Entendendo a identidade cultural na pós-modernidade de Stuart Hall com Shakira

Estou começando a ler a bibliografia requerida pro mestrado e preferi começar pelos livros de áreas que eu não conheço, pra mudar um pouco os ares né, é sempre bom. Tem pelo menos uns três livros de sociologia, dois deles sobre pós-modernismo e um chama-se “A identidade cultural na pós-modernidade” de Stuart Hall. É um livrinho deveras interessante e a questão de identidade sempre me deixa intrigada. O início do livro é bastante didático e depois alguns assuntos como globalização e conceito de nacionalidade são discutidos. Pois bem. No início autor trata rapidamente sobre três concepções de identidade que servem para embasar a argumentação do restante do livro. As concepções de identidade, para o autor, são:

a) O sujeito do Iluminismo: “indivíduo totalmente centrado, unificado, dotado das capacidades de razão, de consciência e de ação” (p. 10)

b) O sujeito sociológico: “A noção de sujeito sociológico refletia a crescente complexidade do mundo moderno e a consciência de que este núcleo interior do sujeito não era autônomo e auto-suficiente, mas era formado na relação com “outras pessoas importantes para ele”, que mediavam para o sujeito os valores, sentidos e símbolos (…) De acordo com esta visão, que se tornou a concepção sociológica clássica da questão, a identidade é formada na “interação” entre o eu e a sociedade”. (p. 11)

c) O sujeito pós-moderno: “(…) conceptualizado como não tendo uma identidade fixa, essencial ou permanente (…) O sujeito assume identidades diferentes em diferentes momentos, identidades que não são unificadas ao redor de um “eu” coerente” (p. 12-13)

Depois de ler isso, parei por um momento e gargalhei alto e sozinha no ônibus. E fiz isso porque derrepentemente rolou uma associação com este meme que apareceu no meu GReader esses dias:

shakira-evolution

Pronto.

Eu nunca mais vou esquecer das concepções de sujeito do Iluminismo, sujeito sociológico e sujeito pós-moderno de Hall (1998).

Obrigada, Internet.

Referência

HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 1998. 100 p.

Artistas na biblioteca: performance da Amanda Palmer na NYPL dia 20/08

Conheci a Amanda Palmer pela antiga banda dela de punk cabaret, o Dresden Dolls. Faz algum tempo já que acompanho a carreira dela. Ela é casada com o escritor Neil Gaiman (que também já foi traduzido aqui no blog). Do relacionamento dela com o Gaiman ela se inspirou para escrever o A arte de pedir (spin off do Ted Talk dela), que saiu pela Intrínseca aqui no Brasil esse ano.

O livro é praticamente uma autobiografia dela, com várias histórias confessionais onde ela também fala sobre seu processo criativo e seus relacionamentos. Enfim, não quis esperar e comprei o livro em inglês. Para uma artista que é performer, até que ela não se saiu mal como escritora. E além do livro, do relacionamento com o Gaiman ela também está esperando uma nova vida…

Enfim, tudo isso pra dizer que como performer a Amanda também tem – já teve – várias iniciativas de fazer pocket shows e aparições rápidas em bibliotecas. E tem uma marcada pra quinta-feira agora, dia 20 de agosto, às 18h, na biblioteca pública de New York. Provavelmente esse vai ser um dos últimos pocket-shows que ela vai fazer antes de se afastar um pouquinho para ter o bebê.

O legal é que nessa chamada ela pediu para quem comparecesse trouxesse como doação um livro infantil para cooperar com um programa de leitura da NYPL e disse que uma ação será feita com esses livros na hora, fazendo o maior suspense. Queria estar em NY pra ver como vai ser isso, pois fiquei bem curiosa.

Ela disse que este evento tem sido planejado em segredo por dois meses e parece que vai ter a gravação de um vídeo clipe. Para financiar esta gravação – entre outras ações dela – ela tem utilizado o Patreon ultimamente. É provável que em algum momento esse vídeo eventualmente seja disponibilizado no youtube e poderá ser visto no mundo todo.

Não sei se vem ao caso se esse tipo de ação cultural – pois não deixa de ser – partiu da artista ou da biblioteca. O que realmente importa é que: 1. Isso está acontecendo! 2. Está trazendo pessoas para o espaço da biblioteca que será utilizado para algum tipo de ação; 3. e uma comunidade (fãs da Amanda Palmer) está efetivamente ajudando outra comunidade (a de pessoas que tem acesso limitado à leitura).

Acho que seria muito interessante se inspirar em ações nesse sentido. Em eventos curtos, mas que tenham significado e que as pessoas participantes – mesmo que poucas – se sintam envolvidas e parte de algum processo. Parte de um vídeo clipe que aparecerá na internet depois, com seu artista preferido. Parte de uma ação de caridade, que ajudará outras pessoas que precisam. Parte de algo que vá além e signifique mais do que um mero evento, do que uma simples reunião, mas que seja uma experiência transformadora e que ressignifique algumas coisas que conhecem até então.

Esse é um dos papéis da arte e a Amanda sabe muito bem disso. E as bibliotecas podem – e devem – viabilizar esse tipo de ação sempre que possível.

As bibliotecas do futuro e 17 formas de como a informação substituirá os livros

por Thomas Frey

Pergunta: Uma vez que os livros físicos estão desaparecendo e os computadores e dispositivos inteligentes tomam seu lugar, em que ponto uma biblioteca para de ser uma biblioteca e começa a se tornar outra coisa?

Em algum lugar no meio desta questão reside um medo persistente e uma ansiedade que vemos transbordar para o topo entre pessoa que se relacionam com a biblioteca.

Pessoas que acham que bibliotecas irão sumir simplesmente porque livros estão se tornando digitais estão perdendo as verdadeiras mudanças tectônicas que ocorrem no mundo da informação.

Bibliotecas não têm a ver com livros. Na verdade, nunca foram sobre livros.

As bibliotecas existem para nos dar acesso à informação. Até recentemente, os livros eram o modo mais eficiente de transferir informação de uma pessoa para outra. Hoje existem 17 formas básicas de informação que estão tomando o lugar dos livros e no futuro existirão muitas mais…

Mapas de posto de gasolina

Quando criança, eu era apaixonado pelos mapas de graça que eu podia pegar nos postos de gasolina. Ao longo do tempo eu colecionei mapas de quase todos os estados e de algumas províncias canadenses.

Junto com os primeiros dias do automóvel e um sistema rodoviário geralmente confuso surgiu a necessidade por mapas. Companhias de gasolina rapidamente perceberam que as pessoas que sabiam onde estavam indo geralmente viajavam mais, e consequentemente compravam mais gasolina.

Ao longo do tempo, qualquer um que dirigisse um carro logo esperava por mapas grátis onde quer que parassem pra abastecer, e companhias como Rand McNally, H.M. Gousha e General Drafting fizeram milhares destes mapas para ir ao encontro da demanda.

No início dos anos 70, quando eu estava recém aprendendo sobre a liberdade de ter um carro, eu não poderia imaginar uma época em que esses mapas não fossem uma parte integral da minha vida.

Hoje, como os GPS e smartphones nos dão instruções passo a passo para onde devemos ir, mapas rodoviários impressos existem como pouco mais que itens de coleção para pessoas que gostam de preservar suas memórias de uma era que já se foi.

Será que os livros impressos também passarão por um decrescimento de popularidade similar?

Nosso relacionamento com a informação está mudando

Como a forma e o sistema de entrega para o acesso à informação muda, nosso relacionamento com a informação também começa a se transformar.

Se tratarmos isso como outro tipo de relacionamento, podemos começar a ver de onde viemos e para onde vamos.

Foi-se a época em que simplesmente “flertávamos” com nossos dados, ocasionalmente olhávamos pra eles, esperando que eles prestassem mais atenção em nós.

Na escola tínhamos um relacionamento mais do tipo “namoro”, arrastávamos livros por aí, esperando que eles nos transmitissem seu conhecimento mesmo que as partes que lêssemos fossem poucas e distantes uma das outras. Bem como namorar alguém popular, nos tornávamos conhecidos pelos livros que carregávamos debaixo de nossos braços.

Quando começávamos a trabalhar, nos tornávamos “casados” com um universo relativamente pequeno de informação que envolvia nosso trabalho, companhia e indústria. As pessoas que se tornavam imersas em seu universo particular se tornaram reconhecidas como especialistas e foram rapidamente para o topo.

Hoje estamos começando a ter “casos” com outras formas exóticas de informação tais como redes sociais e conversa por vídeo. Todos estes novos modos de informação parecem muito mais vivos e vibrantes do que o mundo do livro com o qual fomos casados até o século passado.

Sozinhos, em alguma estante empoeirada, estão os livros com quem algum dia fomos casados. Em algum nível, muitos de nós nos sentimos como traidores por abandonarmos nosso passado, nunca chegando perto de um divórcio que nos deixou com lealdades misturadas  nos assombrando tanto em nível consciente como inconsciente.

Se você acha que esta é uma analogia maluca, muitos irão argumentar que não. Se qualquer coisa, a informação é o coração e a alma de nosso eu emocional. Mesmo que não possamos senti-la nos tocando como um dedo pressionando nosso braço, uma grande obra de literatura tem algum modo de acariciar nossa mente, jogar fogo em nossa raiva interior, enviar arrepios pela nossa coluna e nos dar uma sensação eufórica enquanto acompanhamos nosso herói alcançar uma conclusão climática.

Livros do passado continuam a manifestação física deste tipo de experiência e sem sua presença uma parte de nós sente-se perdida.

Substituindo Livros

A transição para outros modos de informação tem acontecido há décadas. Uma vez que formos capazes de superarmos a conexão emotiva que temos com os livros físicos, começaremos a ver como o mundo de informação está de subdividindo em dúzias de diferentes categorias.

Abaixo segue uma lista de 17 categorias primárias de informação que as pessoas utilizam no dia a dia. Enquanto elas não são substitutos diretos para livros físicos, eles todos tem uma forma de conseguir nossa confiança. Podem existir mais categorias que eu tenha esquecido, mas enquanto você pensa sobre os seguintes canais de mídia, você começa a entender como as bibliotecas do futuro precisarão funcionar:

  1. Jogos – 135 milhões de americanos jogam vídeo games por uma hora a cada mês. Nos Estados Unidos 190 milhões de casas usarão um console de vídeo game da próxima geração em 2012, dos quais 148 milhões estarão conectados à Internet. O jogador mediano tem 35 anos e eles têm jogado games por uma média de 13 anos.
  2. Livros Digitais – Em janeiro, o USA Today reportou uma “onda” de e-books pós-férias, com 32 dos 50 títulos principais em sua mais recente lista vendendo mais cópias em formatos digitais do que impresso. E-books autopublicados agora representam 20-27% da venda dos livros digitais.
  3. Livros de Áudio – Livros de Áudio é o setor que cresce mais rápido na indústria de publicações. Atualmente há uma escassez de livros de áudio no mundo todo enquanto os publicadores correm para atender a demanda. Apenas 0.75% (nem mesmo 1%) do catálogo de livros da Amazon têm até então sido convertido para áudio. Ano passado mais do que U$1 milhão de dólares em livros de áudio foram vendidos apenas nos Estados Unidos. Mais de 5 mil bibliotecas públicas agora oferecem livros de áudio para download.
  4. Jornais – A leitura online de jornais continua crescente, atraindo mais de 113 milhões de leitores em janeiro de 2012. As receitas da indústria de publicidade, no entanto, continuam a cair e estão agora no mesmo nível que estavam nos anos 50, quando ajustadas para inflação.
  5. Revistas – A indústria de revistas norte americana é composta de 5,146 negócios publicando um total de 38 mil títulos. O total de tempo gasto lendo jornais ou revistas é de mais ou menos 3.9 horas por semana. Quase metade de todo o consumo de uma revista se dá com a televisão ligada. A indústria de revistas teve um declínio de 3.5% no ano passado.
  6. Música – De acordo com o “Relatório da Indústria da Música de 2011” da Billboard, consumidores compraram 1.27 bilhões de faixas digitais ano passado, o que contabilizou por 50.3% de todas as vendas de música. As vendas de faixas digitais aumentaram 8.5% em 2011. Enquanto isso, vendas físicas declinaram 5%. De acordo com a Apple, existe uma estimativa de 38 milhões de canções no universo de música conhecido.
  7. Fotografias – Mais de 250 milhões de fotos são postadas no Facebook todos os dias.
  8. Vídeos – A Cisco estima que mais de 90% de todo o conteúdo da Internet será vídeo por 2015. Mais de cem mil anos de vídeos no Youtube são vistos no Facebook a cada ano. Mais de 350 milhões de vídeos no YouTube são compartilhados no Twitter todos os dias. O Netflix transmite 2 bilhões de vídeo por trimestre.
  9. Televisão – De acordo com o A. C. Nielsen Co.,  o americano médio assiste mais de 4 horas de T V cada dia, e tem 2.2 televisões. Uma estimativa de 41% de nossa informação atual vem da televisão.
  10. Filmes – Existem atualmente 39.500 telas de cinema nos Estados Unidos com mais de 4.500 delas convertidas para 3D. O americano médio assiste 6 filmes por ano. Entretanto, quase um terço dos lares norte-americanos usa a Internet de banda larga para assistir filmes em seus aparelhos de TV, de acordo com a Park Associates. Este número está crescendo, com 4% dos lares americanos comprando uma mídia receptora de vídeo tais como a Apple TV e Roku, na temporada de férias de 2011.
  11. Rádio – Assinantes de rádios de satélite, atualmente em 20 milhões, são projetados para alcançar 35 milhões em 2020. Ao mesmo tempo, o rádio na Internet é projetado para alcançar 196 milhões de ouvintes até 2020. Estes combinados ficarão igual ao número de ouvintes terrestres de rádio.
  12. Blogs – Existem atualmente mais de 70 milhões de blogs no WordPress e 39 milhões de blogs do Tumblr no mundo todo.
  13. Podcasts – De acordo com a Edison Research, uma estimativa de 70 milhões de americanos já ouviram a um podcast. A audiência de ouvintes de podcasts migrou de serem predominantemente “early-adopters” para se tornarem mais parecidas com consumidores de mídia mainstream.
  14. Aplicativos – Existem hoje 1.2 milhões de aplicativos para Smartphone com mais de 35 bilhões de downloads. Em algum momento este ano o número de aplicativos irá superar o número de livros impressos – 3.2 milhões.
  15. Apresentações – Liderando nesta área, o SlideShare é a maior comunidade do mundo para compartilhamento de apresentações. Com 60 milhões de visitantes mensais e 130 milhões de visualizações de páginas, está entre dos 200 websites mais visitados no mundo.
  16. Courseware – O movimento OpenCourseware tem pegado fogo com a Apple na liderança. O iTunesU atualmente tem mais de mil universidades participando de 26 países. A seleção de aulas, agora superando a marca de 500 mil, tem tido mais de 700 milhões de downloads. Eles recentemente anunciaram que estão expandindo para o mercado K-12.
  17. Redes Sociais – Seja o LinkedIn, Facebook, Twitter, Google+ ou Pinterest, as pessoas estão se tornando cada vez mais confiantes  em suas redes pessoais para informação. Existem agora mais de 2.8 bilhões de perfis de redes sociais, representando cerca de metade de todos os usuários de Internet no mundo todo. LinkedIn tem agora mais de 147 milhões de membros. Facebook tem mais de 1.1 bilhão de membros e contabiliza 20% das visualizações de páginas na Internet.  O Google+ atualmente tem mais de 90 milhões de usuários.

Cada uma destes modos de informação tem seu lugar nas bibliotecas do futuro. O fato de os livros físicos desaparecerem ou não tem pouca relevância no esquema geral das operações da biblioteca do futuro.

Steve Jobs apresentando o iCloud

A era próxima da biblioteca na nuvem

Em junho de 2011, Steve Jobs fez sua última aparição pública em uma conferência de desenvolvedores de software para divulgar o iCloud; um serviço que muitos acreditam que se tornará o seu maior legado.

Como Jobs imaginou, todo o universo de músicas, livros, filmes e uma variedade de outros produtos de informação residiriam no iCloud e poderiam ser “puxados” quando alguém precisasse de acesso a eles.

As pessoas inicialmente comprariam o produto através do iTunes e a Apple manteria uma cópia dele no iCloud. Então cada compra subsequente por outros usuários da Apple seria um rápido download diretamente do iCloud.

 Indiferente ao fato de o universo da informação se desenvolver na nuvem como Jobs imaginou, cada biblioteca precisará desenvolver a sua própria estratégia na nuvem para o futuro.

Como um exemplo, em um recente evento de biblioteca no qual eu estava palestrando, uma bibliotecária mencionou que tinha acabado de encomendar 50 Kindles e 50 Nooks para sua biblioteca. Na época, ela lidava com as restrições dos publicadores que apenas permitiam que eles carregassem cada livro digital em 10 dispositivos. Então quais dispositivos ficam com o conteúdo no final?

Ao longo do tempo, é fácil imaginar uma biblio teca com 350 Kindles, 400 iPads, 250 Nooks, 150 Xooms e uma variedade de outros dispositivos. Controlar qual conteúdo será carregado em cada dispositivo se tornará um pesadelo logístico. Entretanto, ter cada pedaço de conteúdo digital carregado na nuvem e restringi-lo a 10 downloads simultâneos será mais fácil de administrar.

Esta foto poderia ter sido preservada pela sua biblioteca na nuvem.

O valor do arquivo comunitário

Como era sua comunidade em 1950, ou em se tratando disso, em 1850 ou até mesmo em 1650? Que papel a sua comunidade desempenhou durante a Guerra Civil? O quão ativa ela foi durante as eleições presidenciais de 1960? Como os locais reagiram ao bombardeio de Pearl Harbor?

Nós temos acesso à vários livros de história que nos oferecem a “história oficial” de todos os principais eventos ao longo da história. Mas compreender a intersecção de nossa cidade, nossa vila, ou nossa comunidade com esses eventos marcantes nunca, na maior parte das vezes, foi capturado ou preservado. No futuro, isso se tornará uma das funções mais valorosas fornecidas pela biblioteca comunitária.

As bibliotecas sempre tiveram um mandato para arquivar os registros de sua área de serviço, mas raramente isso foi buscado com mais do que um entusiasmo passageiro. Arquivos dos encontros do conselho da cidade e livros de histórias locais fizeram o corte, mas poucos consideraram a biblioteca como um bom arquivo de vídeos ou fotografia.

Ao longo do tempo, vários dos jornais, rádio e estações de televisão começarão a desaparecer.  Uma vez que estes negócios perdem sua viabilidade, seus depósitos de vídeos de transmissões históricas e documentos precisarão ser preservados. Mais especificamente, cada transmissão de rádio, jornal e televisão precisarão ser digitalizados e arquivados.

Com o advento do iCloud e outros serviços similares as bibliotecas vão querer expandir sua hospedagem de coleções originais e instalar o equipamento para digitalizar a informação. A venda desta informação para o mundo externo através de um serviço do tipo iTunes se tornaria uma fonte de renda valorosa para bibliotecas no futuro.

Pensamentos finais

As bibliotecas, assim como qualquer organismo vivo, terão que se adaptar à natureza complexa e em constante mudança do mundo da informação. Como a informação se torna cada vez mais sofisticada e complexa, as bibliotecas também se tornarão.

Bibliotecas estão aqui pra ficar porque elas tem instinto de sobrevivência. Elas criaram uma relação mutuamente dependente com as comunidades as quais servem, e mais importantemente, elas sabem como se adaptar  ao mundo em mudança em volta delas.

Estou sempre impressionado com as coisas criativas sendo feitas em bibliotecas. Como Eleanor Roosevelt disse uma vez, “O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos”. Existem muitos sonhos bonitos acontecendo que ajudarão a criar as bibliotecas de amanhã.

Paul Otlet, O homem que queria classificar o mundo

Quando eu estava na primeira fase do curso de biblioteconomia, assisti ao documentário L’homme qui voulait classer le monde e conheci Paul Otlet e Henri La Fontaine. Acho que a professora já apresentou o filme em formato DVD ao invés de VHS, o que já foi um grande avanço.

No entanto ousei em pedir o vídeo emprestado, pra fazer uma cópia e assistir de novo, com mais calma, em casa. Mas por algum motivo que não sei, o vídeo não me foi emprestado. Eis que quase 5 anos depois, uma colega da FURG, Thaísa Gonçalves, me manda um e-mail me convidando para ajudá-la na tradução do documentário para o português.

Minha primeira dúvida foi, se após traduzirmos o vídeo, ele seria disponibilizado online para que outros graduandos ou interessados também tenham acesso às imagens e ao texto – como eu não tive. Possivelmente a legenda em pt-br será espalhada em sites de legenda e o filme em fóruns especializados como o MakingOff, de filmes e docs mais alternativos. Já existem duas partes do filme em francês [2 de 3 3 de 3] disponíveis no DailyMotion, mas falta a parte um. No entanto estamos fazendo a tradução a partir de outra fonte em que o conteúdo está dublado em inglês.

Ainda não temos data para a conclusão da tradução, mas quando estiver finalizado devo compartilhar por aqui.

Internet e Identidade

Ninguém sabe, ao certo, o que colocar na “Bio” ou “Descrição” quando adere a uma nova rede social ou coisa que o valha. Geralmente auto-descrições, por mais detalhadas que sejam, são vagas e um tanto quanto imprecisas. E mesmo que vivamos o resto de nossas vidas com uma pessoa, nunca vamos conhecê-la ou entendê-la por inteiro, de qualquer modo. As pessoas mudam. Umas mais rápido, outras rápido demais, outras mal percebemos, mas mudam. E então surge o clichêzão que todo mundo adora repetir como se fosse algo muito profundo “definir é limitar-se”. Pois bem: é mesmo.

Tenho tomado o cuidado de, quando me perguntam quem eu sou, não responder de imediato o que faço/ou gosto de fazer. Muita gente responde a essa pergunta dizendo com o que trabalha, o que já pode ser sintoma de algo. Ou dizendo que é filho de alguém importante e/ou influente. Existem mil maneiras de se contar certa vantagem a partir da sua identidade ou fazer o exato oposto disso: ficar se auto-depreciando ou reclamando demais da vida como modo de também atrair atenção. Mas taí uma pergunta difícil de ser respondida: quem sou eu? Responder essa pergunta com dificuldade para um ‘profissional qualificado’ provavelmente da área da saúde, pode dar a entender que você é maluco/maluca ou tem algum outro tipo de problema, isso é que é o pior de tudo. Somos muitas coisas, então às vezes devemos responder a esta pergunta revirando os olhos e dizendo “Meu nome é Legião porque somos muitos” (Marcos, Cap. 5, 1-10). Brincadeira. Mas somos muitos mesmo, de fato.

Ano passado li alguma coisa sobre o conceito de identidade na pós modernidade e isso me fez entender melhor certas coisas e aceitar o fato de que podemos, sim, ser muitos e isso não é de todo insano. Quando surgiu o Google Plus, vi um vídeo do Epipheo que falava sobre a diferença básica entre o G+ e o Facebook, e o conceito de círculos, que em certa medida, relaciona-se com o conceito de identidade, uma vez que no G+ podemos compartilhar conteúdo de acordo com cada grupo diferente (família, amigos de infância, amigos de universidade, colegas de trabalho, entre outros grupos). Ou seja, pra cada grupo diferente, assumimos um tipo de identidade diferente. No entanto, é bom lembrar, que o Google vetou, se não me engano, a criação de contas fakes no G+: os usuários foram obrigados a colocar seu nome verdadeiro, caso quisessem ter uma conta por lá. O que não é também exatamente muito diferente do que o Zuckerberg pensa, aliás.

Mas será que é assim que funciona mesmo na ‘vida real’? Temos apenas uma identidade, nos relacionamos da exata mesma forma com todas as pessoas que conhecemos e somos completamente honestos em relação à todas as coisas da nossa vida? Me parece idealizado demais. E se isso já não funciona na vida real, acredito que transpor isso para o digital não é exatamente uma tarefa muito fácil.

Nos divertimos com outras identidades, mesmo que seja por um curto período de tempo, com avatares de SecondLife ou de qualquer joguinho bacanudo de MMORPGs que tem aos quinquilhones por aí. Do mesmo modo que pessoas que jogam RPG na vida real não são psicopatas, mas sim estão em busca de fantasia e catarse. O mesmo vale pra apreciadores de outros tipos de obras artísticas como filmes de terror, pornografia ou que explicitem tabus como em alguns filmes B.  

Uma identidade nunca é fixa, mas isso também não quer dizer que a pessoa seja necessariamente falsa, duas-caras ou que tenha algum distúrbio de múltipla personalidade. Ou será mesmo que o mundo sempre foi meio esquizo e nunca percebemos isso até aparecer a Internet? Bom, falsidade ideológica, que eu saiba, ainda é considerado crime no mundo não-digital. Mas é preciso saber separar o joio do trigo e não cometer exageros, nem despropósitos.

Na verdade, tanto ter múltiplas personalidades quanto não ter personalidade nenhuma (ser anônimo) tem seu propósito. Algumas pessoas preferem o anonimato para melhor atingir um objetivo comum (Wikileaks nos diz algo?) ou ainda para deixar o ego de lado e veícular apenas o que é considerado mais importante pra elas: suas ideias.

Que aprendemos que podem ser à prova de balas, inclusive.

Existe uma miríade de razões para se manter (e sustentar) um anonimato, mas o motivo mais ingênuo de se acreditar é o de covardia. “Anônimos não dão a cara pra bater”, sim, porque talvez não seja esse o propósito deles. O anonimato hoje é, mais do que jamais foi, um posicionamento político mesmo, acima de qualquer coisa. Se é anônimo necessariamente para veicular uma mensagem que é proibida por algum tipo de poder vigente e isso me parece muito maior e às vezes até mais importante do que apenas uma questão de segurança, covardia ou timidez.

Anonimato pelo anonimato tem aos montes também, fakes estão aí por todas as partes. Mas mesmo quem é anoniminho faz certa questão de compartilhar informações ou opiniões, quer, necessariamente, atingir algum público. Ou seja, discrição: você está fazendo isso errado. Se a interatividade fosse realmente desnecessária, se obter feedback fosse indiferente (“não me importo com o que pensam”), não haveria necessidade algum de exposição, em primeiro lugar. Não vejo o sentido..

O pseudo-anonimato geralmente não funciona por muito tempo: quando muitos já sabem de quem se trata, a liberdade para se dizer o que quiser, como e quando quiser torna-se cerceada. As opções então não parecem muitas: desistir da ideia de anonimato ou assumir responsabilidade pelo que compartilha e emite em rede. Tudo tem um preço: ou se é anônimo ou não.  Arranjar um meio termo referente a esta questão é o que me parece um tanto quanto esquizo: quero poder falar, mas na verdade não quero. Ou não posso. Ou ainda: não sei como.

Too Big to Know, livro novo do David Weinberger

Recebi o link pra uma entrevista com o David Weinberger no TechCrunch onde ele fala um pouco sobre o seu novo livro, Too Big To Know (ainda sem título em português, acredito). O autor já tem publicado no Brasil o livro A Nova Desordem Digital, o qual dedica aos bibliotecários, e que acredito que qualquer bibliotecário que se interesse minimamente por organização de conteúdo online, deve ter como livro de cabeceira. O TBTK  provavelmente vai ser o próximo.

A seguir um trecho da entrevista, que também dá uma prévia do novo livro:

(…) Então, as pessoas continuarão a publicar livros. Livros são uma forma de pensamento altamente valorizada. Isso não vai desaparecer, eu acho que não, mas o livro como a peça central de conhecimento, como o próprio símbolo do conhecimento, acredito que isto já esteja desaparecendo. (…)

Inventamos o conhecimento para que se encaixasse ao meio, e o meio eram papéis e livros, e livros tem certas propriedades incríveis e várias fraquezas. A fraqueza principal é que eles estão disconectados. Embora isso não se torne óbvio até que tenhamos um meio que seja conectado. Mas assim que nos conectamos, os rodapés nos parecem links quebrados. Você não pode clicar neles. Um rodapé em um trabalho impresso não funciona mais e isso se torna bem óbvio pra nós.

E então, muito conhecimento foi tradicionalmente baseado na limitação do papel como meio, que esse é um meio desconectado no qual você tenta colocar questões, porque uma vez que você publica em papel você não pode mudar o que foi escrito, então tem-se a idéia de que o conhecimento nunca mudou… sempre foi conhecido – sempre foi eterno.

Tudo isso desorganiza-se com um meio conectado no qual qualquer um pode participar. Muito do valor do que é dito não é o conteúdo do livro em si, mas os links que participam dele. (…)

O autor já esteve no Brasil em 2010, no XVI Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias:

David Weinberger – Brasil – 2B2K from moreno on Vimeo.

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Instrutor de Internet: vaga de biblioteconomia?

O SESC/SP está organizando um processo seletivo para recrutar cerca de 80 candidatos (60 para grande São Paulo e 20 para outras regiões) para o Programa Internet Livre. A inscrição começa a partir de amanhã (09/01/2012) no site do SESC e o processo de seleção deverá acontecer entre os meses de fevereiro e março de acordo com o Descritivo do Processo Seletivo. A vaga requer apenas formação superior em qualquer área e sólidos conhecimento de softwares livres (open source).

De acordo com o Descritivo, “o profissional atuará como mediador junto ao público, na área de Artemídia e Cultura Digital, se dedicando prioritariamente às práticas culturais em suportes tecnológicos, à iniciação digital e ao uso pleno dos recursos da Internet”. De modo geral, o candidato, além de ter conhecimentos específicos sobre tecnologia, deve também ter interesse pela relação entre tecnologia e cultura, educação e comunicação. Segue uma lista de blogs que fazem parte do Programa Internet Livre do SESC:

Em um primeiro momento, entendemos que a vaga não é biblioteconomia strictu sensu, mas o questionamento é inevitável: a vaga poderia ser preenchida por um candidato formado em biblioteconomia? Acredito que poderia. São vários os perfis de pessoas que fazem o curso e algumas delas com certeza tem mais conhecimentos acerca de tecnologia da informação e Internet. De qualquer modo, acredito também que a vaga possa se aproximar do que seria a caracterização de um serviço de referência instrucional, tendo como base principal o desenvolvimento das pessoas e a criação de repertório particular, em relação a tecnologias de informação e Internet.

Quantos bibliotecários formados ou recém formados será que se inscreverão pra pleitear uma vaga deste tipo?

Encontrei também online um documento com uma breve descrição do Programa Internet Livre. Parece que o principal objetivo do programa é atender a questão de democratização de acesso à Internet, oferecendo também workshops culturais, navegação orientada e oficinas de introdução à informática e à cultura de redes. O Programa também desenvolve projetos temáticos que estimulem a reflexão sobre as novas tecnologias como o “Game_Cultura: Festival de Jogos Eletrônicos” e um simpósio “Pensar Livre: cultura e software livre“. A questão de Propriedade Intelectual também é discutida e o Programa pretende criar futuramente um repositório para promover e compartilhar suas próprias produções:

Para tanto, algumas estratégias ainda deverão ser avaliadas institucionalmente, com destaque para a implementação de uma ação efetiva de discussão das licenças alternativas de propriedade intelectual, tais como as licenças Creative Commons, a implementação de tecnologias WEB 2.0 para postagem, leitura e personalização de conteúdos na Internet (tais como ferramentas de tags e de RSS, ou ainda blogs, fotologs e comunicadores instantâneos) e a organização de um repositório indexado com conteúdos livres para consulta e releituras promovidas pelo público.

Inclusão digital, produção colaborativa, acervo de conteúdos e compartilhamento de conhecimento..

Me parece que tudo isso pode ter mais a ver com biblioteconomia do que a gente imagina..

Boa sorte a todos os candidatos.