Depois de ter visto este filme, fiquei curiosa para ler os livros da trilogia do Stieg Larsson (pra ver se perdi alguma coisa, pois em filmes muitas informações se perdem) e ver a versão sueca do filme. Achei bem estranho o filme ser feito em inglês com sotaque sueco. Até então não tinha percebido que já vi vários filmes do David Fincher. Os anteriores foram Zodíaco (que também sobre investigação), A Rede Social (que todo mundo viu), O Curioso Caso de Benjamin Button (que achei mais ou menos), O Quarto do Pânico, Clube da Luta (que é ultra overrated) e Seven – Os Sete Crimes Capitais (que é sim muito melhor que o infame Jogos Mortais). O casamento Fincher + Reznor está indo muito bem, pelo que parece e eu realmente torço para que dure.
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O filme tem várias histórias em paralelo que se entrecruzam. Não vou escrever muito pra não fazer spoiler, mas basicamente é a história de um jornalista ferrado e uma garota maluca que investigam um suposto crime. Se ainda quiser ver o filme, não leia os próximos parágrafos porque provavelmente algo que escreverei vai arruinar algumas surpresas.
Curioso notar que o crime principal, o desaparecimento de Harriet Vanger, é investigado de modo quase que completamente lícito, exceto na resolução final do caso. E mesmo o método ilícito não ajuda na resolução do caso: o que o soluciona, de fato, é uma intuição que o personagem tem durante uma cena de sexo (!). O filme também tem uma outra cena que fala ainda mais explicitamente sobre como as pessoas decidem ignorar sua intuição e deixar de “seguir seus instintos” por outros motivos, como por exemplo, ser cortês ou não saber recusar um convite. As pesquisas da investigação foram feitas com imagens fotográficas, correlações entre conversas com parentes, palavras-chave das anotações da desaparecida, determinados acontecimentos, números de telefone que se transformam em versículos bíblicos e assim vai se formando a imagem do quebra-cabeças. Todas as outras investigações realizadas na trama requerem invasões de privacidade e quebra de senhas, como se esse fosse o único modo mais eficaz de descobrir qualquer coisa. Bem, talvez até seja, mas talvez a mensagem do filme (se é que existe alguma) não seja bem essa.
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Por algum motivo pensei que a personagem da Salander fosse ser mais calculista do que aparentava e secretamente torci para que ela não se humanizasse ao longo da trama, o que é coisa minha mesmo. Alguma parte de mim desconfiou da humanização dela ou talvez eu tenha simplesmente desaprovado mesmo, por se tratar de uma sociopata extremamente introvertida e bastante ferrada em vários níveis. Quero dizer que ela tem bons motivos pra não saber amar e nem se deixar ser amada por ninguém. Bom, já escrevi coisa demais sobre o filme. Ainda existem mais dois filmes (espero que continue com o mesmo diretor e trilheiro) e então muita coisa pode acontecer e mudar, mas até sair a sequencia, acho que já vou ter lido os livros pois estou bastante curiosa. Também fiquei impressionada com a organização dos arquivos suécos da cidade de Hedestad e da empresa dos Vanger. Ironizei “aham que um arquivo é organizadinho, bonito, fácil, simples e rápido assim” e me questionei “será que lá é assim mesmo ou é coisa de filme?“
Recomendo que o filme seja assistido no cinema mesmo principalmente por conta da trilha sonora. Assistir no computador pode até ser ok, pra assistir repetidas vezes, fazer outras análises, rever cenas, etc. Mas acredito que assistir apenas deste modo faz com que boa parte da experiência do filme se perca.
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