Biblioteca dos Sonhos

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– Então você está aqui para a visita hein? Você não parece nada com o que eu esperava. Bem, não se preocupe. Algum lugar em particular que você gostaria de começar? Não? Muito bem.

– Bem, vamos começar na minha área de responsabilidade. Eu sou o bibliotecário, você sabe. A maioria das pessoas não percebem o quão importantes os bibliotecários são.

– Eu estava com um livro recentemente que sugeria que a paz e aprosperidade de uma cultura eram inteiramente relacionadas com a quantidade de bibliotecários que ela continha. Possivelmente uma afirmação levemente exagerada. Mas uma cultura que não valoriza seus bibliotecários não valoriza suas ideias e sem ideias, bem, onde estamos?

– A biblioteca do sonho é a maior biblioteca que jamais existiu. Tenho certeza que todos os seus livros estão aqui. O que você diz? Que você não escreveu nenhum livro?

Claro que escreveu. Aqui está um. Chama-se “O melhor romance bestseller de espionagem que eu costumava pensar no ônibus que venderia bilhões de cópias e significaria que eu nunca precisaria trabalhar de novo”.

– Não é exatamente o mais fácil de se lembrar dos títulos, não é? Vamos lá fora.

 

Como transformar papo furado em uma conversa de verdade?

Querido Lifehacker,

Odeio papo furado. Nunca sei o quão profundo devo ir em uma conversa e eu não gosto muito de conversar sobre o tempo. Com um longo final de semana se aproximando e várias obrigações sociais, fico aqui pensando, como posso transformar todas essas conversinhas bobas em uma conversa de verdade?

Sinceramente,

Conversador de Verdade

Prezado Conversador,

Ninguém gosta de conversinha de verdade e certamente esta é uma das tarefas mais chatas pelas quais temos que passar. Enquanto boa parte do papo furado é baseado apenas no fato de que você está de frente à outra pessoa e precisa dizer algo, o verdadeiro objetivo é achar um fator comum para melhorar uma conversa. Vamos analisar algumas coisas que você pode fazer para fazer com que sua conversa flua mais rapidamente.

Compartilhe pequenos detalhes até que um permaneça

Mencionamos como compartilhar pequenos detalhes durante o papo furado é um bom modo de atrair interesse em um assunto e começar uma conversa de verdade. Ao invés de responder a uma questão simples como “como você está?” com “bem e você?” expanda sua resposta com alguns detalhes do seu dia. Por exemplo, você pode dizer “bem, passei a manhã andando de caiaque e estou ótimo!”.

Quando você compartilha esse pedacinho da sua história você tem uma de duas respostas: uma pergunta sobre como foi ou um “ah legal” desinteressado. Se forem recíprocos à sua animação você já tem pontos e pode continuar a conversa. Se eles não parecem interessados tente revelar outro detalhe até que algo permaneça.

Aprenda a fazer questionamentos relevantes

Somos meio programados a não compartilhar informações sobre nós mesmos, mas para se conseguir ter uma conversa de verdade, é importante mostrar interesse na outra pessoa primeiro. Como o Psychology Today aponta, você pode fazer isso de várias maneiras. Comece a ouvir corretamente:

Geralmente quando conhecemos alguém novo, tentamos preencher os momentos mortos com conversinha sobre nós mesmos. É bem melhor você ouvir primeiro e falar depois. É claro, alguém tem que começar a conversa, mas se você e a sua companhia ouvirem de fato um ao outro e não se preocuparem no que dizer a seguir, as coisas fluirão mais naturalmente.

Uma vez que você tenha uma boa idéia sobre o que está acontecendo você pode usar essa informação para perguntar os tipos certos de perguntas. Fazer perguntas é um ótimo modo de transformar papo furado em uma conversa naturalmente. Apenas tenha certeza de que sua questão é relevante ao assunto em pauta e não um modo de fazer com que a conversa se volte para você.

Arme-se com assuntos relevantes

As pessoas adoram conversar sobre as notícias e é um modo fácil jogar na roda pedaços entediantes de papo furado e torná-lo uma conversa divertida. Aparecer com umas poucas idéias iniciais é uma boa forma de direcionar uma conversa. O Art of Manliness tem uma formula simples para ter assuntos:

Se você não conhece as pessoas com quem estará conversando, pense sobre as coisas que provavelmente interessarão aqueles que irão te conhecer. Pergunte a eles sobre os aspectos únicos do lugar onde moram (“Vi uma estátua interessante na ida pra cidade. Qual a história por trás dela?”), fale sobre a companhia para qual eles trabalham (“Ouvi dizer que vocês estarão expandindo para a China logo – quando isso vai acontecer?”) e pergunte informações adicionais aos que conhecem melhor os outros.

A ideia e que se você pode encontrar alguns pedaços de informação relevante você pode pegar um papo furado chato e direcioná-lo para algo mais interessante.

Responda à pergunta “O que você faz (da vida/por diversão)?” com algo que você tenha feito de verdade

Um dos inícios de conversa mais comuns é o “então, o que você faz?”. Serve como um modo rápido de avaliar os modos que uma pessoa pode ser interessante. Dependendo do seu trabalho esta pode ser uma resposta fácil, mas para muitos de nós é um pouco mais complicado.

Em minha própria experiência, percebi que a maioria dos meus trabalhos requer mais do que uma ou duas palavras para responder por que eu tive poucos trabalhos na minha vida onde o título do trabalho explique de fato o que eu faço. Ao invés de responder “O que você faz da vida?” dizendo sou escritor pro Lifehacker, eu geralmente expando isso adicionando algumas notas sobre o que escrevi naquela semana ou falo sobre uma experiência. Basicamente, ao invés de responder com onde você trabalha e sua posição oficial, apareça com uma história que exemplifique o que você faz da vida.

O mesmo vai para “o que você faz para se divertir?”. Não diga apenas “ah, eu geralmente gosto de escalar montanhas” (ou o que seja). Fale sobre uma experiência recente com seu hobby tipo “Semana passada eu subi a montanha e fiz um picnic com a minha irmã. Vimos um urso caçando um bode”.

A idéia básica por trás de todas essas sugestões é encontrar o gancho no papo furado e puxá-lo para que ambos fiquem na mesma página. Para encontrá-lo você precisa prestar atenção nas pistas sutis, ouvir o modo como respondem, compartilhar uma boa quantidade de informação sobre você e aprender a avaliar quando estão interessados.

Sinceramente,

Lifehacker

p.s.: Tem seus próprios truques para transformar papo furado em conversa de verdade? Compartilhe nos comentários.

As bibliotecas do futuro e 17 formas de como a informação substituirá os livros

por Thomas Frey

Pergunta: Uma vez que os livros físicos estão desaparecendo e os computadores e dispositivos inteligentes tomam seu lugar, em que ponto uma biblioteca para de ser uma biblioteca e começa a se tornar outra coisa?

Em algum lugar no meio desta questão reside um medo persistente e uma ansiedade que vemos transbordar para o topo entre pessoa que se relacionam com a biblioteca.

Pessoas que acham que bibliotecas irão sumir simplesmente porque livros estão se tornando digitais estão perdendo as verdadeiras mudanças tectônicas que ocorrem no mundo da informação.

Bibliotecas não têm a ver com livros. Na verdade, nunca foram sobre livros.

As bibliotecas existem para nos dar acesso à informação. Até recentemente, os livros eram o modo mais eficiente de transferir informação de uma pessoa para outra. Hoje existem 17 formas básicas de informação que estão tomando o lugar dos livros e no futuro existirão muitas mais…

Mapas de posto de gasolina

Quando criança, eu era apaixonado pelos mapas de graça que eu podia pegar nos postos de gasolina. Ao longo do tempo eu colecionei mapas de quase todos os estados e de algumas províncias canadenses.

Junto com os primeiros dias do automóvel e um sistema rodoviário geralmente confuso surgiu a necessidade por mapas. Companhias de gasolina rapidamente perceberam que as pessoas que sabiam onde estavam indo geralmente viajavam mais, e consequentemente compravam mais gasolina.

Ao longo do tempo, qualquer um que dirigisse um carro logo esperava por mapas grátis onde quer que parassem pra abastecer, e companhias como Rand McNally, H.M. Gousha e General Drafting fizeram milhares destes mapas para ir ao encontro da demanda.

No início dos anos 70, quando eu estava recém aprendendo sobre a liberdade de ter um carro, eu não poderia imaginar uma época em que esses mapas não fossem uma parte integral da minha vida.

Hoje, como os GPS e smartphones nos dão instruções passo a passo para onde devemos ir, mapas rodoviários impressos existem como pouco mais que itens de coleção para pessoas que gostam de preservar suas memórias de uma era que já se foi.

Será que os livros impressos também passarão por um decrescimento de popularidade similar?

Nosso relacionamento com a informação está mudando

Como a forma e o sistema de entrega para o acesso à informação muda, nosso relacionamento com a informação também começa a se transformar.

Se tratarmos isso como outro tipo de relacionamento, podemos começar a ver de onde viemos e para onde vamos.

Foi-se a época em que simplesmente “flertávamos” com nossos dados, ocasionalmente olhávamos pra eles, esperando que eles prestassem mais atenção em nós.

Na escola tínhamos um relacionamento mais do tipo “namoro”, arrastávamos livros por aí, esperando que eles nos transmitissem seu conhecimento mesmo que as partes que lêssemos fossem poucas e distantes uma das outras. Bem como namorar alguém popular, nos tornávamos conhecidos pelos livros que carregávamos debaixo de nossos braços.

Quando começávamos a trabalhar, nos tornávamos “casados” com um universo relativamente pequeno de informação que envolvia nosso trabalho, companhia e indústria. As pessoas que se tornavam imersas em seu universo particular se tornaram reconhecidas como especialistas e foram rapidamente para o topo.

Hoje estamos começando a ter “casos” com outras formas exóticas de informação tais como redes sociais e conversa por vídeo. Todos estes novos modos de informação parecem muito mais vivos e vibrantes do que o mundo do livro com o qual fomos casados até o século passado.

Sozinhos, em alguma estante empoeirada, estão os livros com quem algum dia fomos casados. Em algum nível, muitos de nós nos sentimos como traidores por abandonarmos nosso passado, nunca chegando perto de um divórcio que nos deixou com lealdades misturadas  nos assombrando tanto em nível consciente como inconsciente.

Se você acha que esta é uma analogia maluca, muitos irão argumentar que não. Se qualquer coisa, a informação é o coração e a alma de nosso eu emocional. Mesmo que não possamos senti-la nos tocando como um dedo pressionando nosso braço, uma grande obra de literatura tem algum modo de acariciar nossa mente, jogar fogo em nossa raiva interior, enviar arrepios pela nossa coluna e nos dar uma sensação eufórica enquanto acompanhamos nosso herói alcançar uma conclusão climática.

Livros do passado continuam a manifestação física deste tipo de experiência e sem sua presença uma parte de nós sente-se perdida.

Substituindo Livros

A transição para outros modos de informação tem acontecido há décadas. Uma vez que formos capazes de superarmos a conexão emotiva que temos com os livros físicos, começaremos a ver como o mundo de informação está de subdividindo em dúzias de diferentes categorias.

Abaixo segue uma lista de 17 categorias primárias de informação que as pessoas utilizam no dia a dia. Enquanto elas não são substitutos diretos para livros físicos, eles todos tem uma forma de conseguir nossa confiança. Podem existir mais categorias que eu tenha esquecido, mas enquanto você pensa sobre os seguintes canais de mídia, você começa a entender como as bibliotecas do futuro precisarão funcionar:

  1. Jogos – 135 milhões de americanos jogam vídeo games por uma hora a cada mês. Nos Estados Unidos 190 milhões de casas usarão um console de vídeo game da próxima geração em 2012, dos quais 148 milhões estarão conectados à Internet. O jogador mediano tem 35 anos e eles têm jogado games por uma média de 13 anos.
  2. Livros Digitais – Em janeiro, o USA Today reportou uma “onda” de e-books pós-férias, com 32 dos 50 títulos principais em sua mais recente lista vendendo mais cópias em formatos digitais do que impresso. E-books autopublicados agora representam 20-27% da venda dos livros digitais.
  3. Livros de Áudio – Livros de Áudio é o setor que cresce mais rápido na indústria de publicações. Atualmente há uma escassez de livros de áudio no mundo todo enquanto os publicadores correm para atender a demanda. Apenas 0.75% (nem mesmo 1%) do catálogo de livros da Amazon têm até então sido convertido para áudio. Ano passado mais do que U$1 milhão de dólares em livros de áudio foram vendidos apenas nos Estados Unidos. Mais de 5 mil bibliotecas públicas agora oferecem livros de áudio para download.
  4. Jornais – A leitura online de jornais continua crescente, atraindo mais de 113 milhões de leitores em janeiro de 2012. As receitas da indústria de publicidade, no entanto, continuam a cair e estão agora no mesmo nível que estavam nos anos 50, quando ajustadas para inflação.
  5. Revistas – A indústria de revistas norte americana é composta de 5,146 negócios publicando um total de 38 mil títulos. O total de tempo gasto lendo jornais ou revistas é de mais ou menos 3.9 horas por semana. Quase metade de todo o consumo de uma revista se dá com a televisão ligada. A indústria de revistas teve um declínio de 3.5% no ano passado.
  6. Música – De acordo com o “Relatório da Indústria da Música de 2011” da Billboard, consumidores compraram 1.27 bilhões de faixas digitais ano passado, o que contabilizou por 50.3% de todas as vendas de música. As vendas de faixas digitais aumentaram 8.5% em 2011. Enquanto isso, vendas físicas declinaram 5%. De acordo com a Apple, existe uma estimativa de 38 milhões de canções no universo de música conhecido.
  7. Fotografias – Mais de 250 milhões de fotos são postadas no Facebook todos os dias.
  8. Vídeos – A Cisco estima que mais de 90% de todo o conteúdo da Internet será vídeo por 2015. Mais de cem mil anos de vídeos no Youtube são vistos no Facebook a cada ano. Mais de 350 milhões de vídeos no YouTube são compartilhados no Twitter todos os dias. O Netflix transmite 2 bilhões de vídeo por trimestre.
  9. Televisão – De acordo com o A. C. Nielsen Co.,  o americano médio assiste mais de 4 horas de T V cada dia, e tem 2.2 televisões. Uma estimativa de 41% de nossa informação atual vem da televisão.
  10. Filmes – Existem atualmente 39.500 telas de cinema nos Estados Unidos com mais de 4.500 delas convertidas para 3D. O americano médio assiste 6 filmes por ano. Entretanto, quase um terço dos lares norte-americanos usa a Internet de banda larga para assistir filmes em seus aparelhos de TV, de acordo com a Park Associates. Este número está crescendo, com 4% dos lares americanos comprando uma mídia receptora de vídeo tais como a Apple TV e Roku, na temporada de férias de 2011.
  11. Rádio – Assinantes de rádios de satélite, atualmente em 20 milhões, são projetados para alcançar 35 milhões em 2020. Ao mesmo tempo, o rádio na Internet é projetado para alcançar 196 milhões de ouvintes até 2020. Estes combinados ficarão igual ao número de ouvintes terrestres de rádio.
  12. Blogs – Existem atualmente mais de 70 milhões de blogs no WordPress e 39 milhões de blogs do Tumblr no mundo todo.
  13. Podcasts – De acordo com a Edison Research, uma estimativa de 70 milhões de americanos já ouviram a um podcast. A audiência de ouvintes de podcasts migrou de serem predominantemente “early-adopters” para se tornarem mais parecidas com consumidores de mídia mainstream.
  14. Aplicativos – Existem hoje 1.2 milhões de aplicativos para Smartphone com mais de 35 bilhões de downloads. Em algum momento este ano o número de aplicativos irá superar o número de livros impressos – 3.2 milhões.
  15. Apresentações – Liderando nesta área, o SlideShare é a maior comunidade do mundo para compartilhamento de apresentações. Com 60 milhões de visitantes mensais e 130 milhões de visualizações de páginas, está entre dos 200 websites mais visitados no mundo.
  16. Courseware – O movimento OpenCourseware tem pegado fogo com a Apple na liderança. O iTunesU atualmente tem mais de mil universidades participando de 26 países. A seleção de aulas, agora superando a marca de 500 mil, tem tido mais de 700 milhões de downloads. Eles recentemente anunciaram que estão expandindo para o mercado K-12.
  17. Redes Sociais – Seja o LinkedIn, Facebook, Twitter, Google+ ou Pinterest, as pessoas estão se tornando cada vez mais confiantes  em suas redes pessoais para informação. Existem agora mais de 2.8 bilhões de perfis de redes sociais, representando cerca de metade de todos os usuários de Internet no mundo todo. LinkedIn tem agora mais de 147 milhões de membros. Facebook tem mais de 1.1 bilhão de membros e contabiliza 20% das visualizações de páginas na Internet.  O Google+ atualmente tem mais de 90 milhões de usuários.

Cada uma destes modos de informação tem seu lugar nas bibliotecas do futuro. O fato de os livros físicos desaparecerem ou não tem pouca relevância no esquema geral das operações da biblioteca do futuro.

Steve Jobs apresentando o iCloud

A era próxima da biblioteca na nuvem

Em junho de 2011, Steve Jobs fez sua última aparição pública em uma conferência de desenvolvedores de software para divulgar o iCloud; um serviço que muitos acreditam que se tornará o seu maior legado.

Como Jobs imaginou, todo o universo de músicas, livros, filmes e uma variedade de outros produtos de informação residiriam no iCloud e poderiam ser “puxados” quando alguém precisasse de acesso a eles.

As pessoas inicialmente comprariam o produto através do iTunes e a Apple manteria uma cópia dele no iCloud. Então cada compra subsequente por outros usuários da Apple seria um rápido download diretamente do iCloud.

 Indiferente ao fato de o universo da informação se desenvolver na nuvem como Jobs imaginou, cada biblioteca precisará desenvolver a sua própria estratégia na nuvem para o futuro.

Como um exemplo, em um recente evento de biblioteca no qual eu estava palestrando, uma bibliotecária mencionou que tinha acabado de encomendar 50 Kindles e 50 Nooks para sua biblioteca. Na época, ela lidava com as restrições dos publicadores que apenas permitiam que eles carregassem cada livro digital em 10 dispositivos. Então quais dispositivos ficam com o conteúdo no final?

Ao longo do tempo, é fácil imaginar uma biblio teca com 350 Kindles, 400 iPads, 250 Nooks, 150 Xooms e uma variedade de outros dispositivos. Controlar qual conteúdo será carregado em cada dispositivo se tornará um pesadelo logístico. Entretanto, ter cada pedaço de conteúdo digital carregado na nuvem e restringi-lo a 10 downloads simultâneos será mais fácil de administrar.

Esta foto poderia ter sido preservada pela sua biblioteca na nuvem.

O valor do arquivo comunitário

Como era sua comunidade em 1950, ou em se tratando disso, em 1850 ou até mesmo em 1650? Que papel a sua comunidade desempenhou durante a Guerra Civil? O quão ativa ela foi durante as eleições presidenciais de 1960? Como os locais reagiram ao bombardeio de Pearl Harbor?

Nós temos acesso à vários livros de história que nos oferecem a “história oficial” de todos os principais eventos ao longo da história. Mas compreender a intersecção de nossa cidade, nossa vila, ou nossa comunidade com esses eventos marcantes nunca, na maior parte das vezes, foi capturado ou preservado. No futuro, isso se tornará uma das funções mais valorosas fornecidas pela biblioteca comunitária.

As bibliotecas sempre tiveram um mandato para arquivar os registros de sua área de serviço, mas raramente isso foi buscado com mais do que um entusiasmo passageiro. Arquivos dos encontros do conselho da cidade e livros de histórias locais fizeram o corte, mas poucos consideraram a biblioteca como um bom arquivo de vídeos ou fotografia.

Ao longo do tempo, vários dos jornais, rádio e estações de televisão começarão a desaparecer.  Uma vez que estes negócios perdem sua viabilidade, seus depósitos de vídeos de transmissões históricas e documentos precisarão ser preservados. Mais especificamente, cada transmissão de rádio, jornal e televisão precisarão ser digitalizados e arquivados.

Com o advento do iCloud e outros serviços similares as bibliotecas vão querer expandir sua hospedagem de coleções originais e instalar o equipamento para digitalizar a informação. A venda desta informação para o mundo externo através de um serviço do tipo iTunes se tornaria uma fonte de renda valorosa para bibliotecas no futuro.

Pensamentos finais

As bibliotecas, assim como qualquer organismo vivo, terão que se adaptar à natureza complexa e em constante mudança do mundo da informação. Como a informação se torna cada vez mais sofisticada e complexa, as bibliotecas também se tornarão.

Bibliotecas estão aqui pra ficar porque elas tem instinto de sobrevivência. Elas criaram uma relação mutuamente dependente com as comunidades as quais servem, e mais importantemente, elas sabem como se adaptar  ao mundo em mudança em volta delas.

Estou sempre impressionado com as coisas criativas sendo feitas em bibliotecas. Como Eleanor Roosevelt disse uma vez, “O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos”. Existem muitos sonhos bonitos acontecendo que ajudarão a criar as bibliotecas de amanhã.

Namore quem leia

John Waters. Sensualizando. Só. Que. Não.

“We need to make books cool again.
Precisamos fazer com que livros sejam legais de novo.
If you go home with somebody and they don’t have books
Se você vai pra casa com alguém e eles não tem livros
don’t fuck them.”
Não trepe com eles.

– John Waters

[…]

Minha retificação pessoal:

“We need to make reading cool again.
Precisamos fazer com que a leitura seja legal novamente.
If you go home with somebody and they don’t have shelves,
Se você vai pra casa com alguém e eles não tem estantes,
watch out to see if there’s an i-pad, an e-reader or a laptop around.
Procure ver se eles não tem um i-pad, um e-reader ou um laptop por perto.
And then fuck’em.
E aí trepe com eles.
Maybe they gave up all that dust-gathering junk for something lighter and better”.
Talvez eles tenham desistido de toda aquela porcaria juntadora de poeira por algo mais leve e melhor.

Bottom line: Livros são legais, mas em última instância mesmo, não passam de objetos. Precisamos parar de dar tanta importância pro recipiente, pro objeto e começar a dar mais importância pro conteúdo, que nem sempre encontra-se em livros, apenas. Alguém pode ser rico o suficiente pra ter uma biblioteca decente em casa sem nunca ter lido um livro direito. Ou a pessoa pode ter livros, lê-los e ainda assim não levá-los pra vida, ter dificuldades de interpretação e absorção de conteúdo. No final das contas, ter livros em casa pode não significar nada, realmente. Namore quem leia, mas não se preocupe tanto com os livros. E não precisa ser antiquado, nem mente fechada. As coisas mudam.

Too Big to Know, livro novo do David Weinberger

Recebi o link pra uma entrevista com o David Weinberger no TechCrunch onde ele fala um pouco sobre o seu novo livro, Too Big To Know (ainda sem título em português, acredito). O autor já tem publicado no Brasil o livro A Nova Desordem Digital, o qual dedica aos bibliotecários, e que acredito que qualquer bibliotecário que se interesse minimamente por organização de conteúdo online, deve ter como livro de cabeceira. O TBTK  provavelmente vai ser o próximo.

A seguir um trecho da entrevista, que também dá uma prévia do novo livro:

(…) Então, as pessoas continuarão a publicar livros. Livros são uma forma de pensamento altamente valorizada. Isso não vai desaparecer, eu acho que não, mas o livro como a peça central de conhecimento, como o próprio símbolo do conhecimento, acredito que isto já esteja desaparecendo. (…)

Inventamos o conhecimento para que se encaixasse ao meio, e o meio eram papéis e livros, e livros tem certas propriedades incríveis e várias fraquezas. A fraqueza principal é que eles estão disconectados. Embora isso não se torne óbvio até que tenhamos um meio que seja conectado. Mas assim que nos conectamos, os rodapés nos parecem links quebrados. Você não pode clicar neles. Um rodapé em um trabalho impresso não funciona mais e isso se torna bem óbvio pra nós.

E então, muito conhecimento foi tradicionalmente baseado na limitação do papel como meio, que esse é um meio desconectado no qual você tenta colocar questões, porque uma vez que você publica em papel você não pode mudar o que foi escrito, então tem-se a idéia de que o conhecimento nunca mudou… sempre foi conhecido – sempre foi eterno.

Tudo isso desorganiza-se com um meio conectado no qual qualquer um pode participar. Muito do valor do que é dito não é o conteúdo do livro em si, mas os links que participam dele. (…)

O autor já esteve no Brasil em 2010, no XVI Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias:

David Weinberger – Brasil – 2B2K from moreno on Vimeo.

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