,… Não vejo isso terminando tão cedo, bem como não vejo ninguém deixando de se ofender tão cedo. Me parece meio ingênuo acreditar que “uuuuu algum dia todo mundo vai atingir a iluminação suprema e todos viverão democraticamente e em paz, sem ninguém se ofender com nada”.

Na boa? Esso non ecsiste. :D

E dificilmente existirá algum dia.

Questões de Referência

(Publicado originalmente em 29 de março de 2011)

GROGAN, D. A questão de referência. In: A Prática do Serviço de Referência. Brasília: Briquet de Lemos, 1995. 195 p.

Tive que ler o capítulo deste livro para um debate em sala dia 29/03. Mas sabe quando você lê algo e se sente profundamente enganada? Sente até uma pontinha de angústia de tão enganada que está sendo. O livro foi publicado pela Briquet de Lemos em 1995, mas na verdade é de 1991. O capítulo sobre a questão de referência fala basicamente sobre a tipologia das consultas/perguntas que são feitas por usuários em bibliotecas físicas. Perguntas de caráter administrativo e orientação espacial (perguntas sobre o próprio espaço físico da biblioteca); perguntas simples e diretas: autor/título (perguntas feitas diretamente sobre o acervo); consultas de localização de fatos (perguntas rápidas e imediatas, sobre expressões, fórmulas, etc.) entre outras consultas como as de localização de material, consultas mutáveis, de pesquisa, residuais (que são consideradas “impossíveis” de categorizar) e, claro, as perguntas “irrespondíveis”.

Percebi que durante a leitura existiam apenas o consulente e o ‘respondente’, no caso, o bibliotecário. Penso que, na época de publicação do livro (1991) ainda não existia Internet – ou pelo menos ela não era popularizada – bem como não havia nenhuma outra tecnologia de informação/comunicação disponível. Então ‘o jeito mesmo’ era perguntar ao bibliotecário. Pessoalmente, eu não nego que os serviços de referência devam existir nas bibliotecas físicas, mas atualmente, com a Internet e outras tecnologias de informação/comunicação, acreditamos que os questionamentos podem ser outros. Os serviços de referências das bibliotecas físicas são importantes? Sim. Mas seria um equívoco ignorarmos solenemente o fato de que as tecnologias e o uso que se faz delas adquirem cada vez mais importância para todas as pessoas ao redor do mundo.

O último parágrafo deste capítulo vislumbra brevemente o que hoje já chamamos de “customização da informação”, quando analisa que cada pesquisa – para a mesma pergunta – pode ter uma resposta diferente (p. 49). A customização da informação  nos é aparente quando observamos exemplos de sites como o da Amazon e seus sistemas inteligentes de organização e recuperação da informação, que baseiam-se nas próprias buscas dos usuários para ‘adivinharem’ seus gostos e preferências – o que talvez seja uma forma de antever dúvidas, também. Aliás, tivemos a disciplina de Recuperação da Informação e isso foi visto, em algum momento.

Grogan também explana sobre as pesquisas residuais que, hoje, são sim possíveis de categorizar quando tratamos do assunto de recuperação da informação digital. Através de folksonomias facetadas podemos encontrar objetos digitais que antes (em 1991, provavelmente) seriam classificados como “impossíveis”, por serem específicos demais. Ao menos digitalmente não há mais esta mesma restrição física no uso de palavras-chave para denominar um objeto digital e nem para recuperá-lo: essa dificuldade de classificação na realidade advém do mundo dos átomos (é só ver o que o Weinberger fala no livro A Desordem Digital, de 2007).

Acredito que atualmente a questão de referência deve ser voltada cada vez mais para a concepção de serviços de informação. Precisamos nos perguntar também às vezes “O que as pessoas se perguntam?” ou podem vir a se perguntar. Um exemplo disso foi o  (incrível) serviço criado pelo Google, o Google Person Finder: 2011 Japan Earthquake, quando da tragédia do tsunami no Japão. No site está escrito “qual é a sua situação?” e então você clicará em “Estou procurando por alguém” ou “Tenho informações sobre alguém”. Este site simplesmente habilita que as pessoas que morem no Japão comuniquem-se, deixando uma mensagem ou simplesmente dizendo que “estão vivas e está tudo bem”.

Ou seja, hoje, a pergunta “será que meu filho está vivo?”, que poderia ser considerada absurda se perguntada em um serviço de referência de 1991 (20 anos atrás), pode sim ser respondida. Esta parece ser a grande diferença.

Aliás, esse tipo de pergunta é até inconcebível para um serviço de referência, como podem pensar alguns bibliotecários.Pelo livro que estamos lendo, essa pergunta seria classificada como “irrespondível”. Mas o Google Person Finder talvez esteja nos provando o contrário. A diferença é que não é um bibliotecário que irá responder essa pergunta: mas sim as próprias pessoas.

O papel do bibliotecário  no caso seria o de pensar e conceber este  importante serviço de informação para ajudar as pessoas a ajudarem-se. Precisamos, cada vez mais, enxergar para além da mediação. E a idéia não é sempre surgir com algo inteiramente novo, mas sim copiar e implementar bons modelos e boas práticas que já existam, como por exemplo, esses dias mesmo, em um restaurante, vi no caixa vários RGs e CPFs perdidos. Não seria interessante criar um site no estilo ‘Google People Finder’ para RGs e CPFs e documentações que as pessoas perdem? Enfim… Coisa boba minha né? Pois é.

E seguem as minhas ingênuas perguntas de sempre…

  • Qual a diferença entre um processo de referência na busca por materiais físicos e materiais digitais? Existe mesmo diferença? Como mesurar isso? As pessoas ainda procuram por serviços de referência hoje em dia?
  • Há como se fazer uma diferenciação (e/ou aproximação) entre os serviços de referência prestados em uma biblioteca física e as atuais máquinas de busca na Internet?
  • Por que o serviço considerado ‘especializado’ precisa envolver necessariamente um mediador humano e presença física sendo que, um serviço automatizado (criação de um humano) também pode ser considerado um serviço especializado?
  • Seriam as máquinas de busca inimigas ou aliadas? [Acredito cada vez mais que isso talvez dependa diretamente do posicionamento profissional do bibliotecário em questão]
  • Não é meio audacioso e arrogante pensar que nenhuma pergunta hoje em dia é irrespondível? [Bastante. Mas acho que é a audácia e ‘arrogância’ de muita gente que faz as coisas se transformarem de verdade nesse mundão viu?]

Instituto de neologismos

Do blog A Biblioteca de Raquel.

Li esses dias o Milagrário Pessoal, o romance mais recente do angolano José Eduardo Agualusa, lançado faz uns meses. É uma viagem, em vários sentidos, pela história do português (o idioma, bem entendido). O estopim são as agruras de uma linguista que, responsável por dicionarizar neologismos, descobre que alguém está criando numa rapidez incrível centenas de palavras – todas elas de repente imprescindíveis, um caos para a languidez com que a língua costuma evoluir.

Daí esbarrei nesse cartum do gênio Tom Gauld, que costuma publicar seus trabalhos aos sábados no The Guardian Review, e achei que tinha tudo a ver.

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Linguagem e identidade

O terceiro descentramento que examinarei está associado com o trabalho do lingüísta estrutural, Ferdinand de Saussure. Saussure argumentava que nós não somos, em nenhum sentido, os “autores” das afirmações que fazemos ou dos significados que expressamos na língua. Nós podemos utilizar a língua para produzir significados apenas nos posicionando no interior das regras da língua e dos sistemas de significado de nossa cultura. A língua é um sistema social e não um sistema individual. Ela preexiste à nós. Não podemos, em qualquer sentido simples, ser seus autores. Falar uma língua não significa apenas expressar nossos pensamentos mais interiores e originais; significa também ativar a imensa gama de significados que já estão embutidos em nossa língua e em nossos sitemas culturais.

Além disso, os significados das palavras não são fixos, numa relação um-a-um com os objetos ou eventos no mundo existente fora da língua. O significado surge nas relações de similaridade e diferença que as palavras tem com outras palavras no interior do código da língua. Nós sabemos o que é a “noite” por que ela não é o “dia”. Observe-se a analogia que existe aqui entre língua e identidade. Eu sei quem “eu” sou em relação com “o outro” (por exemplo, minha mãe) que eu não posso ser. Como diria Lacan, a identidade, como o inconsciente, “está estruturada como a língua”. O que modernos filósofos da linguagem – como Jacques Derrida, influenciados por Saussure e pela “virada linguística” – argumentam é que, apesar de seus melhores esforços, o/a falante individual não pode, nunca, fixar o significado de uma forma final, incluindo o significado de sua identidade.

As palavras são “multimoduladas”. Elas sempre carregam ecos de outros significados que elas colocam em movimento, apesar de nossos melhores esforços para cerrar o significado. Nossas afirmações são baseadas em proposições e premissas das quais nós não temos consciência, mas que são, por assim dizer, conduzidas na corrente sanguínea de nossa língua. Tudo o que dizemos tem um “antes” e um “depois” – uma “margem” na qual outras pessoas podem escrever. O significado é inerentemente instável: ele procura o fechamento (a identidade), mas ele é constantemente perturbado (pela diferença). Ele está constantemente escapulindo de nós. Existem sempre significados suplementares sobre os quais não temos qualquer controle, que surgirão e subverterão nossas tentativas para criar mundos fixos e estáveis. (p. 40-41)

HALL, S. Descentrando o Sujeito. In: A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 1998. 100 p.

Mais referências em LusoLeituras, Linguagem e Identidade.

Como transformar papo furado em uma conversa de verdade?

Querido Lifehacker,

Odeio papo furado. Nunca sei o quão profundo devo ir em uma conversa e eu não gosto muito de conversar sobre o tempo. Com um longo final de semana se aproximando e várias obrigações sociais, fico aqui pensando, como posso transformar todas essas conversinhas bobas em uma conversa de verdade?

Sinceramente,

Conversador de Verdade

Prezado Conversador,

Ninguém gosta de conversinha de verdade e certamente esta é uma das tarefas mais chatas pelas quais temos que passar. Enquanto boa parte do papo furado é baseado apenas no fato de que você está de frente à outra pessoa e precisa dizer algo, o verdadeiro objetivo é achar um fator comum para melhorar uma conversa. Vamos analisar algumas coisas que você pode fazer para fazer com que sua conversa flua mais rapidamente.

Compartilhe pequenos detalhes até que um permaneça

Mencionamos como compartilhar pequenos detalhes durante o papo furado é um bom modo de atrair interesse em um assunto e começar uma conversa de verdade. Ao invés de responder a uma questão simples como “como você está?” com “bem e você?” expanda sua resposta com alguns detalhes do seu dia. Por exemplo, você pode dizer “bem, passei a manhã andando de caiaque e estou ótimo!”.

Quando você compartilha esse pedacinho da sua história você tem uma de duas respostas: uma pergunta sobre como foi ou um “ah legal” desinteressado. Se forem recíprocos à sua animação você já tem pontos e pode continuar a conversa. Se eles não parecem interessados tente revelar outro detalhe até que algo permaneça.

Aprenda a fazer questionamentos relevantes

Somos meio programados a não compartilhar informações sobre nós mesmos, mas para se conseguir ter uma conversa de verdade, é importante mostrar interesse na outra pessoa primeiro. Como o Psychology Today aponta, você pode fazer isso de várias maneiras. Comece a ouvir corretamente:

Geralmente quando conhecemos alguém novo, tentamos preencher os momentos mortos com conversinha sobre nós mesmos. É bem melhor você ouvir primeiro e falar depois. É claro, alguém tem que começar a conversa, mas se você e a sua companhia ouvirem de fato um ao outro e não se preocuparem no que dizer a seguir, as coisas fluirão mais naturalmente.

Uma vez que você tenha uma boa idéia sobre o que está acontecendo você pode usar essa informação para perguntar os tipos certos de perguntas. Fazer perguntas é um ótimo modo de transformar papo furado em uma conversa naturalmente. Apenas tenha certeza de que sua questão é relevante ao assunto em pauta e não um modo de fazer com que a conversa se volte para você.

Arme-se com assuntos relevantes

As pessoas adoram conversar sobre as notícias e é um modo fácil jogar na roda pedaços entediantes de papo furado e torná-lo uma conversa divertida. Aparecer com umas poucas idéias iniciais é uma boa forma de direcionar uma conversa. O Art of Manliness tem uma formula simples para ter assuntos:

Se você não conhece as pessoas com quem estará conversando, pense sobre as coisas que provavelmente interessarão aqueles que irão te conhecer. Pergunte a eles sobre os aspectos únicos do lugar onde moram (“Vi uma estátua interessante na ida pra cidade. Qual a história por trás dela?”), fale sobre a companhia para qual eles trabalham (“Ouvi dizer que vocês estarão expandindo para a China logo – quando isso vai acontecer?”) e pergunte informações adicionais aos que conhecem melhor os outros.

A ideia e que se você pode encontrar alguns pedaços de informação relevante você pode pegar um papo furado chato e direcioná-lo para algo mais interessante.

Responda à pergunta “O que você faz (da vida/por diversão)?” com algo que você tenha feito de verdade

Um dos inícios de conversa mais comuns é o “então, o que você faz?”. Serve como um modo rápido de avaliar os modos que uma pessoa pode ser interessante. Dependendo do seu trabalho esta pode ser uma resposta fácil, mas para muitos de nós é um pouco mais complicado.

Em minha própria experiência, percebi que a maioria dos meus trabalhos requer mais do que uma ou duas palavras para responder por que eu tive poucos trabalhos na minha vida onde o título do trabalho explique de fato o que eu faço. Ao invés de responder “O que você faz da vida?” dizendo sou escritor pro Lifehacker, eu geralmente expando isso adicionando algumas notas sobre o que escrevi naquela semana ou falo sobre uma experiência. Basicamente, ao invés de responder com onde você trabalha e sua posição oficial, apareça com uma história que exemplifique o que você faz da vida.

O mesmo vai para “o que você faz para se divertir?”. Não diga apenas “ah, eu geralmente gosto de escalar montanhas” (ou o que seja). Fale sobre uma experiência recente com seu hobby tipo “Semana passada eu subi a montanha e fiz um picnic com a minha irmã. Vimos um urso caçando um bode”.

A idéia básica por trás de todas essas sugestões é encontrar o gancho no papo furado e puxá-lo para que ambos fiquem na mesma página. Para encontrá-lo você precisa prestar atenção nas pistas sutis, ouvir o modo como respondem, compartilhar uma boa quantidade de informação sobre você e aprender a avaliar quando estão interessados.

Sinceramente,

Lifehacker

p.s.: Tem seus próprios truques para transformar papo furado em conversa de verdade? Compartilhe nos comentários.