Por que você deveria se cercar com mais livros que jamais terá tempo pra ler

Prateleiras (ou e-readers) inflacionados indicam coisas boas sobre a sua mente

Por Jessica Stillman, para a Inc.com

Uma vida inteira de aprendizagem vai te ajudar a ser mais feliz, ganhar mais e até mesmo se manter mais saudável, dizem os especialistas. Além disso, muitos dos nomes mais inteligentes do mundo dos negócios, desde Bill Gates até Elon Musk, insistem que a melhor forma de ficar mais inteligente é lendo. Então o que você faz? Você vai lá e compra livros, vários deles.

Mas a vida é ocupada e intenções são uma coisa, ações, outra. Logo você percebe que suas estantes (ou seu e-reader) estão transbordando de títulos que você pretende ler um dia, ou livros que você deu uma lida uma vez mas então os abandonou. Seria isso um desastre com o seu projeto de se tornar uma pessoa mais inteligente e sábia?

Se você nunca conseguiu ler nenhum livro de fato, então sim. Você pode querer ler sobre truques para colocar mais leitura na sua vida frenética e porque vale a pena comprometer algumas horas por semana a um aprendizado. Mas se simplesmente a sua ação de ler livros não acompanha de nenhum modo a sua ação de comprá-los, tenho boas notícias pra você (e para mim, pois eu definitivamente me encaixo nessa categoria): sua biblioteca inflacionada não é um sinal de fracasso ou ignorância, é uma medalha de honra.

Por que você precisa de uma “antibiblioteca”

Esse é o argumento que o autor e estatístico Nassim Nicholas Taleb faz em seu bestseller A lógica do Cisne Negro. O blog eternamente fascinante Brain Pickings garimpou e sublinhou a seção em um post particularmente adorável. Taleb inicia suas reflexões com uma piada sobre a lendária biblioteca do escritor italiano Umberto Eco, que continha um impressionante total de 30 mil volumes.

Eco realmente leu todos esses livros? Claro que não, mas esse não era o objetivo de cercar-se com tanto conhecimento potencial mas até então nãorealizado. Por ter um constante lembrete de todas as coisas que ele não sabia, a biblioteca de Eco o mantinha intelectualmente faminto e perpetuamente curioso. Uma crescente coleção de livros que você ainda não leu pode fazer o mesmo por você, Taleb escreve:

Uma biblioteca particular não é um apêndice impulsionador de ego, mas uma ferramenta de pesquisa. Livros já lidos são bem menos valorosos que os não lidos. A biblioteca deveria conter tanto do quanto você não sabe quanto os seus meios financeiros, as taxas de hipoteca, e o atual mercado imobiliário apertado te permitir que você coloque lá. Você acumulará mais conhecimento e mais livros ficando mais velho, e o crescente número de livros não lidos nas estantes olharão para você de forma ameaçadora. De fato, quanto mais você sabe, maior fica a estante de livros não lidos. Vamos chamar essa coleção de livros não lidos de antibiblioteca.

Uma antibiblioteca é um lembrete poderoso de nossas limitações – a vasta quantidade de coisas que você não sabe, ou sabe pela metade ou algum dia irá perceber que está errado sobre. Viver com esse lembrete diariamente pode fazer com que você se atente para o tipo de humildade intelectual que melhora a tomada de decisões e impulsiona o aprendizado.

“As pessoas não andam por aí com anti-currículos te falando que não estudaram ou não tiveram experiência (é trabalho de seus competidores fazer isso), mas seria legal se fizessem isso”, diz Taleb.

Por que? Talvez porque seja um fato psicológico bem conhecido que os mais incompetentes sejam mais confiantes de suas habilidades e os mais inteligentes são cheios de dúvidas (sério, é chamado de efeito Dunning-Kruger). É igualmente bem estabelecido que quanto mais você admite rapidamente que não sabe coisas, mais rápido você as aprende.

Então pare de brigar consigo mesmo por comprar livros demais ou por ter uma lista de livros “para ler depois” que você nunca poderia terminar nem em três vidas. Todos esses livros que você não leu são na verdade um sinal da sua ignorância. Mas se você souber o quão ignorante é, você estará bem à frente da vasta maioria das pessoas.

Herdando uma biblioteca

Hoje depois do almoço passei na BS-CED pra ficar de bobeira. Tinha uma hora pra perder lá. Fui direto pra seção de literatura ver se achava algum livro legal e peguei por acaso um que tinha o título “Herdando uma Biblioteca”. Gostei da capa, gostei da textura das folhas, li as orelhas e achei interessante então por que não? É um livro pequeno, acho que consigo ler em uns 3 dias, se fizer isso continuamente. Não posso mais retirar livros da biblioteca porque já entreguei a negativa na biblioteca central e ainda não fiz pedido como aluna regressa. Enfim.

Primeiro li uma matéria sobre o ensino superior no Brasil da Carta Capital e depois comecei a ler o livro que tinha pego. Me identifiquei muito com o livro, desde as primeiras páginas. Parece que são pequenas histórias e memórias de como um leitor se tornou leitor. Ou melhor, de como lutou contra uma série de empecilhos para se tornar leitor. É uma história bastante pessoal, mas não duvido que mais pessoas se identifiquem, como aconteceu comigo:

Em casa, havia a pressão moralista da ética do trabalho de meu padrasto – a leitura fora das minhas atividades escolares seria uma forma disfarçada de vadiagem, combatida com a fúria de quem ganhava com muito esforço o dinheiro para nossa sobrevivência. (p. 15)

O autor é de Peabiru no Paraná e diz que desde pequeno é leitor e visitava a biblioteca pública. Confesso que é difícil imaginar como acontece o processo de gosto pela leitura num período de ditadura militar no interior do Brasil.. Hoje a gente tem acesso a tantas coisas, que imaginar um período de escassez é muito complicado. Mas Miguel conta a sua história e diz que preferia a biblioteca pública à escola pois “nela não havia conteúdos predefinidos, nem o desejo de me moldar” (p. 17).

Dá até uma certa ponta de inveja da forma que Miguel se relaciona e se apropria da biblioteca, é bonito de se ler:

Ali eu estava em contato com grandes homens, fazia-me contemporâneo deles, vivendo uma outra vida, distante daquela que a família e a escola insistentemente me impunham. (…) Eu meio que me sentia dono de tudo. (p. 18)

Acho que é pra esse sentido de apropriação e é pra esse lugar que uma biblioteca deve levar as pessoas, mesmo.

Não me lembro de o autor ter citado algum bibliotecário que o auxiliasse a sentir assim. Acho que uma das poucas vezes que uma bibliotecária foi mencionada, era a de sua biblioteca escolar. E ela fazia tricô durante o expediente. A relação que o autor tem com os livros e com a literatura ficou evidente quando ele fala sobre o roubo de livros. Tive uma professora que me dizia não se importar com o roubo de livros, pois isso significava que o leitor tinha “pego amor” ao livro… E isso é bem verdade.

Esse livro tem uma frase que me conquistou a terminar de lê-lo: “Roubar livros que nos solicitam amorosamente é uma forma de herder à força uma biblioteca que nos foi negada” (p. 20). Eu bem que sempre achei que todo bibliófilo é meio cleptomaníaco, rs. Olhei o relógio e vi que já estava no meu horário. Uma hora passou voando. A leitura desse livro foi quase que como uma conversa. Parei a leitura na página 31. O próximo capítulo é o “Herdando uma Biblioteca III”.

Este é o segundo livro de literatura que leio este mês. Acho este um bom sinal.

SANCHES NETO, Miguel. Herdando uma biblioteca. Rio de Janeiro: Record, 2004. 140 p.

Sobre ofender-se

(Originalmente publicado em 6 de outubro de 2011)

“Uma biblioteca verdadeiramente grandiosa sempre terá algo para ofender alguém”. A citação do título do post é de Jo Godwin, ex-editora do Wilson Library Bulletin. Lembrei que, há alguns meses atrás, apareceu um ateu muito indignado na minha timeline porque estavam querendo criar uma lei que obrigasse todas as bibliotecas a terem uma cópia da bíblia. De primeira, eu sinceramente não entendi a indignação. Não entendi a indignação dele porque: 1. Não me considero atéia (não compartilho os mesmos valores que ele); 2. Não acho que seja realmente necessário criar uma lei para assegurar algo que já poderia ser feito regularmente. Uma lei dessas não assegura hegemonia de catolicismo nenhum: já existem igrejas suficientes. Nenhuma biblioteca – que não seja especializada – vai pregar palavra de nada nem ninguém.

Sem falar que ninguém garante que só por ter uma bíblia disponível na biblioteca todas as pessoas imediatamente vão querer lê-la e serem religiosas, obedientes, católicas, etc. Da mesma forma que uma biblioteca por si só, por melhor, mais completa e moderna que seja, não cria leitores, críticos, cidadãos, etc. Uma bíblia na biblioteca é apenas mais um livro disponível na estante, não passa muito além disso. Mesmo. Imagino que se tratando de biblioteca pública, comunitária e talvez até mesmo universitária (centrais), todas deveriam ter todas as versões da Bíblia, bem como versões de livros considerados importantes para todas as outras religiões, judaísmo, islamismo, kardecismo, etc. A política deve ser: ou existem todos os livros religiosos já criados ou não deve existir nenhum.

O colega ateu se ofendeu com esta lei. A mim, ela não ofendeu em nenhum momento. Só a achei um tanto quanto ignorante e com um propósito vazio de sentido, mesmo. Como eu já disse, qualquer biblioteca que se preze tem várias edições e versões da bíblia. De qualquer modo, acharia insensato que essa lei se aplicasse à todas as bibliotecas, indiscriminadamente. Me é estranho que seja compulsório a uma biblioteca especializada em alguma religião que seja antagônica ao catolicismo/cristianismo ter uma versão da Bíblia. Enfim… Também acredito que bibliotecas realmente grandiosas sempre acabarão por ofender alguém.

E acho interessante conversarmos sobre o ato de ofender-se, um pouco. Pode ser um bom exercício. Pessoalmente comecei meu exercício assistindo esse stand up aqui:

Hello, it’s me again! Primeiro: achei o cara engraçado. Róla um charme natural com esse sotaque australiano. Ele faz a pergunta “o que há de errado em se ofender?”. Acho que não há nada de errado, mesmo. Da mesma forma que acredito que não há como evitar de se ofender com algo. Um conhecido meu me dizia que “Ofender-se é escolha do ofendido” e por muito tempo eu acreditei mesmo nisso. Mas pensando um pouco mais sobre o assunto, percebi que o fato de ofender-se pode tomar caminhos distintos.

“E daí? Ofenda-se, nada acontece. Você é adulto, cresça, lide com isso“. Enxergo uma certa ambiguidade neste pedido para que eu “lide com isso”. Lidar como? Se posicionando ou se resignando? Uma das formas de lidar com as coisas é se posicionando em relação a elas e de fato tentar abrir uma conversa sobre o assunto, chegar em um senso comum com a comunidade ou ao menos as pessoas com quem você convive. Nos resignamos quando algumas coisas são tão enraizadas, estruturadas e sistêmicas, que tentar conversar sobre elas ou até mesmo lutar para que mudem torna-se um desperdício de energia (e de vida). Lembrando que nem sempre resignação é o mesmo que acomodação. São várias as formas de se burlar um sistema que oprime.

Também acho que nesse standup o cara confunde ‘being offended‘, ofender-se – com todo o peso que isso carrega – com o que podem ser considerados meros ‘pet-peeves‘, ou ainda, pequenas implicâncias. Na boa? Se você se ofende com boy bands tenho más notícias: o implicante é você, amigo. Não esqueçamos também que, além de “pet peeves” e “being offended”, para algumas pessoas levemente mais destemperadas pode vir a existir a singela variável major psychotic fucking hatreds, algo como ódios imensos psicóticos pra caralho. Não é a toa que algumas pessoas saem por aí atirando em outras no highschool ou até mesmo no college ou até mesmo em lagos noruegueses, quem diria. Ou não né? Duvido que o George Carlin, mesmo estando puto, tenha sido agressivo alguma vez com um funcionário de aeroporto. Pelo menos não tenho notícia disso.

Prefiro o discurso contrário: hoje em dia, ninguém pode reclamar de nada, pois na primeira reclamação já é taxado de politicamente correto. Quando muitas vezes não é ser politicamente correto ou não que está em questão, mas simplesmente respeito, enxergar o outro, colocar-se no seu lugar entre outras coisas que fazem parte daquilo que chamam de humanismo, às vezes. Também não defendo sempre quem é politicamente correto pois alguns são tão assépticos em relação ao uso da linguagem e em relação às próprias vidas que me deprime um pouco. A vida é mais complexa que a linguagem.

Concordo com se ofender ser subjetivo, mas não acho que seja uma escolha propriamente dito.

Imagina se tivéssemos que evitar nos sentirmos ofendidos/as? Me parece que róla um certo tipo de cultivo de cinismo ao buscar evitar se ofender a todo custo. E acho bom que continuem se incomodando mesmo e que esse incômodo seja sempre explícito. É por ter tanta gente incomodada no mundo que surgem coisas como o Wikileaks, como os protestos no Egito e na Líbia, como os indignados da Espanha e como os 99% em Wall Street. Essa galera toda tá se sentindo muito ofendida. Bastante. Mesmo.

Certa vez um amigo meu me disse que viu um dia num muro de Porto Alegre uma pichação com uma frase pedófila e achou escroto. Por que? Porque ele tem uma filha pequena e isso é importante pra ele. Será que ele poderia simplesmente escolher “não se ofender”? Não sentir absolutamente nada? Como?

Teve uma época nos EUA – acho que anos 80 por aí – que algumas pessoas se ofendiam com pornografia. Pra mim, o puritanismo deles é que é bizarro, até hoje. Here’s what causes sexual thought: having a dick.

What are we gonna do? Ban public transportation?

Há uns dois anos uma miss EUA disse na caruda quando foi questionada, que de acordo com os valores que ela recebeu da família dela, pessoas do mesmo sexo não deveriam se casar porque isso, para ela, era simplesmente errado. E adivinhem, ela estava certa ao responder isso: é um valor dela. Um valor extremamente preconceituoso e que desconsidera pessoas que não sejam parte da realidade dela, mas enfim, you get the point. Vários gays que estavam na banca de jurados ficaram incrédulos, claro que se ofenderam com isso e ela mesmo sendo forte candidata à Miss EUA, não ganhou.

Enfim,… Não vejo isso terminando tão cedo, bem como não vejo ninguém deixando de se ofender tão cedo. Me parece meio ingênuo acreditar que “uuuuu algum dia todo mundo vai atingir a iluminação suprema e todos viverão democraticamente e em paz, sem ninguém se ofender com nada”.

Na boa? Esso non ecsiste. :D

E dificilmente existirá algum dia.

O tempo certo de ler certos livros…

(Publicado em 17 de julho de 2011)

Lembro que há muito tempo atrás (provavelmente 2003 ou 2004)  eu tive um professor que me recomendava livros pra ler. Naquela época eu já lia algumas coisas, mas nada parecido – nem de longe – com as coisas que ele me passava. Os livros deste professor (que era, aliás, é um misto de filósofo com jornalista e psicólogo) eram difíceis, a linguagem pesada, expressões que eu não conhecia e não sabia o que significavam. A complicação era tanta que eu ficava me sentindo muito burra e ficava desestimulada, apesar de achar que as leituras poderiam ser proveitosas e interessantes.

Um dia me vi obrigada a ser honesta, cheguei para o professor e disse sem muito constrangimento “desculpe mas esses livros que o senhor me recomenda não são pra mim, não consigo lê-los… talvez quando eu for mais velha eu os entenda, mas agora, pra mim, está muito difícil”. Falei isso do lado de um colega sabichão que riu da minha ignorância na minha cara (não liguei, estou acostumada). O professor não riu, me entendeu e disse “sim, cada pessoa tem seu tempo, só não se esqueça que esses livros existem” e depois explicou para o meu colega que o fato de eu ter reconhecido aquilo não era ruim, nem vergonhoso.

Não lembro que idade eu tinha na época mas quando minha mãe veio me dar A Pedra Filosofal do Harry Potter eu já estava quase na metade do Crime e Castigo do Dostoiévski. Li o primeiro capítulo do livro do Harry Potter e devolvi o livro pra minha mãe, dizendo pra ela dar pra alguma criança que ela conhecesse porque não gostei. “Mas todo mundo está lendo isso!”. Pois é mãe, eu não estou (minha mãe nunca soube me ler). Não terminei também o Crime e Castigo porque depois da metade do livro, aquele português que eu lia já tinha se tornado obviamente russo e a leitura estava lamacenta e pesada. Quem tinha febres e delírios de ler aquilo era eu. Enchi o saco e pensei “qualquer dia desses volto”. E nunca mais voltei, abandonei totalmente.

Me decepcionei com adaptações para filmes depois que li O Nome da Rosa e vi que o filme não passa nem um terço das emoções quando da leitura do livro. Apesar de que achei muito razoável e condizente a adaptação d’O Perfume do Patrick Suskind. Uma frustração secreta: nunca consegui ler O Senhor dos Anéis. E nunca conseguirei. Pois para ler a saga inteira é preciso muito mais do que mera persistência: é preciso uma devoção da qual simplesmente não disponho. Sofri do início ao fim lendo A Metamorfose. Todo mundo me falou que o Apanhador no Campo de Centeio era o livro mais lindo do mundo e eu apenas o achei um livro pobre e imbecil (a história é ridícula a única cena mais ou menos é a do tal do campo de centeio e só)  e fui apedrejada pra sempre por isso, mas tudo bem. Enfim… Sinto falta de literatura, ela é mais divertida do que a gente pode imaginar.

Mas como eu dizia antes, sempre achei isso de “cada um tem seu tempo” uma bobagem sem tamanho: era muito mais fácil (cômodo?) assumir que eu era ignorante e ficar por isso mesmo. Certo que existem textos ruins mesmo, mas só podemos fazer esse julgamento depois que conhecemos mais textos, mais referências, pra que uma comparação possa ser feita: as histórias nos envolvem de modos diferentes em diferentes contextos das nossas vidas. Hoje dependendo do caso eu entendo, com certa dificuldade até, que “não é a leitura que está chata, mas que talvez aquele não seja o momento” e às vezes não é o momento por uma série de motivos diferentes, não dá pra simplesmente se fazer uma lista disso. É bem difícil sacar isso…

Hoje reli um texto que tinha lido em março deste ano e tinha achado completamente bobo e meio infrutífero na época. “Não tem nada que eu quero aqui, que texto mais nada a ver!”. Na época eu queria uma resposta pronta, algo que eu pudesse usar naquele momento, que sanasse uma dúvida imediata que eu tinha, algo que me auxiliasse a entender aquele assunto imediatamente. Li, reli umas três vezes, “que texto mais raso, não vai direto ao ponto, não tem nada aqui” e o mimimi usual. Reli o texto hoje e o achei ótimo, muito esclarecedor e que me trouxe muitas outras referências interessantes que me podem ser úteis em algum outro momento. Não parecia o mesmo texto, mas… Vai ver sou eu quem mudei. Retrocedi? Melhorei? Não sei.

Mas parece que as coisas são assim mesmo, e às vezes demora até a gente entender e reconhecer que talvez as coisas não sejam bem assim como a gente quer e pensa. Me parece que se assumir ignorante e se dar por satisfeita com isso é quase tão cômodo (e nocivo) quanto ser uma ignorante arrogante.

O futuro do livro

Escrever sobre o futuro, pra quem não é visionário, é um desafio e tanto, eu diria. E os visionários são chamados assim (bem como também são chamados de hereges ou loucos) justamente por ousarem talvez enxergar o que ninguém mais enxerga ainda. Não é o meu caso. Também não sou muito imaginativa, mas posso tentar adivinhar o que vai acontecer, sempre com muita cautela, quase como uma inimiga do “progresso”.

Pensa-se no futuro do livro (ou o futuro do conteúdo)  desde que “a Internet é Internet” como a conhecemos, ou seja, faz uns 15 anos por aí. Manter o foco no objeto físico do livro é mais difícil hoje uma vez que cada vez mais tratamos de conteúdo de modo geral (música, filmes, seriados, notícias, etc). Estamos em uma época em que vivemos entre os mundos físico e digital, e isso tem causado grande impacto em todos os setores e em todas as estruturas que conhecíamos até então. Quem sempre editou e/ou produziu conteúdo físico sente-se muito ameaçado: editoras, autores, gravadoras, alguns artistas, etc. E agora, as bibliotecas – bem como as livrarias –  também estão se sentindo ameaçadas.

Naturalmente ninguém que seja bibliotecário irá pregar o fim dos livros, você pensaria. Afinal, este é “o único objeto de trabalho” deles e sem os livros “que utilidade haveria para um bibliotecário?” não é mesmo? Mas aí é que está: existem bibliotecários que se preocupam apenas com os livros (ou quaisquer que sejam os materiais do acervo). Outros que se preocupam apenas com as pessoas. E outros ainda que se preocupam um pouco mais com a tecnologia, em detrimento dos outros “objetos” de estudo. É possível que existam bibliotecários que estejam preocupados, em nível de igualdade, com todos esses “objetos” do nosso fazer. Mas a tendência é que cada um trabalhe com algum desses aspectos em específico com mais profundidade. Enfim… Entre o preto e o branco existe uma margem, bem ampla, dos vários tons de cinza.

Quem curte pregar o fim total e irrestrito dos livros são tecnocratas que acreditam que a tecnologia já substituiu absolutamente tudo o que é analógico. Notem bem: eles acreditam que a tecnologia JÁ substituiu e não que IRÁ substituir. O futuro, para eles, é agora.  Pessoalmente, acredito que pessoas com este perfil independem de área, mesmo por que na Ciência da Computação pode ser possível encontrar pessoas preocupadas com a ‘causa humana’, bem como na Biblioteconomia é possível encontrar tecnólogos frustrados – e ainda assim, tecnocratas! – que pregam que livro impresso é uma coisa inútil do passado que ninguém mais (que eles conhecem) usa. O que é curioso, pois aí a pessoa faz Biblioteconomia e diz que “odeia bibliotecas” e também prega o  fim dos livros, para o horror total das “tias da biblioteca”. Acredito que esse discurso, vindo da minha área, também deve parecer um tanto quanto contraditório para quem é ‘de fora’. Pois é.

Os tecnocratas defendem o que defendem – e como defendem! – pois esse é o mundo deles, o mundo ao qual eles tem acesso irrestrito e o mundo no qual eles acreditam ser o melhor, para todos indistintamente. Também acredito que a tecnologia pode viabilizar – e melhorar, transformar de verdade – uma série de coisas como tem feito de fato nos últimos anos (impossível ignorar isso). Mas mesmo fazendo uso das tecnologias e querendo aprender mais sobre, ainda tenho a cautela de acreditar que vivemos numa época de transição, em que aprendemos a conviver com esse hibridismo, entre o que é analógico e o que é digital. Não posso julgar se as tecnologias devem ser ignoradas ou endeusadas por que acho que não devemos viver ‘de extremos’, mas não posso ignorar o fato de que hoje, eu tenho uma miríade de escolhas desde livros com aquele cheiro que gostamos tanto, ou tablets e e-books, que me permitem acesso a uma porção de outras coisas, tudo ao mesmo tempo aqui e agora. Se a possibilidade existe, então por que não?

O digital não excluirá, de uma vez por todas, o impresso assim como

O rádio não destruiu o jornal, a televisão não matou o rádio e a Internet não extinguiu a TV. Em cada caso, o ambiente de informação se tornou mais rico e mais complexo. É essa a experiência por que passamos nesta fase crucial de transição para uma ecologia predominantemente digital. – Robert Darnton

Fico feliz por poder viver numa época em que eu posso escolher a qual mídia vou me apegar. Posso escolher não mais ver TV e também não ver seriados e só acompanhar blogs que falam de BBB por exemplo. Posso escolher colecionar vinis ou ter uma série de mp3 em diretórios bagunçados, sendo que algumas eu nunca ouço e nem sei o que são direito. Posso escolher decorar o lugar onde eu moro com estantes e ter um escritório próprio com vários livros organizados lindamente, ou posso jogar tudo fora pra ter mais espaço pra jogar Wii na sala e comprar um Kindle que caiba em cima da mesinha de cabeceira. Mas é sempre bom ter em mente que nenhuma coisa é melhor ou pior que a outra, nenhuma significa estritamente avanço ou retrocesso.. São apenas modos de vida diferentes, escolhas diferentes – quando tratamos de escolhas individuais, claro. Quando penso em uma biblioteca e no que ela pode oferecer, acredito que privar os leitores de qualquer uma dessas possibilidades, por hora, pode ser um tanto quanto equivocado, apenas isso.

E o “futuro apocalíptico” das bibliotecas já está aí. Para os tecnocratas isso é apenas “o futuro”, nada além disso. Ou ainda, para eles, deve ser um futuro que “demorou demais” a acontecer. E como os livros (entre outros materiais) acompanham as bibliotecas, já podemos imaginar que “o fim de tudo é mesmo inevitável!”.  O fechamento das bibliotecas públicas britânicas e americanas que aparecem vez e outra na timeline do Twitter não me deixa mentir. Já tem gente chorando as pitangas e tudo o mais. E é mesmo o fim de uma era por que afinal, sem os livros, sem as bibliotecas e sem os bibliotecários “estamos todos condenados mesmo!”. Claro que existem N outras questões pra serem discutidas quando destes “cortes de custos”, cortes estes tão profundos que atingem toda a identidade de uma comunidade de leitores, bem como também um recurso intangível (informação) que – sempre bom recordar – nem todas as pessoas tem condições de pagar.

Sobre a pergunta “o livro impresso vai acabar de fato?”, acho que não posso responder isso por um grupo – no caso, estudantes de biblioteconomia e bibliotecários. Para mim, pessoalmente, não irá acabar enquanto os leitores desse tipo de material existirem, simplesmente. Ou seja, tendo em vista que eu tenho XX anos, coloque mais uns 60 anos aí, talvez mais, tranquilamente, e aposto como os materiais impressos (livros, periódicos e obras de referência) ainda existirão. A questão da afetividade com as bibliotecas e com os livros ainda existe e também não pode ser ignorada. A questão do acesso a informação também conta: percebemos que a tecnologia ampliou o acesso de maneiras até então inimagináveis, e que a convergência das mídias já é um fato considerado cada vez mais natural (e desejado)… Mas e a qualidade com que o conteúdo está sendo acessado? Autodidatismo, sendo bem realista, não me parece ser um privilégio de todos e literacia da informação (o “aprender a aprender”) não me parece que fará parte do currículo escolar tão cedo.

Riggs, no post “Quem lê livros?” de acordo com uma pesquisa que encontrou do Grupo Jenkins, questiona se houve uma mudança no entretenimento popular ou se apenas os livros estejam menos interessantes do que costumavam ser antigamente, ou ainda, questiona se as pessoas estão de fato emburrecendo (o que não deixa de ser uma teoria). Talvez tudo isso esteja associado ao modelo de educação que ainda persiste até hoje, segundo Sir Ken Robinson. Em um comentário que também li hoje no post “Precisamos mesmo de bibliotecas?” (tema que confesso já estar cansada de ver pipocar na minha timeline no Twitter) um autor anônimo colocou o seguinte questionamento que achei interessante:

Vocês realmente acham que todo mundo vai conseguir comprar e-books? E se de repente todo mundo no mundo (alfabetizado ou não) tivesse um e-book e acesso ilimitado à e-books grátis, acham que isso seria o suficiente?

Então sim, acho que precisamos sim de nossas bibliotecas. Por que e-books, assim como livros impressos, são um meio e não a solução para todas as nossas necessidades de informação.

Neil Gaiman, além de lamentar o fechamento de várias bibliotecas, já falou que o que o preocupa não é o fim dos livros, mas o fim dos leitores. Fechar as bibliotecas por que elas gastam muito dinheiro é uma decisão administrativa e econômica que desconsidera totalmente as necessidades de uma comunidade que precisa deste tipo de apoio. Ok, sei que é batido, mas é isso mesmo: será que a única coisa que precisamos nessa vida mesmo é só de comida? Podemos sobreviver restritamente apenas com o que é básico? Sim, podemos. Mas seria isso mesmo desejável pra toda uma comunidade?

As bibliotecas nunca foram armazéns de livros. Embora continuem a fornecer livros no futuro, também funcionarão como sistema-nervoso da informação digitalizada – tanto em termos de vizinhança, quanto dos campi universitários. – Robert Darnton

Literatura não é apenas literatura, assim como livros não são apenas livros… E uma biblioteca (dependendo das pessoas que lá trabalham) não é apenas uma biblioteca. É difícil, para mim, acreditar que as bibliotecas e os livros estão morrendo e acabando, uma vez que a biblioteca da minha universidade nunca tem mesas disponíveis, nem espaço para estudo o suficientes. Por que será que ela está sempre cheia de gente, estudando, com livros, papéis, anotações, laptops, netbooks e celulares de mil tipos? Por que essas pessoas não estudam em casa? Se existe um ambiente que proporciona silêncio e acomodação, onde as pessoas se sintam confortáveis para estudar, planejar trabalhos, tomar café ou dormir no puffe, por que esse ambiente deveria deixar de existir? O que existe nesse ambiente e atrai as pessoas, que não existe em nenhum outro lugar?

Alguém ousa imaginar o conceito de uma biblioteca feita apenas de pessoas ao invés de simplesmente só livros? Em um conceito de ‘centro de cultura e informação’ totalmente livres e independentes de organização e de suportes físicos de informação? Imaginar é uma tarefa difícil e conciliar a imaginação com a viabilização, mais difícil ainda. Mas isso a gente deixa para os visionários. Enquanto isso, continuaremos questionando e tentando nos adaptar a todas as mudanças, na medida do possível.

Texto publicado originalmente em 04/05/2011 no site InterrogAção.

Um livro por dia, de Jeremy Mercer

um-livro-por-diaÉ difícil acreditar que uma história como a que foi contada por Jeremy Mercer realmente tenha acontecido. Seria muito mais fácil pra nós leitores acreditarmos que é uma obra de “ficção”, mas é incrívelmente mais fascinante acreditar que é uma obra “baseada em fatos reais”. Clichê, porém verdade. É um tanto quanto surreal acreditar que uma loja como a Shakespeare & Company realmente exista e tenha se mantido na ativa por tanto tempo num ambiente capitalista. Mas se levarmos em conta que o “ambiente capitalista” é a capital mundial intelectual que é Paris, na França, tudo começa a ser um pouco mais compreensível.

Pessoalmente acredito que Mercer não precisaria ter ido tão longe pra se desvencilhar dos apuros em que se meteu. Poderia ir pro interior dos Estados Unidos, ou pros recônditos mais gélidos do Canadá mesmo. Até agora me pergunto “Por que tão longe? Por que Paris?”. No livro não existe essa resposta e talvez ela não exista nem mesmo na cabeça do autor. Fato é que o jornalista resolveu refugiar-se no velho mundo, com pouco dinheiro, sem muitos recursos e sem conhecidos. Uma aventura e tanto pra um branco, de classe média, de país desenvolvido. Em seu livro, Mercer não só descreve a história da loja, como também de seu proprietário, George Whitman, um homem com uma história de vida extraordinária.

Falar dele sem falar da Shakespeare & Company (e vice versa) não faria sentido algum. Whitman pode com toda a certeza ser considerado um bibliófilo, no melhor estilo marxista-comunista. As frases que George mais costumava dizer (pois parecem ser as mais repetidas ao longo do livro) são “Não seja um mau anfitrião para os estranhos, pois eles podem ser anjos disfarçados” e “Dê o que puder, pegue o que precisar”. Para Mercer parecia loucura a forma com que George acreditava não só em sua ideologia, mas também na bondade inerente das pessoas. Sua livraria oferecia não apenas chás, sopa e pão, como também era um teto para escritores em hiatos criativos ou sem lugar pra ficar em Paris e turistas curiosos e afeitos ao glamour e às lendas e mitos que corriam sobre a loja, como a de George ser filho do Walt Whitman e sobre Shakespeare já ter morado lá. E George geralmente dizia às pessoas que essas coisas eram verdade por que “as pessoas ficam felizes com isso”, segundo ele.

Ao contar a história da loja, que foi aberta em 1951, o autor lembrou de frequentadores bastante famosos tais como Henry Miller, Anaïs Nin e mais tarde a turma dos beatnicks ou beats, contando com Jack Kerouack e Allen Ginsberg. Ele também citou que a Shakespeare & Company acobertou estudantes das manifestações de maio de 68, tais como foram retratados em filmes como “Os Sonhadores” de Bertolucci. Mesmo em se tratando de uma utopia socialista, a livraria não fugia às pressões de um mundo capitalista e ainda assim existia uma pequena hierarquia social lá dentro, um tipo de “política social” bastante restrita aos residentes apenas. Whitman tinha o dom anarquista de colocar as pessoas em situações desconfortáveis apenas para ver o que poderia acontecer, bem como quando pediu a Jeremy para mandar Simon embora do antiquário. Simon era um poeta com uma idade avançada, ex-alcoólatra, mas ainda assim usuário de codeína e haxixe. Além de Simon, Mercer conviveu e relatou os perfis de cada um dos vários residentes tais como Kurt, Ablimit, Eva e Elina, moça por quem acabou se apaixonando.

De qualquer forma, é possível afirmar que o autor demorou bastante a entender o “espírito” da loja, seu funcionamento e de como funcionava também a mente de Whitman. Quando foi pedir lugar pra ficar por lá, a primeira coisa que George o dissera foi “Se você realmente fosse um escritor, nem teria pedido pra ficar, simplesmente ficaria”. Querendo ou não, o autor ainda tinha concepções muito enraizadas de sua criação num país capitalista e desenvolvido. Às vezes ele reclamava dizendo “senti-me um membro que contribuía para a equipe e só lamentava que George não tivesse me visto dando duro”, sendo que, mesmo que o visse, ele não se importaria de qualquer forma. O senhor Whitman não era um homem de “trocas”, nem de “favores”. Esse não é, nunca foi, seu foco. Ele é um homem livre e acredita que as pessoas que o cercam também são livres. Whitman era um libertário no sentido mais amplo e extremo imaginável, o que sempre foi um tanto quanto inconcebível pra Mercer.

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“George tinha descoberto que o dinheiro era o maior senhor de escravos, e ao reduzir sua dependência dele as pessoas eram capazes de afrouxar a pressão de um mundo sufocante” aprendeu o autor ao final do livro. Na verdade aprendeu muito mais que isso quando entendeu para si mesmo que “Eu acordava vendo um estranho se vestindo na minha frente e aprendera a não pensar nada sobre isso. Voltava para a livraria depois de um café no Panis e descobria um novo corpo babando no meu travesseiro, e limitava-me a oferecer a ele outro cobertor”. Mercer tornou-se alguém menos preocupado com os alardes da vida moderna e tornou-se uma pessoa espiritualmente mais generosa, independente da concepção política que a loja e seu dono carregavam. Em dias de “Aldeia global”, onde um individualismo exacerbado e padronizado é a base de todas as coisas, perceber que “quanto mais forte a comunidade, mais forte o indivíduo” é pra poucas pessoas tem a coragem e esperança de acreditar num futuro melhor.

Finalizando, uma das partes mais emocionantes do livro foi o reencontro de George com sua filha, Sylvia. Só a partir do momento em que Mercer se prontifica a procurar pela filha de George é que é possível entender a importância do autor na vida da Shakespeare & Company. É impressionante perceber que o nome do livro em português “Um livro por dia” faz todo o sentido por que, mesmo que o autor não tenha de fato lido um livro por dia na Shakespeare & Company, cada dia em que ele viveu por lá ele tinha uma história diferente pra contar. E essas histórias eram mundos de pessoas diferentes e dentro de cada mundo desses era perfeitamente possível conceber um livro, caso fosse humanamente possível. E isso faz mais sentido ainda ao notarmos que ao final do livro o autor refere-se ainda, talvez sem saber, a Umberto Eco, ao dizer que “a vida é uma obra aberta”. A vida é de fato uma obra aberta, pois até a morte ela é contínua: os personagens mudam interna e externamente, os cenários e as concepções de vida se modificam como dunas. Mas a história é marcada, etérea e eterna.

Confira também a excelente matéria do Portal Literal sobre a Shakespeare and Company, por Tathiana Magalhães e Bruno Dorigatti. Nessa matéria é possível ver várias fotos da livraria.

MERCER, Jeremy. Um livro por dia: minha temporada parisiense. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2007. 320 p.

(Resenha publicada originalmente em 16 de abril de 2008.)

Por que revisão, edição e editoração são importantes?

(Texto publicado originalmente em janeiro de 2012)

Esses dias li um livro que era uma produção caseira. Gostei do livro, de verdade. Pode ser considerado uma biografia, mas é também profundamente histórico. No entanto, ficou bem evidente que o livro foi feito meio às pressas, pois talvez fosse o desejo do autor publicá-lo antes que 2011 terminasse. Ainda assim, acredito mesmo que a pressa é inimiga da perfeição e todo o registro ou publicação, por mais simples ou caseiro que seja, tem de ser minimamente bem feito. Às vezes o modo que um livro está organizado pode influenciar na forma que as pessoas vão ter acesso à informação que está contida nos textos.

“Sim Dora, mas às vezes não é pressa, é improviso”. É claro que entendo que, para alguns autores, o propósito é que seja tosco e mal-feito mesmo se formos pensar por exemplo, nas produções/gravações feitas por bandas tradicionais de black metal (Burzum, Darkthrone, etc.), em que os fãs do gênero consideram “as melhores” gravações as mais toscamente mal-feitas. Ok, talvez esse tenha sido um exemplo meio ruim, pois não me aventuro a pisar nesse terreno de comparar obras de arte (que são livres, abertas à interpretações, etc.) com um suporte como o livro. Talvez seja um pouco mais adequado fazer a comparação com zines, por exemplo.

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Zines são publicações periódicas que eram bastante populares pelos idos dos anos 90 e antes disso também. Os editores custeavam as publicações do próprio bolso pelo simples prazer de compartilhar e divulgar: bandas, artistas, quadrinhistas, desenhistas, HQs, etc. Às vezes faziam resenhas de discos, livros, etc. Sempre tem um apocalíptico pra dizer que “a Internet matou os zines e matou os correios”, mas eu acredito que as coisas simplesmente se transformaram e mudaram de suporte: do papel (que custava 1,50 ou 3 pra envio, com selos, etc.) para o digital (que não custa nada, pra ninguém). E até hoje não conheci um zineiro que quis lucrar com zines – este nunca me pareceu ser o propósito de sua criação, em primeiro lugar. Eu ainda adoro zines, mas faz tempo que não leio nenhum, infelizmente. E sou saudosa do tempo que os recebia pelo correio. Talvez eu deva começar a buscar mais por eles este ano.

Embora os zines sejam reconhecidamente publicações informativas, mas principalmente artísticas e feitos sempre com amor (ou seja, pouquíssimos recursos), pessoalmente nunca encontrei um que fosse mal-feito ou difícil de ler, complicado de entender. É… Me parece ser bem mais fácil comparar um periódico caseiro com um livro caseiro. Os zines podem ser feitos no improviso e ainda assim, serem compreendidos e até mesmo celebrados por toda uma comunidade. Acredito que nem sempre o improviso – e arrisco dizer, até mesmo a pressa – possa ter ligação com má qualidade. Às vezes, sim, mas isso não é uma regra. E alguns zines que já tive a oportunidade de ler considerei como verdadeiras obras de arte. Era algo que me fazia ter vontade de colecionar.

Mas peguei esse exemplo apenas pra ilustrar: não acho que a pressa nem o improviso justifiquem que um livro, mesmo caseiro, seja mal organizado. O que mais dói o coração é que o conteúdo do livro que li é mesmo incrível… Mas não havia nem mesmo um sumário, nada, então pra mim, lê-lo foi uma experiência completamente desestimulante. Me senti perdida várias vezes. Em um livro que abordava muito aspectos históricos, não havia ordem cronológica alguma. Entendo que talvez pro autor isso possa não importar, mas veja bem, não se tratava de uma obra de literatura, mas sobre fatos históricos. Confesso que é complicado ler um texto que vai e volta do passado pro presente e pro passado de novo, etc. Acho que uma boa revisão e melhor estruturação mesmo do conteúdo bastaria.

Estou bem certa que a razão de ser deste livro não era artística, mas histórica, de registro e informativa mesmo. A crítica que compreendo quando da leitura, não é por questão de eu fazer uma exigência de normalização rígida, de ter ficha catalógrafica, catalogação na fonte, nada disso… Mas a de simplesmente querer uma leitura que seja minimamente prazerosa e fluente. Eu quero querer ler o livro e eu realmente queria poder ter gostado mais dele. Não quero me contentar com o conteúdo, apenas. Conteúdo por conteúdo eu poderia trocar muito facilmente aquele livro por outro mais interessante que estivesse lendo na mesma época. Mas me peguei tendo que ser persistente em uma leitura difícil e que me confundia o tempo todo.

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Sério gente não dá.

No final do livro o autor declara então que sua intenção “nunca foi a de escrever um livro” e acho que essa frase por si só explica muita coisa. Foi aí que comecei a pensar na relação entre o pretensioso e o mal-feito. “Nunca tive a pretensão de escrever um livro”, mas veja só: você escreveu. E ele é real e existe (mesmo que seja num Kindle, meu amigo). E outras pessoas irão lê-lo e farão comentários sobre ele. Isso me lembra dos comentários pejorativos sobre alguns filmes cult que gosto: “esse filme é um lixo pretensioso”. Sim, concordo que é uma escolha difícil. O que você costuma escolher: o lixo pretensioso, bonitinho mas ordinário ou o conteúdo interessante, mas mal organizado e mal-feito? Ou pior ainda: o meio termo? O lugar comum?

A diferença é que com o lixo pretensioso, a primeira impressão é a que fica (“que filme incrível!”), apesar de, talvez meses depois, chegarmos à essa conclusão: “é, era de fato um lixo pretensioso”. Mas até chegarmos aí, o produto já foi consumido e demoramos, mas captamos a mensagem (ou a total ausência dela, enfim). Ou seja, nos foi permitido, em algum nível, ter acesso ao que foi feito. Com o conteúdo interessante mas mal-feito, o desinteresse ocorre antes que a gente tenha empatia pelo produto e às vezes a mensagem nem mesmo se completa – ou se completa pela metade. Ou seja, o acesso à informação (à cultura, ao entretenimento, etc.) fica severamente comprometido e não nos é permitido nem mesmo uma crítica ou qualquer tipo de pensamento ou discussão à posteriori… Porque simplesmente nos desinteressamos antes de qualquer coisa.

O que será que há mesmo de tão pejorativo em ser pretensioso? Porque admite-se cada vez menos “eu fiz isso e achei bom ter feito, gostei do que fiz”? Qual é o problema, aparentemente inaceitável, em receber críticas? Livrar-se da responsabilidade por ter criado/escrito/pintado/tocado algo dizendo que “não foi sua intenção” não impede que as pessoas te critiquem e achem o que você fez ruim assim mesmo. Ou seja: não há como vencer. “Fulano é tão pretensioso!”. Antes um pretensioso que seja ruim, do que um tipo fino de covardia disfarçado de ‘humildade’ (ou até mesmo de ‘revolta’), que na verdade, não passa mesmo da boa e velha bundamolice. Dica: se você irá fazer uma produção, registro, o que for, mesmo que seja caseiro, aposte em ser pretensioso.

Algo me diz que ser pretensioso vale mais a pena do que não ser coisa alguma.

Curadores de conteúdo estão se tornando mais importantes que criadores de conteúdo?

por Joe Wilkert, da Olive Software

Tenho certeza que a maioria de vocês se arrepiam com o pensamento de curadores serem mais valiosos do que criadores. Afinal, o último não teria emprego se não fosse o primeiro. Concordo, mas não é como se as pessoas que criassem conteúdo estivessem desaparecendo. Na verdade, esse número de pessoas só cresce a cada mês e é isso o que está influenciando positivamente a valorização da curadoria.

Independente das suas preferências e interesses simplesmente existe muito conteúdo pra ler. Sejam livros, revistas, jornais, blogs, sites, newsletters, etc., cada ano se torna mais difícil acompanhar tudo. Confrontados com esse fluxo contínuo de conteúdo, todos nós precisaríamos de alguma ajuda na determinação de quais elementos valem a pena a leitura e quais são perda de tempo.

Separando as coisas boas das ruins, claro, onde a curadoria entra nisso. Minha revista favorida, The Week, mostra apenas o quão poderosa e útil a curadoria pode ser: cada semana seus editores selecionam as melhores e mais recentes notícias, apresentando ambos os lados de cada história e poupando os leitores de inumeráveis horas com sua cobertura resumida. Inicialmente o Flipboard fazia a curadoria do conteúdo e então eles expandiram sua plataforma e agora qualquer um pode criar uma revista Flipboard. Esta é a minha, por exemplo.

Apesar de seu sucesso, o Flipboard ilustra o fato de que a curadoria ainda tem muito caminho a percorrer na sua evolução. Digo isso porque a relação sinal-ruído do Flipboard e das revistas do Flipboard está ficando cada vez pior. Toda semana encontro menos histórias novas e interessantes do Flipboard pra ler e compartilhar para que outros descubram.

Então onde essa valorosa curadoria e consumo têm lugar no futuro? Hoje está espalhado pela web mas eu prefiro ter tudo unificado em um único stream conveniente.

A plataforma Evernote tem o potencial de se tornar um simples anotador para um serviço mais poderoso de curadoria de conteúdo, consumo e compartilhamento. Parei de usar o Instapaper porque é muito fácil clipar, anotar e guardar sites no Evernote. Também estou fazendo clipping de páginas de revistas pela minha assinatura Next Issue e colocando esses no Evernote. Pra resumir, Evernote faz com que seja fácil e conveniente a curadoria de conteúdo de uma variedade de fontes e encaixá-las todas juntas.

Aqui está a questão espinhosa que provavelmente terá que ser respondida em breve: em algum ponto, um serviço como o Evernote vai oferecer uma opção para comprar acesso à curadoria de outras pessoas? Em outras palavras, posso cobrar por acesso às minhas coleções de curadoria do Evernote, incluindo todo o conteúdo aos quais não possuo os direitos de redistribuir?

Este é mais um exemplo do Dilema do Inovador: editores tradicionais irão agressivamente lutar para prevenir isso enquanto outros que pensam mais à frente irão encontrar um modo de participar do fluxo de receitas que isso representa. E esse fluxo de receitas, aliás, será um onde os curadores são altamente valorizados e, em algum caso, se tornam a marca chave.

O Leitor do Futuro

Hoje, no Centro Itaú Cultural logo mais às 17h30 vai acontecer a palestra “O Leitor do Futuro” com Lisette Lagnado e mediação de Fernando Oliva. A palestra faz parte do Simpósio Internacional Emoção Art.ficial 6.0. O simpósio ocorre do dia 31/05 ao dia 02/06, mas a exposição fica no Itaú Cultural até dia 29 de julho. Peguei estas informações do site Catraca Livre. Sinopse da palestra de hoje:

“É possível conquistar uma qualidade literária sem redigir um livro, mas, por exemplo, levando o visitante a fazer um percurso no parque? Para discutir as questão, será analisada a obra de Dominique Gonzalez-Foerster e sua afinidade com a ficção científica, presentes tanto na literatura de Adolfo Bioy Casares, Roberto Bolaño e Enrique Vila-Matas como no cinema de Jean-Luc Godard e Andrei Tarkovski.”

O evento é gratuito e não sei se oferecem certificados.

Depois atualizo este post.

As bibliotecas do futuro e 17 formas de como a informação substituirá os livros

por Thomas Frey

Pergunta: Uma vez que os livros físicos estão desaparecendo e os computadores e dispositivos inteligentes tomam seu lugar, em que ponto uma biblioteca para de ser uma biblioteca e começa a se tornar outra coisa?

Em algum lugar no meio desta questão reside um medo persistente e uma ansiedade que vemos transbordar para o topo entre pessoa que se relacionam com a biblioteca.

Pessoas que acham que bibliotecas irão sumir simplesmente porque livros estão se tornando digitais estão perdendo as verdadeiras mudanças tectônicas que ocorrem no mundo da informação.

Bibliotecas não têm a ver com livros. Na verdade, nunca foram sobre livros.

As bibliotecas existem para nos dar acesso à informação. Até recentemente, os livros eram o modo mais eficiente de transferir informação de uma pessoa para outra. Hoje existem 17 formas básicas de informação que estão tomando o lugar dos livros e no futuro existirão muitas mais…

Mapas de posto de gasolina

Quando criança, eu era apaixonado pelos mapas de graça que eu podia pegar nos postos de gasolina. Ao longo do tempo eu colecionei mapas de quase todos os estados e de algumas províncias canadenses.

Junto com os primeiros dias do automóvel e um sistema rodoviário geralmente confuso surgiu a necessidade por mapas. Companhias de gasolina rapidamente perceberam que as pessoas que sabiam onde estavam indo geralmente viajavam mais, e consequentemente compravam mais gasolina.

Ao longo do tempo, qualquer um que dirigisse um carro logo esperava por mapas grátis onde quer que parassem pra abastecer, e companhias como Rand McNally, H.M. Gousha e General Drafting fizeram milhares destes mapas para ir ao encontro da demanda.

No início dos anos 70, quando eu estava recém aprendendo sobre a liberdade de ter um carro, eu não poderia imaginar uma época em que esses mapas não fossem uma parte integral da minha vida.

Hoje, como os GPS e smartphones nos dão instruções passo a passo para onde devemos ir, mapas rodoviários impressos existem como pouco mais que itens de coleção para pessoas que gostam de preservar suas memórias de uma era que já se foi.

Será que os livros impressos também passarão por um decrescimento de popularidade similar?

Nosso relacionamento com a informação está mudando

Como a forma e o sistema de entrega para o acesso à informação muda, nosso relacionamento com a informação também começa a se transformar.

Se tratarmos isso como outro tipo de relacionamento, podemos começar a ver de onde viemos e para onde vamos.

Foi-se a época em que simplesmente “flertávamos” com nossos dados, ocasionalmente olhávamos pra eles, esperando que eles prestassem mais atenção em nós.

Na escola tínhamos um relacionamento mais do tipo “namoro”, arrastávamos livros por aí, esperando que eles nos transmitissem seu conhecimento mesmo que as partes que lêssemos fossem poucas e distantes uma das outras. Bem como namorar alguém popular, nos tornávamos conhecidos pelos livros que carregávamos debaixo de nossos braços.

Quando começávamos a trabalhar, nos tornávamos “casados” com um universo relativamente pequeno de informação que envolvia nosso trabalho, companhia e indústria. As pessoas que se tornavam imersas em seu universo particular se tornaram reconhecidas como especialistas e foram rapidamente para o topo.

Hoje estamos começando a ter “casos” com outras formas exóticas de informação tais como redes sociais e conversa por vídeo. Todos estes novos modos de informação parecem muito mais vivos e vibrantes do que o mundo do livro com o qual fomos casados até o século passado.

Sozinhos, em alguma estante empoeirada, estão os livros com quem algum dia fomos casados. Em algum nível, muitos de nós nos sentimos como traidores por abandonarmos nosso passado, nunca chegando perto de um divórcio que nos deixou com lealdades misturadas  nos assombrando tanto em nível consciente como inconsciente.

Se você acha que esta é uma analogia maluca, muitos irão argumentar que não. Se qualquer coisa, a informação é o coração e a alma de nosso eu emocional. Mesmo que não possamos senti-la nos tocando como um dedo pressionando nosso braço, uma grande obra de literatura tem algum modo de acariciar nossa mente, jogar fogo em nossa raiva interior, enviar arrepios pela nossa coluna e nos dar uma sensação eufórica enquanto acompanhamos nosso herói alcançar uma conclusão climática.

Livros do passado continuam a manifestação física deste tipo de experiência e sem sua presença uma parte de nós sente-se perdida.

Substituindo Livros

A transição para outros modos de informação tem acontecido há décadas. Uma vez que formos capazes de superarmos a conexão emotiva que temos com os livros físicos, começaremos a ver como o mundo de informação está de subdividindo em dúzias de diferentes categorias.

Abaixo segue uma lista de 17 categorias primárias de informação que as pessoas utilizam no dia a dia. Enquanto elas não são substitutos diretos para livros físicos, eles todos tem uma forma de conseguir nossa confiança. Podem existir mais categorias que eu tenha esquecido, mas enquanto você pensa sobre os seguintes canais de mídia, você começa a entender como as bibliotecas do futuro precisarão funcionar:

  1. Jogos – 135 milhões de americanos jogam vídeo games por uma hora a cada mês. Nos Estados Unidos 190 milhões de casas usarão um console de vídeo game da próxima geração em 2012, dos quais 148 milhões estarão conectados à Internet. O jogador mediano tem 35 anos e eles têm jogado games por uma média de 13 anos.
  2. Livros Digitais – Em janeiro, o USA Today reportou uma “onda” de e-books pós-férias, com 32 dos 50 títulos principais em sua mais recente lista vendendo mais cópias em formatos digitais do que impresso. E-books autopublicados agora representam 20-27% da venda dos livros digitais.
  3. Livros de Áudio – Livros de Áudio é o setor que cresce mais rápido na indústria de publicações. Atualmente há uma escassez de livros de áudio no mundo todo enquanto os publicadores correm para atender a demanda. Apenas 0.75% (nem mesmo 1%) do catálogo de livros da Amazon têm até então sido convertido para áudio. Ano passado mais do que U$1 milhão de dólares em livros de áudio foram vendidos apenas nos Estados Unidos. Mais de 5 mil bibliotecas públicas agora oferecem livros de áudio para download.
  4. Jornais – A leitura online de jornais continua crescente, atraindo mais de 113 milhões de leitores em janeiro de 2012. As receitas da indústria de publicidade, no entanto, continuam a cair e estão agora no mesmo nível que estavam nos anos 50, quando ajustadas para inflação.
  5. Revistas – A indústria de revistas norte americana é composta de 5,146 negócios publicando um total de 38 mil títulos. O total de tempo gasto lendo jornais ou revistas é de mais ou menos 3.9 horas por semana. Quase metade de todo o consumo de uma revista se dá com a televisão ligada. A indústria de revistas teve um declínio de 3.5% no ano passado.
  6. Música – De acordo com o “Relatório da Indústria da Música de 2011” da Billboard, consumidores compraram 1.27 bilhões de faixas digitais ano passado, o que contabilizou por 50.3% de todas as vendas de música. As vendas de faixas digitais aumentaram 8.5% em 2011. Enquanto isso, vendas físicas declinaram 5%. De acordo com a Apple, existe uma estimativa de 38 milhões de canções no universo de música conhecido.
  7. Fotografias – Mais de 250 milhões de fotos são postadas no Facebook todos os dias.
  8. Vídeos – A Cisco estima que mais de 90% de todo o conteúdo da Internet será vídeo por 2015. Mais de cem mil anos de vídeos no Youtube são vistos no Facebook a cada ano. Mais de 350 milhões de vídeos no YouTube são compartilhados no Twitter todos os dias. O Netflix transmite 2 bilhões de vídeo por trimestre.
  9. Televisão – De acordo com o A. C. Nielsen Co.,  o americano médio assiste mais de 4 horas de T V cada dia, e tem 2.2 televisões. Uma estimativa de 41% de nossa informação atual vem da televisão.
  10. Filmes – Existem atualmente 39.500 telas de cinema nos Estados Unidos com mais de 4.500 delas convertidas para 3D. O americano médio assiste 6 filmes por ano. Entretanto, quase um terço dos lares norte-americanos usa a Internet de banda larga para assistir filmes em seus aparelhos de TV, de acordo com a Park Associates. Este número está crescendo, com 4% dos lares americanos comprando uma mídia receptora de vídeo tais como a Apple TV e Roku, na temporada de férias de 2011.
  11. Rádio – Assinantes de rádios de satélite, atualmente em 20 milhões, são projetados para alcançar 35 milhões em 2020. Ao mesmo tempo, o rádio na Internet é projetado para alcançar 196 milhões de ouvintes até 2020. Estes combinados ficarão igual ao número de ouvintes terrestres de rádio.
  12. Blogs – Existem atualmente mais de 70 milhões de blogs no WordPress e 39 milhões de blogs do Tumblr no mundo todo.
  13. Podcasts – De acordo com a Edison Research, uma estimativa de 70 milhões de americanos já ouviram a um podcast. A audiência de ouvintes de podcasts migrou de serem predominantemente “early-adopters” para se tornarem mais parecidas com consumidores de mídia mainstream.
  14. Aplicativos – Existem hoje 1.2 milhões de aplicativos para Smartphone com mais de 35 bilhões de downloads. Em algum momento este ano o número de aplicativos irá superar o número de livros impressos – 3.2 milhões.
  15. Apresentações – Liderando nesta área, o SlideShare é a maior comunidade do mundo para compartilhamento de apresentações. Com 60 milhões de visitantes mensais e 130 milhões de visualizações de páginas, está entre dos 200 websites mais visitados no mundo.
  16. Courseware – O movimento OpenCourseware tem pegado fogo com a Apple na liderança. O iTunesU atualmente tem mais de mil universidades participando de 26 países. A seleção de aulas, agora superando a marca de 500 mil, tem tido mais de 700 milhões de downloads. Eles recentemente anunciaram que estão expandindo para o mercado K-12.
  17. Redes Sociais – Seja o LinkedIn, Facebook, Twitter, Google+ ou Pinterest, as pessoas estão se tornando cada vez mais confiantes  em suas redes pessoais para informação. Existem agora mais de 2.8 bilhões de perfis de redes sociais, representando cerca de metade de todos os usuários de Internet no mundo todo. LinkedIn tem agora mais de 147 milhões de membros. Facebook tem mais de 1.1 bilhão de membros e contabiliza 20% das visualizações de páginas na Internet.  O Google+ atualmente tem mais de 90 milhões de usuários.

Cada uma destes modos de informação tem seu lugar nas bibliotecas do futuro. O fato de os livros físicos desaparecerem ou não tem pouca relevância no esquema geral das operações da biblioteca do futuro.

Steve Jobs apresentando o iCloud

A era próxima da biblioteca na nuvem

Em junho de 2011, Steve Jobs fez sua última aparição pública em uma conferência de desenvolvedores de software para divulgar o iCloud; um serviço que muitos acreditam que se tornará o seu maior legado.

Como Jobs imaginou, todo o universo de músicas, livros, filmes e uma variedade de outros produtos de informação residiriam no iCloud e poderiam ser “puxados” quando alguém precisasse de acesso a eles.

As pessoas inicialmente comprariam o produto através do iTunes e a Apple manteria uma cópia dele no iCloud. Então cada compra subsequente por outros usuários da Apple seria um rápido download diretamente do iCloud.

 Indiferente ao fato de o universo da informação se desenvolver na nuvem como Jobs imaginou, cada biblioteca precisará desenvolver a sua própria estratégia na nuvem para o futuro.

Como um exemplo, em um recente evento de biblioteca no qual eu estava palestrando, uma bibliotecária mencionou que tinha acabado de encomendar 50 Kindles e 50 Nooks para sua biblioteca. Na época, ela lidava com as restrições dos publicadores que apenas permitiam que eles carregassem cada livro digital em 10 dispositivos. Então quais dispositivos ficam com o conteúdo no final?

Ao longo do tempo, é fácil imaginar uma biblio teca com 350 Kindles, 400 iPads, 250 Nooks, 150 Xooms e uma variedade de outros dispositivos. Controlar qual conteúdo será carregado em cada dispositivo se tornará um pesadelo logístico. Entretanto, ter cada pedaço de conteúdo digital carregado na nuvem e restringi-lo a 10 downloads simultâneos será mais fácil de administrar.

Esta foto poderia ter sido preservada pela sua biblioteca na nuvem.

O valor do arquivo comunitário

Como era sua comunidade em 1950, ou em se tratando disso, em 1850 ou até mesmo em 1650? Que papel a sua comunidade desempenhou durante a Guerra Civil? O quão ativa ela foi durante as eleições presidenciais de 1960? Como os locais reagiram ao bombardeio de Pearl Harbor?

Nós temos acesso à vários livros de história que nos oferecem a “história oficial” de todos os principais eventos ao longo da história. Mas compreender a intersecção de nossa cidade, nossa vila, ou nossa comunidade com esses eventos marcantes nunca, na maior parte das vezes, foi capturado ou preservado. No futuro, isso se tornará uma das funções mais valorosas fornecidas pela biblioteca comunitária.

As bibliotecas sempre tiveram um mandato para arquivar os registros de sua área de serviço, mas raramente isso foi buscado com mais do que um entusiasmo passageiro. Arquivos dos encontros do conselho da cidade e livros de histórias locais fizeram o corte, mas poucos consideraram a biblioteca como um bom arquivo de vídeos ou fotografia.

Ao longo do tempo, vários dos jornais, rádio e estações de televisão começarão a desaparecer.  Uma vez que estes negócios perdem sua viabilidade, seus depósitos de vídeos de transmissões históricas e documentos precisarão ser preservados. Mais especificamente, cada transmissão de rádio, jornal e televisão precisarão ser digitalizados e arquivados.

Com o advento do iCloud e outros serviços similares as bibliotecas vão querer expandir sua hospedagem de coleções originais e instalar o equipamento para digitalizar a informação. A venda desta informação para o mundo externo através de um serviço do tipo iTunes se tornaria uma fonte de renda valorosa para bibliotecas no futuro.

Pensamentos finais

As bibliotecas, assim como qualquer organismo vivo, terão que se adaptar à natureza complexa e em constante mudança do mundo da informação. Como a informação se torna cada vez mais sofisticada e complexa, as bibliotecas também se tornarão.

Bibliotecas estão aqui pra ficar porque elas tem instinto de sobrevivência. Elas criaram uma relação mutuamente dependente com as comunidades as quais servem, e mais importantemente, elas sabem como se adaptar  ao mundo em mudança em volta delas.

Estou sempre impressionado com as coisas criativas sendo feitas em bibliotecas. Como Eleanor Roosevelt disse uma vez, “O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos”. Existem muitos sonhos bonitos acontecendo que ajudarão a criar as bibliotecas de amanhã.

Resenha – Ciência da Informação e Filosofia da Linguagem, por Luciana Gracioso e Gustavo Saldanha

GRACIOSO, Luciana de Souza; SALDANHA, Gustavo Silva. Ciência da Informação e Filosofia da Linguagem: da pragmática informacional à web pragmática. Araraquara: Junqueira&Marin, 2011. 160 p.

A obra Ciência da Informação e Filosofia da Linguagem: da pragmática informacional à web pragmática, é uma tentativa de mesclar pensamentos da área de CI com a disciplina de Filosofia, propondo diálogos entre estes estudos. Voltado especificamente para quem tem interesse na área de Filosofia dentro da Ciência da Informação, pode ser considerada uma obra acadêmica e com um certo nível de dificuldade na leitura, uma vez que o tema tratado é muito especializado.

São utilizadas – e brevemente elucidadas – expressões e conceitos wittgensteinianos como semelhanças de família, regras, gramática, forma de vida, jogos de linguagem, enfeitiçamento da linguagem ou jogo terminológico, etc. É recomendável que se tenha algum um conhecimento da obra de Wittgenstein, principalmente de sua obra mais frequentemente referenciada, as Investigações Filosóficas, para que a proposta do livro seja entendida com mais êxito. A leitura é recomendada para estudiosos, pós-graduandos e docentes da área, mas no entanto, pode frustrar quem busca entender especificamente as técnicas de biblioteconomia sob o prisma da Filosofia da Linguagem. O conteúdo trata mais sobre epistemologia e alguns conceitos do que aspectos práticos, mais sobre linguagens e regras do que algum tipo de linguagem, processo ou produto específico da Biblioteconomia. Não é um livro sobre práticas mas sim para se pensar sobre as práticas e suas possibilidades.

A obra faz uma contextualização da tradição pragmática na CI, revisando também a visão representacionista, advinda dos estudos da Organização do Conhecimento. O pragmatismo é uma escola de filosofia caracterizada por considerar o sentido de uma ideia como correspondendo ao conjunto dos seus desdobramentos práticos. Em um primeiro momento, pode-se compreender que a visão representacionista não é necessariamente contraposta à visão pragmatista, mas que são compreendidas como diferentes modos de se perceber a Organização do Conhecimento.

Algumas discussões foram ao encontro de tópicos desenvolvidos por Buckland (2006), quando é elucidado que “a palavra – ou a representação – enfeitiça o organizador do conhecimento pelo seu potencial representacionista. Ao cativá-lo com este potencial, ela o leva a crer que a representação pode responder, por si só, pela organização do livro no mundo” (GRACIOSO, SALDANHA, 2011, p. 33). Ao tratar das Linguagens de Especialidade, Buckland aborda produtos de organização do conhecimento como catálogos, bibliografias e índices, que cobrem materiais de interesse para mais de uma comunidade, com práticas linguísticas diversas. A exemplo, para o autor

Diferentes discursos discutem diferentes questões ou, quando discutem a mesma questão, de diferentes perspectivas. Um coelho pode ser discutido como um bicho de estimação, ou como uma peste ou como comida. Em medicina, especialistas em anestesiologia, geriatria e cirurgia podem todos buscar por literatura recente em, vamos dizer, Parada Cardíaca, mas uma vez em que estão interessados em diferentes aspectos eles não irão, na prática, querer os mesmos documentos. (BUCKLAND, 2006,  p. 9-10)

Clay Shirky (2005) também exemplifica as desvantagens de uma visão representacionista, criticando as classificações decimais (de Dewey e do Congresso) bem como a classificação ontológica, com exemplo da Tabela Periódica de elementos. De acordo com o autor, na visão tradicional representacionista, “a essência de livro não são as idéias que ele contém. A essência de livro é “livro”. Pensar que catálogos de biblioteca existem para organizar conceitos confunde o recipiente por aquilo que ele contém”. Para cada livro (conteúdo) novo, mesmo antes de ser publicado, já existe ‘um lugar lógico na estante’, uma classificação exata, já prescrita. Shirky vai ao encontro de Gracioso e Saldanha e compreende que a web pragmática descaracteriza essa realidade prescritiva uma vez que destitui os processos de classificação e categorização tradicionalmente reconhecidos, considerados antiquados para viabilidade no mundo digital.

A princípio, entre os objetivos principais de um sistema de informação estão a eficiência na recuperação e poupar tempo de busca. Há de se pensar também na diferenciação entre sistemas de informação para documentos físicos, híbridos e digitais uma vez que a busca é realizada cada vez menos nas estantes e cada vez mais por hiperlinks. No entanto, coloca-se que a questão de recuperação é mais do que uma questão de tecnologia e explicita-se que esta, também e principalmente, é uma questão cultural uma vez que “dadas as infinitas possibilidades de nos relacionarmos e interagirmos em uma situação de vida, haveria a impossibilidade de tentarmos prever as ocorrências de determinados jogos de linguagem” (p. 77).

Karamuftuoglu (1998) compreende que o processo de indeterminação na recuperação da informação pode ocorrer não apenas por desconhecimento por parte das pessoas que o utilizam, mas porque o próprio processo de busca, recuperação e filtragem da informação é decisivo para a criação de filtros e prescrição de critérios pela comunidade que utiliza este sistema. Segundo o autor,  “isso resulta no estabelecimento de conexões entre documentos até então considerados independentes um do outro e modifica o conteúdo intelectual do domínio” (p. 1072). Podemos compreender que isso ocorre não apenas em um sistema de informação, que pode se apropriar de tecnologias para atingir seus fins, bem como também na própria prática do serviço de referência. De acordo com Grogan (1995) e a tipologia de questões, em alguns casos o consulente durante a busca para a pesquisa, depara-se com outras questões, modificando sua dúvida de origem ou até mesmo o próprio assunto da pesquisa.

Esta frase apenas faz sentido quando editada no MS Paint nesta fotografia e vista neste artigo neste exato momento.

Ao evitar as tentativas de representar o real, o pragmatismo segundo Gracioso e Saldanha (2011), investiga ao invés disso as possibilidades de uso da realidade, compreendendo-a culturalmente. Tudo isso vai ao encontro do que a web pragmática tem realizado e potencializado: criação de comunidades, comunidades em rede, colaboratividade, fluência na comunicação e multiplicidade de diálogos. A obra ainda nos mostra a fina linha que separa a informação e a linguagem, uma vez que ambas constituem-se e desenvolvem-se a partir de seu uso. Os autores ainda abordam o conceito de informação como fetiche, quando compreendem que

Sob um olhar pragmatista, o homem deve ser crítico à idéia de que a informação é bela, deve ser provocado sobre como a informação é construída, deve ser lembrado de que a informação é apenas a esfera de narrativas múltiplas – demarcadamente um fetiche do século XX – e nunca será a única pedra de toque que soluciona as crises da racionalidade. (p. 125-126)

Na seção da obra que trata sobre Olhares pragmáticos na CI, especificamente na área de terminologia é mencionada a Teoria Geral de Terminologia de Wüster, que atualmente é considerada uma teoria prescritiva, em que existe uma regra geral para a compreensão de uma linguagem especializada e a definição de um conceito realiza-se a partir do uso de determinada regra. Talvez também fosse pertinente, em estudos posteriores, uma articulação entre os princípios do segundo Wittgenstein, referentes à Teoria Comunicativa da Terminologia (TCT) proposta por Cabré (1999), e à Socioterminologia, proposta por Faulstich (2006). Segundo Lara (2006) a função dos termos para a TCT é de representar e transferir o conhecimento em situações diversas e na Socioterminologia, enfatiza-se a relação semântica e as definições formais são preteridas em benefício das descrições mais versáteis do significado das palavras.

Acredito que outras discussões mais específicas na Ciência da Informação podem surgir a partir do que foi proposto pela obra, devido à natureza interdisciplinar da área. Uma vez que a disciplina de Filosofia da Informação já está instituída, a Filosofia da Linguagem pode ter seu espaço para relacionar-se cada vez mais com o nosso pensar-fazer.


Referências

BUCKLAND, M. Naming in the library: Marks, meaning and machines. C. Todenhagen & W. Thiele (Eds.) In: Nominalization, nomination and naming in texts. Tübingen, Germany: Stauffenburg, 2006. p. 249-260.

CABRÉ, M.T. Una nueva teoría de la terminologia: de la denominación a la  comunicación. In: La terminología, representacíon y comunicación. Barcelona: Universitat Pompeu Fabra, IULA, 1999. p.109-127.

FAULSTICH, E. A socioterminologia na comunicação científica e técnica. Cienc. Cult. [online]. abr./jun. 2006, vol.58, no.2 [citado 25 Abril 2006], p.27-31.

GROGAN, D. A Prática do Serviço de Referência. Brasília: Briquet de Lemos, 1995. 195 p.

KARAMUFTUOGLU, M. Collaborative Information Retrieval: Toward a Social Informatics View of IR Interaction. Journal of the American Society for Information Science. V. 49, n. 12, p. 1070-1080, 1998.

LARA, M.L.G. Novas relações entre Terminologia e Ciência da Informação na perspectiva de um conceito contemporâneo da informação. Datagramazero, v.7, n.4, ago.2006

SHIRKY, Clay. Ontology is Overrated: categories, links and tags. 2005

Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Depois de ter visto este filme, fiquei curiosa para ler os livros da trilogia do Stieg Larsson (pra ver se perdi alguma coisa, pois em filmes muitas informações se perdem) e ver a versão sueca do filme. Achei bem estranho o filme ser feito em inglês com sotaque sueco. Até então não tinha percebido que já vi vários filmes do David Fincher. Os anteriores foram Zodíaco (que também sobre investigação), A Rede Social (que todo mundo viu), O Curioso Caso de Benjamin Button (que achei mais ou menos), O Quarto do Pânico, Clube da Luta (que é ultra overrated) e Seven – Os Sete Crimes Capitais (que é sim muito melhor que o infame Jogos Mortais). O casamento Fincher + Reznor está indo muito bem, pelo que parece e eu realmente torço para que dure.

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O filme tem várias histórias em paralelo que se entrecruzam. Não vou escrever muito pra não fazer spoiler, mas basicamente é a história de um jornalista ferrado e uma garota maluca que investigam um suposto crime. Se ainda quiser ver o filme, não leia os próximos parágrafos porque provavelmente algo que escreverei vai arruinar algumas surpresas.

Curioso notar que o crime principal, o desaparecimento de Harriet Vanger, é investigado de modo quase que completamente lícito, exceto na resolução final do caso. E mesmo o método ilícito não ajuda na resolução do caso: o que o soluciona, de fato, é uma intuição que o personagem tem durante uma cena de sexo (!). O filme também tem uma outra cena que fala ainda mais explicitamente sobre como as pessoas decidem ignorar sua intuição e deixar de “seguir seus instintos” por outros motivos, como por exemplo, ser cortês ou não saber recusar um convite. As pesquisas da investigação foram feitas com imagens fotográficas, correlações entre conversas com parentes, palavras-chave das anotações da desaparecida, determinados acontecimentos, números de telefone que se transformam em versículos bíblicos e assim vai se formando a imagem do quebra-cabeças. Todas as outras investigações realizadas na trama requerem invasões de privacidade e quebra de senhas, como se esse fosse o único modo mais eficaz de descobrir qualquer coisa. Bem, talvez até seja, mas talvez a mensagem do filme (se é que existe alguma) não seja bem essa.

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Por algum motivo pensei que a personagem da Salander fosse ser mais calculista do que aparentava e secretamente torci para que ela não se humanizasse ao longo da trama, o que é coisa minha mesmo. Alguma parte de mim desconfiou da humanização dela ou talvez eu tenha simplesmente desaprovado mesmo, por se tratar de uma sociopata extremamente introvertida e bastante ferrada em vários níveis. Quero dizer que ela tem bons motivos pra não saber amar e nem se deixar ser amada por ninguém. Bom, já escrevi coisa demais sobre o filme. Ainda existem mais dois filmes (espero que continue com o mesmo diretor e trilheiro) e então muita coisa pode acontecer e mudar, mas até sair a sequencia, acho que já vou ter lido os livros pois estou bastante curiosa. Também fiquei impressionada com a organização dos arquivos suécos da cidade de Hedestad e da empresa dos Vanger. Ironizei “aham que um arquivo é organizadinho, bonito, fácil, simples e rápido assim” e me questionei “será que lá é assim mesmo ou é coisa de filme?

Recomendo que o filme seja assistido no cinema mesmo principalmente por conta da trilha sonora. Assistir no computador pode até ser ok, pra assistir repetidas vezes, fazer outras análises, rever cenas, etc. Mas acredito que assistir apenas deste modo faz com que boa parte da experiência do filme se perca.

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